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Brasil : PORTO VELHO
Enviado por alexandre em 23/08/2016 17:41:24


Seca do Madeira traz prejuízos a empresários do ramo de embarcações

Rondônia Dinâmica percorreu a zona portuária de Porto Velho buscando a versão dos empreendedores em relação à diminuição dos níveis do Rio Madeira. Um deles foi enfático ao responsabilizar a operação das usinas


As margens secas do Rio Madeira / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

Texto.: Rondônia Dinâmica
Informações e fotos por.: Gregory Rodriguez, repórter itinerante

Porto Velho, RO – A Capital de Rondônia, apesar de relegada ao esquecimento pelo poder público, com todo seu patrimônio histórico-cultural negligenciado pelas mais diversas autoridades, ainda tem na natureza o maior presente que poderia ser concedido à sua população tão carente de atrativos: o Rio Madeira, com suas funções primordiais e a beleza rústica imponente.

Mas o Madeira, com ou sem influencias externas, costuma apresentar comportamento violento, desencadeando consequências devastadoras, a exemplo da cheia de 2014 que inundou Porto Velho e outras regiões deixando inúmeras pessoas sem moradia.


A solitária travessia em águas rasas / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

Agora, o problema é o inverso: a seca. E esse desequilíbrio afeta igualmente a sociedade. Turisticamente, com o aumento do tempo na travessia entre capitais, como da cidade das Três Caixas D’Água à Manaus; na recreação, com os perigos impostos à navegação com a baixíssima quantidade de água e até no escoamento e chegada de produtos pela via fluvial.

Tudo isso pesa no cotidiano do rondoniense.


Pescadores avaliam seu itinerário / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

Uma classe específica, a de empresários do ramo de embarcações, tem sido afetada no âmago da subsistência. Andrews Souza, proprietário de um barco de passeios turísticos e recreativos, que acumula a função de frete, informou ao Rondônia Dinâmica que seu sustento está prejudicado.

Souza foi enfático ao atribuir responsabilidade à operação das usinas instaladas no Rio Madeira, uma vez que, de acordo com ele, na mesma época em anos anteriores o nível estaria bem maior, propiciando a navegação adequada longe de prejuízos.


Andrews Souza culpa operação das usinas pela seca / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

“O período vazante do Rio Madeira começou mais cedo. Esse impacto veio por conta das barragens das usinas. Para a gente [a seca] é prejudicial. Os canais ficam restritos e aí as pessoas jogam na mídia que aqui [rio] é perigoso, principalmente para viajar à noite, que a visibilidade fica mais difícil”, disse.

Em seguida, o empresário enfatizou que, para quem trabalha no setor, há prejuízos incontáveis porque as pessoas ficam com medo de fretar o barco em decorrência dos riscos e perigos destacados na imprensa. Na visão do empreendedor, é impossível trabalhar nessa situação. Ele garantiu que nesta época do ano o Rio Madeira deveria estar mais cheio.

“Através do impacto das usinas a seca foi bem maior este ano”, acusou.


Embarcação turística e recreativa está parada / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

Redução de 50% na procura dos serviços; barco está encostado

Andrews Souza revelou que a diminuição na procura pelos seus serviços chega a 50%, comparando com os mesmos períodos nos últimos anos.

“Reduziu pela metade a procura pelos serviços. Nesta época a gente era bem mais procurado. O barco está parado praticamente há quase um mês. A seca influencia a [falta de] procura. Estou sendo bem prejudicado”, asseverou.

Já sobre os perigos na navegação, apontou:

“Na realidade, não estou mentindo. Está perigoso sim. A gente viaja quando aparece um frete. A gente viaja à noite, mas fica com medo. A gente vai devagar. A gente vai com atenção. Toda semana um colega fica encalhado. Semana passada mesmo me pediram ajuda para desencalhar um barco. Não tive como ajudar, infelizmente. São três pontos críticos nesta época: aqui no Tamanduá, próximo à região do Belmont, Curicatas e Papagaio, tudo dentro de Rondônia”, finalizou.


A culpa é do garimpo, diz dono de barco pesqueiro

Braz Queiroz, dono da embarcação ‘Rei da Vitória’, cargueiro que transporta peixe até Manaus, disse que o tempo de navegação passou de 84 para 120 horas. Ou seja, a travessia que levava em média três dias e meio agora chega a perdurar cinco dias completos.

