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Brasil : A FOME
Enviado por alexandre em 22/04/2021 08:44:51

De volta ao infame Mapa da Fome

Estudo do instituto de estudos latino-americanos na Alemanha aponta que em dezembro de 2020 a insegurança alimentar atingiu 59% dos domicílios brasileiros, sendo 15% em situação grave, a fome propriamente dita. Em 2013, 3,6% passavam fome

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(Imagem: Agência Brasil)

André Luiz Passos Santos*, Brasil Debate

Pesquisa recentemente divulgada, realizada por um grupo multidisciplinar de pesquisadores brasileiros do núcleo Food for Justice – Power, Politics and Food Inequality in a Bieconomy, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Freie Universität Berlin (IELA-FUB), da Alemanha, em conjunto com pesquisadores da UFMG e da UnB[1], demonstra, através de entrevistas com cerca de 2.000 pessoas, realizadas no período de agosto a dezembro de 2020, que a insegurança alimentar se agravou de forma alarmante no Brasil.

A segurança alimentar é assim classificada pelo IBGE:

1. Segurança alimentar: Quando a família/domicílio tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais;

2. Insegurança alimentar leve: Quando há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro; qualidade inadequada dos alimentos resultante de estratégias que visam a não comprometer a quantidade de alimentos;

3. Insegurança alimentar moderada: Quando há redução quantitativa de alimentos entre adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre os adultos;

4. Insegurança alimentar grave: Redução quantitativa de alimentos também entre as crianças, ou seja, ruptura nos padrões de alimentação resultantes da falta de alimentação entre todos os moradores, incluindo as crianças. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência vivida no domicílio.

A pesquisa destaca que a insegurança alimentar no Brasil, que alcançou seu nível mínimo histórico na PNAD 2013 (22,6% dos domicílios em situação de insegurança alimentar, de qualquer nível de gravidade), já havia crescido para 36,7% dos domicílios brasileiros, conforme constatado pela POF 2017/2018, bem antes, portanto, do início da pandemia.

Outros estudos vêm demonstrando que a situação da fome no país já se agravava mesmo desde antes de 2016, agravamento esse que se acentuou com a ascensão de Michel Temer e sua Ponte para o Futuro ao poder. O fim da política de valorização real do salário mínimo; a precarização do emprego em função da reforma trabalhista; o crescimento do desemprego; os cortes nas políticas de mitigação da fragilidade social e, por último, mas nem de longe menos importante, os cortes orçamentários impostos pelas políticas de austeridade fiscal, que atingem mais fortemente a parcela mais desfavorecida da população; agravaram a depressão econômica que já se manifestava desde fins de 2014, e da qual o país ainda não logrou sair, o que vem provocando o aumento de desigualdade e trazendo de volta a milhões de lares brasileiros o espectro da fome.

O Brasil havia deixado o infame Mapa da Fome das Nações Unidas em 2013, quando logrou alcançar o percentual de apenas 3,6% dos brasileiros em situação de insegurança alimentar grave – ou simplesmente fome. Uma conquista espetacular, que desafortunadamente foi menos celebrada pela mídia e pela sociedade do que uma façanha deste quilate mereceria. O IBGE confirmou que, em 2018, voltamos a ter 5% da população em estado de fome, índice que nos reinclui no rol dos desafortunados do mundo.

Desde que a FAO-ONU publica o Indicador de Prevalência de Subalimentação, há pouco mais de 50 anos, somente durante o curto período de 2013 a 2017 o país – ironicamente, um dos maiores produtores de alimentos do mundo – esteve fora daquela vergonhosa relação dos países com 5% ou mais de sua população padecendo de fome.

O estudo do IELA-FUB aponta que, em dezembro de 2020, a insegurança alimentar atingiu 59,4% dos domicílios brasileiros. 31,7% estão em situação de insegurança alimentar leve, 12,7% moderada e aterradores 15% em situação de insegurança alimentar grave – a fome propriamente dita.

Analisada a porcentagem de domicílios em situação de insegurança alimentar por região do país, vê-se que algum tipo de carência alimentar alcança 51,6% dos lares da região Sul; 53,5% das famílias da região Sudeste; 54,6% dos moradores em domicílios da região Centro-Oeste; 67,7% dos domicílios da região Norte e impressionantes 73,1% dos domiciliados na região Nordeste. A insegurança alimentar grave, faceta mais perversa desse enredo, atinge em cheio 29,2% dos lares nortistas e 22,1% dos nordestinos.

