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Brasil : MITOS E VERDADES
Enviado por alexandre em 27/04/2016 09:17:28


Dez lendas sobre cerveja que todo mundo pensa que são verdade


Você já ouviu falar em cerveja com gás hélio, que deixa a voz das pessoas engraçadas após beber? E que os alemães inventaram a bebida? Pois é, acontece que nenhuma dessas histórias é verdadeira. Há diversos mitos e causos contados por cervejeiros como verdades absolutas, mas que no fundo podem não ser tão reais assim. Confira 10 dessas incríveis histórias fictícias da cerveja.

Cerveja com gás hélio

Volta e meia alguém ressuscita o vídeo sobre a cerveja com gás hélio, que seria um lançamento da cervejaria norte-americana Samuel Adams. No vídeo, dois homens fazem uma degustação da bebida e ficam com as vozes fininhas, como quem ingere o gás. Acontece que tudo isso não passou de uma piada de 1º de abril, na qual muita gente ainda cai. Na verdade, não é possível fazer bebidas com hélio, que não se mistura com outros elementos.

Os alemães criaram a cerveja

A cerveja alemã é reconhecida por seu alto padrão de qualidade e o povo do país é lembrado como grandes consumidores da bebida. Talvez por isso muita gente ache que ela veio de lá. Mas, na verdade, ela surgiu há cerca de 6 mil anos e bem longe. Os primeiros registros de cerveja são da região da Suméria, hoje território do Iraque e Kuwait.

Belgas se recusam a servir em copos diferentes

Na Bélgica a cerveja é uma coisa tão séria que praticamente todos os rótulos têm seu copo específico. E há uma lenda de que se você chegar num bar do país e o recipiente da marca que você pediu não estiver disponível o garçom pode recusar-se a servi-la. Não é bem assim. Realmente, os estabelecimentos belgas possuem uma variedade enorme de copos e taças para cervejas. E provavelmente lhe servirão no correto. Mas se ele não estiver disponível, não se preocupe, eles dão um jeito de você degustar a bebida, mesmo no copo errado.

Ingleses tomam cerveja quente

Você pode até chegar à Inglaterra, comprar uma garrafa em um mercado, abri-la e beber direto como estava na prateleira. Mas só por vontade sua, pois não é isso que acontece no país. Os pints servidos nos pubs ingleses saem das torneiras, em geral, com temperaturas ideais para o consumo, ou até mais gelados.

Água de rios e fontes puras é melhor para a cerveja

Isso já foi uma grande verdade. A qualidade da água é muito importante na fabricação da cerveja, já que ela é mais de 90% da bebida. Por isso, antigamente quando o tratamento era precário, as cervejarias se instalavam próximas a rios e aquíferos mais limpos. Hoje não há mais essa necessidade, já que os tratamentos modernos são capazes de deixar quase qualquer água com a qualidade necessária.

Cerveja mais barata que água

Há uma lenda de que a cerveja em alguns países como é mais barata que a água mineral. Mas não é bem assim. Há alguns anos o consumo da bebida na Alemanha teve uma queda drástica e isso derrubou alguns preços, o que a fez ter valores menores do que a água. No entanto, isso não é regra e, apesar da cerveja ser bastante acessível, em geral não é mais barata do que água.

Reinheitsgebot foi a primeira lei sobre cerveja

Muita gente enche a boca para falar que a famosa Lei de Pureza da Cerveja Alemã, de 1516, foi a primeira regulamentação da bebida. Não é verdade. Na Babilônia, por volta de 1772 a.C. foi compilado o Código de Hamurabi que, entre outras centenas de leis, ditava sobre itens como a quantidade de cerveja que poderia ser consumida por dia, além de instituir um controle de qualidade bastante rígido. Basicamente, ele dizia que quem servisse cerveja ruim seria afogado no líquido.

Na Irlanda tomam cerveja verde no St. Patrick's Day

Está aí um engano comum. É verdade que aqui no Brasil o dia de São Patrício costuma ser comemorado com cerveja verde, mas isso veio, na verdade, dos Estados Unidos. Foi lá que começaram a usar corantes para esverdear a bebida no dia do santo. Na Irlanda, o St. Patrick's Day é comemorado com pints de Dry Stout.