Diferentemente de Andrews Souza, Queiroz responsabiliza a prática do garimpo indiscriminado no Rio Madeira, indicando erosão à margem do leito.




“O consumidor reclama bastante como se a responsabilidade fosse nossa. Estamos demorando a entregar a carga e corremos o risco de perder nossos contratos”, reclamou o proprietário do pesqueiro que tem o Carrefour como maior expoente entre os clientes no Amazonas.

Apontando para o barranco, Queiroz salientou:

“A terra cobre o barranco. Para onde vai essa terra? Pô..., será que essa gente não sabe fazer outra coisa [a não ser garimpar]? Meu transporte reduziu em quase 20%. O barco tem capacidade para carregar de quarenta e cinco a cinquenta toneladas por viagem, mas precisei diminuir a carga para trinta. Caso contrário a embarcação pesa muito e acaba encalhando. O comprador está nos esperando e o consumo lá é rápido. Chegamos na terça ao destino da entrega, quinta-feira já não há mais peixe”, alegou.


A visão panorâmica de um rio ressacado / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

Abaixo, a Sociedade de Portos e Hidrovias de Rondônia (SOPH), que pertence ao Governo do Estado, apresenta a versão administrativa para a questão respondendo às dúvidas mais corriqueiras acerca do tema.


1) O Rio Madeira apresenta este ano um dos menores níveis de água, com o aparecimento de bancos de areia, que prejudicam a navegação. Qual foi o menor nível registrado em 2016? E o menor desde o início do cômputo?

R: Os índices dos níveis do rio Madeira que são registrados diariamente pela SOPH há muitos anos. Em 2016 o menor índice registrado até o momento ocorreu no dia 16 de agosto com 2,24m. Hoje a medida é de 2,93m. Houve um repiquete. O menor registro da série ocorreu em 2005 com 1,63m (10/09/2005).

2) O baixo nível da água reduziu o tempo de viagem e o volume de cargas entre Porto Velho e Manaus e o porto de Itacoatiara?

R: Sim. Em condições navegáveis o trecho Porto Velho-Manaus é feito em três dias. O caminho inverso é de cinco dias. Na época da vazante o trecho Porto Velho- Manaus passa para cinco dias, enquanto que o inverso pode levar até sete dias.

O que acontece é que as empresas, sabendo das condições da região, já fazem o planejamento para escoamento de grãos e esse período coincide com o período da entressafra. Esse planejamento consiste em reduzir a quantidade de carga levada em cada viagem. Por exemplo, uma balsa tem condições de levar até 2 mil toneladas de grãos, na época da seca, essa capacidade é reduzida pela metade e cada balsa leva mil toneladas. As balsas menores, com capacidade para transportar 800 toneladas, são reduzidas pela metade e transportam apenas 400 toneladas.

Um rebocador leva de 16 a 20 balsas em comboio. Atualmente, esses barcos já dispõem de equipamentos com altíssima tecnologia (sonar e carta batimétrica on-line) e os navegadores conseguem identificar banco de areia ou pedral com antecedência, evitando acidentes. Para transpor a limitação natural de um banco de areia, por exemplo, eles desfazem o comboio antes, passam com uma balsa de cada vez e remontam o comboio posteriormente, permitindo prosseguir com a viagem.

É válido ressaltar que neste período de baixa do rio, a Capitania dos Portos é quem tem jurisdição para definir a permissibilidade da navegação, pois o rio Madeira é federal. Neste momento, está proibida a navegação noturna. Cabe à Marinha também a fiscalização.

3) Quais são os principais produtos (e respectivas quantidades) transportados pela hidrovia do Madeira? Houve redução na quantidade de carga transportadas? Em que percentual?

R: Principais produtos que são enviados: Soja e Milho, recentemente o Porto Público retomou a movimentação de madeira em container. Principal produto recebido: fertilizante.

Mas também saem/chegam as cargas denominadas cargas gerais: açúcar, café, óleo, arroz e etc.

A redução que acontece na movimentação portuária nesta época do ano já é esperada/planejada.

4) A cheia de 2014 provocou uma movimentação grande de sedimentos no rio Madeira. Este fenômeno afetou a navegabilidade do rio? A atuação de centenas de garimpeiros que atuam ilegalmente ao longo do rio também afefa a navegação?