O recorte em domicílios situados em áreas rurais, rurais e urbanas e áreas urbanas, que deve ser tomado com os cuidados devidos em razão de conhecidas distorções neste tipo de classificação em virtude dos interesses arrecadatórios dos municípios, conforme amplamente discutido pelos estudiosos da demografia brasileira, o estudo constata que a insegurança alimentar grave chega a 27,3% dos lares rurais, em comparação com 16,9% em áreas rurais e urbanas e 13,1% dos domicílios urbanos. A fome está presente em 16,1% dos lares em cidades com menos de 20 mil habitantes, e em 14,9% dos domicílios situados em municípios com mais de 20 mil habitantes.

Analisando a clivagem por sexo, nos casos em que apenas um morador do domicílio é responsável por prover a família, vimos que se o chefe da família é homem, a fome atinge 13,3% dos lares, enquanto os lares providos por mulheres chegam à cifra de 25,5% em situação de fome, quase o dobro do índice dos lares mantidos por homens. Se o recorte leva em consideração a raça ou cor do único responsável pelo domicílio, constata-se que 48,9% dos lares chefiados por brancos possuem algum nível de insegurança alimentar, índice que sobe para 66,8% se o provedor da família é preto e para 67,8% se o responsável é pardo.

No caso da fome, o estudo apurou que 23,4% dos domicílios sob o encargo de pretos e 18,9% dos domicílios chefiados por pardos estão na grave situação em que todos os membros da família, incluídas as crianças, estão desprovidos de alimentos na quantidade e qualidade necessárias.

Ao analisarmos os recortes por idade, constatamos que os lares onde vivem pessoas com 60 anos de idade ou mais são os menos atingidos pela insegurança alimentar: 58,4% – comprovando o impacto positivo da aposentadoria sobre a pobreza -, enquanto a pior situação é encontrada nos lares com crianças de até 4 anos: inacreditáveis 70,7%.

Com base na PNAD-COVID, o estudo constata que 63,3% dos entrevistados que receberam Auxílio Emergencial utilizaram os recursos para comprar comida, e 27,8% para pagar contas básicas e dívidas. A insegurança alimentar atingiu 43,4% dos lares onde nenhum morador recebeu Auxílio Emergencial, sendo apenas 7,4% deles em situação de fome. Essa situação é dramaticamente maior nos lares onde alguém recebeu o Auxílio Emergencial: 74,1% experimentam algum nível de carência, sendo que 21,9% desses domicílios vivem restrições alimentares de natureza grave.

Os domicílios com os maiores níveis de insegurança alimentar foram os de beneficiários do Bolsa Família: 88,2%. Entre os lares de beneficiários do Auxílio Emergencial, a insegurança alimentar alcançou 74,1%, sendo o índice de insegurança alimentar de 56,4% dos lares que contavam com aposentadorias.

Os índices de consumo de alimentos processados, ricos em gorduras e açucares, de menor custo, aumentaram, sendo reduzido o consumo de alimentos saudáveis, como frutas, legumes, laticínios e carne. Nesse caso, o duplo efeito da perda de renda e da alta inflação de alimentos conduziu a esse resultado: o ovo passou a ser a principal fonte de proteínas nos lares em situação de insegurança alimentar. Tal situação é mais grave entre os adultos, que em muitos casos empobrecem a qualidade de sua alimentação na tentativa de preservar a saúde e a qualidade nutricional de suas crianças.

Como conclusão, podemos estimar, com muita preocupação, que a situação seguramente se agravou no primeiro trimestre de 2021, visto que a pesquisa foi realizada na vigência do Auxílio Emergencial de 2020. Embora seu valor tenha sido reduzido à metade no quarto trimestre do ano, a pesquisa mostra que a sua concessão atenuou os impactos da perda de renda durante a pandemia, o que se torna mais claro se os domicílios com beneficiários do Auxílio Emergencial são comparados com a situação dos domicílios beneficiados pelo programa Bolsa Família.

