Brasil - PARASIDÍACO - Notícias
(1) 2 3 4 ... 613 »
Brasil : PARASIDÍACO
Enviado por alexandre em 15/05/2021 01:56:13

Crise na Venezuela o local onde quase ninguém quer morar
  • Guillermo D Olmo - @BBCgolmo
  • Da BBC Mundo em Rio Chico, na Venezuela
Praia de Barlovento.

Crédito, Andrés Morante

Legenda da foto,

As praias de Barlovento perderam muitos de seus visitantes nos últimos anos

Durante décadas, Rio Chico foi um paraíso perfeito para férias, o lugar junto ao Caribe onde muitos venezuelanos iam para descansar e se desconectar da agitação da cidade.

Agora está explodindo em criminalidade.

Todos os fins de semana, uma multidão de residentes da capital, Caracas, partia para o leste em uma rodovia, que era na época uma das mais movimentadas do país em busca de sol e prazer.

Em Barlovento, uma região no norte da Venezuela repleta de vilas turísticas e praias incríveis, muitas das casas antes elegantes ocupadas por turistas agora estão abandonadas.

Fernando Valera, um dos poucos que comprou uma casa no município de Rio Chico e reluta em sair, me explica: "Há uma casa que está sendo vendida por US$ 3 mil, mas a maioria dos proprietários simplesmente abandonou as que tinham" .

A causa: a ameaça de crime.

Fernando em casa
Legenda da foto,

Fernando Valera foi agredido 5 vezes em sua casa, mas está relutante em sair

Existem muitas propriedades disponíveis aqui. A maioria as vende por muito pouco dinheiro ou os proprietários cedem os imóveis para alguém que cuide deles.

Raúl López, que foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Miranda, que abrange a região de Barlovento, lembra que "nos bons tempos, as casas aqui custavam pelo menos US$ 80 mil (R$ 422 mil)".

"Agora ouvi falar de alguém que estava vendendo duas casas e um barco por US$ 30 mil (R$ 158 mil)."

Mas, apesar dos descontos, os interessados ​​não aparecem.

Uma das áreas mais abandonadas é o Canales de Rio Chico. Empreendimento da década de 1970, seus desenvolvedores queriam emular alguns dos comdomínios exclusivos em Miami e outros locais costeiros dos EUA, onde os proprietários de casas de luxo podem levar seus barcos até à entrada de suas casas.

Pule YouTube post, 1
Legenda do vídeo, Alerta: Conteúdo de terceiros pode conter publicidade

Final de YouTube post, 1

Foram construídos cursos de água, cais e até um campo de golfe. O negócio deu resultado rapidamente.

"Na década de 1980, houve um verdadeiro boom no Rio Chico de pessoas que compravam casas de veraneio aqui e vinham passar fins de semana e descansar", diz López.

Casa em Río Chico, Venezuela
Legenda da foto,

Casas como essa estão à venda hoje por US$ 3 mil, quando há alguns anos seu valor era muito mais alto

O que mudou

Mas as coisas começaram a mudar drasticamente em 2013, quando o governo iniciou um processo de negociação com dezenas de gangues de criminosos para promover seu desarmamento e reintegração social.

Foram criados os chamados Quadrantes da Paz, territórios nos quais, em troca da promessa de abandono da violência, o Estado deixaria de perseguir os criminosos e forneceria recursos para que fossem economicamente viáveis ​​sem cometer crimes.

Barlovento era um desses quadrantes.

"Essas áreas de paz logo se tornaram um refúgio para as gangues. De Barlovento elas conduziam suas atividades criminosas em Caracas", diz López.

Para os proprietários, começou um calvário. "Primeiro eles enfrentaram pequenos furtos, de modo que toda vez que voltavam para casa para passar o fim de semana, descobriam que algo estava faltando, mas depois as coisas pioraram e os sequestros começaram."

Além da deterioração econômica do país, que há vários anos atravessa uma profunda crise econômica que tem provocado a migração de milhões de venezuelanos, e as crescentes dificuldades na obtenção de gasolina, muitos desistem de Barlovento para sempre.

"Muitas casas são boas, com piscina e só a manutenção já custa um bom dinheiro", enfatiza López.

Casas junto al mar en Barlovento.
Legenda da foto,

Esta imagem de alguns anos atrás mostra algumas das casas da região

Fernando Valera é um dos poucos que não desistiu. "Já fui roubado aqui cinco vezes", diz ele.

"A primeira vez havia entre 15 e 20 homens com fuzis e roupas militares. Eles saíram da mata, apontaram as armas para minha esposa e minhas sobrinhas, que estavam na piscina, e me tiraram do chuveiro. "

Valera lembra que eles agiram com disciplina militar. "Teve um líder que nos deu ordens e nos tratou bem. Os outros obedeceram; levaram tudo e foram embora."

Outros não eram tão "profissionais". "Em um dos assaltos eles estavam muito nervosos e colocaram um facão no pescoço da minha esposa."

"Eles levaram tudo"

Depois de tanto roubo, sua vasta propriedade parece quase vazia. A cozinha hoje tem apenas os itens essenciais; e na sala, um par de poltronas e um velho CD player. "Não quero ter nada que chame a atenção, porque aí eles vêm e levam tudo."

Como muitos outros que passaram por experiências semelhantes na região, sua família não quer voltar ao lugar que ele um dia sonhou transformar em um lugar de descanso ideal para eles.

Em 2010, ele investiu ali o que recebeu como indenização, quando deixou de trabalhar na indústria têxtil em Caracas para se aposentar em um lugar onde "se podia esquecer tudo".

Ouvindo o canto dos pássaros tropicais que voam entre as palmeiras do seu jardim, é fácil entender o que diz.