Chope é diferente de cerveja

Não. Na verdade, o líquido é o mesmo. A cerveja engarrafada, no entanto, passa pelo processo de pasteurização, ao contrário do chope em barril. Essa técnica ajuda a bebida das garrafas e latas a terem um prazo de validade mais longo.

O colarinho “rouba” espaço no copo

Muita gente pede a bebida sem espuma quando senta em um bar por achar que ela não tem função e rouba o líquido. Não é verdade. O colarinho é muito importante na cerveja, pois ajuda a manter os aromas, reduz a oxidação e conserva a temperatura.

Brasil : GASTRONÔMICA
Enviado por alexandre em 22/04/2016 14:20:00


Chef Ouro – pretense vai representar a região norte em festival de gastronomia em Sergipe
Acontece no período de 29, 30 de abril e 01 de Maio a 3ª Edição do renomado Festival Gastrotinga, evento este que é realizado na cidade de Canindé do São Francisco, estado de Sergipe e reuni chefs renomados da culinária. O festival foi idealizado pelo chef Timóteo Domingos, que é conhecido pelas suas receitas testadas e aprovadas por grande nomes do cenário artístico e cultural do Brasil e do exterior e para o orgulho do Estado de Rondônia a ouro-pretense Melissa de Almeida, foi escolhida para representá-la a região norte do país com os pratos: Pirarucu ao molho de chocolate, acompanhado com arroz e farofa de castanha) e de sobremesa Petit Gateau de cacau com sorvete de cupuaçu e rapadura de cacau.
A chef Melissa Almeida que é formada na área de gastronomia está tendo o apoio do presidente do Sistema Fecomércio (Sesc-Senac-IFPE), Raniery Araujo Coelho, que forneceu as passagens aéreas , seus pais que são os proprietários do Restaurante a Fazendinha, localizado na BR 364, sentido Ouro Preto/Ji-Paraná local onde a chef é a responsável pelos pratos e sobremesas, Maria Geralda e amigos.

“É com muita alegria que eu aceito o convite do meu amigo chef Timóteo Domingos para participar do festival gastrotinga em Canindé, Sergipe. Levarei comigo todo o amor que eu tenho por esse Estado, divulgando as nossas belezas naturais e a nova Cultura culinária da nossa região. Ser escolhida em meio de tantos para representar o meu Norte é motivo de alegria e satisfação de que tudo que eu venho desenvolvendo não é em vão. Rondônia é um Estado lindo, cheio de encantos que agora chefs do Brasil inteiro, conhecerão, através das minhas criações e o dos meus sonhos, Rondônia será conhecida pela abundância de ingredientes e sabores únicos. O que eu tenho a dizer a todo mundo que embarcou comigo, a meu amigo pelo convite, Maria Geralda Pereira pelo apoio, e a todo mundo que me incentiva é Gratidão!! O Norte vai brilhar!!!”, disse em tom de otimismo a chef Melissa Almeida.

Piracau prato criado pela chef Melissa Almeida servido diariamente na Fazendinha

Festival Gastrotinga fique por dentro

Timóteo Domingos é um alagoano da cidade de Santana do Ipanema apaixonado por gastronomia. Com o objetivo de mostrar a cultura gastronômica do sertão através da culinária, Timóteo criou o projeto Gastrotinga. Cactos, fruto do mandacaru, umbu, algaroba, mororó, ouricuri entre outros alimentos típicos do sertão são à base dos seus pratos que encantam e deixam as pessoas curiosas, por esse motivo Timóteo Domingos já foi convidado para participar de programas como: Programa da Sabrina, Domingos Espetacular, Hoje Em Dia entre outros.
O sucesso das suas aparições em redes de televisão resultaram em mais um projeto do jovem chef do sertão, o Festival Gastrotinga, evento que já está em sua 3ª edição e acontece na cidade de Canindé do São Francisco. Com a presença confirmada de chefs renomados, o evento acontecerá este ano nos dias 29, 30 de abril e 01 de Maio e contará com oficinas, mini cursos, palestras, tour pela caatinga para conhecer o bioma da região e feira de artesanato. O evento já é considerado o mais importante no calendário gastronômico do sertão e é uma ótima oportunidade para aliar conhecimento, cultura e muito sabor.

