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Mais Notícias : Terceira dose com vacina da Pfizer mostra proteção de 81% contra morte por Covid
Enviado por alexandre em 03/11/2021 09:22:26

Terceira dose de vacina é eficaz na redução da Covid-19 grave em comparação com quem recebeu duas doses da vacina há pelo menos 5 meses

Vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech
Vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech Divulgação

Camila Neumamda CNN

O maior estudo de efetividade da terceira dose da vacina contra Covid-19 feito até o momento, realizado pelo Instituto de Pesquisa Clalit de Israel, mostrou que a terceira dose da vacina Pfizer / BioNTech reduziu a hospitalização relacionada à Covid-19 em 93%; o estado grave da doença em 92%; e as mortes em 81%, em comparação com apenas duas doses recebidas pelo menos cinco meses antes.

A pesquisa foi publicada na revista científica The Lancet na sexta-feira (29).

O estudo sugere que uma terceira dose de vacina é eficaz na redução de desfechos graves relacionados a Covid-19 em comparação com indivíduos que receberam duas doses de vacina há pelo menos 5 meses.

O estudo é o primeiro a estimar a eficácia de uma terceira dose de uma vacina de mRNA contra Covid-19 contra desfechos graves com ajuste para vários fatores incluindo comorbidades e fatores comportamentais.

O estudo principal, conduzido em colaboração com pesquisadores da Universidade de Harvard, examinou dados de 728.321 pessoas em Israel que receberam uma terceira dose da vacina Pfizer/BioNTech, em comparação com 728.321 controles correspondentes que receberam apenas duas doses da mesma vacina pelo menos cinco meses antes.

Entre os participantes do estudo, a maioria tem idade média de 50 anos e 51% são mulheres.

A eficácia da vacina foi considerada semelhante para diferentes sexos, grupos de idade (idades entre 40 a 69 anos e 70 anos ou mais) e número de comorbidades.

O estudo foi realizado entre 30 de julho e 23 de setembro de 2021. A variante Delta era dominante em Israel durante este período.

O Clalit Research Institute, em colaboração com pesquisadores da Harvard University, analisou um dos maiores bancos de dados integrados de registros de saúde para examinar a eficácia da terceira dose da vacina Pfizer / BioNTech contra a variante Delta do SARS-CoV-2.

“Esses resultados mostram de forma convincente que a terceira dose da vacina é altamente eficaz contra desfechos graves relacionados à Covid-19 em diferentes grupos de idade e subgrupos populacionais, uma semana após a terceira dose. Esses dados devem facilitar a tomada de decisões sobre políticas informadas” afirmou Ran Balicer, do Clalit Research Institute, que também atua como presidente da Equipe Nacional de Consultoria de Especialistas de Israel na resposta à Covid-19.

Ben Reis, diretor do Grupo de Medicina Preditiva do Programa de Informática em Saúde Computacional do Boston Children’s Hospital e da Harvard Medical School, disse que os resultados do estudo devem reforçar as informações sobre a eficácia da vacina.

“Este cuidadoso estudo epidemiológico fornece informações confiáveis ​​sobre a eficácia da terceira dose da vacina, que esperamos que seja útil para aqueles que ainda não decidiram sobre aplicar a terceira dose”.

O estudo foi conduzido em Israel, pelo fato de o país ser um dos primeiros líderes globais em taxas de vacinação contra Covid-19 com terceira dose.

Segundo os pesquisadores, o estudo fornece a maior avaliação revisada por pares da eficácia de uma dose de “reforço” de uma vacina contra Covid-19 em um cenário de vacinação em massa.

Necessidade da terceira dose

Muitos países estão experimentando um ressurgimento de infecções por SARS-CoV-2, apesar de as campanhas de vacinação até agora estarem sendo bem-sucedidas. Isso pode ser devido à maior infecciosidade da variante delta e à diminuição da imunidade das vacinas administradas meses antes.

Diante do atual ressurgimento, vários países estão planejando administrar uma terceira dose de reforço da vacina de mRNA contra a Covid-19.

