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Brasil : CHINÊS VETA
Enviado por alexandre em 20/10/2021 00:44:56

Veto chinês à carne brasileira dura seis semanas e repercute no exterior

Suspensão de remessas da proteína brasileira ao país asiático após dois casos de vaca louca ameaça mercado de US$ 4 bilhões ao ano

Autoridades do Brasil identificaram dois casos de 'vaca louca' em frigoríficos distintos do país
Autoridades do Brasil identificaram dois casos de 'vaca louca' em frigoríficos distintos do país Adepará via Agência Brasil (26.fev.2013)

Da CNN

O veto da China à carne brasileira, que dura seis semanas, repercute no exterior.

O Brasil interrompeu voluntariamente a exportação de carne para a China, seu maior mercado, ainda no começo de setembro, após a confirmação de dois casos da doença em duas fábricas distintas do setor. Depois, porém, mesmo com o controle dos casos no Brasil, a interrupção chinesa foi mantida.

O tema foi abordado pelo Financial Times nesta semana. Segundo o jornal, o veto prolongado já preocupa autoridades brasileiras e pode reduzir exportações de aproximadamente US$ 4 bilhões por ano (equivalente a R$ 21,8 bilhões).

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) concluiu um relatório a respeito dos dois casos de vaca louca e apontou que não há risco de proliferação da doença, segundo o professor de economia do Insper, Roberto Dumas, em entrevista à CNN. A derrubada do veto à carne, no entanto, ainda não aconteceu.

Com o veto ainda em vigor, Brasília tem visto a preocupação de autoridades e grandes frigoríficos crescer. De acordo com o Financial Times, que ouviu uma fonte do Ministério da Agricultura, o Brasil pediu uma reunião técnica, ainda não agendada pelas autoridades chinesas. E não há previsão para esta reunião acontecer.

O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo.

Entre janeiro e julho deste ano, os embarques de carne bovina do Brasil para a China alcançaram 490 mil toneladas e geraram vendas de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,6 bilhões), um aumento de 8,6% e 13,8%, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Ao Financial Times, um executivo de um grande frigorífico brasileiro disse estar surpreso que a suspensão tenha durado tanto. Outros países também foram impedidos de exportarem carne à China e enfrentam vetos semelhantes ao do Brasil.

Após um caso atípico de vaca louca no ano passado na Irlanda, a China também vetou a carne deste país. Em 29 de setembro, o país asiático também proibiu carnes de gados com menos de 30 meses do Reino Unido.

Nos últimos anos, a China tem revelado uma maior sensibilidade às questões de segurança alimentar, principalmente no que diz respeito às importações.

Carne bovina é processada em frigorífico brasileiro
Carne bovina está impedida de entrar na China há seis semanas / Divulgação/Abiec (12.ago.2011)

No ano passado, Pequim suspendeu as importações de uma série de fábricas de processamento de carne brasileiras devido à preocupação de que surtos de Covid-19 nas instalações apresentassem o risco de importar o vírus de volta para o país.

Alguns analistas brasileiros, ouvidos pelo Financial Times, acreditam que a proibição é uma forma de a China obter vantagem comercial.

“Esse atraso na retomada pode ser uma tática de negociação que visa melhorar a precificação e ganhar poder de barganha. Parece uma coisa mais comercial, porque em termos de saúde não há o que discutir”, disse Hyberville Neto, da Scot Consultoria, que atua no setor de carnes e gado bovino.

Na China, importadores disseram que uma suspensão duradoura da carne brasileira teria um grande impacto, dada a escala das remessas, mas a maioria espera que o comércio reinicie em breve.

Ao Financial Times, um gerente da Chengdu Haiyunda Trading Company, que parou de importar carne brasileira desde a suspensão, disse que a proteína brasileira ocupa até um terço de seu negócio.

A Chengdu está substituindo a carne brasileira pela de países do norte da Europa e do Cazaquistão, diz o jornal.

Com o veto, o destino de 100 milhões de toneladas do produto brasileiro com certificação sanitária anterior à suspensão do comércio, mas embarcada depois, parece estar retida em portos da China.

Um consultor da indústria australiana, ouvido pelo Financial Times, afirmou que o carregamento provavelmente seria feito através do Vietnã ou Hong Kong, mas não poderia ser redirecionado para outro país ou retornar ao Brasil.

Segundo ele, a opção de voltar para o Brasil não vai acontecer, porque esse mercado está supersaturado com carne bovina. O produto não pode ir para os EUA ou outros mercados devido a especificações erradas, sem certificados de saúde necessários e com rotulagem chinesa.

*publicado por Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo


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Brasil : O MAR AVANÇA
Enviado por alexandre em 20/10/2021 00:38:14

Avanço do mar saliniza rio Amazonas e deixa comunidades em estado de alerta

Há algumas semanas, comunidades que ficam à beira do maior rio do mundo estão sem água para beber.

O avanço do mar pela foz do rio Amazonas, por onde escoa um quinto da água doce do planeta, salinizou as águas que banham as comunidades do arquipélago do Bailique, no Amapá.

O fenômeno sempre ocorreu nesta época do ano, mas vem se intensificando nos últimos anos e passou a atingir comunidades que antes não eram impactadas, segundo os moradores.

Como consequência, a prefeitura de Macapá, que responde pelo arquipélago, decretou estado de emergência na última quinta-feira (14/10) e passou a entregar água potável e cestas básicas às comunidades.

