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Regionais : Bolsonaro tenta abrir caminho na política a golpes de machado
Enviado por alexandre em 24/03/2019 20:10:09


Bruno  Boghossian – Folha de S.Paulo

Presidente anda para trás no trabalho de articulação e aprofunda isolamento

Jair Bolsonaro igualou uma façanha dos tempos modernos quando se elegeu sem fazer alianças com grandes partidos. Ao tomar posse, concretizou um lance audacioso ao montar um governo sem negociar ministérios em troca de apoio no Congresso. Desde então, o presidente passa os dias admirando os dois títulos pendurados na parede.

Bolsonaro chega à reta final do terceiro mês de mandato sem apresentar um diagrama do que será erguido no lugar das relações partidárias que ele prometeu derrubar. Na última semana, o governo obteve a proeza de aprofundar ainda mais seu isolamento político.

PSL, partido do próprio presidente, deu sinais de esfarelamento. O líder da sigla na Câmara criticou a proposta do Planalto para reformar a aposentadoria dos militares e disse que a legenda não estava disposta a “descascar o abacaxi no dente”.

O desprezo do clã Bolsonaro pela tal velha política se traduziu em hostilidade. Conseguiu incomodar o DEM, o único partido que fazia esforços para dar sustentação ao governo, com o comando das duas casas do Congresso. O presidente andou para trás no trabalho de articulação.

Bolsonaro não precisa ceder ao “toma lá, dá cá” que marcou, por décadas, a relação entre Executivo e Legislativo, mas também não conseguiu mostrar como conquistar votos para aprovar os projetos de seu interesse. Sua única estratégia, até agora, foi tentar abrir caminho na política a golpes de machado.

O governo decidiu se mover de acordo com a algazarra de seus apoiadores fiéis e ignorar as vozes do Congresso —o que afasta Bolsonaro cada vez mais de pautas como a reforma da Previdência. Nenhum de seus eleitores mais aguerridos, afinal, votou nele pensando no ajuste do sistema de aposentadorias.

O presidente aposta numa filosofia da terra arrasada. No jantar que teve com Olavo de Carvalho, Bolsonaro disse que precisa “desconstruir muita coisa para depois começar a fazer”. Pelo visto, o dinheiro da obra pode acabar já na fase de demolição.

Regionais : Era vidro e se quebrou
Enviado por alexandre em 24/03/2019 20:07:03

Coluna Carlos Brickmann

O jogo ia bem: dois projetos da mais alta importância, a lei de combate ao crime e a reforma da Previdência, entregues ao Congresso logo no início do Governo, uma definição clara de prioridades (primeiro a Economia, logo depois a Segurança, manter tranquilo o que já funcionava, o agronegócio), e fazer barulho com outros temas para distrair a oposição. E que é que se poderia pedir de melhor do que uma oposição dirigida por Gleisi Hoffmann?

Pois Bolsonaro está conseguindo não ganhar o jogo: permitiu que temas destinados apenas a fazer barulho dominassem de verdade a pauta oficial, passou a impressão de que um escritor residente nos Estados Unidos manda em parte do Governo, e não conseguiu controlar as iniciativas de seu filho Carlos, o 02, a quem chama carinhosamente de “pitbull”. Ou, pior ainda, é conivente com os ataques via Twitter a aliados de que necessita – alguns de seu próprio grupo, como o vice Mourão; outros de fora, como Rodrigo Maia.

Bolsonaro não está em fase de boa sorte. Na disputa entre Supremo e Lava Jato, foi atingido Moreira Franco – sogro de Rodrigo Maia. A tropa virtual bolsonarista festejou, e Rodrigo Maia, já chateado com Moro, se cansou. Não rompe com o Governo, nem desiste da reforma da Previdência, mas coordenar a ação política oficial, de maneira a conseguir os votos suficientes para aprová-la, isso não. E que governista poderá fazer a coordenação? Onyx Lorenzoni? Eduardo, filho 03?

Melhor não: perder de muito é ruim demais.

