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Brasil : 1º CAFÉ
Enviado por alexandre em 04/12/2019 00:46:32

É de Alto Caparaó Minas Gerais o melhor café do Brasil

O café é uma das identidades mineiras e símbolo maior da agricultura de Minas Gerais. O Estado é responsável por mais da metade do café produzido no Brasil. É o maior produtor de café do país e um dos maiores do mundo. O setor cafeeiro exerce um grande papel social em Minas, gerando emprego e renda para milhares de famílias produtoras e trabalhadores rurais. Estima-se que o setor gera três milhões de empregos, diretos e indiretos. 

     É claro, fato e notório que o café de Minas Gerais é de altíssima qualidade, recebendo constantes premiações nacionais e internacionais. O diferencial do café mineiro é o seu sabor e aroma, graças ao clima de nossas montanhas, à altitude, aos sistemas de produção utilizados desde o plantio, colheita e torrefação. Os mineiros investem em qualidade das mudas, das terras e investem em tecnologias de ponta. Por isso que o café de Minas Gerais domina o mercado nacional e vem conquistando cada dia, o mercado mundial. 
     Pela importância de Minas Gerais para a economia do setor e por ser o maior produtor de café do Brasil, Minas Gerais foi sede da Semana Internacional do Café (SIC), grande encontro de profissionais do mercado de café, reunindo cafeicultores, torrefadores, classificadores, exportadores, compradores do food-service, fornecedores, empresários, coffee lovers, proprietários de cafeterias, apreciadores da bebida e baristas que são profissionais especializados em preparar café de alta qualidade, servir cafés expressos, preparar bebidas à base de café e leite vaporizado, além de criarem cardápios com diversas bebidas à base do grão. 
     O evento foi realizado no Expo Minas, em Belo Horizonte, no mês de novembro de 2019, com apresentação de diversas ações a milhares de profissionais do mundo focadas nas áreas de Mercado & Consumo, Conhecimento & Inovação e Negócios & Empreendedorismo.
     O ponto culminante e mais emocionante da Semana do Café foi Coffee of The Year (COY) – edição 2019, com a avaliação e premiação dos melhores cafés do Brasil. Durante três dias, jurados e públicos presentes no evento analisaram 500 amostras de dois tipos de cafés: conilon e arábica, que é o tradicional e predominante em Minas Gerais. Das 500 amostras, restaram 180, até chegarem aos finalistas, na prova final. 
     Minas Gerais dominou esse concurso. O café do ano, produzido pelo produtor Willians Valério Júnior, do Sítio Recanto dos Tucanos de Alto Caparaó MG, na Zona da Mata, foi eleito o melhor café do Brasil. Os produtores Neuza Maria e Luiz Cláudio de Muqui, no Espírito Santo, levaram o prêmio no café conilon.
     Nas edições do COY em 2014 e 2015, o café produzido pelo produtor Clayton Barrosa Monteiro, também de Alto Caparaó MG, foi bicampeão. Uma prova da vocação e alta qualidade do café produzido neste município.
Veja o resultado do Coffee of the Yer (COY – Edição 2019) 
Café Arábica
1º lugar -
Sítio Recanto dos Tucanos - Wíllians Valério - Alto Caparaó (MG)
2º lugar - Sítio Rancho Dantas - Leidiomar Moreira Menegueti – Brejetuba (ES)
3° lugar - Café Portilho - Gislene da Silva Portilho – Luisburgo (MG)
4º lugar - Sítio Joia da Forquilha - Jose Emilio Magro - Espera Feliz (MG)
5º lugar - Fazenda Uaimii - Mareio Alves de Oliveira - Ouro Preto (MG)
6º lugar - Fazenda São João Grande - André Campos - Presidente Olegário (MG)
7º lugar - Fazenda Kutz - Sivanius Kutz – Itarana (ES)
8º lugar - Sítio Refúgio do Cedro - Cedro do Carmo – Iúna (ES)
9º lugar - Fazenda Bom Jesus - Lucas Lancha - Cristais Paulista (SP)
10° lugar - Sitio Indaia - Neusa Venturin Pansini – Venda Nova do Imigrante (ES)
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O Café do Sítio Recanto dos Tucanos é sintrópico 
     O café vencedor no Coffee of The Year – 2019 é cultivado em Alto Caparaó pelo sistema de Agricultura Sintrópica. A característica desse sistema é a organização, integração, equilíbrio e preservação de energia no ambiente, ou seja, melhorar a qualidade das plantas, sem alterá-las geneticamente ou destruí-las. É o manejo sustentável da natureza, sem a utilização de agrotóxicos. Esse sistema procura evitar o máximo de interferência humana no meio ambiente. 
     Foi criado e difundido por Ernest Götsch, agricultor r e pesquisador suíço, nascido em Raperwilsen, em 1948. Em suas pesquisas por melhoramento genético, indagava a si mesmo se não seria mais sensato melhorar também a qualidade das plantas, do ar, das nascentes e rios, ao invés de alterá-los com desmatamentos para implantar monoculturas, soterramentos, modificações, etc. Assim começou a redirecionar o seu trabalho para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável. 
     A ideia é ao invés de destruir a natureza, tê-la como aliada, preservando-a. A partir dos anos 1980 essa técnica começou a ser implantada no Brasil e hoje vem se tornando uma tendência, principalmente entre os pequenos e médios produtores rurais, que contam com apoio de órgãos governamentais, no caso de Minas Gerais, Emater, IEF, Epamig e Ima.
     A técnica consiste em cultivar as plantas em linhas paralelas, intercalando espécies de portes e características diferentes, visando o aproveitamento máximo do terreno, e levando em consideração a manutenção, preservação e reintrodução das espécies nativas. Na prática, são feitas capinas seletiva, onde as plantas nativas já maduras, como gramíneas, herbáceas e trepadeiras são removidas e feitas podas em árvores e arbustos. O que é capinado e podado não é descartado, volta para a natureza. É espalhado sobre o a terra. Assim, os nutrientes dos galhos e folhagens alimentam o solo. Serve como adubo. Mesmo na monocultura, as partes que não são comercializadas voltam para o solo. Nada é descartado. Isso ajuda no desenvolvimento saudável da vegetação e preserva o lençol freático. 
     O sucesso dessa técnica requer um dado importante. Não se devem usar nunca inseticidas, herbicidas e nem fertilizantes. Os orgânicos também não são usados, a não ser que seja oriundo da própria área cultivada. 
     Um dos problemas que mais incomodam os agricultores hoje são os insetos e organismos vivos que povoam as lavouras e tiram o sono dos produtores rurais. Nesse tipo técnica, sintrópica os insetos não são vistos como inimigos das lavouras. São sinalizadores de deficiências no sistema, e ajudam o produtor a compreender as necessidades ou falhas daquele cultivo. Resumindo, esse método permite a recuperação em curto período de pastos abandonados, cujos solos sofreram ao longo dos anos forte degradação, devolvendo ao solo a vida e capacidade produtiva.
     Assim é o café produzido no Sítio Recanto dos Tucanos, sem agrotóxicos, herbicidas e nem fertilizantes. Café naturalmente mineiro, de altíssima qualidade, agora no seleto grupo dos melhores do Brasil e do mundo.
(Reportagem de Arnaldo Silva, tendo como fontes o Portal Alto Caparaó MG, Emater, site da Semana Internacional do Café e Wikipédia. Fotografias do arquivo de Willians Valério Júnior, gentilmente enviadas pela Aparecida do Portal Alto Caparaó/MG) 