Mapa de Bailique

Crédito, Google

Legenda da foto,

Marcador mostra o arquipélago do Bailique, na foz do rio Amazonas

Para um pesquisador que estuda o tema, o avanço da salinização pode estar ligado ao aumento global do nível do mar, um resultado das mudanças climáticas.

Ele diz que a região da foz do Amazonas tem passado por grandes transformações nos últimos anos. Um exemplo foi a drástica mudança no curso do caudaloso rio Araguari, um vizinho do Amazonas.

Desde 2013, o rio deixou de desaguar no Atlântico e virou um afluente do Amazonas, alteração que pode ter ampliado a salinização no arquipélago do Bailique e é associada à criação de búfalos e à construção de hidrelétricas (leia mais abaixo).

Casas na beira do rio

Crédito, Governo do Amapá

Legenda da foto,

Casas de ribeirinhos no arquipélago do Bailique, na foz do rio Amazonas

Mais peixes de água salgada

O arquipélago do Bailique tem cerca de 8 mil habitantes, espalhados por oito ilhas, e fica a cerca de 200 quilômetros da sede de Macapá. Só é possível acessar a região por barco.

As principais atividades econômicas do arquipélago são a pesca, a agricultura familiar e o cultivo de açaí.

Geová Alves, presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique e vice-presidente de uma cooperativa local de produtores de açaí, diz à BBC News Brasil que sempre houve salinização na região entre os meses de setembro e novembro. Nessa época, em que chove menos, as águas do Amazonas costumam baixar, facilitando o avanço da maré.

Com o retorno das chuvas, a partir de novembro, o fenômeno perde força, e a água volta a ficar doce.

Alves diz que, no passado, essa salinização sazonal costumava afetar só cerca de 20 das 51 comunidades do Bailique, aquelas que ficavam ao norte do arquipélago. De alguns anos para cá, porém, todas as comunidades passaram a ser impactadas, segundo ele.

A principal consequência, diz o morador, é a falta de água potável para beber e cozinhar, já que o rio é a principal fonte hídrica das famílias. "São comunidades carentes, que não conseguem comprar água mineral", afirma. Segundo Alves, um galão de 20 litros de água hoje custa até R$ 25 no arquipélago. As comunidades não têm acesso a água encanada.

Outro efeito da salinização tem sido sentido por pescadores. "Percebemos uma presença grande de peixes de água salgada, e o afastamento de peixes de água doce e camarão", afirma Alves.

Essa mudança, porém, não tem causado prejuízos aos pescadores, já que peixes de água salgada são valorizados e têm sido capturados em abundância. "Acabou sendo uma vantagem (para os pescadores)", afirma.

Já no cultivo do açaí ainda não foram notadas mudanças, diz ele, pois os frutos são colhidos no período chuvoso, quando a água já voltou a ser doce.

"Mas ainda não sabemos se o solo vai ter algum prejuízo daqui a alguns anos que possa interferir na qualidade ou quantidade da produção", afirma.

Búfalos

Crédito, Batalhão Ambiental do Amapá

Legenda da foto,

Criação de búfalos pode ter contribuído com a morte da foz do Araguari e favorecido a salinização do Amazonas

A morte da foz do rio Araguari

Ele diz que muitos moradores do arquipélago atribuem a crescente salinização no Amazonas ao assoreamento no vizinho rio Araguari, tema de grande controvérsia na região e uma das maiores transformações na paisagem do Brasil nas últimas décadas.

Com cerca de 500 quilômetros de extensão, o Araguari é o maior rio a correr exclusivamente no Amapá. Ele nasce no Parque Nacional do Tumucumaque e, até 2013, desaguava no Atlântico ao norte do arquipélago do Bailique, a poucos quilômetros da foz do Amazonas, ao sul.

Desde 2011, porém, formou-se - espontaneamente, mas provavelmente em consequência da ação humana - um canal que passou a conectar os dois rios, fazendo com que o Araguari direcionasse parte do seu fluxo para o Amazonas. Esse canal, chamado de Urucurituba, foi engrossando até que, em 2014, passou a absorver praticamente todo o fluxo do Araguari.

Com isso, o Araguari passou a desembocar inteiramente no Amazonas, e não mais no Atlântico. A antiga foz do Araguari secou, tendo sido tomada pela vegetação desde então.

Imagem de satélite

Crédito, Google

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Em 2006, o canal Urucurituba era pequeno, e o rio Araguari desaguava no mar. Isso começa a mudar...

Imagem de satélite

Crédito, Google

Legenda da foto,

...em 2011, quando a expansão do Urucurituba passa a conectar o Araguari ao Amazonas. Com o tempo...

Imagem de satélite

Crédito, Google

Legenda da foto,

...praticamente todo o fluxo do Araguari passa a desaguar no Amazonas, e não mais no oceano. Em 2020, a vegetação já havia ocupado a antiga foz do Araguari.

Por causa dessa mudança, o fenômeno da pororoca, pelo qual o Araguari era famoso internacionalmente, deixou de ocorrer. Isso porque a pororoca se forma a partir do choque entre o fluxo do rio e a maré, gerando uma onda que avança continente adentro.

Como não há mais contato entre o rio e o mar, as ondas da pororoca deixaram de ocorrer.

Outra consequência da mudança no curso do Araguari foi a acelerada erosão nas áreas impactadas pelo fluxo do canal Urucurituba. O fenômeno é conhecido localmente como "terras caídas" e já provocou a destruição de centenas de casas no Bailique.

Menor resistência frente ao mar

Geová Alves diz que a salinização no arquipélago se tornou mais intensa a partir da mudança no curso do Araguari. Segundo ele, quando desembocava no mar, o Araguari "ajudava o Amazonas a empurrar a água salgada para longe" da costa.