“Em tempos de crise cultural e até mesmo financeira o Festival Gastrotinga é uma ótima oportunidade para resgatar muito da cultura nordestina além de poder utilizar muitos alimentos que são desprezados aliando sustentabilidade e sabor”, falou o chef do sertão Timóteo Domingos.

Sobre Timóteo Domingos

Começou a se aventurar na cozinha aos sete anos de idade, vendo sua vó preparar cocadas, bolos, broas e muito mais. Desde já sentiu uma atração imensurável pelo ato de cozinhar, mas ao mesmo tempo tinha que trabalhar na roça para ajudar os pais. Isso despertou dentro dele a paixão pelo bioma caatinga, fauna e flora. Aos dez anos de idade, já tinha dezenas de receitas autorais, no entanto não possuía recursos financeiros para testar suas criações. Foi quando começou a vender cocadas e bolos na escola onde estudava, o lucro usava para testar suas criações com os ingredientes da caatinga.

Aos 17 anos, com cerca de 100 receitas criadas participou e venceu por unanimidade dois concursos gastronômicos realizados no estado de Sergipe, Festival do quiabo e Festival da goiaba. Suas criações foram: Lasanha de quiabo e brigadeiro de goiaba com recheio de umbu e mandacaru. Entre 2014 e 2015, trabalhou como cozinheiro no Restaurante de comida natural “Manga Verde” em Maceió-AL, durante um ano e dois meses. Logo após, apresentou durante dois meses seu cardápio autoral “GASTROTINGA”, no restaurante Cariri em Aracaju, SE. Hoje, aos 19 anos está formando-se em gastronomia na Universidade Tiradentes – SE. É idealizador e organizador do Festival de Cultura e Gastronomia “gastrotinga”. E fundador do conceito GASTROTINGA.





Fonte: Alexandre Araujo com informações do clik sergipe

Brasil : CAÇA FANTASMA
Enviado por alexandre em 15/04/2016 01:20:00


MP investiga professores do Ceeja de Urupá por não cumprimento da carga horária
O Ministério Público Estadual – MP/RO, por intermédio da Promotoria de Justiça da Comarca de Alvorada do Oeste, abriu procedimento preparatório de Ação civil pública em desfavor de professores lotados no Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos - CEEJA Enaldo Lucas de Oliveira, no município de Urupá. O promotor de Justiça Dr. Fernando Henrique Berbert Fontes é a autoridade que assina a peça processual que visa investigar os seguintes servidores na unidade escolar: Conceição de Maria dos Reis Gonçalves, Germano José Gonçalves, Rosângela Araújo Santos, Damiana Vania Manzoni, Sineia Garcia, Mônica Araújo e Maria Alves Batista, pesa contra os mesmos o não cumprimento integral da carga horária.

O promotor de Justiça Dr. Fernando Henrique solicitou a Secretaria Estadual de Educação – Seduc a cópia da ficha financeira e folhas de ponto referente aos últimos 03 (três) meses de 2015, bem como relatório de eventuais faltas justificadas dos professores mencionados. Caso se materialize o dolo os professores serão processados conforme preconiza a legislação vigente no país além de terem que devolver os salários recebidos indevidamente acrescidos de juros.

Fonte:www.ouropretoonline.com

Brasil : INTERNET
Enviado por alexandre em 15/04/2016 00:29:48


Usuários protestam contra limite de franquia para internet fixa; entenda mudançaQuem usa internet pelo celular já está acostumado com o aviso sobre a redução da velocidade quando o limite do pacote de dados é atingido. Agora, a medida pode atingir também a internet fixa - aquela usada pelos usuários em casa ou no trabalho. Uma prática de mercado que começou a ser utilizada este ano passou a limitar a níveis menores do que antes o tamanho do pacote de dados dos usuários de telefonia fixa, da mesma forma como já acontecia com a telefonia móvel. Esse "tamanho" é a chamada franquia de dados.