As regiões produtoras de cafés especiais de Minas

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Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil.O Estado de Minas sozinho é responsável pela produção de 53% do café no país. O café tradicional é produzido em todas as 12 regiões geográficas mineiras, sendo que em várias cidades dessas regiões, são produzidos cafés especiais, de alta qualidade e grande valor, tanto para o mercado interno, quanto para o mercado externo. Se engana quem pensa que os cafés especiais são apenas para a exportação. A preferência por esse tipo de café vem crescendo a cada ano, mesmo com preços superiores ao café tradicional.  

     O café mineiro vem a cada dia conquistando o paladar, não só do brasileiro, mas de todo o mundo. Em todas as regiões de Minas se produz café e algumas delas se destacam pelos cafés especiais. Como Minas é um estado com clima, altitudes, latitudes e biomas diferentes (no Estado temos os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga), além de diferentes formas de cultivos, faz com que os cafés mineiros tenhas suas particularidades e diferenças. Dessas diferenças regionais podemos encontrar cafés com sabores e aromas diferentes, que caracterizam cada região. (na foto acima, café do Sítio Pé de Bréu em Alto Caparaó MG. Enviada por Ricardo e Widma/Divulgação)
     A cada ano vem crescendo no Brasil o hábito em consumir cafés especiais. O consumo do café tradicional cresce 3% ao ano, já os cafés especiais, 15% ao ano, segundo dados da Associação Brasileira de Cafés Especiais. A diferença do café especial para o café convencional é a qualidade superior, resultado de investimentos em tecnologia, pesquisas que geram grãos de alta qualidade, consequentemente, um café especial, de excelente qualidade, aroma e sabor. 
Você vai conhecer cada uma dessas regiões produtoras de cafés em Minas Gerais.
Matas de Minas
     O café produzido na região Matas de Minas é o cereja e nessa região a opção é pelo cereja descascado. Seu aroma é achocolatado, sabor cítrico, com acidez média, doçura alta e corpo médio a encorpado. É de ótima qualidade, se destacando sempre em concursos de cafés especiais, tanto no Brasil como no exterior, com mercado de exportação para Japão, Estados Unidos e vários países da Europa. 
     Essa região cafeeira é composta por 63 municípios, se destacando Alto Caparaó, Ervália, Manhumirim, Carangola, Alto Jequitibá, Araponga, Espera Feliz, Muriaé, Inhapim, Mutum, Caparaó e Viçosa.(foto acima do Café Pé de Bréu de Alto Caparaó MG, enviada por Ricardo e Widma/Divulgação)
Sul e Sudoeste de Minas
     O café produzido nas montanhas do Sul de Minas tem como característica o corpo aveludado, adocicado, com notas de chocolate, amêndoas, caramelo, cítricas e frutadas. Já o café do Sudoeste Mineiro tem como característica o corpo médio com notas florais e cítricas, além de ser adocicado e com acidez alta.
     O café produzido no Sul de Minas é 100% Arábica. Esse é o tipo de café mais cultivado no mundo e no Brasil. 