"Com o assoreamento do Araguari, as correntes que se combinavam perderam um pouco da força, e o mar invadiu onde não havia resistência", ele afirma.

Para Alan Cavalcanti da Cunha, professor de Engenharia Civil da Universidade Federal do Amapá (Unifap), a tese faz sentido.

Pós-doutor em fluxos hidrológicos entre ecossistemas terrestres e aquáticos pela Universidade de Miami (EUA), Cunha estuda o comportamento de rios da região desde 2004.

Em artigo em 2018 para o periódico científico Science of the Total Environment, Cunha e outros pesquisadores analisaram a mudança no curso do Araguari.

Pororoca

Crédito, Governo do Amapá

Legenda da foto,

Pororoca em rio no Amapá; fenômeno deixou de ocorrer no rio Araguari

Para os autores, o surgimento do canal de Urucurituba - que desviou o fluxo do Araguari para o rio Amazonas - pode estar relacionado a três fatores:

1 - Dinâmicas naturais no estuário do Amazonas, que incluem o deslocamento de grande quantidade de sedimentos e o forte fluxo das águas tanto em direção ao oceano quanto no sentido contrário, alterando o curso do rios;

2 - A implantação de usinas hidrelétricas no alto curso do Araguari.

A primeira usina passou a operar em 1976, e as outras duas, em 2014 e 2017. Segundo os autores, as usinas alteraram a dinâmica do transporte de sedimentos pelo rio, o que pode ter favorecido a abertura do canal de Urucurituba;

3 - A criação de búfalos nas margens do rio.

Introduzidos na região no século 19, esses pesados animais criam valas ao pisotear frequentemente os mesmos locais. Uma dessas valas pode ter dado origem ao canal Urucurituba - que, com a força das águas, foi se expandindo até alcançar o Amazonas.

Estima-se que haja 202 mil búfalos na bacia do Araguari, número três vezes maior que a população humana local.

Em entrevista à BBC News Brasil, Cunha diz que, quando o Araguari deixou de desaguar no mar, o Amazonas perdeu um aliado que o ajudava a manter a água salgada longe da costa.

Ele aponta ainda outras duas causas para os relatos de crescente salinização no Bailique, ambas associadas às mudanças climáticas.

A primeira é o aumento global no nível do mar, provocado pelo degelo das calotas polares. Segundo a Nasa (agência espacial americana), o nível médio do mar subiu cerca de 20 centímetros entre 1901 e 2018.

Cunha explica que, em todos os estuários (pontos onde o rio se encontra com o mar), há um jogo de forças entre o fluxo dos rios e as marés. Quando a maré sobe e o fluxo do rio diminui, a água salgada consegue avançar mais facilmente rio adentro, movimento que se inverte quando a maré baixa e o fluxo do rio aumenta.

Por isso, diz Cunha, o aumento do nível dos oceanos tende a alterar esse equilíbrio em favor do mar, fazendo com que a água salgada avance mais facilmente pelos rios.

É o que já pode estar ocorrendo na foz do Amazonas, segundo o pesquisador.

Erosão na margem do Amazonas

Crédito, Governo do Amapá

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Fenômeno das "terras caídas" no arquipélago do Bailique

Outra possível explicação para o aumento da salinização no arquipélago do Bailique, segundo ele, é a elevação das temperaturas na região, outro efeito das mudanças climáticas.

O calor mais forte amplia a evaporação, o que por sua vez acelera a circulação de ar e permite que ventos transportem mais sal que estava nos oceanos para o continente.

Cunha afirma que as mudanças em curso na foz do Amazonas precisam ser mais estudadas, especialmente os impactos do avanço no nível do mar. Segundo ele, a região é extremamente sensível a alterações - e como seus rios e lagos estão conectados, uma mudança num ponto qualquer pode provocar consequências a vários quilômetros dali.

Até o fim deste século, prevê-se que o nível médio dos oceanos possa subir entre 0,6 m e 1,1 m em relação aos padrões pré-industriais a depender do ritmo das emissões de gases causadores do efeito estufa.

As transformações no arquipélago do Bailique jogam luz sobre uma das possíveis consequências das mudanças climáticas para populações costeiras. Sabe-se que a elevação do nível do mar tende a inundar muitas regiões litorâneas, forçando suas populações a migrar.

Para muitas comunidades em estuários, porém, escapar das inundações talvez não seja suficiente, pois pode faltar água doce para abastecê-las.

Brasil : CHOCOLATE
Enviado por alexandre em 20/10/2021 00:34:57

5 benefícios do consumo moderado de chocolate o 5º é o sonho de consumo de muitas mulheres

Um dos alimentos mais queridinhos para quem gosta de doces é o chocolate. Além disso, há também aqueles que vão muito além de um simples gosto pela iguaria e se autodeclaram chocólatras, ou seja, viciados em chocolate.

 

Com diversos sabores e texturas, o produto a base de cacau pode ser facilmente encontrado em supermercados e conveniências nos mais variados preços, desde o mais amargo, com maior concentração de cacau, até os mais adocicados, com adição de leite, amendoins e outros condimentos.

 

Sendo muito apreciado e consumido, torna-se importante também entender que o produto não se limita a uma simples sobremesa ou tira gosto. Em porções moderadas, o chocolate pode trazer ótimos benefícios à saúde.