Leia também: As perigosas mudanças no Cadastro Único e o retorno do Brasil ao Mapa da FomeS

O retorno do Auxílio Emergencial no segundo trimestre de 2021, conforme a autorização concedida pelo Legislativo, será limitado a 44 bilhões de Reais de custo total em 2021, enquanto pagou quase 388 bilhões de Reais em 2020. Isto já bastaria, sem maiores detalhamentos, para demonstrar cabalmente que o impacto do novo Auxílio Emergencial será consideravelmente menor no combate à insegurança alimentar, porque o valor, o prazo de concessão e o número de beneficiários foram reduzidos.

A tendência clara é de aprofundamento da fome entre os mais severamente atingidos pelo desastre econômico – os informais, os “empreendedores de si mesmos”, os desempregados, os desalentados -, ao menos durante o primeiro semestre de 2021. O retorno do Auxílio Emergencial foi tardio e insuficiente [2].

Ademais, por variadas causas, o preço dos alimentos tem subido consideravelmente acima da inflação oficial, que de alguma forma baliza os dissídios dos trabalhadores formais. Estes, especialmente os de menor remuneração, também estão sendo atingidos por algum nível de insegurança alimentar. Mesmo os lares sustentados por aposentados – menos atingidos hoje pela insegurança alimentar – sofrerão mais no futuro, em razão dos impactos da reforma da previdência, que dificulta a concessão e reduz o valor dos benefícios, chegando em alguns casos a repor apenas 50% do salário médio de contribuição sob a forma de benefício previdenciário.

Somem-se a isso os efeitos da política de austericídio, que insiste em cortar o orçamento fiscal para garantir folga para o pagamento de juros aos detentores da dívida pública.

Diversos estudos, feitos por pesquisadores do Instituto de Economia da UNICAMP [3] e também de outros centros de estudos, vêm demonstrando os impactos perversos dessa política de busca do equilíbrio fiscal e da estabilidade de preços a qualquer custo sobre a parcela mais frágil da população, que o estudo do IELA-FUB aponta que vem crescendo e se empobrecendo ainda mais, de forma avassaladora.

Estamos contratando uma maior pressão sobre os gastos com saúde no futuro imediato, em razão do empobrecimento da dieta e do avanço da fome sobre uma parcela tão grande da população, com ênfase nas crianças na mais tenra infância: quase 60% dos domicílios brasileiros experimentavam alguma restrição no acesso a alimentos na quantidade e qualidade necessárias no fim de 2020, situação essa que seguramente se agravou nos meses seguintes.

A desídia do governo federal no combate à pandemia e o atraso e a insuficiência do novo Auxílio Emergencial estão deixando mais de uma centena de milhões de brasileiros diante de uma Escolha de Sofia: enfrentar o risco de morrer de fome ou morrer sufocado nas filas dos prontos socorros públicos sucateados pelos cortes orçamentários e superlotados.

O estudo coordenado pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Freie Universität Berlin não deixa dúvidas quanto à natureza devastadora e à verdadeira face da fome no Brasil: ela é mulher e criança ainda na primeira infância; preta e parda; nortista e nordestina.

Estarão questões como regras fiscais, estabilidade macroeconômica de curto prazo e os interesses do mercado financeiro acima do bem-estar e da vida de parcela tão esmagadoramente significativa dos cidadãos?

*André Luiz Passos Santos é economista, mestre em História Econômica pela USP e doutorando no IE/ UNICAMP

Citações

[1] GALINDO, E. et al. Efeitos da pandemia na alimentação e na situação de segurança alimentar no Brasil. Working Papers Series nº 4, IELA – Freie Universität Berlin: Berlin, 2021. Disponível em https://www.lai.fu-berlin.de/en/forschung/food-for-justice/publications/Publikationsliste_Working-Paper-Series/Working-Paper-4/index.html, consulta em 13 ABR 2021.

[2] BASTOS, P., PETRINI, G. e DOURADO, L. Ação tardia, inação precoce, nova ação tardia. O PIB da pandemia e o cenário pessimista para 2021. Nota 17 do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica do Instituto de Economia da Unicamp: Campinas, abr. 2021. Disponível em https://www.eco.unicamp.br/noticias/nota-17-do-centro-de-estudos-de-conjuntura-e-politica-economica-cecon.