Mas, enquanto falamos, um agente da Guarda Nacional aparece em uma motocicleta para lembrar que o equipamento de gravação da BBC não deve ficar à vista por muito tempo. "Essa área não é muito segura", avisa.

Criminosos "eliminados"

A presença da polícia na região do Rio Chico aumentou nos últimos tempos e Fernando diz que vive com mais tranquilidade desde que foi instalado um comando da Guarda Nacional perto de sua casa. Soldados costumam passar por lá e verificar se ele está bem.

Mas algumas das táticas policiais causaram polêmica e críticas internacionais ao governo de Nicolás Maduro.

"As coisas estão melhorando porque muitos dos bandidos que invadiram essa área foram eliminados", diz Fernando.

Ele diz que poucos dias antes de nosso encontro, três supostos criminosos foram mortos pela Força de Ações Especiais da Polícia. Ele não é o único em Rio Chico que relata que agentes invadiram os esconderijos de criminosos na floresta.

O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas relatou milhares dessas "execuções extrajudiciais" na Venezuela nos últimos anos.

O governo não respondeu quando a BBC Mundo pediu informações.

Policía en Venezuela

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

A Força Policial de Ações Especiais foi acusada de cometer execuções extrajudiciais. (Imagem de arquivo)

"Não é que eu esteja feliz que eles sejam eliminados, mas pelo menos espero que haja tranquilidade", diz Valera sobre os criminosos assassinados.

Ruínas modernas

No município de Río Chico não é difícil encontrar antigas vilas de veraneio em ruínas.

Villa vacacional abandonada en Río Chico.
Legenda da foto,

Rio Chico é pontilhada de vilas vazias que agora estão abandonadas.

Algumas eram propriedade de grandes empresas do país, que as ofereciam a preços vantajosos aos seus empregados, ou do Estado, que há muito deixou de cuidar da sua manutenção.

Famílias muito pobres encontraram abrigo nelas e grupos de crianças descalças podem ser vistos em suas ruas carregando baldes de água à mercê dos mosquitos noturnos.

Perto dali fica Caño Copey, a imensa e deserta praia onde Carlos Quintana passa seus dias.

Ele conta que em sua época serviu na escolta pessoal do falecido Hugo Chávez. Agora ele é o salva-vidas em uma praia que dificilmente frequenta.

"Passo o dia todo sentado, olhando a água, a areia e a brisa."

Os anúncios turísticos que sobrevivem na internet descrevem Caño Copey como "um lugar onde se terá os serviços turísticos necessários para passar um dia tranquilo na praia".

Também na web há vídeos que mostram uma visão panorâmica das casas com piscinas, das praias e da rede de canais que percorrem a região.

Playa en Barlovento hace unos años.

Crédito, Andrés Morante

Legenda da foto,

Barlovento é um destino tradicional de férias para os venezuelanos de classe média e alta

Nenhuma dessas imagens idílicas corresponde às cenas a que o salva-vidas está acostumado.

"Certa vez, vi alguns turistas que acabavam de chegar à praia sendo agredidos e ameaçados com faca. Queria intervir, mas poderia ter me machucado."

Sem visitantes urbanos para extorquir ou roubar, agora são os fazendeiros de cacau da região que têm de pagar às gangues que fizeram de Barlovento sua fortaleza.

Quem aqui ficou teve de se adaptar ao desaparecimento do turismo, o que agravou ainda mais o impacto da crise.

Quintana, por exemplo, alimenta os seus dois filhos com as bananas que crescem na sua horta e as sardinhas que consegue pescar neste litoral solitário porque o seu salário só dá para uns pacotes de arroz.

El socorrista Carlos Quintana.
Legenda da foto,

Carlos Quintana é o salva-vidas de uma praia onde quase ninguém toma banho

Ele tem saudades do tempo em que as coisas eram diferentes.

"Nos carnavais ou nos finais de semana vinham muitos turistas e havia muito movimento nas vilas da praia", explica, apontando com o dedo o que resta das casas à beira-mar.

Quintana me guia até uma delas. Sobrou pouco mais além da fachada e do terreno, mas a localização privilegiada a poucos metros de onde as ondas quebram e as suas generosas dimensões dão uma ideia do seu esplendor passado.

"Os proprietários subiam no telhado ao final do dia para ver o pôr-do-sol e tomar uns drinks enquanto ouviam música", lembra.

Quando eles pararam de vir, os criminosos apareceram. "Eles levaram os banheiros, as portas, as janelas, tudo ..."

E poderia ter sido pior. "Assim que aparece alguém que parece levar uma vida normal, eles o agridem ou sequestram e o forçam a pagar por extorsão".

Brasil : DESEMPREGO
Enviado por alexandre em 13/05/2021 23:54:31

Doutor em engenharia espacial vende doces

"Tenho só uma palavra para definir o que eu sinto: frustração. Estudar, estudar, tentar e não conseguir nada. Você se sente como um incapaz."

A afirmação é de Maycol Vargas, de 33 anos e graduado em engenharia aeronáutica, com mestrado e doutorado em engenharia e tecnologia espaciais, na área de combustão e propulsão, pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Depois de defender sua tese no início de 2020, o morador de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, se viu desempregado com doutorado.

"Mandei currículo até para auxiliar de serviços gerais, mas está difícil. Montei um negócio próprio e estou fazendo doces, porque eu estava sem nenhuma renda. Isso me rende uns R$ 400, R$ 500 por mês, no máximo. Um profissional da minha área normalmente ganha na faixa de R$ 13 mil a R$ 15 mil."

Maycol é um dos milhões de profissionais brasileiros qualificados e subutilizados em meio à pandemia do coronavírus.

Entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020, o número de trabalhadores com ensino superior subutilizados passou de 2,5 milhões para 3,5 milhões, um aumento de 43%.

Na população em geral, considerando todos os níveis de qualificação, os subutilizados passaram de 26,1 milhões a 32 milhões nesse mesmo intervalo, crescimento de 23%.

Quem são os subutilizados

A subutilização da força de trabalho é um indicador mais amplo do que a desocupação.

Além dos desempregados, a subutilização também inclui aqueles que estão trabalhando menos horas do que gostariam; que desistiram de procurar emprego (os chamados desalentados); ou que gostariam de trabalhar, mas por algum motivo - como ter que cuidar dos filhos que estão fora da escola ou de idosos, por exemplo - não estavam disponíveis.

"A taxa de desemprego é uma medida super importante, mas ela deixa de fora todas essas pessoas que também estão numa situação de insatisfação com a situação de trabalho delas", explica Ana Tereza Pires, pesquisadora da consultoria IDados e autora do levantamento, elaborado a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"A subutilização é um retrato mais amplo do mercado de trabalho e dessa ineficiência em alocar todo mundo que tem potencial de trabalhar dentro da força de trabalho", acrescenta a economista.

"Especialmente nessa época de pandemia, essa é uma medida muito importante, porque muita gente desistiu de procurar trabalho ou estava procurando emprego, mas ficou indisponível para trabalhar, como no caso das mães. Então esse indicador dá conta de um contingente maior de brasileiros num momento de crise."

Homem engravatado segura uma caixa com seus materiais de escritório após ser demitido

Crédito, RUNSTUDIO/Getty Images

Legenda da foto,

Taxa de desocupação dos trabalhadores com ensino superior passou de 5,6% para 6,9% entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020

O desemprego para quem tem ensino superior

A taxa de desocupação entre os trabalhadores com ensino superior é historicamente mais baixa do que a dos trabalhadores em geral. Entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020, ela passou de 5,6% para 6,9%, aumento de 1,3 ponto percentual.

Nesse mesmo intervalo, a taxa de desemprego para a população em geral subiu de 11% para 13,9%, um aumento de 2,9 ponto percentual.

A diferença histórica no nível de desocupação entre os mais e os menos qualificado se explica pela parcela ainda relativamente pequena de pessoas com ensino superior no país. Segundo o IBGE, no quarto trimestre de 2020, apenas 16,5% da população brasileira em idade de trabalhar havia concluído o nível superior.

Como esse profissionais mais qualificados são relativamente escassos no país, em geral, eles têm mais facilidade de encontrar uma vaga no mercado de trabalho.

"Olhando a taxa de desemprego entre o final de 2019 e o final de 2020, ela cresceu muito no mercado de trabalho como um todo. Para quem tem ensino superior, houve um crescimento, mas não muito elevado", observa a pesquisadora do IDados.

"Isso poderia levar a crer que os trabalhadores com ensino superior não foram muito afetados pela crise decorrente da pandemia. Mas, quando olhamos para a subutilização, fica claro que as pessoas com ensino superior estão bastante representadas."

Ilustração mostra três jovens vestidos com becas e chapéus de formatura, segurando currículos e usando máscaras contra a covid-19, enquanto pequenos coronavírus na cor vermelha flutuam à volta deles

Crédito, Piscine/Getty Images

Legenda da foto,

Recém-formados são parte importante do contingente de trabalhadores subutilizados com ensino superior

Por que a subutilização aumentou entre os mais qualificados

A economista avalia que os mais instruídos foram menos afetados pelo desemprego na pandemia devido à maior possibilidade desses trabalhadores de fazerem home office.

Segundo dados da pesquisa Pnad Covid-19 referentes a novembro de 2020 (o último dado disponível, posto que a pesquisa foi descontinuada pelo IBGE), dos 7,3 milhões de pessoas que estavam trabalhando de forma remota naquele mês, 76% tinham ensino superior completou ou pós-graduação.

"Muitos dos trabalhadores com ensino superior que saíram da força de trabalho não foram para o desemprego, foram direto para a inatividade. Não foram procurar emprego, seja por terem uma situação econômica melhor e poderem esperar uma melhora do mercado, ou por terem que cuidar da casa e dos filhos, no caso das mulheres."

O IBGE só considera como "desempregado" quem efetivamente procurou emprego no período recente.

Das três categorias de subutilização dos trabalhadores com ensino superior analisadas pela pesquisadora, o número de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas cresceu 13%; o número de desocupados aumentou 33%; e o contingente de pessoas na chamada força de trabalho potencial (que inclui os desalentados e os indisponíveis) mais do que dobrou, com um avanço de 138% entre o fim de 2019 e o de 2020.

Marianna Rodrigues Martelo vestindo touca e roupas de proteção durante um estágio em odontologia na faculdade

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto,

Marianna Rodrigues Martelo, de 27 anos, se formou em odontologia em dezembro de 2020, mas ainda não conseguiu emprego na área

O drama dos recém-formados

Um grupo importante desses trabalhadores subutilizados com ensino superior são os recém-formados.

Historicamente no Brasil, o desemprego sempre foi maior para a população mais jovem, de todos os níveis de instrução. Isso porque o mercado costuma exigir uma experiência que esses trabalhadores não têm.

"Muitos dos que acabaram de se formar podem ter optado por não sair para procurar emprego agora, porque sabem que a dificuldade é muito grande. Então eles acabam entrando nessa força de trabalho potencial", explica Pires.

Marianna Rodrigues Martelo, de 27 anos, tem vivido na pele essa realidade. A moradora de Guarulhos (SP) se formou na faculdade de odontologia em dezembro de 2020, mas ainda não conseguiu encontrar um emprego na área.