 

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1 – Mais cacau, mais nutritivo

 

Quanto maior o teor de cacau, maiores os benefícios. Com mais concentração da fruta, o chocolate se torna cada vez mais nutritivo, sendo uma fonte rica de minerais, fibra, zinco, potássio e selênio.

 

2 – Melhora a pressão arterial

 

Ao consumir o chocolate, é ingerido também os flavonoides presentes nele. Esta substância age estimulando o endotélio, revestimento das artérias, fazendo-a produzir cada vez mais óxido nítrico, melhorando o fluxo sanguíneo e ocasionando uma leve diminuição na pressão arterial, que, com o passar do tempo, pode ser benéfico a quem sofre de pressão alta.

 

Dia Mundial do Chocolate: 5 benefícios comprovados do chocolate amargo | A  Gazeta

 


3 – Atua na diminuição do colesterol

 

Um estudo constatou que o consumo moderado do chocolate não só atua na diminuição do LDL, que é o colesterol ruim, mas também atua no aumento do HDL, conhecido como colesterol bom. Tudo isso se deve ao alto teor de antioxidantes presente na iguaria.

 

4 – Reduz as chances de doenças cardíacas

 

Justamente por atuar no equilíbrio do colesterol, o chocolate amargo também pode ajudar a reduzir as chances de manifestar uma doença cardíaca. Em 2006, um estudo que contou com o apoio de 470 voluntários homens mostrou que o risco de óbito por doenças associadas ao coração pode ser reduzido em até 50%, por conta do consumo moderado de chocolate.

 


 

 

5 – Aliado da pele

 

Além de ser amigo do coração e do colesterol bom, o chocolate também se mostrou eficiente no auxílio à pele, contra os danos do sol. Isso se deve ao fato de que o produto melhora o fluxo sanguíneo e aumenta a densidade e hidratação da pele.

 