Regionais : Para equipe econômica, troca de farpas entre Maia e Bolsonaro é ‘apocalipse’
Enviado por alexandre em 24/03/2019 15:52:33

Bolsonaro, Maia e o ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: CAROLINA ANTUNES / AFP

A elevação do tom na discussão entre o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente Jair Bolsonaro foi descrita dentro da equipe econômica como “apocalipse”. Os técnicos ficaram estarrecidos com a briga e temem que ela contamine a reforma da Previdência. Internamente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta reconstruir a relação entre os dois para não prejudicar ainda mais o projeto, considerado fundamental para a economia do país. No entanto, seu poder de conciliação pode ser limitado.

Guedes tem um bom relacionamento com Maia. E é considerado uma peça central do governo para se obter o apoio tanto do mercado financeiro quanto do setor produtivo. Enquanto isso, dois secretários do ministro se manifestaram neste sábado (23) por meio do Twitter. Nenhum deles defendeu Maia na questão e até colocaram combustível na briga.

O secretário da Previdência, Rogério Marinho, afirmou que a reforma não pode ser apenas um projeto do governo federal. E disse que a classe política deve cuidar do assunto.

“A nova previdência não é pauta apenas do Governo é pauta do País e como tal precisa ser encarada. O parlamento brasileiro mais uma vez fará sua parte para retomarmos o crescimento e devolvermos o Brasil para os seus legítimos donos o povo”, escreveu o secretário em seu perfil.

Já o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, chegou a criticar diretamente o presidente da Câmara. Retrucou o fala de Maia sobre o governo ser um “deserto de ideias”. No entanto, ele não percebeu que o próprio deputado tinha feito à ressalva que a equipe de Guedes é exceção.

“O deputado Rodrigo Maia afirma que o governo é um ‘deserto de ideias’. Não aceito esta imputação. O Ministério da Economia sob Paulo Guedes tem sido um turbilhão renovador no país. Que me desculpe o amigo Rodrigo Maia, mas ficar calado significa aceitar esta injusta afirmação”, afirmou Cintra.

Em seguida, o economista Pedro Nery, que ajudou a equipe de Guedes na formulação da reforma da previdência, rebateu e disse que Maia afirmou que há uma “ilha de governo com o Paulo Guedes”.

Antes dessa crítica, Cintra havia defendido a reforma. Disse que a “brutal” queda na Bolsa de quase 6% na sexta-feira mostra que a economia e o povo  não suportarão o fracasso nas reformas estruturais como a previdenciária e tributária. 

“Os políticos patriotas devem se unir, superar brigas pessoais e trabalhar pelo Brasil. O povo não vai tolerar fracassos”, declarou o secretário.

‘Falta suco de maracujá’, diz líder do PSL

O líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO), diz que vai recomendar à assessoria de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Jair Bolsonaro uma dose de suco de maracujá e camomila para apaziguar os ânimos após o embate nos últimos dias.

– Está faltando suco de maracujá, camomila. São chefes de dois poderes travando essa guerra de farpas, e isso não é bom para o país. Não fica bem. A melhor ferramenta é o diálogo, o Brasil não precisa de extremismo, nem do presidente nem de Rodrigo Maia (presidente da Câmara), diz Waldir.

Após se afastar da articulação pela reforma da Previdência na última semana, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que cabe ao presidente Jair Bolsonaro a tarefa de construir a base governista. O presidente da Câmara promete comandar a votação, mas reclama dos ataques que vem sofrendo nas redes sociais partindo de aliados de Bolsonaro.  

Segundo Waldir, o governo “não tem base” no Congresso e conta apenas com os 54 deputados do partido para apoiar suas propostas, o que deveria ser corrigido pelos responsáveis no governo pela interlocução política. Hoje, são o general Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), que Waldir não cita nominalmente.

– Cada pessoa tem uma missão. No governo, tem pessoas com o papel de fazer o diálogo com o Parlamento. Elas estão desempenhando bem essa função? É o líder do PSL que tem que ficar colocando panos quentes? Essa construção tem que ser feita pelas pessoas que o presidente da República destinou para fazer isso, não é papel pessoal dele. 