"Já devo ter mandado pelo menos 100 currículos, só hoje mandei uns 20", conta Marianna.

"A maioria das vagas pede experiência e que se tenha pelo menos um ou dois anos de formado. Isso complica, porque eu sou recém-formada", afirma. "A pandemia também pode estar dificultando, porque diminuiu a oferta de vagas, já que a economia não está girando corretamente."

Renata Dornelles da Cruz e suas sócias Priscilla e Cassiana Alves da Silva

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto,

Renata Dornelles da Cruz (centro) e suas sócias Priscilla e Cassiana Alves da Silva, donas do salão de beleza Africaníssimas, em São Leopoldo (RS): na pandemia, Renata tem dedicado apenas duas manhãs por semana ao negócio

Os empregadores que estão trabalhando menos do que gostariam

Um outro grupo relevante de pessoas qualificadas e subutilizadas na pandemia são os empregadores que estão trabalhando menos do que gostariam, devido às restrições ao funcionamento de empresas, particularmente no setor de serviços.

"Há um número muito alto entre os subutilizados qualificados na pandemia de pessoas que são chefes de família e homens e mulheres brancos, que geralmente não ficam fora da força de trabalho e agora passaram a ficar", observa Pires, do iDados.

"Então isso pode estar relacionado a esses pequenos empresários que acabaram fechando ou dando um tempo nos seus negócios até a coisa melhorar ou cujas empresas não estão produzindo tanto quanto poderiam."

Conforme o levantamento, 41% dos trabalhadores qualificados e subutilizados eram chefes de família no quarto trimestre de 2020 e 58% eram brancos.

A empresária Renata Dornelles da Cruz, de 38 anos e moradora de São Leopoldo (RS), não é branca, mas é um exemplo desses pequenos empresários que estão trabalhando menos do que gostariam na pandemia. São os chamados subutilizados por insuficiência de horas trabalhadas.

Formada em turismo e jornalismo, com especialização em Moda, Criatividade e Inovação pelo Senac, Renata é proprietária, ao lado de duas sócias, do salão de beleza especializado em cabelo afro Africaníssimas.

Com a queda de movimento devido às restrições impostas pelo coronavírus e sem conseguir renegociar o aluguel, em março deste ano, as sócias tiveram de devolver o espaço que ocupavam numa galeria na região central de São Leopoldo e instalaram o salão num imóvel próprio no bairro mais afastado de Cohab Feitoria.

"Antes eu ia ao salão todo dia. No ano passado, passei a ir no máximo duas vezes por semana e ficar só meio turno, para deixar mais espaço para as clientes e porque moro com meus pais que são grupo de risco", conta Renata, que cuida do marketing, das redes sociais e da gestão financeira da empresa.

"Esse ano, com a mudança de endereço, estou totalmente em modo remoto. Como não tem mais tantos clientes, não tenho mais tanto conteúdo para produzir. Antes eu trabalhava com as tarefas do salão todos os dias, de segunda a sábado, quando não domingo. Agora, resolvo tudo em duas manhãs", relata, quanto à redução das suas horas de trabalho.

Mulher negra descalça varrendo o chão de uma cozinha

Crédito, FG Trade/Getty Images

Legenda da foto,

Subutilização dos mais qualificados afeta, por exemplo, a demanda por trabalho doméstico

Os efeitos para a economia como um todo

Apesar de as histórias de desemprego e subutilização entre os mais qualificados serem menos dramáticas do que entre os menos qualificados, que em geral são a população de baixa renda, a perda de rendimentos entre os mais escolarizados tem efeito sobre a economia como um todo.

Isso porque são esses trabalhadores que recebem a maior parcela da massa de rendimentos do país - a massa de rendimentos é a soma de todos os salários. Com isso, eles também são responsáveis pela maior parte do consumo, movimentando a economia.

"Quem tem ensino superior no Brasil não é a maioria, mas sem dúvida é quem concentra a maior quantidade de renda e quem mais acaba demandando produtos e serviços", explica a pesquisadora do IDados.

"Por exemplo, o serviço de empregada doméstica e serviços não essenciais como salão de beleza e restaurantes, são muito mais demandados por pessoas com ensino superior e maior nível de renda. Então esses serviços acabam sendo afetados", diz Pires.

Segundo estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicado ao fim de abril, entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020, o contingente de trabalhadores domésticos do Brasil diminuiu de 6,4 milhões para 4,9 milhões, o que representa 1,5 milhão de pessoas a menos prestando esse tipo de serviço.

"Todo o cenário econômico nesse momento está condicionado ao combate à pandemia e à estratégia de vacinação", avalia a economista.

"Se tivermos uma campanha de vacinação efetiva, os mais qualificados vão voltar a trabalhar como antes, já que eles no geral são mais demandados. Mas é difícil traçar um cenário quando as estratégias de vacinação estão tão incipientes", conclui.

Brasil : MENOS SAÚDE
Enviado por alexandre em 13/05/2021 01:02:03

Prioridades mudam no combate a droga no Brasil

O investimento do governo federal em políticas de drogas teve uma queda abrupta nos últimos anos: saiu de um patamar de mais de R$ 1,8 bilhão em 2017 para um valor 75% menor no último ano do governo Michel Temer (R$ 447 milhões) e no primeiro ano de Jair Bolsonaro (R$ 476 milhões).

Esses dados fazem parte de levantamento inédito produzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Eles analisaram as despesas do governo federal com essa área, em diferentes ministérios, em 15 anos (2005 a 2019).