Fonte: i7News

Brasil : O RAPOSÃO
Enviado por alexandre em 18/10/2021 23:20:00

Ex-senador Odacir Soares o Raposão
HISTORIANDO Com Júlio Olivar
Senador Odacir Soares, O Raposão
Odacir Soares faleceu aos 80 anos em 2019. Marcou época como senador da República por dois mandatos (1983/1999), sendo secretário da mesa do Senado e signatário da atual Constituição.
Acabou tendo sua imagem arranhada quando foi líder do Governo Collor de Mello — e apagou as luzes, ou seja, foi até o último segundo junto com o então presidente “impeachmado”. Manteve na parede de seu escritório a foto autografada de Collor até o fim da vida.
Trabalhei para Odacir durante uma temporada, como seu assessor de imprensa, além de ser diretor de jornalismo de sua rádio na capital de Rondônia, na época a maior rede radiofônica, com oito emissoras espalhadas por todo o Estado.
Como o conheci de perto, tive acesso à parte de seus arquivos e quis publicar um livro contando suas histórias. Ele chegou a ler uma sinopse que escrevi da pretensa biografia e disse-me: “Depois que eu morrer você publica. Agora não”. E tomou-me uma pasta cheia de recortes de jornal, fotos e documentos que eu tinha para as pesquisas.
Ele foi o político mais longevo da história de Rondônia, mais de meio século de atuação - desde que ocupou a função de secretário de segurança em 1967 até sua morte.
Foi prefeito de Porto Velho, deputado federal e senador e exerceu diversos cargos no governo estadual. Odacir foi um parlamentar de verve rica, muita vivência e com amplo conhecimento acadêmico.
Liberal e acima de siglas partidárias, foi da Arena ao PPS na mais perfeita contradição que o caraterizou, sempre combatido pelos ditos progressistas por conta das posturas políticas conservadoras e um tanto pragmáticas. Houve um tempo em que ele era chamado de “Raposão” pelos cronistas que o consideravam um grande articulador.
Inegavelmente, Odacir tinha predicados intelectuais para sustentar debates de alto nível, e assim se fazia ouvido até por quem o contestava. Conhecia a fundo temas os mais complexos como a economia, o direito e a sociologia. Também era um grande apreciador e conhecedor de artes plásticas.
Advogado brilhante, professor e jornalista, nasceu no Acre, formou-se e trabalhou no Rio de Janeiro, conheceu todo o Brasil e vários países, morou a maior parte de sua vida em Porto Velho. Trabalhou como redator e repórter da extinta revista “Manchete”, do Grupo Bloch, no Rio de Janeiro, a serviço da qual aportou em Rondônia. Foi também dono da Faculdade FARO, co-fundador da OAB, Caerd, Fundacentro (embrião da UNIR) e outras instituições.
Apresentava-se trajado com esmero e elegância em atos solenes, não abandonando suas bordaduras de ouro e o lenço de seda no bolso do paletó. Gostava de assinar com Mont-blanc. No trato pessoal, era irônico, um tanto arrogante às vezes e apreciador de boa gastronomia. Mas gostava também de música e a cultura populares.
Fiz a entrevista em 2005, sem nenhum filtro, nem edição no texto final transcrito da gravação. Na época eu já não trabalhava com ele, mas almoçávamos às vezes, sempre em meio a muitas histórias e bom humor, ele sempre me apresentando aos outros como “meu permanente assessor, só que agora sem remuneração”.
Eu pretendi uma conversa quase informal. Foi assim:
🎙Senador, eu não quero falar tanto de política, senão o senhor rouba a cena e começa a discursar (risos). Posso falar um pouco de amenidades?
ODACIR — Você pode falar o que quiser. Estou às ordens.
🎙 O senhor sabe que o chamam de “Raposão” nas suas costas?
ODACIR — (Risos). Ainda bem. Tem políticos que são tratados como outros bichos. Mas, falando sério, interpreto até como elogio esse epíteto. Quando falam que sou o “Raposão” querem dizer que artículo bem, que sou esperto. Claro. Na política jacaré que dorme na praia vira bolsa de madame. Mas há controvérsias sobre minha esperteza (risos).
🎙 Quem inventou o apelido?
ODACIR — Acho que eu sei quem saiu com essa, mas não quero dar o crédito (risos).
🎙Acho que foi o jornalista Carlos Sperança.
ODACIR — Ou o [jornalista] Paulo Queiroz. Eu não me lembro.
🎙 O senhor é visto como um dos políticos mais cultos do Estado. Isso mais ajuda ou mais atrapalha?
ODACIR — Cultura é subjetivo. Talvez eu seja bem informado porque é minha obrigação como advogado e jornalista.
🎙 O senhor lê muito?
ODACIR — Gosto de ler, e vejo poucos políticos lendo. O que é lamentável. Há uns dias eu estava no avião lendo um livro e encontrei-me com um senador. Ele me exclamou: “Você ainda tem tempo para ler!” Ora! Bizarro seria eu não ter tempo para ler. Não gosto da ideia de navegar na superficialidade e, para mim, é uma questão de respeito você colocar-se à disposição com o preparo necessário para atuar condignamente naquilo em que se propõe e tem capacidade para fazê-lo. Em quê o conhecimento me atrapalharia?
🎙 O medíocre tem lá seus benefícios. Pensar cansa. Ele pode muito bem atuar só com seu carisma, que independe de cultura. O senhor foi certa vez na Assembleia Legislativa e começou a falar da geoeconomia e ninguém o aplaudiu. Um deputado estadual leu um poema ridículo em homenagem aos lavradores e quase o carregaram nos braços. Teve algo assim, lembra-se?
ODACIR — Isso é lenda. Minha comunicação é simples. O meu pensamento é que é aguçado, minha escrita etc.
🎙 Falando nisso, há muitas lendas envolvendo o senhor. Muitas estórias, com “e”.
ODACIR — Você sabia que estória caiu em desuso? Agora tudo é com “h”. Precisa se informar.
🎙 Eu não sabia.
ODACIR — Li em algum lugar. E o que mais você não sabe?
🎙 O entrevistado não sou eu (risos). Mas entendi sua ironia. Realmente eu não sei de quase nada. Mas sei que o senhor não deixa escapar as observações e alfinetadas e também sei que fugiu da minha questão: que existem muitas lendas em torno do senhor. Vamos falar sobre elas?
ODACIR — Não espalha (risos). Olha, somente quem tem alguma projeção é falado. Nos tempos do Collor eu vivia sendo vítima das charges, mas encarava tudo com espírito democrático e bom humor.
🎙 Mas não estou falando somente de política. Dizem que o senhor é namorador e que não dispensa um bom uísque, por exemplo.
ODACIR — Quem diz?
🎙 Muita gente. Por exemplo, o jornalista Mário Calixto, dono do jornal “O Estadão do Norte”, falou muito disso para afetá-lo. Escancarou nas manchetes adjetivos pouco honrosos ao senhor. E aí?
ODACIR — Você disse bem. Para me afetar. Só pra isso. Uma ressalva: ele não atuou como jornalista isento. Ele era candidato a suplente de senador, logo, meu adversário naquela ocasião. Eu o processei pelas injúrias publicadas. Era uma questão política que ele levou para o lado pessoal. Eu, líder do Governo Collor; o senador Amir Lando, aliado do Calixto, o relator da CPI. Aí faziam tudo para me desmoralizar.
🎙Mas é certo que o senhor aprecia um bom uísque, é boêmio. Paradoxalmente, também é um católico fervoroso que gosta de ir às missas nas manhãs de domingo. Sabe todos os cânticos de louvores.