R: O regime portuário de Porto Velho é composto por 16 portos, sendo um o porto público e outro o IP4 que é aquele do Cai n’água, sob a responsabilidade da prefeitura. Os demais são TUP’s – Terminais de Uso Privado. Na época da cheia de 2014, todos ficaram submersos, exceto o Porto Público que teve condições de atender toda a demanda, evitando assim o desabastecimento. A navegabilidade não é influenciada pela cheia, na verdade, facilita, evitando qualquer tipo de acidente com bancos de areia.

Contudo, neste período acontece a descida dos troncos, que podem causar acidentes. Um grupo de trabalho foi montado para encontrar uma solução para o problema. Compõem esse grupo: SOPH, Antaq, Sedam, Fenavega, Ibama e a Frente Parlamentar de Defesa dos Portos e hidrovias.

A atuação dos garimpeiros traz risco à navegação, pois além de assorear o rio Madeira e contaminar o leito com mercúrio, elas ficam estacionadas no meio do rio até mesmo no período noturno, ou passam muito perto de balsas que transportam derivados de petróleo.

5) Proprietários de transportadoras reclamam da demora nos trabalhos de dragagem no rio Madeira, uma dificuldade que já se tornou corriqueira nos últimos anos. A falta da dragagem prejudica a navegação? Quando foi feita a última dragagem? Quando será feita a próxima?

R: Em 2013 foi feita uma licitação para dragagem do rio, contudo, a empresa vencedora da licitação iniciou a operação em Setembro, quando o rio já tem calado suficiente para navegabilidade, além de retirar o sedimento do fundo do rio num local e despejar dentro do próprio leito em um local mais abaixo. Denúncias foram feitas naquela época e o processo foi suspenso. Em 2016 foi realizada nova licitação e a empresa está na fase de certificação da documentação. Este contrato é de cinco anos. A dragagem do rio é competência do Dnit. E a expectativa é que em 2017 a empresa já possa atuar e evitar tais transtornos com a seca do rio.

6) Serviços de meteorologia indicam que a estiagem ainda vai prevalecer pelos próximos dois meses. Uma redução maior do nível do rio poderá comprometer a navegação e o transporte de cargas no Madeira? A Soph tem registros de situações semelhantes a que está ocorrendo neste ano em anos anteriores? Existe o perigo de desabastecimento de produtos tanto para Porto Velho como para Manaus?

R: Sim, há registros. Com relação ao comprometimento da navegação e o desabastecimento de produtos pode acontecer se o rio ficar abaixo de 1,90m, uma vez que até 2,0m é possível navegar com cautela. O calado ideal é de pelo menos 4,50m.

Para evitar acidentes e encalhes nos bancos de areia, as empresas reduzem a capacidade das balsas, como informado anteriormente.

O desabastecimento pode ocorrer em Porto Velho com a falta do combustível que vem de Manaus, elevando o preço do produto, pois o frete também sobe. E Manaus poderia ficar sem abastecimento de frios, hortifrúti e carnes que são levados daqui para lá.


Brasil : CONSUMO
Enviado por alexandre em 22/08/2016 08:54:17


Pesquisa revela os sabores de sorvetes preferidos dos brasileiros

por Mariana Alvim


Dados de uma pesquisa inédita da Kantar mapearam o paladar do brasileiro quando o assunto é sorvete . Três sabores detêm metade das vendas totais, de acordo com dados colhidos entre julho de 2015 e o mês passado. Aos números: napolitano (28% do total), flocos (14%) e creme (6%).

Brasil : INTERNET
Enviado por alexandre em 18/08/2016 09:10:36



Brasil é apenas 57º em ranking de velocidade de internet no celular

Por Folhapress | Foto: Reprodução
A velocidade da internet nos celulares brasileiros nas redes 3G e 4G é lenta, indica um estudo da consultoria OpenSignal
Navegamos a uma velocidade média de 7,43 Megabits por segundo (Mbps), o que faz o Brasil ocupar a 57º posição de um ranking com 95 países.

O levantamento nos coloca atrás de potências como Coreia do Sul e Cingapura. Também perdemos para nossos pares da América do Sul: Uruguai, Chile, Colômbia e Peru. A velocidade média medida pela OpenSignal foi de 8,5 Mbps.

A velocidade da internet no relatório também considera a disponibilidade de rede de internet rápida. No Brasil, 75,23% dos acessos medidos foram feitos em internet 3G e 4G. Nos outros casos, havia apenas a tecnologia 2G para transferência de dados.

