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Brasil : EDUCAÇÃO
Enviado por alexandre em 09/12/2016 00:34:27


País amplia gasto por aluno, mas não consegue melhorar nível do ensino

Foto: GOVBA / Suami Dias

Educadores apontam causas para estagnação das notas brasileiras no Pisa

O aumento do investimento em educação é historicamente uma das principais reivindicações do setor. Nesse sentido, os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgados nesta terça, são, em parte, positivos para o Brasil: houve aumento do gasto acumulado por aluno entre 6 e15 anos de US$ 26.765, em 2012, para US$ 38.190 em 2015.

A questão é que, apesar do crescimento dos recursos, o país não conseguiu converter o investimento em melhora no ensino, fazendo com que as notas dos estudantes na avaliação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estejam estagnadas e entre as piores do mundo.

Por trás da inércia das médias brasileiras, a OCDE indica a alta inclusão de alunos na rede de ensino do país, o que, segundo o órgão, deve ser encarado como uma boa notícia, embora ainda exista no Brasil 1,3 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola. Educadores ouvidos pelo Globo apontam que, além da inclusão, outro ponto que faz com que os investimentos brasileiros sejam ineficazes é a falta de políticas em questões-chave para a educação, como a formação de professores. Eles ressaltam também que, embora a dificuldade na gestão dos recursos seja uma realidade, o valor disponibilizado para cada aluno ainda precisa ser maior.

— Eu entendo a situação econômica, é um período difícil para o Brasil, mas a questão não é de dinheiro, é de prioridades — afirmou o diretor de educação da OCDE, Andreas Schleicher, em entrevista à Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), acrescentando: — Se o Brasil não aumentar o investimento, vai ser muito difícil melhorar o resultado educacional.

Atraso em relação a outros Países

O Pisa avalia a cada três anos o desempenho de alunos de 15 anos nas disciplinas de matemática, ciências e leitura. Nesta edição, a pesquisa analisou resultados de 70 países e economias e revelou que o Brasil segue como uma das nações com menor gasto acumulado por aluno, mas indicou também que a diferença vem sendo reduzida ao longo dos anos.

Em 2012, os US$ 26.765 investidos por aluno representavam 32% do valor gasto pelos países da OCDE. Agora, o montante de US$ 38.190 por estudante representa 42% do que é investido em média pelas nações do grupo (US$ 90. 294). Por outro lado, a média brasileira em ciências em 2012 era de 402 pontos e em 2015 foi 401.

Em matemática, o resultado chegou a baixar oito pontos, passando de 389 na edição anterior do Pisa para 377 este ano. O desempenho dos alunos em leitura também congelou em 407 pontos em ambas edições.

A dificuldade do Brasil em converter recursos em melhorias de ensino fica ainda mais evidente quando observados os dados de outros países. A Colômbia, por exemplo, investiu menos, US$ 24,4 mil por aluno, e obteve nota 416 em ciências, 390 em matemática e 425 em leitura. O mesmo exemplo se aplica ao México, que com investimento de US$ 27,8 mil por estudante conseguiu obter 416 em ciências, 408 em matemática e 423 em leitura.

Educadores ressaltam que, ainda que não seja possível traçar uma comparação linear entre os países, o dado revela que o Brasil tem pontos a corrigir.

— Em educação há muitos fatores e variáveis que determinam o retorno desse investimento. É fundamental continuar investindo e é importante melhorar a gestão do recurso público em todas as esferas. É necessário fazer uma definição de prioridades educacionais para ter um resultado mais eficiente. É fundamental ter foco em políticas que tenham relação com o problema, como a formação e valorização de professores.

Precisamos da garantia de ter professores devidamente formados e que sejam capazes de dar respostas — afirmou o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima, lembrando também que o país ainda não está em um patamar desejável de gasto por aluno.

A construção de um currículo único para todo o país, que está em andamento com a formulação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), também é vista como uma maneira de fazer com que os investimentos sejam aproveitados.

— Ainda precisamos de mais recursos para a área, mas não é possível ampliar quase em 30% o investimento e não conseguir melhorar o resultado. Precisamos organizar a educação nas escolas e a Base pode ser o grande momento para o Brasil fazer isso. O currículo será uma verdadeira bússola para elaboração de aulas, livros e formação de professores — opina Antonio Neto, diretor institucional do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

As explicações para os dados sobre o país não param por aí. Ao longo dos anos, o Brasil aumentou o acesso à escola, fazendo com que a taxa de jovens de 15 anos matriculados ao menos no 7º ano saltasse de 56% em 2003 para 71% nesta edição. A ampliação do acesso se reflete na amostragem de alunos brasileiros que foram submetidos ao Pisa. Em 2012, 19.204 estudantes fizeram a prova. Neste ano, foram 23.141.