ODACIR — Ora, mas não existe paradoxo. Muito menos pecado (riso). Na santa-ceia se se serve vinho. Sim, eu sou um adepto de Roma, logo uma ovelha, e não um Raposão como teimam alguns (riso). O político e o cidadão se fundem, mas cada qual conserva suas necessidades existenciais. Minha fé, minha vida social, minha religiosidade, minha militância e o exercício da cidadania são próprios de alguém que vive sem reservas e sem restrições, sou livre. E esse é o maior atributo de um ser humano.
🎙 O senhor citou Collor de Mello há pouco. Arrepende-se de ter sido seu líder no Senado?
ODACIR — Eu era governista e aliado de Collor deste o início daquele mandato, em 1990. Situação que me favoreceu em muitos pleitos para Rondônia. Creio que a população é capaz de fazer a leitura, porque traí-lo seria uma desonra para mim. Portanto, não há arrependimentos. Eu fazia parte do que a imprensa chamava de tropa de choque do presidente e não poderia pedir minha destituição no ápice da crise para passar a atuar com demagogia na oposição. Quem tem o bônus arca com o ônus. Fui seu líder e como jurista e legislador posso garantir: foi injusto ele ter sido defenestrado por conta de um Fiat Elba. Bizarro! O tempo me deu razão.
🎙 Aliás, o senhor sempre foi governista. Ou não? Durante a Ditadura Militar o senhor era o veemente adversário do MDB liderado pelo deputado Jerônimo Santana; o senhor foi presidente da Arena no Estado e nomeado prefeito de Porto Velho pelos governadores militares. No seu primeiro mandato como senador, era aliado e amigo do presidente João Baptista Figueiredo. O senhor se considera democrata? Agora com Lula no poder, não pensou numa aproximação?
ODACIR — Não me considero democrata, porque considerar a mim mesmo poderia ser uma falsa reflexividade. Eu sou de fato um democrata, sem dúvidas. Sou em essência o jovem jornalista questionador, que entrevistava líderes socialistas como Miguel Arraes e capitalistas como Magalhães Pinto; e por definição sou advogado, aquele que defende o contraditório. São forças das contingências essas que você cita. Ou seja, não se pode fazer o enfrentamento fortuito, pois ele não leva a nada, e isso não é política para mim. Política é uma ciência um tanto subjetiva mas que requer resultados objetivos, não é o mesmo que produzir para a academia, que admite teses para ficarem na gaveta, sem prejuízos ao conjunto da sociedade. Política não é editorial de jornal onde se julga e se sentencia ao arbítrio do dono do veículo. Eu não sou maniqueísta — o que execra a outra parte achando-a absolutamente sem valor. Convirjo. Dialogo. Sempre convivi bem com meus adversários, não preciso anulá-los pois sei que a história se faz sem atropelos e cada qual acaba assumindo o que é, segundo a sua importância. Então, é preciso você ter estratégias para atuar de modo a assegurar que seus projetos possam chegar à concretude e não se perderem nas oratórias, nas boas intenções e muito menos no vácuo das divergências menores.
🎙 Seu sonho frustrado foi o de ser governador?
ODACIR — Não, não há frustrações. Concorri para governador em 1986 muito mais com a intenção de ter um espaço para propagar princípios e ideias para melhorar a vida do povo, sobretudo transformar Porto Velho numa capital moderna urbanisticamente, exercer a autoridade que faltava no Executivo; tratei de temas que uma disputa a um cargo parlamentar não possibilita. Modéstia à parte, teríamos conduzido um grande mandato se tivéssemos vencido, contudo, creio que aquela era a hora do PMDB que elegeu 22 [do total de 23] governadores em 86. Na época eu estava no PFL.
🎙Mas o senhor tem alguma frustração?
ODACIR — Rapaz, ou você está com a autoestima baixa falando de frustrações ou está querendo fazer disso aqui um divã. (Risos)
🎙 Não. Eu estou fazendo disso aqui uma confissão. Mas como nem eu sou padre e nem o senhor tem pecados, está difícil tirar mais informações do senhor (risos).
ODACIR — Olha bem, nada me frustra na medida em que tenho a consciência tranquila. No Congresso dei o meu melhor, o Poder Legislativo tem um corpo técnico altamente eficiente e que atua com celeridade, aprendi muito e tive o suporte para atuar no parlamento como se deve. Alguma frustração hipotética não é com a minha atuação como político e muito menos por conta das eleições que não venci. Mas, claro, existe algum desapontamento com a realidade brasileira. Por exemplo, fico incomodado com a situação de prostração do judiciário brasileiro. Seja aqui ou em qualquer ponto do mundo, há corrupção. Mas, na Europa, nos Estados Unidos, os políticos bandidos vão presos. Aqui a justiça é morosa, tolhendo a esperança de muita gente que vê os casos de corrupção sendo noticiados todos os dias e já não causando mais impacto na sociedade, que parece acostumada e sem esperanças de que se faça justiça.
🎙 O senhor diz que o Poder Legislativo é célere e eficiente em sua atuação. Mas na verdade, boa parte dos escândalos que o senhor diz que o Judiciário não pune vem do Congresso.
ODACIR — A estrutra sim é eficiente, as respostas que a sociedade exige são dadas. O Senado é absolutamente formal e exemplo de como as instituições deveriam funcionar. O que não impede que existam senadores ruins, pois uma coisa é a instituição le outra é fauna que a compõe (risos). Ocorre também atropelos. O Executivo concentra muita força e, de certa forma, ainda legisla através de medidas provisórias e de decretos. Há um distanciamento entre os poderes. Não deveria ser assim, afinal o Executivo já tem atribuições e prerrogativas demais, tinha que ser eficiente nas relações com o Congresso e deixá-lo legislar. Há muitos desencontros e decisões unilaterais. Nem os ministros mais importantes conseguem falar e despachar com o presidente Lula, que parece viver numa redoma em seu próprio governo. O Brasil precisa tanto rever a sua visão global e também as questões internas! Precisa combater, sobretudo, o endividamento que é o que mais preocupa; o Brasil precisa de pautas que repercutam no longo prazo, ou seja, precisa de planejamento.
🎙 Acabamos falando só de política.
ODACIR — Mas teremos outras oportunidades. Por hoje está bom, né? E do que mais você gostaria de falar?
🎙 Dos seus gostos. O senhor gosta de boa mesa e dizem que não abre mão de um mordomo. Que não dirige e só anda com motorista. É um homem sofisticado.
ODACIR — Lendas urbanas. Ora, nada disso tem importância. Eu gosto de banana, de gente alegre e que tem algo a dizer. Fujo dos chatos, gosto de conversar amenidades, das fofocas (risos).
🎙 Muito obrigado. Aprendo muito com o senhor.
ODACIR — Aprende comigo, mas está num partido de oposição a mim (risos). Brincadeira. Somos amigos. O bom é que sempre aprendemos uns com os outros.
#julioolivar #collordemello #anos90 #politicabrasileira