E diante dessa necessidade, o estudo também permite uma avaliação mais precisa da eficácia da terceira vacina em diferentes períodos, diferentes subpopulações (por sexo, idade e número de comorbidades) e diferentes resultados, apontam os pesquisadores.


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Mais Notícias : Estas são as metas da COP26, segundo o presidente do evento
Enviado por alexandre em 01/11/2021 10:09:34

COP26, na Escócia, tem metas ambiciosas, que demandam grandes negociações entre os líderes das naçõs.

Painel na COP26 demanda união para preservar o planeta
Painel na COP26 demanda união para preservar o planeta UNFCC/Divulgação

Ivana Kottasováda CNN

Alok Sharma – advogado britânico e presidente da COP26 – disse que ele quer que a conferência alcance acordos em uma série de metas. São elas:

  • Manter a meta do 1,5ºC viva, o que pode envolver qualquer coisa para zerar a emissão de dióxido de carbono até metade do século e cortar as emissões de gases de efeito estufa de forma mais agressiva nessa década.
  • Estabelecer uma data para o fim do uso de carvão, algo que os líderes do G20 não conseguiram concordar em Roma. Líderes falam em acabar com o carvão “incessante”, o que significa que algum carvão ainda poderá ser empregado se conseguirem utilizá-lo sem emitir gases de efeito estufa.
  • Oferecer US$ 100 bilhões em financiamento climático anualmente —  o que as nações ricas haviam concordado em fazer a partir de 2020 para ajudar países em desenvolvimento fazerem a transição para economias de baixo-carbono e se adaptarem para os impactos da crise.
  • Fazer todos os carros vendidos serem zero poluentes em 14 a 19 anos.

  • Finalizar e reverter o desmatamento até o fim da década, já que florestas fazem parte essencial para remover o carbono da atmosfera.
  • Reduzir emissões de metano, um potente gás com capacidade 80 vezes maior de aquecimento do que o dióxido de carbono. Os EUA e a Europa prometem reduzir 30% das emissões de metano.

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Mais Notícias : Antes de 80% de imunizados não é hora de tirar a máscara, diz infectologista
Enviado por alexandre em 31/10/2021 12:10:00

Cerca de três capitais e outras 14 cidades brasileiras já flexibilizaram o uso de máscaras em locais abertos, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

O Rio de Janeiro começou a liberação na quinta-feira (28) e foi a primeira capital brasileira a desobrigar o equipamento de proteção contra a Covid-19. O infectologista Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da USP, afirmou neste sábado (30), porém, em entrevista à CNN, que ainda não é o momento adequado para que o uso da proteção seja facultativo no país.

“O ideal é que tenhamos pelo menos 80% das pessoas imunizadas, porque aí você tem a garantia de que o número de casos vai cair acentuadamente, uma vez que a transmissão diminui. Enquanto nós tivermos com o vírus circulando, podem aparecer novas variantes e isso aumentaria novamente o número de infectados.”


Boulos acredita que, neste momento, o Brasil está com uma imunidade “relativamente alta”, e que as flexibilizações poderiam começar dentro de um mês, desde que sejam feitas gradualmente.

“É provável que com mais 15 ou 20 dias, dentro de um mês, nós poderemos começar a liberar o uso de máscaras em ambiente externo. Mas, no ambiente interno, nós vamos ter que manter, porque o vírus continuará circulando, inclusive no ano que vem. A gente só tem garantia de tirar em ambiente fechado quando esse nível de vacinação [for atingido] e quando os índices epidemiológicos mostrarem que a diminuição está tão grande que será possível. Talvez ainda leve alguns meses para isso.”

O infectologista acrescentou que até as festas de final de ano as condições já podem estar mais propícias para as autoridades avançarem nas flexibilizações. Ele também destacou que ambientes com ar-condicionado são menos seguros, uma vez que as pessoas estão próximas, sem janelas e espaços abertos.

“A falta de ventilação faz com que você tenha uma transmissão maior.”