“O fato de o país ter conseguido integrar os alunos recém matriculados, sem um declínio no desempenho global ao longo do tempo, é um desenvolvimento muito positivo”, diz a publicação do Pisa. Uma simulação da OCDE indicou que se a rede de ensino brasileira tivesse permanecido a mesma, o país teria avançado 25 pontos a cada edição do Pisa.

— Temos fatores extraclasse, como o nível socioeconômico dos alunos e escolaridade dos pais, que dificultam a garantia de equidade. O contexto no qual a criança nasce muitas vezes acaba determinando a trajetória escolar dela. O Brasil conseguiu incluir crianças que não estavam na escola, mesmo que de maneira tímida.

Esses alunos entraram tardiamente e esse atraso escolar precisa ser corrigido pelo sistema. Ao longo do tempo espera-se que esteja corrigido, mas, no curto prazo, essa entrada impacta o resultado geral — explica Olavo Nogueira, gerente de projetos do movimento Todos Pela Educação, comentando ainda o que considera ser um grande problema :

— O calcanhar de Aquiles no Brasil é a implementação. As políticas que traçamos não se concretizam na sala de aula.


O Globo

Brasil : PLANOS DE SAÚDE
Enviado por alexandre em 07/12/2016 01:15:34


ANS lança cartilha com orientações sobre prazos para atendimento


A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou uma cartilha com informações sobre os prazos máximos de atendimento a serem respeitados pelos planos de saúde. De acordo com o material, por exemplo, consultas com especialistas como pediatra e ginecologista devem ser agendadas para, no máximo, uma semana depois da solicitação. O material deixa claro que este prazo é para o atendimento por qualquer especialista cadastrado no plano, ou seja, caso o beneficiário faça questão de ser atendido por um profissional específico, terá que se submeter à agenda deste profissional.

Segundo as regras da ANS, urgências e emergências devem ser atendidas imediatamente e os exames de análises clínicas, em até três dias. Serviços diagnósticos, de terapia e de sessões com psicólogo ou fonoaudiólogo, por exemplo, devem ser fornecidos em um prazo de até dez dias. Já algumas especialidades médicas podem ser feitas em duas semanas. A cartilha orienta o beneficiário que não conseguir agendar o serviço a ligar para a operadora, pedir indicações de profissionais e pedir o protocolo do atendimento. Caso ainda assim a os prazos não sejam respeitados, o cliente pode pedir ajuda à ANS para reolver o impasse. A cada três meses, a agência reguladora pune planos que não cumprem as regras com a suspenão de venda para novos clientes e multas.

Agência Brasil

Brasil : DE MAL A PIOR
Enviado por alexandre em 06/12/2016 22:09:58


Educação no Brasil está entre as piores do mundo

Ranking da OCDE mostra que matemática é a disciplina de desempenho mais fraco no País

Agência Estado

O Brasil ocupa as últimas posições entre 70 países avaliados em relação ao ensino de Matemática, Leitura e Ciências. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) foram divulgados nesta terça-feira (6), pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
A melhor posição do Brasil — 59º lugar entre os 70 países — foi alcançada em Leitura. Estão atrás apenas Albânia, Qatar, Geórgia, Peru, Indonésia, Tunísia, República Dominicana, Macedônia, Argélia, Líbano e Kosovo. Em Ciências, o ensino brasileiro ficou na 63ª posição, na frente de Peru, Líbano, Tunísia, Macedônia, Kosovo, Argélia e República Dominicana.

Mas é em Matemática que o Brasil alcançou o pior resultado: 65ª posição. Estão atrás somente Macedônia, Tunísia, Kosovo, Argélia e República Dominicana. Os dados do Pisa mostram que 70% dos alunos brasileiros de 15 anos não sabem o básico de Matemática.

Os segredos de Cingapura, apontado como o país com a melhor educação do mundo

Estados

O Pisa divulga resultados divididos por Estado. São Paulo, o mais rico do País e com a maior rede pública de ensino, está estagnado nas notas das três áreas avaliadas (Matemática, Leitura e Ciências) e distante da meta do governo estadual de posicionar São Paulo nos próximos 20 anos entre os 25 melhores sistemas educacionais do mundo.

As notas apontam ainda uma grande diferença entre as redes pública (federal, estadual e municipal) e privada de ensino no País. Em Ciências, por exemplo, a média da rede federal foi de 517 pontos, seguida pela rede particular, com 487. As redes estaduais tiveram média de 394 e as municipais, 329. A média dos países membros da OCDE é de 493 pontos.