Brasil : ROUND 6
Enviado por alexandre em 18/10/2021 23:10:00

Seis coisas que a série da Netflix nos ensina sobre a realidade da Correia do Sul

Round 6, um drama sul-coreano sangrento, se tornou sem dúvida uma das séries mais populares da Netflix de todos os tempos. No início de outubro, era a mais assistida em 90 países — e seu sucesso está dando ao resto do mundo uma visão da complexa sociedade do país asiático.

Mas, além da narrativa de suspense, que mostra competidores sem dinheiro participando de jogos de vida ou morte em troca de uma quantia que pode mudar suas vidas, a série recebeu aplausos por retratar questões reais que afetam a vida dos cidadãos na Coreia do Sul.

A trama segue os passos de Parasita, o aclamado filme sobre as vidas repletas de contrastes de duas famílias em Seul — que, em 2020, se tornou a primeira produção de língua estrangeira a ganhar o Oscar de Melhor Filme.

O longa conquistou ainda outras cinco estatuetas do Oscar, incluindo de Melhor Diretor para Bong Joon Ho.

Muitos espectadores estrangeiros podiam não estar cientes dos problemas sociais da Coreia do Sul antes, mas isso certamente mudou agora. A seguir, algumas das principais questões sobre a realidade do país destacadas na série.

Aviso: esta reportagem contém alguns spoilers.

1) Misoginia

Mulheres sul-coreanas protestam contra a desigualdade de gênero em manifestação de 2018

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Os sul-coreanos estão aquém em avaliações de igualdade de gênero

De acordo com a edição de 2021 do Global Gender Gap do Fórum Econômico Mundial, a Coreia do Sul ocupa apenas a 102ª posição na lista de países com maior igualdade de gênero.

Round 6 reflete essa cultura por meio de discussões sobre a aptidão das mulheres para realizar tarefas fornecidas aos competidores. Cho Sang-woo, o banqueiro de investimentos, mais de uma vez tenta impedir competidoras do sexo feminino de participar de tarefas em grupo.

Mas a série em si foi criticada por como retrata os papéis femininos.

Especificamente, houve polêmica em relação à personagem Mi-nyeo, que tem relações sexuais com o gangster Deok-su para entrar na equipe dele.

O escritor e diretor de Round 6, Hwang Dong-hyuk, negou algumas acusações de misoginia feitas nas redes sociais.

Em entrevista ao jornal coreano Hankook Ilbo, ele refutou a insinuação e disse que imaginou os personagens reagindo "quando colocados nas piores situações".

2) A situação dos desertores do Norte

Sae-byok, interpretada pela modelo Jung Ho-yeon, em cena de Round 6

Crédito, Netflix

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Sae-byok (à direita), uma das poucas competidoras mulheres do jogo, se revela como uma desertora norte-coreana

Round 6 também discute a questão dos desertores norte-coreanos. Na série, a competidora Sae-byok (interpretada pela modelo Jung Ho-yeon) se junta à trupe na esperança de ganhar dinheiro para reunir sua família, que se separou enquanto fugia do regime repressivo do país vizinho.

Antes da pandemia de covid-19, mais de mil norte-coreanos buscavam refúgio no Sul todos os anos. Embora Seul tenha uma série de programas e benefícios de reassentamento em vigor, os desertores podem sofrer maus-tratos, discriminação e desconfiança por parte da população local.

Round 6 mostra alguns aspectos disso, que inclui um detalhe que vai escapar de quem não fala coreano: como muitos outros desertores na vida real, Sae-byok esconde seu sotaque original e fala no dialeto padrão de Seul.

Ela só volta a falar com seu sotaque original em uma cena quando conversa com o irmão mais novo, que está em um orfanato.

3) Pobreza

Um idoso sul-coreano sentado na comunidade de Guryong em Seul com neve no chão

Crédito, Getty Images

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Mais de 16% dos sul-coreanos vivem na pobreza, de acordo com dados da OCDE

Qualquer pessoa seria perdoada por ficar desconfiada se fosse convidada a discutir a pobreza na Coreia do Sul. Afinal, o país asiático aparece em 23º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU), à frente da França, Itália e Espanha, por exemplo.

Mas o personagem principal da série, Gi-hun, foi demitido da fictícia Dragon Motors, tem dois negócios falidos, vive com a mãe doente e não é capaz de comprar um presente de aniversário decente para a filha.

Ele simboliza o trabalhador fracassado que não consegue sair da pobreza.

No Índice Gini, que mede a distribuição da riqueza nacional, a Coreia do Sul tem resultados melhores do que alguns países nórdicos e até mesmo os EUA. Então, por que a pobreza é um tema da série?

Pode ser porque a desigualdade está aumentando no país asiático. Os 20% mais ricos da Coreia do Sul têm um patrimônio líquido 166 vezes maior do que os 20% mais pobres.

Homem sem-teto dorme na calçada da cidade de Daegu

Crédito, Getty Images

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A falta de moradia também é um problema que afeta os sul-coreanos mais pobres

Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que quase 17% dos mais de 51 milhões de habitantes da Coreia do Sul viviam na pobreza antes da pandemia de covid-19.

Eles podem morar em cubículos minúsculos, chamados Goshitels e Goshiwon, alguns com apenas 2 metros de largura. Várias gerações de uma família podem viver amontoadas juntas em apartamentos.

Mas mesmo os mais favorecidos enfrentam dificuldades: o endividamento das famílias na Coreia do Sul agora vale mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) do país — o nível mais alto de toda a Ásia.