[3] ROSSI, P., DWECK, E. e OLIVEIRA, A. (orgs.). Economia para poucos: impactos sociais da austeridade e alternativas para o Brasil. Autonomia Literária: São Paulo, 2018.

Brasil : ABRIL ROXO
Enviado por alexandre em 21/04/2021 20:01:08

Veja o que é e como tratar a adenomiose

A adenomiose é um problema ginecológico que pode acometer uma em cada dez mulheres no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que 150.000 novos casos sejam registrados anualmente. Ela ocorrequando existe a presença de tecido semelhante ao endométrio na camada muscular do útero – o miométrio.

 

O ginecologista e obstetra César Patez explica que o tecido endometrial ectópico (fora do lugar onde deveria crescer) cresce para dentro do músculo uterino na forma de glândulas ou estromas ao invés de crescer para fora, o que causa aumento no volume do útero. "A doença pode acontecer de forma difusa, ocupando parte ou todo o miométrio", explica.

 

A adenomiose pode afetar qualquer mulher ou pessoa com útero, como homens trans. Contudo, ela costuma ser mais incidente em pacientes que tiveram várias de gestações, aparecendo entre os 20 e 30 anos. As causas da doença ainda não são totalmente conhecidas, mas pesquisadores suspeitam que ela tenha relação com traumas anteriores no útero.

 

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“O desenvolvimento do problema pode estar ligado, por exemplo, a múltiplas cirurgias no útero, retirada de muitos miomas, diversas gestações em sequência, principalmente por cesáreas, entre outras situações”, lista Patez.

 

Adenomiose: o que é, sintomas e possíveis causas - Tua Saúde

 

Em muitos casos, a doença não apresenta sintomas, o que dificulta a sua identificação e faz com que muitas vítimas nem saibam da existência do problema. Porém, os mais comuns são a forte dor pélvica e o sangramento excessivo.

 

“Cerca de um terço das mulheres com adenomiose são assintomáticas. Porém, quando sentem os sinais, eles costumam ser dolorosos. No ciclo menstrual, os sintomas se acentuam porque as células incrustadas na parede uterina são estimuladas, causando dores e sangramentos mais intensos”, alerta.

 

“Outras manifestações incluem sangramento fora do período menstrual, dor durante o sexo, prisão de ventre e alterações gastrointestinais. Nos quadros mais graves, pode até mesmo gerar infertilidade, sendo necessária a retirada do útero.”

 

Adenomiose: saiba identificar os sintomas - Art Fértil

 

Para diagnosticar a doença, é necessário realizar exames clínicos e exames de imagem, como a ultrassonografia endovaginal, ressonância da pelve ou a histeroscopia, para analisar o interior do útero.

 

“A dosagem do CA-125, um marcador tumoral observado no sangue, também pode ajudar a detectar a adenomiose. As mulheres com a doença apresentam um valor bastante elevado desse marcador, apesar de uma dosagem padrão não excluir essa possibilidade”, acrescenta o ginecologista.

 

O tratamento mais indicado vai depender da gravidade e outras especificidades de cada caso. Isso, é claro, sempre estando alinhado a bons hábitos de saúde, como a prática de atividades físicas e uma alimentação balanceada.

 

Entenda tudo sobre Adenomiose | Blog | Mater Prime

Fotos: Reprodução

 

Se o desconforto for mais simples, anti-inflamatórios e analgésicos já dão conta do recado, pois diminuem a dor – em especial no período menstrual. Alguns métodos contraceptivos também se mostram eficazes em controlar os sintomas, de preferência os contínuos, isto é, aqueles que suspendem a menstruação. Pílulas anticoncepcionais orais e DIU de progesterona, por exemplo, são duas alternativas possíveis.

 

O médico também comenta outra possibilidade de tratar a doença: a laparoscopia. “Essa cirurgia, seja a laparoscopia ou a laparoscopia assistida por robótica, é minimamente invasiva e retira apenas a lesão que acomete o útero”, acrescenta.

 

Para quem não deseja mais engravidar, existem dois tratamentos possíveis. A embolização e, em último caso, a histerectomia, ou seja, a remoção parcial ou completa do útero. “Durante a embolização, um tubo é colocado em uma artéria principal na virilha e injeta pequenas partículas na área afetada pela adenomiose. Isso impede que o suprimento de sangue atinja a área afetada, reduzindo os sintomas”, continua.