(Publicado por Daniel Fernandes)

Mais Notícias : Ação humana faz florestas emitirem mais carbono do que são capazes de absorver
Enviado por alexandre em 29/10/2021 09:37:28

Relatório da Unesco aponta os efeitos de ações como os incêndios florestais; tema será debatido na COP26

Parque Nacional Morne Trois Pitons, em Dominica, uma das florestas que emite mais carbono do que absorve
Parque Nacional Morne Trois Pitons, em Dominica, uma das florestas que emite mais carbono do que absorve Evergreen/Unesco

Rachel Ramirezda CNN

A atividade humana e os desastres alimentados pelas mudanças climáticas transformaram dez das florestas internacionalmente reconhecidas como Sítios do Patrimônio Mundial Natural da Unesco de absorvedoras de carbono para emissoras, descobriram pesquisadores.

O relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) aponta que esses locais têm capacidade de absorver aproximadamente 190 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera a cada ano — cerca de metade das emissões anuais de combustíveis fósseis do Reino Unido, por exemplo.

Mas nos últimos 20 anos, muitos desses lugares registraram um aumento em suas emissões, e alguns até excederam a quantidade de carbono que estavam removendo da atmosfera.

Pesquisadores da Unesco apontam dois fatores principais para essa mudança de “perfil”: eventos climáticos extremos impulsionados por mudanças climáticas, como incêndios florestais, tempestades e secas; e ação humana, como extração ilegal de madeira, práticas agrícolas e criação de gado.

Dada a escala dessas florestas, Tales Resende, oficial da Unesco e coautor do relatório, afirma que essa é uma questão cada vez mais presente em todo o mundo, e por isso necessita de ação global.

“O que os resultados revelam é que não é necessariamente um problema relacionado a um país ou região específica, mas um problema global”, disse Resende à CNN. “Quando vemos onde estão os dez locais que se tornaram fontes de carbono, estão espalhados por todo o mundo, então a conclusão é que a ação climática é necessária em nível mundial.”

Monte Kinabalu
Monte Kinabalu, na Malásia / Monte Kinabalu

Da bacia do Congo, na África, aos parques de Redwoods, nos Estados Unidos, as 257 florestas do Patrimônio Mundial do planeta cobrem mais de 68 milhões de hectares, quase o dobro da área da Alemanha.

Mas o relatório mostra que, desde 2000, as ameaças das indústrias extrativas, a degradação ambiental e as mudanças climáticas foram registradas em cerca de 60% desses lugares, que perderam mais de 3,5 milhões de acres de florestas, mais que a área da Bélgica. Dos dez locais que transformaram-se em emissores de carbono, três estão localizados nos Estados Unidos.

Dez florestas do Patrimônio Mundial estão emitindo mais carbono do que absorvem

  • Floresta Tropical de Sumatra, na Indonésia
  • Reserva do Rio Plátano, em Honduras
  • Parque Nacional de Yosemite, nos Estados Unidos
  • Parque Internacional da Paz Waterton-Glacier, no Canadá e nos Estados Unidos
  • Montanhas Barberton Makhonjwa, na África do Sul
  • Parque Kinabalu, na Malásia
  • Bacia do Uvs Nuur, na Rússia e Mongólia
  • Parque Nacional do Grand Canyon, nos Estados Unidos
  • Montanhas Azuis, na Austrália
  • Parque Nacional Morne Trois Pitons, em Dominica

As conclusões do relatório são um alerta oportuno sobre as limitações das árvores e florestas como solução climática. Líderes se reunirão na COP26 em Glasgow, na Escócia, a partir de domingo (31) para discutir maneiras de limitar o aquecimento global, e o plantio de árvores é uma das quatro principais prioridades delineadas pelo governo do Reino Unido, que preside o evento.

A proteção de florestas e o plantio de árvores têm enorme potencial para absorver carbono da atmosfera, mas em um mundo de clima em rápida mudança, as áreas sujeitas a incêndios florestais constantes podem se tornar parte do problema, ao invés da solução, como mostra o estudo.

Os autores apontam que é a primeira vez que foi possível quantificar como as florestas do mundo estão absorvendo CO² da atmosfera. Ao longo dos séculos, estas florestas armazenaram aproximadamente 13 bilhões de toneladas de carbono, o que excede a quantidade total nas reservas de petróleo do Kuwait, por exemplo.