     A origem desse café é Africana e se adaptou muito bem ao Brasil, principalmente em Minas Gerais já que o plantio desse tipo de café requer altitudes acima de 700 metros. Devido ao seu clima ameno, entre 18 a 22 graus, relevo e altitudes que variam de 850 a 1500 metros, o Sul de Minas se tornou propício para o desenvolvimento de grãos de café arábica de alta qualidade. Aliado a pesquisas, dedicação e infraestrutura sólida, se consolida como um dos melhores cafés do mundo. 
     As variedades do café Arábica cultivado na região são o Catuaí, Mundo Novo, Icatu, Obatã e Catuaí Rubi. 
     Destacam-se na produção desse café a cidade de Guaxupé, que tem a maior cooperativa do Brasil, a Cooxupé. Destacam ainda as cidades de Campos Gerais, Poços de Caldas, Três Pontas, e Muzambinho (na foto acima de autoria de Cleusa Ely).
Mantiqueira de Minas
     A Serra da Mantiqueira faz parte da Região Sul de Minas. O café cultivado na região é um dos mais premiados no Brasil e no exterior. Por ser uma região de tradição cafeeira, se destaca na produção de café desde o século passado, sempre esteve à frente na produção de cafés de qualidade. Essa tradição, aliada a inovação, tecnologia do cultivo e pesquisas, consolida o café da Mantiqueira como um dos melhores do mundo, reconhecidamente com várias premiações nacionais e internacionais. 
Mantiqueira de Minas tem os cafés especiais mais premiados do país (Foto:Divulgação/Ass.Brasileira de Cafés Especiais)
     O café da Mantiqueira é caracterizado pelo corpo cremoso e denso, notas florais e cítricas, doçura alta, frutado, acidez cítrica com intensidade média alta.
     Por sua tradição e fama mundial por produzir cafés especiais de altíssima qualidade, diferenciado e sabor único, a Mantiqueira é reconhecida como Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP) desde 2011.
     Entre os municípios produtores do café da Mantiqueira de Minas se destacam Conceição das Pedras, Paraisópolis, Jesuânia, Lambari, Dom Viçoso, Pedralva e os municípios de Cristina e Carmo de Minas, que conquistaram vários prêmios pela qualidade de seus cafés produzidos. 

Cerrado Mineiro
Café produzido no Cerrado Mineiro apresenta aroma intenso (Foto: Divulgação / Associação Brasileira Cafés Especiais)
     O café Cerrado Mineiro é uma bebida fina, bem encorpada, com sabor doce, aroma intenso, acidez delicada e cítrica, com notas de chocolate, caramelo e nozes.
     É um dos melhores cafés do Brasil. 100% Arábica, produzido em altitudes que variam de 800 a 1200 metros em 55 cidades das regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, se destacando as cidades de Patrocínio, Monte Carmelo, Araguari, Patos de Minas, Campos Altos, Unaí, Serra do Salitre, São Gotardo, Araxá e Carmo do Paranaíba. Essas três regiões tem estações climáticas definidas com chuvas intensas no verão e estiagem no inverno, o que propicia o cultivo natural, com secagem ao sol, de cafés de alta qualidade, como o Arábica. 