 

O médico acrescenta que o desejo da paciente, seja ele o de ser mãe, de ter qualidade de vida ou até de manter o útero, deve ser sempre respeitado. "Além disso, a experiência e o conhecimento do médico indicarão o melhor caminho”, completa.


Fonte: iG

Brasil : ULTRABRANCA
Enviado por alexandre em 21/04/2021 00:48:54

Tinta ultrabranca pode dispensar o uso do ar-condicionado

Cientistas norte-americanos desenvolveram uma tinta “ultrabranca” que, segundo eles, pode dispensar a necessidade do ar-condicionado e até mesmo reduzir as emissões de carbono, se usada em grande escala.     

A tinta, desenvolvida por engenheiros da Purdue University em Indiana nos EUA, é capaz de refletir até 98,1% da luz solar. Os índices lhe dão a capacidade de resfriar edifícios, de acordo com comunicado enviado à imprensa.

Ao contrário da tinta tradicional, a tinta “ultrabranca” é feita com um composto químico chamado sulfato de bário, que também é usado na produção de cosméticos e de papel fotográfico. As partículas de sulfato de bário são compostas de tamanhos variados, que “espalham” os raios solares e podem até mesmo resfriar as superfícies imediatas ao redor.

A tinta branca é usada há séculos em lugares com temperaturas mais elevadas para resfriar edifícios do calor, mas esta nova fórmula especificamente, segundo os pesquisadores, absorve menos luz solar e, portanto, menos calor.

Enquanto a tinta normal absorve entre 10% e 20% da luz solar, a nova tinta absorve apenas 1,9% – quantidade pequena o suficiente para permitir que um edifício perca calor em geral, segundo disseram. Continue lendo

Brasil : CASU MARZU
Enviado por alexandre em 20/04/2021 00:50:34

Conheça o queijo com larvas considerado o mais perigoso do mundo

Iguaria é produzida com ajuda de moscas que levam o produto a um estágio de quase decomposição. Embora consumido na Sardenha, lei italiana proíbe sua comercialização 

O casu marzu é fabricado a partir do queijo pecorino (foto), geralmente feito com leite de ovelha (Foto: Getty Images)

Agostino Petroni, CNN

(CNN) A ilha italiana da Sardenha fica no meio do Mar Tirreno. Cercada por uma costa de 1.849 quilômetros de praias de areia branca e águas cor de esmeralda, a paisagem se eleva para formar colinas e montanhas impermeáveis. É nesse cenário paradisíaco que os pastores produzem o casu marzu, um queijo infestado de larvas que, em 2009, foi declarado pelo Guinness Book como o mais perigoso do mundo.

Em sardo, casu marzu significa queijo podre. Ele é fabricado a partir do queijo pecorino, geralmente feito com leite de ovelha. Com a ajuda das moscas do queijo (Piophila casei), que colocam seus ovos em rachaduras que se formam no alimento, o produto chega a um estágio de quase decomposição.

Casu marzu (Foto: Reprodução CNN Travel)
Casu marzu (Foto: Reprodução CNN Travel)

As larvas eclodem, abrem caminho pela pasta, digerem proteínas durante processo e transformam o produto em um queijo cremoso e macio. Depois de pronto, é hora de abrir a tampa – quase intocada pelos vermes – para tirar uma colher da cremosa iguaria.

Não é um momento para quem têm estômago fraco. Nesse ponto, as larvas que estão dentro começam a se contorcer freneticamente. Alguns moradores colocam o queijo em uma centrífuga para mesclar os vermes. Outros gostam ao natural. Eles abrem a boca e comem tudo. Se conseguir superar o nojo, o marzu tem um sabor intenso e picante. O gosta dura horas na boca.

Enquanto uns dizem que o queijo é afrodisíaco, há quem argumente que ele pode ser perigoso para a saúde, uma vez que larvas podem sobreviver e provocar problemas no intestino. Porém, até agora, nenhum caso desse tipo foi relacionado.