Funciona da seguinte forma: com a franquia menor, o pacote de internet poderia terminar depois que usuário assistisse a cerca de 10 vídeos no Youtube ou 10 episódios de alguma série em um serviço de streaming, como o Netflix. Depois que o consumidor atinge o limite da franquia, a internet é cortada ou diminui drasticamente sua velocidade até o mês seguinte.

Associações de defesa do consumidor manifestaram-se contra a prática, que gerou reações também de organizações da sociedade civil, além de campanhas nas redes sociais. Uma petição online no site da Avaaz contra o limite na franquia de dados da banda larga fixa já está próxima de alcançar 700 mil assinaturas e a página do Movimento Internet Sem Limites já alcançou mais de 260 mil seguidores em sua página do Facebook.

De acordo com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o novo modelo de pacote de dados tem sido adotado principalmente pela Vivo, mas o temor é que ela seja seguida por outras operadoras.

"As principais empresas do setor de telecomunicações e banda larga passaram a criar novos pacotes, novos planos para os seus usuários, com franquias de dados muito menores, especialmente a Vivo", informou Rafael Zanatta, pesquisador em telecomunicações do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), em entrevista ao programa Ponto Com Ponto Br, da Rádio Nacional de Brasília!, produzido em parceria com a equipe do Portal EBC. Questionada, a operadora informou, em nota, que "a franquia de consumo de dados de internet fixa já é praticada hoje por alguns dos principais players de banda larga fixa".

O Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) informou que não se pronunciaria sobre a mudança, já que dizia respeito a empresas específicas e não a decisões do setor.

A Vivo afirmou que os usuários ADSL (antigo Speedy) que comprarem o pacote até o dia 4 de fevereiro deste ano terão seus contratos mantidos e aqueles que adquiriram o plano a partir do dia 5 do mesmo mês estão sujeitos ao novo contrato. Já para os usuários GVT e Vivo fibra, os contratos serão mantidos para quem aderiu até o dia 1° de fevereiro deste ano. Para quem está sujeito ao novo contrato a empresa promete a manutenção do serviço de internet sem bloqueio, mesmo após o término da franquia de dados contratada em condição promociaonal até o dia até 31 de dezembro.

"À medida em que isto vier a ocorrer no futuro, a empresa fará um trabalho prévio educativo, por meio de ferramentas adequadas, para que o cliente possa aferir o seu consumo", diz a nota.

O Idec alerta que as empresas têm adotado uma estratégia para modificar contratos em andamento oferecendo ao usuário mais velocidade na internet pelo mesmo preço da assinatura, mas reduzindo a franquia. "O fato de as empresas modificarem seus contratos sem apresentarem uma justificativa técnica de porque elas precisam reduzir essas franquias implica em violação do código de defesa do consumidor", afirmou Zanatta.

Defesa do consumidor

Nesta semana, o Idec deve lançar uma campanha para alertar sobre os riscos que a redução da franquia representa para os usuários de internet. O Instituto manifestou a preocupação ao Ministério da Justiça, em fevereiro, durante uma reunião do grupo de trabalho sobre comunicações da Secretaria Nacional do Consumidor.

"Tem que fazer uma pressão muito grande em cima das empresas para que elas justifiquem esses novos contratos terem franquias tão baixas e pressionar também os orgãos de proteção dos direitos do consumidor, além da Anatel", disse o pesquisador.

Marco Civil da Internet

Desde 2014, o Marco Civil é a legislação que disciplina o uso da internet no Brasil. Para o pesquisa do do Idec, a redução da franquia de internet fixa está em desacordo com pelo menos dois pontos da legislação. Um deles assegura ao usuário "o direito de não suspensão da internet a não ser por débito decorrente da utilização".

O outro é o conceito da neutralidade da rede. Isso significa que os prestadores de serviço de conexão à internet não podem ter conhecimento sobre o tipo de dado utilizado pelo usuário, nem pode privilegiar um tipo de dado em detrimento de outro. Ainda é proibido cobrar de modo diferenciado pelo tipo de consumo feito.