     O clima do Cerrado Mineiro contribui para fixar o aroma e a doçura desse tipo de café, aliado a técnicas de cultivo, pesquisas e investimentos tecnológicos dos produtores da região.
Café Chapada de Minas
     O café chapada de Minas tem como característica o corpo denso, com notas de caramelo, frutas passa, capim limão e acidez cítrica.
É produzido no Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Norte de Minas, regiões que estão se tornando referência no plantio de cafés especiais de alta qualidade. (na foto acima, cafezal em Angelândia, Vale do Jequitinhonha. Fotografia de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
     Em destaque para as cidades de Capelinha, a maior produtora do região, Diamantina, Montes Claros, Buritizeiro, Presidente Kubistchek, Medina, Ladainha, Pedra Azul, Nanuque, Felício dos Santos, Salinas, Turmalina, Teófilo Otoni, Serro, Gouveia, Santa Maria do Salto, Malacacheta, e Angelândia, cujo café Geisha da Fazenda Primavera, do grupo Montesanto Tavares, ganhou o Cup Excelence de 2018, sendo considerado até então o café mais caro no mundo. A saca de 60 kg foi vendida por 72 mil reais.
Café Tradicional
     O nosso tradicional e popular cafezinho vem das fazendas de todas as 12 regiões de Minas (Zona da Mata, Campo das Vertentes, Noroeste de Minas, Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Região Central, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri, Norte de Minas, Região Metropolitana de BH, Sul e Sudoeste de Minas, Centro Oeste de Minas). (foto acima de Chico do Vale de Viçosa MG)  Como pode ler acima, várias cidades dessas regiões se dedicam a produção de cafés especiais. Em sua maioria, o café produzido em Minas é o tradicional. É aquele café colhido nas fazendas ou nos sítios, torrado e moído da forma tradicional que conhecemos. É empacotado à vácuo e disponibilizado nos supermercados para o consumidor. 
     O café tradicional tem o sabor bem forte e marcante. É produzido a partir de grãos que valorizam o equilíbrio entre a excelência da bebida, o aroma  e o sabor. (foto ao lado de Chico do Vale de Viçosa MG)
     A tradição do que há de melhor em nossa terra, pode ser saboreada numa boa xícara de café que traz em si um café saboroso, de cor escura, com sabor que varia entre o forte ao extra-forte.
     Esse é o café presente no nosso dia a dia, coado em coador de pano, em filtros de papel ou feito até em cafeteiras. Mas nunca falta em nossas casas, escritórios, lanchonetes e padarias que frequentamos. 
     Para aproveitar melhor o sabor e aroma do café tradicional, ele deve ser consumido até uma hora depois de coado. (Por Arnaldo Silva)

Brasil : SUA SAÚDE
Enviado por alexandre em 03/12/2019 08:41:35

Dezembro laranja alerta sobre o câncer de pele

A exposição solar é um fator de risco para o câncer de pele, que atinge cerca de 200 milhões de brasileiros por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Em função disso, desde 2014 acontece o Dezembro Laranja, campanha que busca alertar acerca dos riscos associados a doença. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de novos casos no Brasil é de 6.260, sendo 2.920 homens e 3.340 mulheres.

“No caso dos brasileiros, o problema torna-se mais grave porque boa parte da população ainda não tem o hábito de passar filtro solar antes de se expor ao solar”, explica Rosana Chagas, dermatologista da Real Derma. Os responsáveis pelas queimaduras do sol são os raios UVB, já aos raios UVA são atribuídos os sinais de envelhecimento das células presentes na epiderme. Ambos aumentam o risco do câncer de pele, dessa maneira, na hora de comprar o protetor solar é importante saber que o FPS (fator de proteção solar) está ligado à proteção contra os raios UVB e a proteção contra os raios UVA é um terço do FPS rotulado. Por isso, é indicado o uso de protetor solar com FPS mínimo de 30. “Muita gente não sabe passar a quantidade correta de protetor solar, recomendamos que o paciente use o equivalente a uma colher de sopa cheia em todo corpo, reaplicando a cada duas horas ou depois que entrar em contato com água”, explica Rosana Chagas.

Existem também outras medidas fotoprotetoras, como evitar os horários de maior incidência solar (das 10h às 16h), utilizar chapéus de abas largas, óculos para sol com proteção UV e roupas que cubram boa parte do corpo. Além disso, os danos causados pelo sol são cumulativos, ou seja, com o passar da idade, maior a possibilidade de ocorrerem manchas e tumores malignos, o cuidado também precisa ser redobrado para quem já possui histórico da doença na família “Existem dois tipos de câncer de pele, o melanoma, com origem nas células produtoras de melanina e o não melanoma, responsável por 30% de todos os casos registrados no Brasil” ressalta Rosana, ela também explica a importância de visitar o dermatologista no caso de suspeita da doença, já que o diagnóstico precoce pode ter até 90% de chance de cura.

Fique atento às lesões indicativas de câncer:

  • Aparência elevada e brilhante, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida e que sangra facilmente;
  • Pinta preta ou castanha que muda de cor e textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho;
  • Mancha ou ferida que não cicatriza e continua a crescer, apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.

Ao perceber qualquer um desses sintomas, procure um médico especialista para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento.



Brasil : CABRITO
Enviado por alexandre em 26/11/2019 14:49:39

A carne vermelha mais saudável do mundo
Clóvis Guimarães Filho*


Pernil Caprino da raça Boer
De uma maneira geral, confunde-se a carne de caprino com a de ovino. O cabrito é a cria da cabra, abatido geralmente com idade entre 4 e 6 meses, com carcaça em torno de 12 kg. Quando abatido aos 2-3 meses, carcaça na faixa dos 4-6 kg e ainda mamando, é o cabrito-mamão que vem, em alguns países, substituindo gradativamente o peru e o leitão, nas festas de final de ano. Além do sabor característico e cada vez mais apreciado pela alta gastronomia, a carne de cabrito possui diversas vantagens em termos nutricionais se comparada às outras carnes consumidas. Essas vantagens estão relacionadas ao baixíssimo teor de calorias, gorduras e colesterol, a alta digestibilidade e aos elevados níveis de proteína e ferro. Carne de cabrito é a carne vermelha mais magra e mais consumida no mundo. Estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná comprovou que os baixos índices de gordura e colesterol aliados aos altos índices de nutrientes tornam a carne de cabrito recomendável para cardíacos e diabéticos. Afora os baixos teores de gordura, o percentual de gordura saturada em carne caprina apresenta-se em torno de 40% inferior à de galinha (sem pele), sendo bastante reduzido quando comparado com bovinos (850%); ovinos (900%) e suínos (1100%) (Addrizzo, 1990). É rica em cálcio, proteínas, ômega 3 e ômega 6, que desempenham um papel antiinflamatório e estão diretamente ligados e resistência imunológica.