Floresta Sumatra
Formação da sigla “SOS” chama a atenção para a destruição do patrimônio na floresta de Sumatra, na Indonésia / Peter Howard / Unesco

“Agora podemos ver o papel importante que as florestas desempenham na estabilização do clima global”, disse à CNN Nancy Harris, gerente de pesquisa do Observatório Global de Florestas do Instituto Global de Recursos e co-autora do relatório. “E a verdade é que as estamos subestimando completamente”.

A maioria dos locais que absorvem a maior parte do CO² está em regiões tropicais e temperadas, como América do Sul e Austrália. Embora ainda cumpram bem este papel, os pesquisadores disseram que há sinais de que outros deles podem se tornar fontes de carbono.

Incêndios, em particular, queimaram vastas áreas dessas florestas nos últimos anos. Embora sejam uma parte crítica do ecossistema, com muitas espécies de plantas dependendo delas para dispersar suas sementes, os cientistas dizem que os incêndios estão se intensificando, o que leva ao risco de liberação do carbono armazenado há muito tempo no solo e nas árvores.

Na última década, o aquecimento global e as condições secas prepararam grande parte do ambiente para o início dos incêndios florestais. O relatório apontou vários exemplos de queimadas significativas em locais classificados como Patrimônio Mundial, como o Lago Baikal, na Rússia, em 2016, e as Grandes Montanhas Azuis, da Austrália, em 2020.

“Vimos alguns incêndios florestais que emitiram mais de 30 milhões de megatons de CO² — é mais ou menos o que a Bolívia emite dos combustíveis fósseis em um ano”, afirmou Resende.

“Um único evento pode representar as emissões de um país inteiro”, acrescentou. “E tenha em mente o fato de que as emissões que foram contabilizadas no estudo estão apenas dentro dos limites desses locais. Então representam apenas uma parcela dos incêndios na paisagem mais ampla.”

O relatório se baseia em mapas publicados recentemente que rastreiam a troca global de carbono entre as florestas e a atmosfera durante o período de 2001 a 2020, analisando os impactos climáticos, bem como as consequências das atividades humanas para os sítios do Patrimônio Mundial.

“Nossa análise ilustra como podemos parar de considerar a natureza como algo natural e começar a valorizar os benefícios climáticos gerados por esses e outros locais importantes em todo o mundo”, disse Harris.

Parque Nacional de Yosemite
Parque Nacional de Yosemite, nos Estados Unidos / National Park Service/Dan Abbe

As florestas desempenham um papel vital nas sociedades. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, que também contribuiu para o relatório, quase 25% da população mundial — muitos em países em desenvolvimento — dependem delas para sua subsistência.

Além disso, esses locais geram até US$ 100 bilhões (cerca de R$ 560 bilhões) por ano em bens e serviços, além de serem o lar de 80% da biodiversidade terrestre. A capacidade das florestas de evitar que a crise climática saia do controle torna as ameaças que enfrentam ainda mais preocupantes, alerta Resende.

Os líderes mundiais se reunirão em Glasgow, na Escócia, para a COP26, onde o foco será o estabelecimento de comprometimentos com cortes mais fortes de combustíveis fósseis e o fim do uso do carvão. Também discutirão compromissos para proteger e restaurar as florestas do planeta e, em última instância, interromper o desmatamento.

“Esperamos realmente desencadear uma ação climática para salvaguardar essas joias que são patrimônios da humanidade”, declarou Resende. “Esses são laboratórios para mudanças ambientais como um todo, não apenas relacionadas ao clima, mas também à biodiversidade. Queremos facilitar o diálogo com as principais partes interessadas para realmente financiar e fornecer investimentos sustentáveis.”