"Eles querem criar excessões para a regra de neutralidade de rede para oferecer serviços que não vão computar dados, não vão ter franquia de dados. O que está por trás dessa mudança é uma estratégia muito agressiva de segmentar os consumidores por capacidade de compra, de prejudicar os consumidores que fazem compra por serviço de aplicações, que consomem bastante dado", afirmou o Rafael Zanatta.

Fonte: Agência Brasil

Brasil : A REALIDADE
Enviado por alexandre em 14/04/2016 09:23:42


“Viúvas de marido vivo”: Como vivem famílias de vítimas da escravidão


Em Codó, no Maranhão, um dos municípios brasileiros de onde mais migram trabalhadores que foram submetidos à escravidão contemporânea, esposas cuidam sozinhas de seus filhos, que ficam meses ou anos sem ver o pai, tornando-se por vezes viúvas de marido vivo.

Viúvas da Migração: Esposas de vítimas do trabalho escravo cuidam sozinhas de seus filhos, por Stefano Wrobleski, de Codó (MA), para a Repórter Brasil

Tereza Pires da Conceição, vive na periferia de Codó com sua filha Andreia, que foi deixada pelo marido com seus filhos. Ele foi trabalhar fora e não mais voltou. Dona Tereza vive em dificuldades para ajudar a filha e os muitos netos. Fotos: Lilo Clareto/Reporter Brasil

A pobreza extrema e falta de perspectiva de empregos em Codó, um município com 118 mil habitantes no Maranhão, leva semanalmente dezenas de trabalhadores a deixar suas casas e cruzar o país em busca de trabalho. Quem fica são as mulheres (esposas e irmãs dos migrantes) que cuidam sozinhas, por meses ou anos, dos filhos que ficam para trás. Como o dinheiro enviado pelos homens para casa é pouco, o principal meio de sobrevivência destas famílias é o Bolsa Família, que alcança dois terços das 27 mil famílias do município.

“Um dia tem só arroz, outro dia não tem nada pra comer. A vida aqui é dura demais”, lamenta Andreia Pires da Conceição, que vive em uma pequena casa na periferia de Codó. O pai de cinco dos seus seis filhos mudou-se para São Paulo em busca de emprego e acabou ficando. Depois que o casal se separou, ele só entra em contato por telefone e não envia dinheiro para os filhos.
“Um dia tem só arroz, outro dia não tem nada pra comer”, conta Andreia (dir.) ao lado de sua mãe, Tereza (esq.). Fotos: Lilo Clareto/Repórter Brasil

“Um dia tem só arroz, outro dia não tem nada pra comer”, conta Andreia (dir.) ao lado de sua mãe, Tereza (esq.)

Na casa de Andreia, hoje, são 17 pessoas que compartilham o espaço de seis cômodos e dependem do Bolsa Família que ela, sua cunhada e sua mãe recebem por manter as crianças na escola. Além da frequência escolar, a renda mensal também é critério no programa federal e não pode ultrapassar os R$154 por pessoa da família.

Além do programa de assistência do governo e do arroz plantado pelo pai de Andreia, a renda em casa é complementada pelo que dois dos três irmãos de Andreia, que estão no interior do Mato Grosso, conseguem mandar. Eles trabalham descarregando caminhões de soja, em uma jornada que começa ao meio-dia e às vezes termina só depois das 23h, segundo contam à mãe, Tereza, de 57 anos.
As crianças da casa, que estão em parte na foto, sobrevivem com o que as mães recebem do governo


As crianças da casa, que estão em parte na foto, sobrevivem com o que as mães recebem do governo

Mas nem sempre o dinheiro chega. Não é todo mês que os irmãos conseguem guardar parte do salário para enviar a Tereza, Andreia e as crianças.

Além da soja, é principalmente na construção civil e na cana-de-açúcar que os migrantes acabam encontrando trabalho. É entre migrantes empregados nestes setores que está a maior parte das 413 vítimas de trabalho escravo resgatadas em todo o país entre 2003 e 2014 que eram de Codó – um dos maiores polos de saída de migrantes do país. Dos libertados, apenas 14 eram mulheres, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra. A proporção reflete uma tendência de todo o país: na maioria, os homens trabalham fora, enquanto as mulheres cuidam da casa e das crianças.