A venda comercial da iguaria é proibida, mas ela é consumida há séculos pelos sardos. “A infestação de larvas é o encanto e o deleite desse queijo”, diz Paolo Solinas, gastrônomo da Sardenha de 29 anos. Ele conta que alguns sardos estremecem só de pensar no casu marzu, mas outros que cresceram com pecorino salgado ao longo da vida amam os sabores fortes do produto.

“Alguns pastores veem o queijo como um prazer pessoal único, algo que poucos eleitos podem experimentar”, acrescenta Solinas.

Cozinha arcaica. Quando os turistas visitam Sardenha, eles geralmente acabam em um restaurante que serve porceddu sardo (um leitão assado lentamente), visitam padeiros que vendem painel carasau (um pão achatado tradicional fino como papel), e encontram pastores que produzem fiore sardo, o queijo pecorino da ilha. Porém, para os aventureiros, é possível encontrar o casu marzu, que mantém viva uma tradição milenar e dá uma dica de como será o futuro da alimentação.

Giovanni Fancello, jornalista e gastrônomo da Sardenha de 77 anos, passou a vida pesquisando a história da comida local. Ele remonta a uma época em que a Sardenha era uma província do Império Romano.“O latim era nossa língua e é em nosso dialeto que encontramos traços de nossa cozinha arcaica”, diz Fancello.

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Conta ainda que não há registro escrito de receitas da Sardenha até 1909. Foi nesse ano que Vittorio Agnetti, um médico de Modena continental, viajou para a ilha e compilou seis receitas em um livro chamado “La nuova cucina delle specialità regionali”. “Mas sempre comemos minhocas”, diz Fancello. “Plínio, o Velho, e Aristóteles falaram sobre isso.”

Dez outras regiões italianas têm sua variante de queijo infestado de larvas, mas apenas na Sardenha ele faz parte da cultura alimentar. Ele tem vários nomes diferentes, como casu becciu, casu fattittu, hasu muhidu, formaggio marcio. Cada sub-região da ilha tem a própria forma de produção a partir de diferentes tipos de leite.

‘Eventos mágicos e sobrenaturais’
Gastrônomos inspirados nas façanhas de chefs como Gordon Ramsay muitas vezes vão à ilha em busca do queijo, relata Fancello. “Eles nos perguntam: ‘Como você faz casu marzu?’ Faz parte da nossa história. Somos os filhos desta comida. É o resultado do acaso, de eventos mágicos e sobrenaturais. ”

Fancello cresceu na cidade de Thiesi com o pai Sebastiano, que era um pastor que fazia casu marzu. Facello conduziu as ovelhas da família para pastagens ao redor do Monte Ruju rural.  Ele lembra que, para o pai, o casu marzu foi uma dádiva divina. Se seus queijos não ficassem infestados de vermes, ele ficaria desesperado. Alguns dos queijos que produzia ficavam para a família, outros iam para amigos ou pessoas que os pediam.

Normalmente, o casu marzu é produzido no final de junho, quando o leite de ovelha local começa a mudar conforme os animais entram em seu período reprodutivo e a grama seca com o calor do verão.

Se um vento quente de siroco sopra no dia da fabricação, a mágica de transformação do queijo funciona ainda mais. Fancello explica que isso torna a estrutura do alimento mais fraca, facilitando o trabalho da mosca. Depois de três meses, ele este pronto.

Mario Murrocu, 66, mantém vivas as tradições do casu marzu em sua fazenda, a Agriturismo Sa Mandra, perto de Alghero, no norte da Sardenha. Ele também cria 300 ovelhas, hospeda turistas em sua trattoria e mantém vivas as tradições do queijo.

“Você sabe quando uma forma se tornará casu marzu”, conta ele. “Você vê isso pela textura esponjosa incomum da massa”, diz Murrocu. Hoje em dia, a produção não é mais questão de sorte e os queijeiros criam condições ideais para garantir o maior número possível de casu marzu. Eles também descobriram uma maneira de usar potes de vidro para conservar o queijo – que tradicionalmente nunca duravam além de setembro – por anos.