(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês)


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Mais Notícias : 19 milhões de brasileiros vivem com fome; consequências na saúde são irreversíveis
Enviado por alexandre em 28/10/2021 09:50:20

Mais da metade da população brasileira — 116 milhões de pessoas — vive com algum grau de insegurança alimentar. Ao menos 19 milhões estão passando fome, situação agravada pela pandemia e pela crise econômica do país. Os dados são de levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

Há muitas consequências decorrentes da insegurança alimentar e da fome. Segundo especialistas consultados pela CNN Brasil, elas envolvem problemas de saúde que se transformam em mazelas sociais, econômicas e educacionais e podem ser irreversíveis, sobretudo nas crianças.

Há três graus de insegurança alimentar, o leve, o moderado e o grave, que acontecem pela preocupação em não ter o que comer, pela falta de acesso pleno a alimentos até a fome de fato, explica Milene Pessoa, professora do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, que estuda os efeitos da insegurança alimentar no Brasil.

“Qualquer grau de insegurança alimentar pode causar comprometimento na saúde, indo de deficiências de macronutrientes, como proteínas e carboidratos, à falta de micronutrientes, como minerais e vitaminas, até chegar ao ponto de o corpo parar de funcionar”, afirma Pessoa.

Segundo a nutricionista da UFMG, as principais vítimas da insegurança alimentar são as crianças, já que, no caso delas, a condição pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento físico e cognitivo necessários para que rompam a bolha da pobreza extrema, explica a nutricionista.

Dados da Fundação Abrinq mostram que 18 milhões de crianças estão em situação de insegurança alimentar no Brasil.

“As crianças que passam fome podem ter um comprometimento importante no desenvolvimento e um déficit de estatura por idade, causando a desnutrição crônica. A fome também está associada a déficits cognitivos porque pode causar anemia, que é a ausência de ferro, importante no desenvolvimento de órgãos, tecidos e para o funcionamento cerebral. E esse déficit pode ser irreversível em situações graves”, afirma Pessoa.

No caso de adultos malnutridos, o problema é especialmene perigoso em idosos e as gestantes, que correm mais risco de morrer nesta situação.

Como a fome afeta o organismo?

O corpo precisa de nutrientes para funcionar e se desenvolver organicamente, sexualmente e cognitivamente, e grande parte deles vem dos alimentos, afirma o endocrinologista Nelson Vinícius Gonfinetti, do Instituto Castro.

“Se você não tem nutrientes, o corpo vai atrasando o desenvolvimento. Crianças desnutridas demoram para entrar na puberdade, atrasam seu crescimento e ficam menores, tudo isso para preservar o funcionamento do organismo”, afirma o endocrinologista.

Por isso, para um bom desenvolvimento, a criança e o adulto precisam ter uma alimentação balanceada e equilibrada, com uma quantidade mínima de proteína, gorduras e carboidratos, que cada corpo precisa para manter seu funcionamento e garantir seu desenvolvimento.

“Toda alimentação desequilibrada, com excesso de ultraprocessados ou rica em carboidratos e gorduras, e pobre em vitaminas e proteínas, causa desequilíbrio e consequentemente a desnutrição”, diz Gonfinetti.

A desnutrição é constatada pela correlação entre peso e altura, medido pelo índice de massa corpórea (IMC). Pessoas com IMC menor do que 17 já podem ser consideradas desnutridas.

Junto à má alimentação vêm os efeitos metabólicos do excesso de gordura e carboidratos na alimentação. Além de desnutridas, estas pessoas têm maior disposição a desenvolver colesterol alto e diabetes ao longo do tempo.

Embora as doenças crônicas atinjam mais os adultos, crianças que se alimentam mal tendem a sofrer as consequências no futuro, com risco maior de desenvolver as mesmas doenças. “Quanto mais avançar a idade, pior se torna o quadro metabólico”, diz Gonfinetti.

Por que as crianças são as principais vítimas?

A desnutrição em crianças tende a ser mais devastadora em menores de cinco anos porque nesta fase da vida o sistema imunológico delas fica muito fragilizado e menos resistente às doenças, afirma a neonatologista Vanessa Mouawad, do Hospital Albert Einstein.

“Um resfriado, uma diarreia é capaz de matar uma criança desnutrida. E nos menores de dois anos, que estão em pleno desenvolvimento, o déficit nutricional pode impactar física e mentalmente”, diz.