Nos EUA, Europa, Ásia e Oceania a preocupação com a saúde tem provocado grandes mudanças nos hábitos alimentares, envolvendo a inclusão do cabrito no cardápio diário. Nos EUA, maiores importadores, a carne de cabrito é cada vez mais procurada como uma carne light e gourmet. Na revista Time, ela figura nas “top ten” tendências da gastronomia, embora ainda seja relativamente difícil de ser encontrada naquele país. No Brasil, o consumo do cabrito no Nordeste é muito limitado, já que os animais são ainda predominantemente abatidos com idade superior aos 15-16 meses. Em São Paulo, a carne de cabrito é tradicionalmente muito consumida pelas comunidades italiana, portuguesa, árabe e judaica, mas, nos últimos anos, esta carne tem se transformado em uma das estrelas da alta gastronomia paulistana. “É uma carne nobre, magra, saborosa e altamente digestiva. Duas horas depois o organismo já a digeriu. Inclusive, por isso, pode ser um prato feito até para o jantar” (Rivaldo Cavalieri, do Rei dos Cabritos, o maior especialista no assunto de São Paulo). “É uma carne que se destaca pela sua leveza, muito digestiva” (consultor Luiz Degrossi, especialista com mais de 50 anos de experiência no setor de cortes de carnes para alta gastronomia, ao provar o cabrito no Restaurante Rubayat).

Petrolina e Juazeiro, juntas, constituem o maior polo consumidor de carnes caprina e ovina do Nordeste, mas ainda não de cabritos e cordeiros, já que estes animais, chamados indistintamente de “bode”,  são predominantemente abatidos com idade avançada, boa parte até acima dos dois anos. Ou seja, praticamente só comemos carnes de animais velhos, “erados”. Para mudar esta situação, alguns produtores da região do Pontal, Petrolina, sob orientação técnica da Projetec-Plena-Codevasf, começaram a priorizar a produção de cabritos, buscando ofertar inicialmente animais para abate até 8 meses de idade. Foi a primeira iniciativa de produção organizada desse produto nesta região, em condições de sequeiro, buscando ofertar de forma regular e a preço competitivo um produto de qualidades nutricional e organolépticas superiores. Com a desativação do projeto de assistência técnica, em 2015, por corte nos recursos, a oferta do produto entrou em ritmo decrescente e praticamente parou. Ainda é possível conseguir cabritos deste tipo mediante encomenda a alguns poucos produtores da área. Ainda bem que outras iniciativas nesse sentido começam a surgir, nos dois lados do rio. O sucesso é garantido.

*Clovis Guimarães Filho - Pesquisador aposentado pela Embrapa Semiárido.

Brasil : TURISMO
Enviado por alexandre em 24/11/2019 21:31:56

Santarém é eleita o destino número um para 2020

O título foi dado pelo metabuscador de voos e hotéis líder na América Latina, que opera no Brasil há dois anos, o Viaja lá.

Portal Amazônia, com informações da Agência Santarém

jornalismo@portalamazonia.com



O mês de novembro começou bem para o turismo em Santarém. A terceira maior cidade do estado do Pará foi eleita a número um em destinos nacionais mais procurados para 2020. O título foi dado pelo metabuscador de voos e hotéis líder na América Latina, que opera no Brasil há dois anos, o Viaja lá.
Foto:Divulgação/Agência Santarém


A ferramenta compara de forma transparente mais de 100 sites globais e locais para ajudar os seus 3,5 milhões de usuários mensais a fazer a melhor escolha de viagem e adivinhe quem foi o destino mais procurado pelos brasileiros para 2020? A "Pérola do Tapajós".


O estudo conduzido pelo Viaja lá elegeu Santarém a cidade campeã de buscas no aplicativo para viagens nacionais. De acordo com a análise, houve aumento de 54% entre viajantes brasileiros para o destino.


Para o diretor nacional do buscador, Eduardo Martins, a tendência está relacionada com o aumento da frequência de voos para a cidade. “Essa tendência de alta se insinua desde 2016, quando a Azul aumentou sua frequência de voos diretos regulares para Santarém, partindo de Manaus e Belém e, em seguida, a Latam iniciou um voo diário direto saindo de Brasília”.