Gênero

O Pisa avalia também a diferença de desempenho entre meninos e meninas. No Brasil, as meninas tiveram um desempenho menor do que o dos meninos em Ciências e Matemática. Em Leitura, elas tiveram um desempenho superior. De acordo com o relatório do programa e especialistas em educação, a diferença se deve ao comportamento e estereótipos de gênero que são reproduzidos desde o começo da infância.

Os segredos de Cingapura, apontado como o país com a melhor educação do mundo

Ranking divulgado hoje mostra mau desempenho do Brasil, inferior à avaliação de 2012



Cingapura dominou os resultados do Programa de Avaliação Internacional de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), divulgados nesta terça-feira (6).

Cerca de 540 mil estudantes de 15 anos em 70 países participaram do exame, realizado a cada três anos pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

"As provas não só avaliam se o estudante pode reproduzir os conhecimentos adquiridos, mas se é capaz de ir além do que aprendeu e aplicá-los em situações pouco familiares e fora da escola", diz o comunicado do Pisa.

Isso requer a habilidade de "explicar fenômenos científicos, interpretar dados e realizar experimentos."

Educação no Brasil está entre as piores do mundo

Com base nestes critérios de avaliação, Cingapura ficou em primeiro lugar nas três disciplinas avaliadas: Ciências, Matemática e Leitura.

O Brasil obteve posições baixas em todas elas, com um desempenho inferior à avaliação de 2012, e abaixo da maioria dos países da América Latina que também fizeram parte do teste: foi o 59º em Leitura, 63º em Ciências e 65º em Matemática.

Já Cingapura ganhou posições nas três. Em 2012, havia sido o segundo em Leitura e Matemática e o terceiro em Ciências.

Mas o que explica esse excelente desempenho dessa ilha-Estado do Sudeste asiático? Brandew Jeffreys, editora de Educação do site da BBC, foi até lá conferir. Confira seu relato:

"Se você pensa que Matemática é difícil, não vai conseguir aprender", diz Hai Yang, de 10 anos.

Junto a outros alunos da turma 4D da escola primária Woodgrove, ele está explicando as aulas da disciplina que eu estava acompanhando.

A classe trabalhava em um problema. Os estudantes se revezavam, levantando-se para dizer como haviam resolvido a questão. E faziam isso em inglês, uma das diversas línguas faladas em Cingapura.

No fim das contas, havia mais de uma solução correta. O mais impressionante era sua dedicação para entender exatamente como fazer isso.

"Se apenas copiarmos a resposta dada pelo professor, quando crescermos talvez a gente não saiba mais como resolvê-lo", diz outra aluna, Megna.

Fundamentos

Trata-se de uma abordagem conhecida como Domínio da Matemática, usado também em escolas da China e que vem sendo adotado em algumas instituições de ensino de outros países, como o Reino Unido.

Essa é apenas uma parte de uma história de sucesso que despertou o interesse do mundo.

Cingapura se beneficia de ter um sistema escolar enxuto, no qual professores são reunidos no Instituto Nacional de Educação para serem treinados.

Seu diretor, Tan Oon Seng, me disse que o instituto recruta professores com base no seu grau de conhecimento das disciplinas, e é esperado que eles garantam que cada criança compreenda os elementos básicos do ensino.

"Em Cingapura, acreditamos em fundamentos. Para que uma criança seja bem educada, ela precisa aprender a linguagem e gramática de várias matérias, uma linguagem com a qual sejam capazes de ler, uma linguagem com a qual possam entender os números."

Cingapura também tem ensinado bastante sobre como tornar a profissão de professor uma atividade recompensadora. É algo que confere status, porque a competição para tornar-se um mestre é grande.

Professores podem seguir uma carreira que os leva a se tornarem diretores, pesquisadores em Pedagogia ou um grande especialista em salas de aula.

Eles têm tempo para aprofundar seus conhecimentos e preparar as lições.

Criatividade

Mas Cingapura não está acomodada em sua posição de prestígio. Em duas escolas de ensino médio, testemunhei tentativas de tornar o aprendizado mais criativo.

No colégio Montfort, adolescentes são encorajados a fazer protótipos de produtos que vão desde um sistema para regar jardins a um teclado eletrônico.

Usar habilidades científicas e matemáticas para resolver problemas do mundo real é exatamente o tipo de capacidade que o Pisa foi criado para avaliar.

No Montfort, uma sala vazia está sendo transformada em um "laboratório de inventores". Ferramentas simples e diversos materiais estão disponíveis para que alunos os usem no tempo livre e criem coisas que podem levar para casa.