Foto: Giovanni Fancello

Multas. Embora reverenciado, o status legal do queijo é controverso. O casu marzu é registrado como produto tradicional da Sardenha e, portanto, é protegido localmente. Mesmo assim, é considerado ilegal pelo governo italiano desde 1962 devido às leis que proíbem o consumo de alimentos infectados por parasitas. Aqueles que vendem o queijo podem enfrentar multas altas de até € 50.000 (cerca de R$ 330 mil), mas os sardos riem quando questionados sobre a proibição de seu amado queijo.

Nos últimos anos, a União Europeia começou a estudar e a reviver a noção de comer larvas graças ao conceito de comida inovadora, onde os insetos são criados para serem consumidos.

Uma pesquisa mostra que seu consumo pode ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono associadas à criação de animais e ajudar a aliviar a crise climática. Roberto Flore, o chefe do Skylab FoodLab, o laboratório de mudança de sistema alimentar do centro de inovação da Universidade Técnica da Dinamarca, estuda o conceito de consumo de insetos.

Por alguns anos, ele liderou a equipe de pesquisa e desenvolvimento do Nordic Food Lab tentando descobrir maneiras de inserir insetos em nossa dieta. “Muitas culturas associam o inseto a um ingrediente”, diz Flore. Os sardos, no entanto, preferem o queijo ao verme e costumam ficar horrorizados com a ideia de que as pessoas comem escorpiões ou grilos na Tailândia.

Flore diz que viajou ao redor do mundo para estudar como diferentes culturas abordam os insetos como alimento e acredita que, embora as barreiras psicológicas tornem difícil alterar radicalmente os hábitos alimentares, esse consumo é generalizado.

Abrindo a mente. Flore está convencido de que a iguaria da Sardenha é segura para comer. “Como você define comida comestível?” questiona. “Cada região do mundo tem uma maneira diferente de comer insetos.”

“Acredito que ninguém jamais morreu comendo casu marzu. Se morreu, talvez estivesse bêbado. Sabe, quando você come, também bebe muito vinho.” Flore espera que o casu marzu em breve mude o status de clandestino e se torne um símbolo da Sardenha – não por causa de sua produção incomum, mas porque outros alimentos estão desaparecendo por não se encaixarem nos gostos da corrente dominante.

Em 2005, pesquisadores da Universidade Sassari da Sardenha deram o primeiro passo nessa direção: criaram moscas em laboratório e as fizeram infectar o queijo pecorino para mostrar que o processo pode acontecer de forma controlada.

Os moradores da ilha e pesquisadores esperam que a União Europeia atue para liberar a comercialização do queijo. Até lá, quem quiser experimentá-lo precisará perguntar por aí como chegar à Sardenha.

Para quem está disposto a experimentá-lo, o queijo oferece uma experiência autêntica que lembra uma época em que nada era jogado fora e quando os limites do que era comestível ou não eram menos definidos.

Os habitantes locais mantêm a mente aberta sobre a melhor maneira de comer casu marzu, mas algumas outras iguarias regionais são conhecidas por ajudar o queijo a descer mais facilmente. “Espalhamos o casu marzu nos carasau, e comemos”, conta Flore. “Mas você pode comer como quiser, desde que haja um pouco da iguaria e um bom vinho de cannonau.”

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

 

Brasil : DA TERRA À MESA
Enviado por alexandre em 20/04/2021 00:45:34

Chef indígena compartilha sabores e sabores da culinária
Hî-hî, bolinho de mandioca na folha de bananeira, prato típico indígena (Foto: Luna Garcia)

Mandioca, batatas, batatas doces, milho, abóbora, inhames, cará, castanha do Pará e de Bocaiúva, Pequi, Cumbaru, Mel de Jatei, Palmito Guariroba, Bacuri, Milho Saboró, Guavira. Folha de Taioba, Trevo de Três Folhas, Café de Fedegoso, Banha de Quati, Banha de Porco Monteiro. Todos eles são ingredientes da culinária indígena e são a base da alimentação e das maiorias de suas receitas. Alguns alimentos desta lista são, de fato, mais conhecidos nas cozinhas brasileiras, visto que nascem de nossas terras, plantados e colhidos em solo nacional. Outros, aguçam a curiosidade porque são pouco – ou nunca – utilizados nas grandes capitais. O motivo quem conta é Kalymaracaya, primeira chef de cozinha indígena do país “O cenário da gastronomia indígena brasileira é muito pobre em estudos e divulgação. Eu sou uma das únicas que desenvolvo este trabalho. É muito ruim saber que isto acontece durante anos.”