Santarém mais uma vez no topo dos destinos turísticos


Essa não é a primeira vez que a Pérola do Tapajós ganha destaque nacional e internacional. No final de 2018, a vila de Alter do Chão foi eleita pelo caderno Viagem do jornal O Estado de São Paulo como um dos 10 melhores destinos para visitar em 2019. Em 2009, o inglês The Guardian elegeu as praias do caribe amazônico as como melhores do Brasil, o jornal também apontou a vila como o lugar mais bonito do mundo com praias de águas doces. E a apelidou de “paraíso de ouro” da Amazônia.


Para o secretário Municipal de Turismo, Diego Pinho, vários fatores influenciam para o crescimento do interesse pelos atrativos turísticos da cidade.


“Nossas belezas naturais são exóticas e únicas. Por si só, elas já atraem visitantes, mas nós temos outros atrativos. A gastronomia tapajônica cresceu muito nos últimos anos. Hoje o turista pode vir até aqui e saborear receitas típicas da região extremamente saborosas e bem apresentadas. Nós temos, inclusive, restaurantes locais que são conhecidos em todo Brasil e já receberam prêmios. Nosso artesanato é outro diferencial. São peças muito bem feitas que representam o povo daqui e legitimam nosso potencial cultural. A nossa música é única e expressa muito bem a identidade da região. Nós também temos festivais, monumentos históricos e vários outros atrativos que dispensam comentários. Então tem muitos motivos pra visitar Santarém. E nós estamos trabalhando para que eles sejam divulgados cada vez mais", destacou o secretário.


A Prefeitura de Santarém, por meio da Semtur, tem trabalhado para divulgar Santarém como destino turístico o ano inteiro. Além de apoiar eventos e festivais de repercussão nacional como o Çairé, Cozinha Tapajós, Festival de Cinema de Alter do Chão, Bota pra Correr e outros, o governo municipal investe em press trip e famtour a fim de dar visibilidade para a região.


Brasil : AÇAI O ANO TODO
Enviado por alexandre em 22/11/2019 00:15:43

Pesquisadores da Embrapa cria açaizeiro com melhoramento genético

Produção de açaí o ano todo para o estado do Pará e para o Brasil é a proposta da nova cultivar de açaizeiro (Euterpe oleracea) irrigado de terra-firme da Embrapa, a BRS Pai d’Égua.

Portal Amazônia, com informações da Embrapa

jornalismo@portalamazonia.com


Produção de açaí o ano todo para o estado do Pará e para o Brasil é a proposta da nova cultivar de açaizeiro (Euterpe oleracea) irrigado de terra-firme da Embrapa, a BRS Pai d’Égua. A variedade atende às principais demandas da cadeia produtiva do açaí: a produção na entressafra e frutos menores, que facilitam o processamento e rendem mais, características que agradam ao produtor e ao mercado.

Foto:Vinicius Braga/Embrapa


Dois eventos marcam o lançamento da BRS Pai d'Égua: 29 de novembro, na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém; e 03 de dezembro, no campo experimental da Unidade, em Tomé-Açu, na região Nordeste Paraense.


Um dos maiores diferenciais da nova cultivar é a distribuição bem equilibrada da produção anual. A BRS Pai d’Égua produz 46% no período da entressafra (de janeiro a junho) e 54% na safra (de julho a dezembro). Trata-se de uma forte vantagem para o produtor, pois a redução da oferta de açaí na entressafra faz o seu preço aumentar, além de provocar demanda reprimida nesse período.


Outro ponto forte desse açaizeiro é a maior produtividade, chegando a 12 toneladas ao ano por hectare, enquanto o açaí manejado de várzea e o cultivado em terra-firme sem irrigação produzem cerca de cinco toneladas anuais por hectare. Além de tudo isso, seus frutos menores rendem 30% mais polpa que os materiais tradicionais. Destaca-se também a produção precoce. A primeira colheita se dá aos três anos e meio, enquanto os materiais tradicionais iniciam no quinto ano. Portanto, ele traz retorno financeiro mais rápido ao agricultor.


Mercado bilionário


O estado do Pará produziu em 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,4 milhão de toneladas do fruto, em uma área de quase 200 mil hectares. Esse total envolve o manejo de áreas de várzea e os plantios de terra-firme. Somente na economia paraense, o produto movimentou cerca de três bilhões de reais em 2018.


“A demanda pelo fruto, que é rico em antocianinas e tem alto valor energético, é enorme e a produção precisa aumentar”, afirma João Tome de Farias Neto, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental. Segundo o Sindicado das Indústrias de Frutas e Derivados do Estado do Pará (Sindfrutas), o estado fica com cerca de 60% do açaí que produz. Trinta e cinco por cento vão para outras regiões do País, principalmente a Sudeste, e 5% vão para o exterior. Os Estados Unidos são o principal destino internacional do fruto.

Foto:Divulgação/Embrapa



A conquista do açaí de terra-firme


Para ampliar a produção dessa palmeira nativa das áreas de várzea, a pesquisa vem trabalhando há mais de 20 anos. Além do manejo de açaizais nativos, estender a produção às áreas de terra-firme, segundo o pesquisador, foi a alternativa encontrada para aumentar o fornecimento desse fruto ao mercado. Em 2005, a Embrapa lançou a primeira cultivar de açaizeiro para terra-firme do mundo, a BRS Pará, responsável por ampliar o cultivo do açaizeiro no Pará e em outros estados brasileiros.