Uma criança desnutrida é visivelmente muito magra e apresenta quadros alternados de sonolência e irritação, apatia, dificuldade de fixar conteúdos e pode até apresentar problemas respiratórios. E nos casos de desnutrição crônica, elas têm diminuição de estatura.

“A longo prazo, os estudos de epigenética mostram que o corpo tem propensão a doenças se ele não for nutrido adequadamente. Crianças alimentadas de forma errada no começo da vida serão adultos doentes”, diz Mouawad. A neonatalogista explica que a amamentação é uma forma de manter a criança bem nutrida até um ano de idade. Mas, a desnutrição da mãe também pode afetar a qualidade do leite materno.

“O ideal seria essa mãe também ser cuidada, tomar pelo menos três litros de água por dia, se alimentar bem, mas em uma situação de fome sabemos que nem sempre isso é possível, infelizmente”, opina. “Uma alimentação com base no arroz com feijão, verduras e em frutas como bananas podem ajudar a nutrir o organismo das crianças e adultos e evitar a desnutrição severa”, finaliza Mouawad.

Carga dupla de má nutrição

Há outro efeito da insegurança alimentar que também pode trazer sérios problemas de saúde.

É o que os nutricionistas chamam de ‘carga dupla da má nutrição’ — a coexistência entre o excesso do consumo de produtos ultraprocessados (ricos em açúcar, sal, gordura e conservantes) e a falta de nutrientes na alimentação, explica Milene Pessoa, da UFMG.

“Isso acontece em função de um padrão alimentar estimulado pelo alto consumo de ultraprocessados que, ao contrário dos alimentos básicos, não sofreram tanto aumento de preço, são mais baratos, porém muito maléficos à saúde por serem pobres em nutrientes e causam sobrepeso e obesidade”, diz Pessoa. “Então, uma mesma família que passa por uma situação de insegurança alimentar pode ter indivíduos obesos, que é a associação de diferentes graus de insegurança alimentar”, completa.

Uma pesquisa realizada pela Unicef Brasil no ano passado apontou que 49% da população brasileira com 18 anos ou mais declarou ter mudado os hábitos alimentares durante a pandemia, e aproximadamente um em cada cinco brasileiros dessa faixa etária passou por algum momento em que não tinha recursos para comprar comida. Mas como a insegurança alimentar não é caracterizada somente pela quantidade, mas também pela qualidade do que se consome, algumas famílias sem problemas financeiros também podem viver sob esta condição, embora de grau leve, explica Pessoa.

“A base da alimentação saudável é a comida que nós precisamos preparar, como arroz, feijão e vegetais, que já faz parte da nossa história e cultura alimentar. Mas para que se atinja isso, há uma gama de fatores, que envolvem investimento em políticas públicas”, afirma a nutricionista.

Problema de saúde pública

Segundo a professora da UFMG, nos últimos cinco anos houve um desmantelamento das políticas de segurança alimentar e nutricional no país, que envolvem agricultura familiar e urbana, educação alimentar e nutricional. E, com isso, a perda de chances reais de informar sobre os alimentos mais importantes e de transformar o ambiente alimentar no entorno das casas das pessoas, que favoreça as escolhas saudáveis.

“Para evitar a disseminação deste padrão alimentar, é fundamental a criação e manutenção de políticas de acesso e de educação alimentar, de pleno emprego e de educação financeira que ensine a calcular quanto se gastaria fazendo a feira em comparação com os ultraprocessados”, opina. “Enquanto elas [as políticas] não estão consolidadas, é preciso manter a distribuição de cestas básicas”, defende Pessoa.

A insegurança alimentar, como um todo, é também um problema de saúde pública, não apenas individual na visão da professora da UFMG. Isso porque a má alimentação aumenta o risco de se desenvolver doenças crônicas e mentais, que tendem a sobrecarregar o Sistema Único de Saúde.

“Já temos evidências robustas na literatura científica mostrando a associação de ultraprocessados e doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, câncer; e também a associação com problemas de saúde mental como depressão e ansiedade que sobrecarregam o sistema de saúde”, diz.

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