Se quiserem entender como iluminar seu violão com lâmpadas de LED, é ali que aprenderão isso.

"Queremos que o aprendizado esteja ligado à realidade do dia a dia, para que isso melhore a experiência não apenas em Ciências, mas em outras áreas", diz o professor Ricky Tan Pee Loon.

Outro aspecto que chama atenção na educação em Cingapura é que diretores mudam de escola a cada seis ou oito anos. Também há uma grande ênfase na colaboração.

Khoo Tse Horng, diretor da escola St. Hilda, diz que o modo de trabalho dos professores também é diferente. Quando ele começou a dar aulas, o mais comum era ser acompanhado por um mentor mais experiente.

"Hoje, os professores trabalham em equipe, crescem juntos, pesquisam juntos, trabalham juntos."

Concorrência

Mas a principal colaboração para o sucesso de Cingapura talvez venha dos pais dos estudantes.

O sistema é competitivo, e um exame ao fim do primário influencia se a criança conseguirá uma vaga na escola que pretende frequentar na próxima etapa.

No ensino médio, os estudantes têm um currículo acadêmico "expresso" e outro normal, que os leva a obter um diploma técnico ou vocacional.

Então, às 20h de uma certa noite, acompanho crianças de até 4 anos estudando matemática usando ábacos (instrumentos antigos de cálculo). Lucas, de 6 anos, parece tranquilo ao correr contra tempo para resolver uma série de problemas.

Seus pais, Eric e Nicole Chan, me dizem que trazem os filhos para uma hora de aula adicional para que eles ganhem uma confiança extra.

Há um lado negativo, retratado em um filme recente feito por voluntários da agência publicitária Splash, de Cingapura, em que uma menina fica deprimida e estressada na preparação para seu exame ao fim do primário.

Jerome Lau, um dos diretores da Splash, diz que se inspirou na experiência de um amigo. "É injusto começar a julgá-los e rotulá-los. Toda criança tem o potencial de se dar bem na vida."

O sistema de Cingapura está mudando, em parte por conta do reconhecimento que a concorrência é alta. Então, alterações estão sendo implementadas na forma como a notas são publicadas e usadas para classificar os alunos.

É um sistema que reconhece algumas de suas falhas, mas segue comprometido em permanecer entre os melhores do mundo.

Brasil : VERÃO
Enviado por alexandre em 05/12/2016 19:38:24



Brasil espera recorde de 2,4 milhões de turistas estrangeiros

(Crédito: Getty) (Crédito: Getty)

O Brasil espera um recorde de 2,4 milhões de turistas estrangeiros no verão que começa este mês, o que representaria um crescimento de 11% com relação ao número de visitantes da última temporada, segundo projeções divulgadas nesta segunda-feira pelo Ministério do Turismo.

O crescimento foi calculado com base nas respostas obtidas pelas campanhas de promoção turística do Brasil no exterior e pela expectativa gerada pela boa imagem que o país deixou durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em agosto, segundo um comunicado do Ministério.

“O Brasil está no imaginário de pessoas de todo o mundo graças ao belíssimo espetáculo que apresentamos nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Nossa hospitalidade surpreendeu 98% dos visitantes durante os Jogos e agora não seria diferente”, afirmou o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz, citado no comunicado.

No último verão, o Brasil recebeu 2,18 milhões de turistas estrangeiros, que se dirigiram principalmente a destinos que contam com praia e sol como principal atrativo, entre eles o Rio de Janeiro.

Esse número de turistas corresponde a um terço dos 6,3 milhões de visitantes que o Brasil recebeu em todo ano de 2015.

Lummertz afirmou que a Embratur vem aproveitando em suas campanhas a boa imagem deixada pelo Rio e a conjuntura favorável pela desvalorização do real frente ao dólar, que reduziu o custo dos turistas estrangeiros no Brasil.

“Estamos explorando o atual momento, impulsionado pelo câmbio favorável, para reforçar o convite a potenciais turistas e estabelecer um novo recorde de visitantes no verão”, afirmou Lummertz.

A Embratur considera que a possível decisão do governo de abolir a exigência de vistos para turistas procedentes de Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália, aos quais o Brasil abriu as portas sem exigências durante os Jogos Olímpicos do Rio, pode elevar ainda mais o número de visitantes esperados no verão.

Segundo o órgão, a não exigência de vistos para turistas desses quatro países permitiu elevar em 55,31% o número de visitantes das nações beneficiárias, por isso a extensão do benefício poderia “impulsionar o turismo e fortalecer a economia” do Brasil, que sofre atualmente uma grave recessão.