Mãe terra. Os hábitos alimentares dos índios são constituídos essencialmente de alimentos que a natureza dá, respeitando seu ciclo, estações do ano, solo, tempo. Quem dita o “cardápio” são as safras. Respeita-se também o sabor natural porque não há a presença de muitos temperos em seus preparos. É ali, entre as mãos ou em um balé de talheres, que o alimento é manipulado e orquestrado para que seu real sabor seja enaltecido e, logo depois, apreciado. “Na culinária indígena não tem certo e errado. Por exemplo, nós não temos prato de entrada e prato principal; não temos pontos da carne específicos, o que temos são carnes muito bem passadas. Não consumimos carne mal passada. Quando faço o Hî-hî (bolinho de mandioca envolto na folha de bananeira), prato típico, não coloco sal, nem açúcar. Isso é preservar a essência do prato.”

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Chef Kalymaracaya (Foto: Luna Garcia)
Chef Kalymaracaya (Foto: Luna Garcia)

População indígena. Segundo resultados preliminares do Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010, e revisitado em 2020, a população indígena é de aproximadamente 900 mil indígenas (448 mil são mulheres) dos quais cerca de 500 mil vivem na zona rural, e cerca de 310 mil habitam as zonas urbanas. Em todos os Estados, inclusive do Distrito Federal, há populações indígenas. Hoje, ainda segundo a pesquisa, há 305 diferentes etnias indígenas registradas e 274 línguas.

Kalymaracaya pertence a etnia Terena, nasceu na aldeia Bananal, Distrito de Taunay de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul. Faz questão de usar cocar, adereços e pintar o rosto “tudo para compor minha cultura”. É cozinheira e, além de preparar pratos típicos de seu povo, ainda viaja Brasil afora para propagar não só os sabores, mas os saberes indígenas. “Ministro aulas e cursos de gastronomia (é pós-graduada em História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira) e sempre peço aos meus alunos para não só reproduzirem a receita, mas para falarem a outras pessoas que aquilo é a nossa verdadeira gastronomia. Luto todos os dias por isso e quero um dia que seja reconhecida como a melhor do mundo. Me encanta a forma de cuidados que temos com a natureza, tudo é extraído para o próprio consumo.”

Para além de respeitar a origem e o sabor natural das comidas, há no ato de preparo um conhecimento ancestral, milenar, que guia grande parte do fazer culinário e perpetua, dia a dia, técnicas gastronômicas próprias dos índios. “Desde pequena ajudava minha avó, tia e mãe a prepararem os alimentos. Estava sempre por perto da cozinha, andava nas matas atrás de algum alimento, dos frutos do cerrado. Achava tão bonito, a arte de transformar ingredientes em comida.”

Ingredientes que alimentam e curam. Além do prato, frutos e óleos têm espaço reservado nos procedimentos curativos dos índios e embelezadores também. São as ervas medicinais, imprescindíveis à cultura. “Utilizamos o Óleo de Bocaiúva ou Pequi ou algum outro Óleo 100% Vegetal para fortificar os cabelos, impedir queda capilar, tratar feridas na pele e até rejuvenescimento facial.”

Kalymaracaya compartilhou com o CNN Viagem&Gastronomia a receita do Hî-hî:
Ingredientes:
1 Kg de mandioca ouro (amarela) “in natura” sem o pavio
10 folhas de bananeiras inteiras
3 panos de algodão
6 folhas de bocaiúva ou 1 rolo de barbante
3 litros de água

Modo de preparo:
Limpe bem as folhas de bananeira, retire os talos e passe as folhas na chama do fogo. Rale a mandioca na parte mais fina do ralador, adicione 1 litro de água e mexa bem. Separe um pano de algodão. Você vai espremer todo o líquido da mandioca nele e deve repetir o processo até retirar todo o amido dela, deixando-a sequinha.

Quando isso acontecer, coloque três colheres de sopa na folha de bananeira e enrole. Cuide para que fique em modelo retangular. Amarre com a folha de bocaiúva ou barbante. Depois, coloque 2 litros de água em uma panela e disponha-os, o tempo de cocção é de 30 minutos em fogo alto.

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