“Para a nova cultivar, a BRS Pai d’Égua, precisávamos ir além e resolver um dos principais gargalos dessa cadeia produtiva: a sazonalidade”, conta Farias. Cerca de 90% do açaí comercializado no Pará é produzido durante o período da safra, entre os meses de julho e dezembro.


Produção na entressafra e frutos menores


O cientista conta que a primeira etapa do desenvolvimento da cultivar, portanto, foi coletar material genético – sementes – em locais onde a produção das palmeiras concentrava-se em período diferente da maior parte do estado. Dois municípios, localizados no arquipélago do Marajó, se destacaram: Afuá e Chaves. “Nesses locais, principalmente em Afuá, a produção dos frutos está concentrada nos meses de janeiro a junho”, relata o cientista.


A hipótese do pesquisador é que a geografia do município favoreça a “safra diferente”. “Afuá é semelhante a uma bacia. Nos meses de chuva, janeiro, fevereiro e março, a bacia enche. Com a diminuição das chuvas, em maio, junho e julho, ela tende a esvaziar”, conta.


É a diminuição da água, o estresse hídrico, que induz o açaizeiro a florescer. “Isso é uma característica das espécies da nossa região”, complementa. Por causa disso, a partir de julho, agosto e setembro o açaizeiro lança suas flores. E o ciclo natural, segundo o especialista, é que após seis meses do período de inflorescência, comece o período de colheita dos frutos, coincidindo assim com a entressafra em todo o estado.


Outra característica importante que a pesquisa buscou foi o tamanho do fruto. Isso porque o mercado de processamento do açaí no estado já sinalizava que frutos menores rendem mais.


“É uma questão matemática. Se considerarmos uma lata que tem perto de 15kg de frutos pequenos, temos maior quantidade de frutos. De tal forma que se somarmos a área de processamento de cada fruto pequeno teremos maior quantidade de suco por unidade de comercialização”, frisa o especialista.

Foto:Divulgação/Embrapa
Cinco anos de avaliaçõesAs 80 plantas coletadas nos municípios de Afuá e Chaves, portanto, apresentavam essas duas características principais: produção na entressafra e frutos menores. O passo seguinte foi o estabelecimento de um plantio no campo experimental da Embrapa Amazônia Oriental em Tomé-Açu, no nordeste paraense.No experimento, foram feitas cinco avaliações de safras com irrigação para que o local pudesse reproduzir o movimento hídrico da “bacia” do município de Afuá. Nesse período, o especialista avaliou a época de produção, o tamanho de frutos e a produtividade das palmeiras.Farias explica ainda que duas seleções sucederam os cinco anos de avaliação das safras: na primeira, foram selecionadas 45 plantas; e na segunda, 18 indivíduos. “Eliminamos as plantas inferiores e deixamos as melhores. A partir do cruzamento delas, isso porque o açaizeiro é uma espécie alógama, na qual naturalmente os insetos fazem o cruzamento entre as plantas, obtivemos a nova cultivar”, explica.    

Aprovada pelo mercado


Os resultados do trabalho surpreenderam não somente a equipe de pesquisa, mas também o mercado. Márcio Coelho da Veiga tem uma unidade de processamento de açaí no município de Tomé-Açu. Ele trabalha como “batedor” de açaí desde 2001, ofício que aprendeu com o pai, um dos pioneiros da região. O ponto de venda de açaí batido da família começou a funcionar em 1986.


Durante alguns anos, ele atuou como um consultor da pesquisa para avaliar o desempenho da BRS Pai d’Égua nas unidades de processamento da polpa. “O rendimento dessa variedade foi surpreendente. Uma caixa de 30 quilos do açaí comum rendia em média de dez a 12 litros de polpa. Com esse açaí a gente chegou a 15 litros”, relata o comerciante.


Mas não foi somente o rendimento de polpa que chamou a atenção de Veiga. A consistência, a cor e o sabor também impressionaram. “Qualquer batedor percebe imediatamente que a polpa desse açaí é mais espessa e cremosa”, frisa.


Oferecer um açaí de qualidade na entressafra, na opinião do comerciante, está entre as principais vantagens da nova cultivar. “É na entressafra que tanto os produtores quanto os processadores conseguem lucrar com a atividade”, afirma. Na região de Tomé-Açu, ele conta que uma caixa de 30 quilos de frutos custa 50 reais na safra. Na entressafra, a mesma caixa chega a 115 reais.


Nazareno Alves trabalha com o processamento de açaí, em Belém (PA), há 14 anos. Atualmente tem uma cadeia de restaurantes na qual comercializa o produto e também planta açaí irrigado em terra-firme no município de Igarapé-Açu, no nordeste do Pará.  Mais do que um comerciante e produtor, Nazareno é um entusiasta do açaí. “Eu vendo açaí e sou apaixonado por esse fruto, consumo todos os dias”, conta.