“Os cálculos do Ministério (do Turismo) mostram que a eliminação definitiva da exigência de visto para esses turistas terá um impacto na economia nacional de US$ 175,2 milhões por ano”, afirmou Lummertz.

Fonte: Exame

Brasil : BRASIL DORMINDO
Enviado por alexandre em 04/12/2016 18:27:43


O Brasil de amanhã: Nunca o Judiciário abordara de maneira tão límpida e justa a questão da interrupção voluntária da gravidez

Rosiska Darcy de Oliveira - O Globo

Na madrugada de quarta-feira passada — os crimes acontecem preferencialmente enquanto todos dormem — a Câmara dos Deputados votou uma lei que, no dizer da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, pode contrariar a independência do Poder Judiciário. A ministra definiu à perfeição o sentido da lei contra o abuso de autoridade de iniciativa do deputado Weverton Rocha, investigado por crimes contra a administração pública.

Esse jabuti colocado no pacote anticorrupção, desfigurando um projeto apoiado por mais de dois milhões de assinaturas, visa diretamente o juiz Moro e os procuradores da Lava-Jato. O episódio serviu para deixar claro que o principais inimigos da operação são os parlamentares sob suspeição de crimes. A Lava-Jato é o melhor instrumento de que dispomos para regenerar o Congresso. Eles sabem disso.

Foi dada a última volta do parafuso na degradação da vida política. A população tem medo do Parlamento que, supostamente, deveria representá-la. Pergunta-se o que estarão tramando às escondidas políticos que fazem o país refém no afã de salvar a própria pele. Que riscos corre o Brasil, quem sabe a sabotagem da política econômica? Quanto mais encurralados se sentem pelas investigações, mais perigosos se tornam.

E pouco se importam com o que pense a sociedade. E, no entanto, apesar deles e contra eles, a sociedade faz seu caminho. Horas antes, à luz do dia, no prédio ao lado, no Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Alberto Barroso, com apoio da ministra Rosa Weber e do ministro Luiz Fachin, decidia que o aborto até o terceiro mês de gestação não é crime, independentemente do motivo que leve a mulher a interromper a gravidez.

Invocavam “os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo Estado a manter uma gestação indesejada: a autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais; a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e psiquismo, os efeitos da gravidez; e a igualdade, já que os homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria”.

Nunca o Judiciário abordara de maneira tão límpida e justa a questão da interrupção voluntária da gravidez. Jamais dera uma resposta tão satisfatória às mulheres que, há anos, lutam pelo reconhecimento de seu direito de escolha. O contraste entre o atraso de um Congresso carcomido pela corrupção e a contemporaneidade de um STF que acolhe as demandas da sociedade põe em evidência o paradoxo atual do Brasil.

Não é a sociedade brasileira nem as suas instituições como um todo que estão em crise. Se a Lava-Jato revela o lado sombrio do país, sua existência é luz, ato de resistência. Da sociedade brotaram iniciativas como a Lei da Ficha Limpa, exprimindo a recusa à corrupção. E antes dela, movimentos de cidadãos — mulheres, negros, ambientalistas, gays — não esperaram por ninguém para ampliar liberdades e conquistar direitos.

O Brasil muda a cada dia graças à coragem de juízes e procuradores, à capacidade de inovação e resiliência de milhões de brasileiros. Ações cívicas, espontâneas, espalhadas pelo país, impedem que nos deixemos abater pela depressão, quase vergonha, que nos ameaça. É essa energia que revitaliza a política, de fora para dentro, da sociedade para o Estado. “Há um futuro luminoso querendo despertar das sombras do presente”, conclui o livro “Trópicos utópicos”, de Eduardo Giannetti, que serviu de inspiração ao Fórum do Amanhã reunido em Tiradentes, pequena cidade metáfora de um Brasil que preservou sua alma, sua história e arte.

Cenário ideal para nos interrogarmos: “Que constelação de valores seria capaz de nos unir em torno de um projeto inédito de país?”. Os anos de 2017 e 2018 serão dedicados a responder a essa pergunta. É preciso que cidadãos se reúnam Brasil afora, virtualmente ou cara a cara, criem espaços para pensar e construir nosso amanhã, o país possível e desejável. Para além dos ódios primários, que surjam nomes para encarnar uma política renovada por jovens, senhores que são das redes, que representem dignamente quem neles confiar.

Velhas raposas corruptas estão com medo da Justiça. Não têm medo de nós, os eleitores, que desprezam e humilham. Porém, enganam-se. Se nos mobilizarmos para refundar a política, como fizemos ao denunciar a corrupção e dizer não à impunidade, uma surpresa os espera. Amanhã não será um domingo qualquer, a multidão voltará às ruas. Há que temer os cidadãos.

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