No âmbito do governo federal, os gastos com políticas de drogas incluem ações em diferentes frentes (e espalhadas em vários ministérios): coordenação nacional da política sobre drogas, repressão ao tráfico internacional de drogas, atenção à saúde dos usuários, políticas de educação para prevenção e compra de leitos em comunidades terapêuticas.

Além da constatação sobre a queda geral no gasto com política de drogas, a análise de como os recursos foram distribuídos entre essas diferentes áreas também revela uma mudança na lógica dessa política no Brasil.

Nos últimos anos, houve redução em verbas destinadas ao Ministério da Saúde, responsável por políticas de atenção à saúde dos usuários, ao mesmo tempo em que foi verificado valor recorde nos recursos destinados ao Ministério da Justiça, responsável por ações de repressão.

O contexto de um orçamento da União cada vez mais apertado, de forma geral, ajuda a explicar a redução nos gastos com a política de drogas. Mas o cenário de arrocho revela também as prioridades, como aponta o coordenador da área de Justiça, cidadania e segurança pública do Ipea, Alexandre Cunha, responsável pelo levantamento.

"Isso reflete prioridades, mesmo num contexto de redução (de despesas), que nunca é linear. Algumas políticas sofreram cortes expressivos, como de saúde mental. Outras tiveram aumento, como de repressão", afirmou em entrevista à BBC News Brasil.

gasto do governo federal com politica de drogas cai em 2018 e 2019

Com base nos dados do levantamento, solicitado pelo próprio governo federal, Cunha aponta que, até o fim do governo do ex-presidente Lula havia "pouco investimento do governo federal em política sobre drogas - quer em repressão, quer em prevenção".

A partir de 2013, já no governo Dilma Rousseff, há um "claro aumento da despesa em tema de política sobre drogas, que tem a ver com aumento na repressão, mas principalmente um aumento expressivo em política de prevenção e cuidado", segundo ele.

Depois, no último ano da gestão Temer, isso muda. "Aí você tem alteração substancial do tipo de gasto feito em prevenção e cuidado - o sentido da política de prevenção e cuidado muda, acompanhado de desfinanciamento - e o aumento do gasto com repressão não chega perto do que você cortou nos recursos destinados à prevenção e cuidado", diz Cunha.

Despesa no Ministério da Saúde com política de drogas tem menor nível sob Bolsonaro

Gasto com politica de drogas no MS cai em 2018 e 2019

As despesas do Ministério da Saúde com políticas voltadas a essa área tiveram, em 2019, seu menor nível em 15 anos, com R$ 22,6 milhões. Quando comparado ao orçamento total da pasta, o percentual é de apenas 0,02%, que também é o menor patamar da série histórica. De 2014 a 2017, quando ficou por volta de R$ 1,5 bilhão, esse percentual superava 1%.

No Ministério da Saúde, o aumento durante o governo Dilma é explicado, segundo Cunha, por uma política de fortalecimento das redes de atenção psicossocial e ações no campo de saúde mental.

"Na Saúde, os gastos com políticas sobre drogas estão misturados com gastos de saúde mental, e existem destinações específicas para drogas, principalmente o financiamento de CAPSAD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), que é a atenção especializada a dependentes de álcool e outras drogas. E foi no governo Dilma que houve articulação da rede e financiamento para estruturação dessa política em atenção à saúde mental".

Desde o governo Temer, houve uma mudança de orientação e hoje esse modelo também não é prioridade do governo Bolsonaro.

"Na medida em que o governo Temer muda a orientação política na área de saúde mental no Ministério da Saúde, começa a haver desmonte forte das redes de atenção psicossocial e do financiamento a esse tipo de atenção. Então esse movimento no gráfico tem a ver com essa política ser estruturada e, depois, desestruturada."

Cunha diz que a política de atenção ao usuário de drogas e outras drogas dentro da lógica de redução de danos foi "abortada". "Não chegou efetivamente a estar estruturada e a gente ainda não tem distância suficiente para avaliar êxito. Para avaliar política pública, precisamos de pelo menos cinco anos de implementação da política para fazer avaliação para medir impacto", diz.

A BBC News Brasil procurou o Ministério da Saúde e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem.

Foco em comunidades terapêuticas

O modelo anterior de atendimento vem sendo substituído pelas chamadas comunidades terapêuticas. Essa política, que foi iniciada por Dilma, vem se tornando o principal mecanismo de combate à dependência química da gestão Bolsonaro.

Em 2019, uma lei sancionada por Bolsonaro fortaleceu as comunidades terapêuticas, instituições normalmente ligadas a organizações religiosas. O texto facilitou internações involuntárias em unidades de saúde.

A lei também diz que esses locais devem oferecer "projetos terapêuticos ao usuário ou dependente de drogas que visam à abstinência", deve ter um "ambiente residencial, propício à formação de vínculos, com a convivência entre os pares, atividades práticas de valor educativo e a promoção do desenvolvimento pessoal", e estabelece que esses locais devem servir de "etapa transitória para a reintegração social e econômica do usuário de drogas".

Assim, existem três tipos de internações: a voluntária, a involuntária (quando o dependente é levado pela família ou por um agente de saúde) e a compulsória - quando há determinação da Justiça.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Cidadania informou que o investimento subiu de R$ 40,9 milhões em 2018 (2.900 vagas financiadas) para R$ 153,7 milhões em 2019 (10.833 vagas financiadas). A pasta hoje mantém contratos com 483 instituições.

O governo já informou que o Ministério da Cidadania busca aumentar esse orçamento, hoje em R$ 146,2 milhões, para R$ 330 milhões. Esse gasto com comunidades terapêuticas estava originalmente no Ministério da Justiça até 2018 e em 2019 passou para o orçamento do Ministério da Cidadania.