Ele diz que a qualidade do açaí da entressafra é muito inferior, isso por causa do transporte do fruto, que vem de áreas mais distantes, como os municípios de Afuá e Chaves.


O empresário também experimentou a BRS Pai d’Égua no seu restaurante e ficou entusiasmado com o resultado. “Esse açaí da Embrapa tem excelente qualidade, polpa mais densa, cor e sabor. O cliente que está acostumado a beber o açaí percebe imediatamente a diferença”, relata.
Foto:Ronaldo Rosa/Embrapa



Custo de produção


O custo total de implantação de um hectare de açaizeiro irrigado em terra-firme, considerando a estrutura de viveiros, maquinário, encargos sociais, sistema de irrigação, operações mecanizadas e manuais, sementes, entre outros itens, está em torno de 11 mil reais. Esse cálculo, segundo o pesquisador da Embrapa Alfredo Homma, se baseia em um plantio de 16 hectares localizado no município de Igarapé-Açu. O espaçamento adotado foi de 5m x 5m, totalizando 400 touceiras, com três a quatro estipes por touceira.


Nos materiais tradicionalmente utilizados no campo, a colheita comercial se inicia a partir do quinto ano, mas é somente a partir do nono ano de cultivo que o produtor começa a obter lucro com a atividade. “Nesse ponto, ele pagou os custos iniciais de implantação e manutenção do cultivo e o custo do capital até aquele período”, explica o pesquisador. Como a BRS Pai d’Égua inicia a frutificação aos três anos e meio, a estimativa é que esse retorno financeiro seja antecipado ao produtor.


“Pelo alto investimento inicial, o açaizeiro irrigado é recomendado para médios e grandes produtores”, explica. Mas ele não descarta, contudo, o plantio irrigado para pequenos produtores que podem improvisar sistemas de irrigação com menores custos, aproveitando margens de igarapés, cursos de água ou de açudes, entre outros.


A revanche do açaí


“Chegou ao Pará, parou. Tomou açaí, ficou”, diz um ditado regional. Mas nem sempre foi assim. Segundo o antropólogo Romero Ximenes Ponte, professor da Universidade Federal do Pará, durante o século 19, quando a província do Grão-Pará foi anexada ao Brasil, o estigma dessa região era “chegou ao Pará, parou. Seja no hospital ou no cemitério. Era um lugar de pragas e endemias”, conta.

Foto:Vinicius Braga/Embrapa


De acordo com o professor, a reação do nativo, que àquela época estava autoconstituindo a sua identidade, foi negar o lugar epidêmico e doentio. “Foi dizer que aqui não era o lugar da doença e sim o lugar da comida magnífica, que quem prova jamais esquece, fica fisgado”, conta.


Ximenes estuda a relação da alimentação com a identidade e a cultura amazônicas, e como ela se estabelece como elemento fundamental de ambas. Um dos principais objetos de seu trabalho é o açaí. “Ele é uma espécie de rizoma social, um elemento que conecta com todos os níveis da vida cotidiana. O açaí é desde aterro de rua a identidade; de alimento a combustível na casa de farinha; de adubo na agricultura até a cor do manto da Santa; cor de gente, morena açaí”, conta.


“Os registros sobre o açaí no começo do século 20 eram de uma comida detestável, comida de negros, de índios e periféricos. Era encontrado somente nos lugares mal frequentados da cidade”, relata o antropólogo. Hoje houve, portanto, a revanche do açaí. “Ele é um alimento de excelência do ponto de vista da medicina, da nutrição e um grande trunfo na economia. É o nosso produto com mais fácil trânsito no mercado internacional”, ressalta.


Um produto “pai d’égua”!



Muito utilizada na Região Norte, especialmente no estado do Pará, a expressão “pai d’égua” refere-se a algo excelente, fantástico, muito bom. “O açaí por si só já é algo muito importante para o povo paraense, não somente por ser a base da alimentação, mas também por ser um dos principais produtos da economia do estado”, conta o agrônomo João Tome de Farias Neto, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.


O especialista em Língua Portuguesa Roberto Fadel relata que não há registros sobre a origem etimológica dessa expressão, porém, sua origem cultural é a Ilha do Marajó.


Foto:Vinicius Braga/Embrapa


Ele conta que, naquela região, os vaqueiros selecionavam os reprodutores mansos para gerarem éguas dóceis, mais apropriadas para o trabalho. “Esses reprodutores eram os ‘pais das éguas’, considerados dóceis, mansos e, consequentemente, geravam animais (éguas) com as mesmas características e apropriadas para o trabalho”, relata. “A expressão popularizou-se e tornou-se sinônimo de algo ou alguém muito bom, muito legal, excelente”, explica o especialista.


“O ‘pai d’égua’ é a nossa excelência”, declara o antropólogo Romero Ximenes, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). Ele considera muito positivo que a ciência seja sensível aos linguajares regionais. O nome do açaí Pai d’Égua é “uma homenagem à linguagem dos índios e caboclos da Amazônia”, considera o antropólogo. 






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