Neste caso, o desempenho do país foi equivalente ao da "grande maioria" da amostra, segundo a OpenSignal. Apenas 23 países permitiram conexão em rede 3G ou superior em mais de 90% das medições, informou a empresa no relatório.

A OpenSignal mediu as conexões em redes 3G ou de velocidade superior a partir de pessoas que têm o aplicativo da empresa instalado em seus celulares. Foram coletados dados de 822,6 mil usuários de 1º de maio a 23 de julho deste ano.

WI-FI

A empresa também mediu o percentual de tempo que os usuários de celulares usaram a internet conectados a redes wi-fi.

Os brasileiros ocupam a 12ª posição no ranking, com 58,55% do tempo conectados nessas redes. A Holanda é a primeira colocada, com 70% do tempo no wi-fi.

Segundo a a OpenSignal, os fatores que explicam porque usuários buscam redes wi-fi são custo e oferta de internet banda larga e de pacotes de dados para celular, a existência de redes de internet públicas e ainda hábitos culturais.

Brasil : CARTÓRIOS
Enviado por alexandre em 17/08/2016 08:35:58


Novos tabeliães querem modernizar cartórios

Por Tonico Magalhães

Ainda nos anos 80, no governo do general Figueiredo, o então ministro Hélio Beltrão foi o gestor de um processo inédito na administração pública: a desburocratização do uso dos documentos oficiais. Foi uma festa para a cidadania e um fim de festa para atividade cartorial, extinguindo o reconhecimento firma, a autenticação de cópias, entre outras medidas. A desburocratização foi se diluindo sem que os brasileiros percebessem e tudo voltou aos dias que antecederam a passagem de Hélio Beltrão pelo Governo.

No entanto, hoje, uma nova geração de tabeliães públicos que assumiram os cartórios por concurso tem uma visão mais profunda das suas funções e vem fazendo reflexões importantes sobre o tema. Um deles é Filipe Andrade Lima, titular do cartório Andrade Lima no Recife, ex-Pragana.

Andrade Lima disse para um público de advogados na reunião do LIDE que “uma perniciosa combinação entre infraestrutura precária e limitações orçamentárias com uma certa cultura do litígio, talvez ainda predominante entre partes e advogados, é responsável por acumular no Poder Judiciário um estoque de 70 milhões de feitos pendentes de solução definitiva, 10 milhões a mais do que há 7 anos. Em média, entre janeiro e dezembro, de cada 100 brasileiros, 13 ingressam com uma nova ação judicial, depositando sobre os ombros de cada juiz um fardo de 1.500 processos novos por ano, ou 8 novas causas por dia de trabalho”.

E continuou: “a atividade notarial brasileira, supervisionada por um Poder Judiciário muitas vezes entretido com as próprias mazelas, não colheu melhor sucesso. A incompetência do notariado para aproveitar sua condição de entidade privada e posicionar-se como prestador diferenciado de serviços públicos, aliada à preferência comodista de voltar seu foco a tarefas de complexidade jurídica nula, como a autenticação de cópias e o reconhecimento de firma, rendeu-lhe a infâmia de ver associado o seu local de trabalho, o “cartório”, a um antro de burocracia e perda de tempo”.

Filipe Andrade vê na criação do Conselho Nacional de Justiça, em 2004, a promulgação do novo Código de Processo Civil e a formação de uma comissão especial de desburocratização no Senado Federal, no ano passado, como novos eixos em torno dos quais giram medidas modernizadoras do cenário jurídico nacional.

“A administração judiciária já se apodera de métodos de gestão que, há até pouco tempo, viam-se como de uso quase exclusivo das grandes corporações. Auditorias e relatórios, estatísticas e metas são palavras que se incorporaram ao vocabulário das varas e tribunais”.

Para o tabelião, “os processos eletrônicos, com seus acertos e falhas, já são parte da nossa realidade, e fazem do Brasil um dos precursores mundiais em virtualização de feitos contenciosos. Escolhemos o caminho das soluções alternativas de conflitos. Seguimos firmes na trilha da conciliação, da mediação e da arbitragem como métodos para evitar o emprego da imensa capacidade jurídica e sensibilidade social da nossa magistratura no julgamento de conflitos resolvíveis diretamente pelas partes e seus assistentes”.