"Um dos objetivos da nova política é acolher e tratar usuários de drogas por meio da desintoxicação e fortalecimento das comunidades de tratamento, integrando políticas nacionais e internacionais, tomando iniciativas públicas e privadas e reconhecendo as diferenças entre o usuário, o dependente e o traficante de drogas, tratando-os de forma diferenciada", disse o Ministério da Cidadania.

Uma das principais críticas feitas por especialistas e procuradores ao modelo passa pela relação entre o tratamento de dependentes químicos e proselitismo religioso. Das quase 2 mil comunidades terapêuticas no país, segundo outro estudo do Ipea, 82% disseram ter ligação com igrejas e organizações religiosas (40% pentecostais e 27% católicas).

A leitura da Bíblia é uma atividade diária em 89% delas, e a participação em cultos e cerimônias religiosas é obrigatória em 55%. Leia mais nesta reportagem da BBC News Brasil, que revelou, em 2019, que o governo federal financiava entidades para dependentes químicos denunciadas por maus-tratos e irregularidades, com denúncias como violação de correspondências, prisão dentro de quartos, trabalhos forçados e punições por faltas a cultos religiosos.

"A lógica do sistema anterior, de atenção ambulatorial ao dependente, trabalha dentro da lógica de redução de danos. E o modelo da comunidade terapêutica é o da abstinência. Então, é uma transição de modelo que era calcado na melhora da vida do dependente mesmo que ele não deixasse de usar droga, para o um modelo em que o fundamental é a abstinência - tornar-se limpo é requisito para ter direito à assistência", diz Cunha.

Despesa no Ministério da Justiça com política de drogas tem maior nível sob Bolsonaro

Gasto com politica de drogas no MJ sobe e atinge recorde em 2019

Diferentemente de outras áreas, os recursos destinados à política de drogas no Ministério da Justiça bateram recorde: os mais de R$ 420 milhões em 2019 representam o maior patamar dos 15 anos pesquisados. Em proporção ao orçamento total da pasta, ficou em 3%.

Nessa área, o Ministério da Justiça é responsável por ações de combate ao crime organizado, tráfico internacional e pelo financiamento de vagas relacionadas a esse tipo de delito no sistema penitenciário federal.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Justiça informou que, desde 2019, com a aprovação da Nova Política Nacional Sobre Drogas, as ações da pasta "são voltadas para gestão da política, pesquisa e, sobretudo, a redução da oferta de drogas através da descapitalização das organizações criminosas, com leilão de bens apreendidos do crime".

Entre os investimentos, também estão, segundo a pasta, o sistema de radiocomunicação na fronteira do Brasil com o Paraguai ("que causou um prejuízo de quase R$ 3 bilhões aos criminosos e apreendeu, desde 2019, cerca de 900 toneladas de droga"), a Escola Nacional de Cães de Faro, ("que será inaugurada em breve, com foco em aumentar a capacidade de detecção de drogas por parte dos policiais"), e a nova unidade de pesquisa sobre o mercado de drogas (Centro de Excelência em Redução de Oferta de Drogas Ilícitas).

O presidente e seus aliados defendem a ação contra o tráfico como política fundamental para conter a criminalidade no país - ao mesmo tempo em que estudiosos do tema apontam que "a guerra às drogas", realizada há décadas, não vem mostrando resultado na redução da violência.

Em 2020, por exemplo, Bolsonaro e aliados comemoraram apreensões recordes de centenas de toneladas de drogas (principalmente maconha).

No âmbito do debate sobre apreensões, a Polícia Federal reconheceu o impacto limitado das apreensões de drogas para combater o tráfico, destacando como ações de maior relevância as operações que conseguem atingir o comando das organizações criminosas por trás desse mercado ilegal.

A tendência gradual de liberação do uso da maconha no mundo também é frequentemente apontada pelos especialistas no tema - hoje, o uso recreativo é permitido em países como Uruguai, Canadá e Geórgia e em vários Estados americanos.

Por que é desafiador calcular (e fiscalizar) quanto o Brasil gasta com política de drogas?

Cultivo de maconha

Crédito, IRCCA

Legenda da foto,

Maconha é a droga ilícita mais consumida no país, segundo especialistas

Mensurar os gastos em todas essas áreas da política relacionada às drogas é desafiador por alguns motivos.

O primeiro é que o Brasil não reúne todas as políticas sobre drogas em um mesmo órgão. Então, além de o orçamento estar espalhado entre os ministérios, existem ações orçamentárias que não são exclusivamente para políticas de drogas, o que torna difícil identificar cada uma e diferenciar os gastos lá dentro.

"Fizemos uma garimpagem, dentro de cada ação orçamentária, sobre o que ia para política sobre drogas e o que não ia", explicou Cunha.

Os pesquisadores dividiram as modalidades de gastos entre diretos e indiretos, mas em alguns casos, dizem, era impossível diferenciar exatamente o que foi direcionado para política de drogas. Por isso, Cunha diz que é possível que se gaste com políticas sobre drogas em ações que não foram desagregadas - o que significa que o gasto pode ser maior.

O estudo sugere uma metodologia para o orçamento nessa área, de forma que os gastos sejam previamente divididos em cinco eixos: 1. Prevenção, 2. Tratamento, cuidado e reinserção social, 3. Redução da oferta, 4. Pesquisa e avaliação, 5. Governança, gestão e integração.

Isso porque, da forma que é hoje, os pesquisadores apontam que é difícil mensurar e, por consequência, analisar a efetividade. "Uma melhor distinção de diversas atividades voltadas para as políticas sobre drogas iria contribuir para uma melhor implementação e fiscalização dessas políticas públicas."