4) Exploração de migrantes

Uma trabalhadora migrante tailandesa cercada por folhas de tabaco em uma fazenda sul-coreana

Crédito, Getty Images

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As condições para os trabalhadores migrantes podem ser terríveis na Coreia do Sul

Um dos personagens mais cativantes de Round 6 é Ali, um operário migrante paquistanês que se junta aos competidores depois que seu chefe sul-coreano deixa de pagar seu salário por meses, forçando-o a deixar para trás o filho bebê e a esposa.

Os paquistaneses não estão entre as maiores populações de migrantes na Coreia do Sul, mas a história de Ali simboliza uma rotina de trabalho duro e exploração que alguns trabalhadores estrangeiros podem vivenciar no país.

Embora as autoridades sul-coreanas tenham aprovado leis de proteção aos trabalhadores nas últimas duas décadas, as condições ainda podem ser terríveis para os trabalhadores migrantes, de acordo com grupos de direitos humanos.

5) Corrupção corporativa e política

Park Geun-hye chegando para participar de audiência em tribunal de Seul em 2016

Crédito, Getty Images

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Park Geun-hye, a primeira mulher presidente da Coreia do Sul, foi deposta e presa em 2016 por participação em escândalo de corrupção

Um dos personagens principais de Round 6 é Cho Sang-woo, um banqueiro de investimento que se junta ao desafio após cair em desgraça por desviar fundos da empresa para a qual trabalhava.

Nos últimos anos, a Coreia do Sul foi abalada por escândalos envolvendo sua elite empresarial e política, incluindo uma investigação de corrupção em 2016 que derrubou sua primeira presidente mulher, Park Geun-hye.

5) Uma relação complicada com a China

Fila do lado de fora de lanchonete para comprar doce de Round 6 em Xangai

Crédito, Getty Images

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'Round 6' é tão popular na China que gerou negócios temáticos como esta lanchonete de Xangai, que vende doces inspirados na série

Round 6 faz uma única referência à China, que é o principal aliado da Coreia do Norte: a mãe de Sae-byok é detida enquanto tentava chegar à Coreia do Sul pela China.

Mas foi fora das telas que a série se tornou mais um exemplo das tensões entre Seul e Pequim. A imprensa chinesa noticiou que os agasalhos verdes usados ​​pelos competidores do jogo são semelhantes aos usados ​​no filme chinês de 2019 Teacher, Like.

Isso levou a discussões acaloradas nas redes sociais, mas praticamente não prejudicou o sucesso de Round 6 no país. Apesar da Netflix ser bloqueada na China e não haver distribuição oficial, o programa está disponível por meio de serviços de streaming ilegais.

A série foi avaliada por quase 300 mil pessoas no Douban, a maior plataforma de resenhas de filmes e livros da China, com uma pontuação respeitável de 7,6 em popularidade.

Ironicamente, os sites de comércio eletrônico também oferecem mercadorias relacionadas a Round 6, incluindo os agasalhos verdes.

Em Xangai, há até lojas que vendem dalgona, biscoito coreano que aparece em um episódio.

Seong Gi-hun, um dos personagens principais de 'Round 6', segura uma dalgona

Crédito, Netflix

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Seong Gi-hun, um dos personagens principais de 'Round 6', segura uma dalgona

Os competidores precisam destacar de forma perfeita a figura central desenhada no biscoito, feito de bicarbonato de sódio e açúcar.

Há também um "desafio dalgona" se espalhando pelos vídeos do TikTok, em que os fãs recriam a guloseima mortal da série.

Round 6 pode ter lançado uma imagem negativa sobre um alimento tão inofensivo, mas a popularidade da série destaca o que parece ser um fascínio global crescente pela cultura coreana.


Round 6: Conselho pede que pais não deixem filhos assistir à série

Relatos recebidos por autoridades britânicas indicam que crianças estariam recriando brincadeiras da série e batendo naquelas que falhassem


Série Round 6 já se tornou uma das mais assistidas da Netflix Foto: Reprodução Netflix

Conselheiros do setor de Educação no distrito britânico de Central Bedfordshire, em Londres, enviaram uma mensagem aos pais e responsáveis para que eles não permitam que crianças assistam à série coreana Round 6, da Netflix. De acordo com o jornal britânico The Guardian, a recomendação teria sido enviada após relatos de que crianças de até 6 anos estariam copiando os desafios.

– Aconselhamos veementemente que as crianças não assistam ao Squid Game (nome internacional da série Round 6). O programa é bastante gráfico, com muito conteúdo violento – diz a recomendação.

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Segundo a publicação britânica, alguns relatos recebidos pelas autoridades educacionais de Central Bedfordshire dão conta de que crianças em parques estariam recriando as brincadeiras de Round 6 e batendo nas que falhassem nos desafios. Na Inglaterra, a série coreana tem recomendação para ser assistida apenas por maiores de 15 anos.

Entre os jogos da série que viraram populares no Reino Unido estão o “batatinha frita 1, 2, 3”, em que as crianças tentam terminar um percurso enquanto uma pessoa selecionada (substituída na série por uma boneca gigante) não está olhando.

Outro jogo que gerou avisos foi a “colmeia de açúcar”, em que as crianças precisam recortar formas geométricas em um biscoito. Neste caso, há a preocupação de que as crianças possam se queimar com caramelo quente ao preparar o doce.

Em Round 6, pessoas endividadas participam de competições similares a brincadeiras infantis em busca de um prêmio em dinheiro, mas os derrotados são mortos. De acordo com o Guardian, mesmo crianças que não assistem à série propriamente dita têm tido acesso a imitações dos desafios do programa por meio do aplicativo de vídeos TikTok e de jogos de computador ou celular.

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