Finalmente Filipe Andrade Lima vê nos concursos públicos para provimento das delegações em tabelionatos os grandes responsáveis por revitalizar o notariado, “fazendo incorporar-se à atividade jovens que, além da bagagem jurídica que lhes habilita aprovação em alguns dos mais exigentes certames, trazem consigo uma nova visão de negócio. Pautam-se os notários desta nova geração não pelos frutos que colhem da atividade, mas pelos frutos que a sociedade colhe do seu trabalho”.

A avaliação do jovem tabelião público que aponta o caminho da modernização e desburocratização dos papéis públicos vai ser objeto de cobrança contínua da cidadania brasileira, sufocada por exigências cartoriais e caras, as vezes totalmente absurdas. Que prevaleça o espírito de Hélio Beltrão, que, plena ditadura, era o ministro mais popular por estar ao lado dos brasileiros.

* Jornalista

Brasil : ECONOMIA
Enviado por alexandre em 14/08/2016 12:20:14


Novo público na rede: país já tem 5,2 milhões de idosos com acesso à web
A terceira idade está invadindo a internet no Brasil e o tabu de fazer compras no mundo virtual começa a ser quebrado. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva revelou que 5,2 milhões de pessoas com mais de 60 anos já utilizam regularmente a web no país. Em apenas oito anos, foi um salto de 940%, o equivalente a 4,8 milhões de novos usuários.

A pedido do jornal O Globo, a Ebit, empresa especializada em comércio eletrônico, calculou que o consumidor mais velho já movimenta R$ 15,6 bilhões em compras on-line. Segundo a Ebit, nenhuma outra faixa de comprador on-line teve avanço tão rápido nos últimos anos. De olho nesse fenômeno, as empresas começam a se preparar para conversar com os idosos conectados.

Mais de 26 milhões de pessoas têm mais de 60 anos no país. É uma parcela da população com renda somada que chega a R$ 330 bilhões. A internet definitivamente passou a influenciar os hábitos de consumo desse público, que cada vez mais usará a rede para se informar, participar de redes sociais ou fazer compras — explica Renato Meirelles, sócio do Instituto Locomotiva, que realizou o levantamento em todo o país, em julho, com base em 1.950 entrevistas.

A família da aposentada Lydia de Lucca, de 93 anos, ilustra esse novo perfil. Conectados há alguns anos, eles buscam comodidade e preços mais baixos na web. Com a ajuda dos filhos, Sueli, de 67 anos, e Francisco, de 69 anos, Lydia compra pela internet os remédios para pressão e vitaminas que usa regularmente. A família gasta, em média, R$ 500 no mês. Eles ainda preferem fazer as compras pelo notebook em lugar do celular, mas Sueli usa seu smartphone para se informar e participar de redes sociais. O irmão dela, Francisco, trabalha como corretor de seguros, e o e-mail é sua ferramenta de trabalho. Ele costuma comprar eletrodomésticos e produtos de informática na rede.

Sempre fui familiarizado com a internet. Com as compras, buscamos comodidade. E, claro, sempre tomamos o cuidado de comprar por sites conhecidos — diz Francisco.

De acordo com a Ebit, os itens perfumaria e saúde são os mais procurados pelos internautas mais velhos, seguidos por eletrodomésticos, casa e decoração, moda e acessórios, e telefonia celular, nesta ordem. Além disso, o tíquete médio gasto nos sites pelo consumidor com mais de 50 anos é de R$ 411, contra R$ 388 da média de todas as idades. No ano passado, dos R$ 41 bilhões gastos em e-commerce no Brasil, esse público foi responsável por 35%. E a tendência é que o gasto dessa turma cresça ainda mais.

Iniciamos o mapeamento do e-commerce brasileiro há 16 anos. Lá atrás, esse público representava 5% dos pedidos feitos pela internet. No ano passado, o percentual chegou a 33%. Nenhuma outra faixa de compradores cresceu tanto e tão rápido — avaliou Guasti.

A demanda mais intensa da terceira idade no e-commerce já é relatada pelos varejistas. A Ultrafarma, rede de farmácias, que tem uma campanha publicitária estimulando seus clientes a comprarem pelo canal virtual, detectou crescimento expressivo da parcela de clientes da terceira idade desde 2013. O público com mais de 60 anos representava menos de 1% entre os clientes que compravam regularmente pelo site três anos atrás. Hoje, já são 10%, e a velocidade de crescimento é a mais alta entre todas as faixas de idade.