Outro ponto importante quando se pretende analisar o conjunto das políticas de drogas no Brasil é considerar o papel de Estados e municípios, que não está contabilizado aí. Um exemplo claro são as ações da Polícia Civil e Militar de todo o país, que não entram na conta do governo federal com repressão.

Pesquisadores do Ipea trabalham, agora, em levantamento específico com esses gastos estaduais.

Neste ano, pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) apontou que, em um ano, as instituições do sistema de justiça criminal dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo consumiram mais de R$ 5,2 bilhões com a política de proibição das drogas.

Brasil : WHATSAPP
Enviado por alexandre em 13/05/2021 00:58:18

O que acontece se você não aceitar as novas regras do aplicativo?

O WhatsApp determinou que até este sábado, 15 de maio, seus usuários devem decidir se aceitam ou não os novos termos e condições para uso do aplicativo.

Entre as principais mudanças, está o compartilhamento de dados da conta WhatsApp com o Facebook, a empresa matriz do serviço de mensagens. Isso não ocorrerá apenas em países da União Europeia e no Reino Unido.

A partir deste prazo, quem não aceitar as novas condições começará a ter limitado o uso do aplicativo.

"Nenhuma conta será removida", assegurou o WhatsApp em seu site.

Mas o que pode mudar, então?

Acesso apenas por meio de notificações

A partir de 15 de maio, quem não aceitar os novos termos não conseguirá mais abrir sua lista de conversas.

"Mas você poderá atender a ligações e videochamadas. Se tiver as notificações ativadas, poderá tocá-las para ler ou responder mensagens, além de retornar ligações perdidas ou videochamadas", afirma a empresa.

Ou seja, os usuários só poderão acessar as conversas por meio das notificações na tela.

Se depois de "algumas semanas", segundo a empresa, o dono da conta ainda não tiver aceitado as atualizações, deixará então de receber ligações e notificações.

Tela de celular com ícones de aplicativos como Facebook, WhatsApp, entre outros

Crédito, Yui Mok/PA

Legenda da foto,

Caso não aceite nova política de dados do WhatsApp, usuário não conseguirá mais abrir lista de conversas

Lembrete 'persistente'

Nos próximos dias, o lembrete para revisão e decisão sobre as alterações no aplicativo se tornará "mais persistente" até que o usuário as aceite ou recuse, diz a empresa.

Ainda assim, a conta de quem não aceitar as novas regras não será excluída imediatamente — e sim submetida à mesma política atual do aplicativo para contas inativas.

Essas regras dizem que, se o serviço de mensagens não for usado por 120 dias, a conta será excluída.

Mudanças polêmicas

Ícones do WhatsApp e do Facebook em 3D

Crédito, REUTERS/Dado Ruvic

Legenda da foto,

Dados do WhatsApp poderão ser usados pelo Facebook, o que gerou críticas

As alterações a serem implementadas pelo WhatsApp foram anunciadas no início do ano.

Além do compartilhamento com o Facebook, há a possibilidade de os dados do WhatsApp serem utilizados também pelo Instagram e Messenger, todos da mesma empresa.

Alguns críticos viram isso como uma extrapolação da privacidade, motivando a busca por serviços alternativos, como o Telegram e o Signal.

Diante das críticas, o WhatsApp optou por adiar o prazo para 15 de maio, de forma a esclarecer "boatos e desinformação" sobre a decisão.

"Queremos esclarecer que a atualização não afeta de forma alguma a privacidade das mensagens que os usuários compartilham com seus amigos e familiares", disse a empresa em um comunicado

"Nem o WhatsApp nem o Facebook podem ler suas mensagens ou ouvir as ligações que você faz com seus amigos, familiares ou colegas no WhatsApp. Tudo o que for trocado ficará entre vocês."

Cristian León, da ONG Asuntos del Sur, sediada na Argentina, explicou à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) por que os dados dos usuários do WhatsApp são tão valiosos — e alvo de disputa.

"O WhatsApp tem muitos metadados, que são as informações que se obtém de qualquer mensagem que enviamos — como a marca do telefone, o horário da mensagem, sua localização, entre outros. Com isso, a empresa pode saber muito sobre seus usuários", explicou León.

Brasil : EXÉRCITO
Enviado por alexandre em 12/05/2021 23:49:11

Uniformes inteligentes do Exército Brasileiro aprovados na Operação Culminating
Uniformes Inteligentes são testados na Operação Culminating nos Estados Unidos e obtém aprovação muito boa e excelente

Membros do 27º Batalhão Paraquedista a bordo de uma aeronave KC-390 da FAB pronto para entrar em ação na Operação Culminating



 

ABDI
Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial

12 Maio 2021

O novo uniforme de combate do Exército – Uniforme Inteligente, proposto e entregue ao Exército Brasileiro pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) obteve aprovação de Muito Bom e Excelente (de Classe B). 

O fardamento foi testado pela tropa brasileira que participou da Operação Culminating/2021, entre 03 de janeiro a 22 de fevereiro. nos Estados Unidos. Após a conclusão dos testes de campo, o Exército Brasileiro e a ABDI constataram, por meio de avaliações, que o enquadramento conforme o padrão de desempenho apresentado pelo Uniforme foi de Muito Bom e Excelente em todos os quesitos.

A tropa brasileira que participou da Operação Culminating/2021 foi composta por uma Equipe de Ligação (Estado Maior), uma Companhia Paraquedista (Cia Pqdt) reforçada e por um Destacamento Logístico (Dst Log). Durante o treinamento, a Companhia Paraquedista e o Destacamento Logístico participaram de uma série de instruções preparatórias, de adaptação ao salto, de salto de paraquedas e de uma rotação no Joint Readiness Training Center (JRTC) do Exército Norte Americano, no Fort Polk, Louisiana.