As longas viagens feitas por estes trabalhadores deixa saudade aos que ficam e reduzem a rede de proteção dos que vão. No caso de Tereza, a mãe de Andreia, o contato com os filhos que partiram para o Mato Grosso é difícil. Valdivino, um dos rapazes, não dá notícias desde dezembro de 2015, quando teve seu celular roubado. “Ele ficou só, enquanto os companheiros vieram tudinho. Depois que os outros vieram foi que a gente teve notícia que ele tá lá, trabalhando. Faz mais de três meses que nós conversamos com ele da última vez”, conta Tereza.

Expulsos da Terra – A casa de Andreia e Tereza fica em Codó Novo, um dos bairros mais vulneráveis da cidade, em que o esgoto atravessa a céu aberto as ruas de barro. Antes de migrar para o bairro periférico, a família vivia na zona rural, onde o cultivo da terra garantia um mínimo de comida na mesa. Mas a família foi expulsa por um latifundiário e, por R$50 por mês, alugam hoje a casa onde estão há três anos. “Estamos nesse bairro porque não temos casa em lugar nenhum”, diz Tereza.

Apesar da expulsão do local onde moravam, José Rocha, pai de Andreia, caçou um pequeno pedaço chão a 60 quilômetros de casa, onde cultiva o arroz que garante o sustento mínimo da família. Flávia Moura, pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão e autora da dissertação de mestrado “Escravos da Precisão: economia familiar e estratégias de sobrevivência de trabalhadores rurais em Codó”, explica que a população de Codó, apesar de estar em uma cidade grande, é composta por trabalhadores muito atrelados à terra: “Por mais que tenha havido uma predominância do latifúndio, os trabalhadores insistem em manter a roça de subsistência. A migração é muito mais estratégica porque não circula dinheiro na cidade. Há só algumas pequenas empresas na cidade, mas elas não seguram a economia”.
São Paulo, 29/02/2016 - Reporter Brasil - Questões Trabalhistas - Trabalhadores que se deslocam da cidade de Codó, no Maranhão, para conseguir emprego em outras localidades do país - especialmente São Paulo - deixando suas famílias. - Dona Tereza Pires da Conceição, vive na periferia de Codó com sua filha Andreia, que foi deixada pelo marido com seus filhos. Ele foi trabalhar fora e não mais voltou. Dona Tereza vive em dificuldades para ajudar a filha e os muitos netos. - Ismael, neto de dona Tereza. Foto: Lilo Clareto/Reporter Brasil

Ismael, neto de dona Tereza.

O bairro de Andreia é um dos que mais recebe novas famílias, as quais são forçadas a sair da zona rural para a cidade e que, sem mais espaço para a agricultura de subsistência, veem seus homens viajando para garantir a sobrevivência com o dinheiro que sobrar. No município, de acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, a população em área urbana subiu de 56% para 68% entre 1991 e 2010, apesar de um crescimento populacional de 0,86% no período. O dado mostra que, com uma população quase estagnada, o aumento de pessoas na cidade vem principalmente da migração de famílias do campo.

São estas novas famílias da cidade que mais concentram os migrantes de Codó que serão escravizados pelo Brasil. Cerca de um terço dos 413 trabalhadores resgatados que eram do município declararam aos fiscais Ministério do Trabalho e Previdência Social residirem em Codó Novo ou em Santa Teresinha, um bairro vizinho.

Quando viviam na zona rural, o pai de Andreia trabalhava com a ajuda dos filhos e netos cultivando a terra e fazendo crescer os alimentos que sustentariam a família pelo ano. Já Andreia e Tereza, além de cuidar da casa, se ocupavam da retirada dos cocos de babaçu, presentes nas terras de toda a região de Codó. Com o fruto, elas faziam azeite e carvão. A atividade é tradicional para as mulheres do campo desta parte do Maranhão, que costumam usar os produtos do babaçu em casa ou vendê-los na cidade, complementando a renda da família.

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