A maioria dos clientes de medicamentos de uso contínuo é da terceira idade. Mas isso não se traduzia no ambiente on-line, já que havia a barreira tecnológica. Com os celulares ganhando mais recursos e se tornando a forma mais comum de acesso à web, isso começou a mudar. Nos últimos anos, a terceira idade é a parcela de público que mais cresce nas compras do site — afirmou Ricardo Vieira da Silva, diretor de e-commerce da Ultrafarma.

Nas redes Extra e Pão de Açúcar, o e-commerce de alimentos registrou um crescimento dos pedidos de 10% por compradores acima de 60 anos entre 2014 e o ano passado. Para este ano, a expectativa é que o crescimento seja de cerca de 30%.

O especialista em varejo Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, confirma que a chegada dos smartphones e de aplicativos de compra, mais fáceis de mexer e que concluem a operação com poucos cliques, ajudaram os mais velhos a quebrarem a barreira que existia entre eles e o mundo digital.

Resolvida essa questão da cultura digital, você nota que o e-commerce se encaixa ainda mais às necessidades de consumo das pessoas com mais de 50 ou 60 anos. Na compra on-line você não precisa sair de casa, não precisa carregar peso, pode comparar preços sem muito esforço e pode ler com calma as informações de produtos sem se expor, por exemplo, a um atendente sem paciência — disse Terra.

A pedagoga aposentada Yone Gueldini Mendes, de 63 anos, há alguns anos só faz compras on-line, exceto as de supermercado. Em sua lista virtual estão roupas de cama, presentes para o neto, remédios e eletrodomésticos. Yone sempre procura em sites de busca antes para checar os preços em diferentes lojas.

Frutas e verduras, por exemplo, eu acho que é preciso tocar, escolher bem. Assim como os outros produtos de supermercado, nos quais gosto de ler o rótulo e comparar com as outras opções na prateleira — contou ela, que ganhou confiança para mexer no computador, celular e tablet quando passou a ter os seus próprios dispositivos, sem dividir com filhos ou marido.

Depois disso, passei a comprar só on-line e tenho certeza de que faço melhor negócio do que comprando pessoalmente — disse.

Já a também pedagoga aposentada Maria Lucia Almeida Salles, de 66 anos, conta que faz inclusive o supermercado pela web.

É impossível hoje eu carregar todo o peso dos enlatados. Prefiro pagar frete e receber em casa — lembrando que itens difíceis de encontrar no varejo tradicional são facilmente localizados na rede, como pijamas de malha fria, que ela adora.

Até mesmo os bancos estão estimulando a parcela de clientes mais idosos a usar os canais digitais. O Itaú Unibanco colocou no ar uma campanha que caiu no gosto da população ao mostrar duas senhoras, de 80 anos, totalmente conectadas, usando os aplicativos da instituição, além de outras modernidades como Snapchat.

Miramos exatamente o público mais idoso. Há muitas propagandas sobre uso de tecnologia que são muito estereotipadas, nas quais essas novidades aparece como coisa de gente mais jovem. As soluções digitais valem para todas as idades — afirma Eduardo Tracanella, superintendente de Marketing do Itaú Unibanco.

O comerciante Mario Suzuki, de 64 anos, conta que programa todos os pagamentos pessoais e os de sua empresa pelo internet banking. Com isso, dribla a possibilidade de esquecer as datas de vencimento e economiza tempo de fila nos bancos. Ele revela que ainda tem certo receio de fazer compras pelo mundo virtual, por isso sempre escolhe os sites mais conhecidos. Mas há três anos vem participando cada vez mais desse universo. Já entrou numa confraria de vinhos pela web, e comprou uma adega e uma churrasqueira usando seu notebook.

O uso da internet é intuitivo. E o mundo virtual é um caminho sem volta — diz ele.

Para a psicóloga Silvia Carvalho, o uso da rede pela terceira idade é altamente positivo já que estimula a comunicação e a prática de novas atividades, facilitando estabelecer novas conexões cerebrais:

Quando a idade avança, a tendência é a pessoa repetir o que sabe fazer. A internet é um campo fértil de atividades e aprendizado. É fundamental para a saúde se arriscar em novas habilidades.

Fonte: O Globo

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