As Rotações do JRTC são mundialmente conhecidas como um exercício de quinze dias que mais se aproxima a um combate real. Os testes ocorreram na região sul dos EUA, com condições de clima frio, precipitação de neve, sol e chuva, e incluiu deslocamentos e ações em área urbana e rural, mata aberta e fechada, e locais alagadiços, utilizando equipamentos militares. Na oportunidade, foram avaliadas 203 amostras do Uniforme Inteligente.

“O Uniforme Inteligente é uma plataforma de demonstração de tecnologia que visa contribuir para a capacitação produtiva e tecnológica da Base Industrial de Defesa Brasileira nos segmentos de produtos têxteis e confecções. O próximo passo consistirá na incorporação de sensores integrados às tecnologias e equipamentos da IMBEL”, destacou o Presidente da ABDI, Igor Calvet.

A avaliação positiva ressalta a importância da agregação de propriedades físico-químicas avançadas em tecido de alto desempenho à mais moderna modelagem, para as missões e desafios da Força.

“O desempenho do Uniforme Inteligente no Exercício Culminating 2021 foi bastante satisfatório, a tropa aprovou e identificou nele aspectos que o caracterizam como uma evolução em relação ao uniforme atualmente utilizado. As melhorias incorporadas aumentaram as capacidades de utilização e o conforto desse novo Uniforme, maximizando assim o desempenho do soldado brasileiro no dia a dia e nas operações e no combate”, afirmou o Coronel Paulo Filho, Gerente do Projeto COBRA (Combatente Brasileiro).

Dentre os aspectos avaliados, Facilidade de manutenção, Rusticidade, Ergonomia e Conforto, obtiveram mais de 80% de avaliação ‘bom’, ‘muito bom’ e ‘excelente’. Foram testados os seguintes aspectos Uniforme Inteligente: rusticidade, conforto, ergometria, conforto térmico, frescor, repelência a mosquitos, odor, facilidade de uso/operação, facilidade de manuseio, facilidade de montagem/desmontagem, facilidade de manutenção, funcionalidade, acabamento, apresentação, coloração.



Militares Brasileiros operando ao lado de Americanos na Operação Culminating Foto US Army

O resultado revelou que a tropa aprovou e também demonstrou preferir o Uniforme Inteligente em substituição ao atual. Além disso, baseado nas respostas, alguns itens deverão ser modificados para melhorar ainda mais as capacidades de utilização e o conforto do uniforme, de forma a maximizar o desempenho do soldado brasileiro no dia a dia, em operações e em combate. As melhorias já deverão constar dos 400 conjuntos do Uniforme Inteligente que serão entregues pela ABDI ao Exército Brasileiro, até o final de julho de 2021.

A modelagem do Uniforme Inteligente foi proposta pelo Exército Brasileiro, com o objetivo de testar atualizações que pudessem deixar o fardamento mais moderno e adaptado ao desempenho das funções militares.  Ao tecido do uniforme foram incorporadas funcionalidades baseadas em substâncias e princípios ativos nanoencapsulados, com o objetivo de proporcionar mais frescor, conforto térmico (por meio da aplicação de Phase Change Material), repelência a mosquitos e ação antimicrobiana para controle de odor. O Uniforme Inteligente é composto por gandola camuflada, calça de combate camuflada, camiseta camuflada, gorro camuflado e meias verde oliva.

Além disso, o Uniforme Inteligente traz diferenciais ao fardamento comumente utilizado como caraterísticas do tecido de alto desempenho solicitado pelo Exército Brasileiro: tingimento de alta solidez; proteção UPF +50 – Proteção solar superior a 50 UPF; e, composição do tecido: 50% Fibras de poliamida de alta tenacidade 6.6 e 50% Algodão, com gramatura de 220 g/m2, proporcionando secagem mais rápida, menor amarrotamento e maior resistência mecânica.



Tropa Paraquedista embarcando em uma aeronave KC-390 para salto conjunto com forças americanas na Operação Culminanting Foto CECOMSAER

Além do 27º Batalhão Paraquedista do Rio de Janeiro, também realizaram os testes de campo com o Uniforme Inteligente com ótimo desempenho as seguintes Organizações Militares: 5º BI Leve – Lorena, SP; 20º BI Blindado – Curitiba, PR; 52º BI de Selva – Marabá, PA, 25º Batalhão Paraquedista – Rio de Janeiro e Centro de Adestramento Leste – Rio de Janeiro, RJ.

A ABDI contou, no início do Projeto Uniforme Inteligente, com o apoio do Ministério da Defesa, da Força Aérea, da Marinha do Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações – MCTI, Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções – ABIT, Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – SENAI/CETIQT, Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico / Universidade de São Paulo - LSITEC-USP e Instituto Federal Fluminense – IFF.

Impressão final dos Usuários a respeito do Novo Uniforme de Combate do Exército – Uniforme Inteligente

 

ASPECTOS BOM, MUITO BOM E EXCELENTE
Rusticidade 83%
Conforto 80%
Ergonomia 81%
Conforto térmico 64%
Frescor 61%
Repelente a Mosquito 59%
Odor 70%
Acabamento 76%
Apresentação 77%
Facilidade de manutenção 86%
Total 74%


Vídeo do Exército Brasileiro com a participação do Contigente Brasileiro na Operação Culminatinghttps://www.defesanet.com.br/cul/noticia/40637/Uniformes-Inteligentes-do-Exercito-Brasileiro-Aprovados-na-Operacao-Culminating-/
 

(1) 2 3 4 ... 613 »