Regionais : WhatsApp testa novo recurso anti fake news
Enviado por alexandre em 24/03/2019 15:51:12

Após limitar o compartilhamento de mensagens para 5 contatos, o WhatsApp agora está testando uma ferramenta que mostra quantas vezes uma mensagem foi enviada dentro da plataforma.

O recurso experimental foi descoberto durante análises na versão 2.19.80 do programa Beta do aplicativo para Android pelo site especializado em WhatsApp, WaBetaInfo.

A novidade, porém, ainda não está disponível para os usuários e não existe confirmação de que será, de fato, incorporada ao aplicativo.

Segundo o site, é possível ver a quantidade de vezes que a mensagem foi compartilhada em um grupo pela ferramenta disponível na plataforma “dados da mensagem”. Ou seja, o usuário consegue visualizar a informação apenas após compartilhá-la.

Caso o número de encaminhamentos ultrapasse de 4, o aplicativo passaria a exibir o alerta: “compartilhado com frequência”. A medida visa combater as fake news.

Regionais : Ascensão e queda do MDB: conheça a história do partido em 10 momentos
Enviado por alexandre em 24/03/2019 15:47:03

Há exatos 53 anos, no dia 24 de março de 1966, nasceu o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sigla de oposição formada dentro das regras impostas pelo governo militar. Em mais de cinco décadas de existência, o partido cresceu no combate à ditadura, comandou a redemocratização, governou o país e, por fim, entrou em decadência.

No último lance da derrocada do MDB, o ex-presidente Michel Temer foi preso nesta quinta-feira (21/3) pela Polícia Federal, acusado de liderar uma organização criminosa. Esse episódio simboliza, melhor do que qualquer outro, a queda acelerada sofrida pela legenda, sobretudo nos últimos anos.

Conheça, em dez tópicos, a história do MDB.

1 – FundaçãoIntegrado, em grande parte, por parlamentares adversários do golpe de 1964, o MDB foi criado em 1966 como uma frente construída com diferentes correntes, moderadas, contrárias ao regime militar. Com 120 deputados e 20 senadores, a legenda adequou-se ao sistema bipartidário instituído pelo governo do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Os governistas formaram a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Os comunistas e outros grupos políticos radicais não aceitos pela ditadura se organizaram na clandestinidade. Alguns adotaram a luta armada como estratégia para derrubar os militares do poder.

Primeiro presidente do MDB, o senador (AC) e general da reserva Oscar Passos ficou no carto até fevereiro de 1971. Nesse ano, passou o cargo para o deputado Ulysses Guimarães (SP), principal nome da história do partido (foto abaixo).

Mesmo afetado por cassações de mandatos e perseguições políticas, o partido resistiu ao período mais duro dos Anos de Chumbo.

2 – Anticandidatura a presidenteO modelo econômico implantado pela ditadura começou a entrar em colapso com a crise internacional do petróleo. Dentro do MDB, um grupo de parlamentares, os “autênticos” adotaram discurso mais crítico contra os militares.

Em 1974, essa ala do partido lançou Ulysses Guimarães como “anticandidato” a presidente, campanha que permitiu ao deputado percorrer o país para defender a redemocratização e a eleição de emedebistas para o Congresso.

O presidente da República era o general Emílio Garrastazu Médici. Como “anticandidato”, Ulysses enfrentou outro general, Ernesto Geisel, empossado no Palácio do Planalto no dia 15 de março de 1974.

A estratégia permitiu um salto do partido no Congresso. A pregação oposicionista elegeu 16 senadores para as 24 vagas em disputa e 44% dos deputados federais. Esse resultado inesperado representou uma derrota para a Arena e para o governo.

Dentro do MDB, os “autênticos” disputavam espaço com os “moderados”, agrupados em torno do então senador Tancredo Neves (MG).

3 – Mudança para PMDB No Palácio do Planalto, Ernesto Geisel iniciou a abertura política que, gradualmente, criou condições para a volta dos civis ao poder. Nesse sentido, a Lei da Anistia, de 1979, permitiu o retorno ao Brasil dos exilados adversários do regime, que engrossaram as forças de oposição.

Com a instituição do pluripartidarismo, em 1979, o MDB passou a se chamar Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Essa mudança foi necessária porque, pelas novas regras, a palavra “partido” deveria aparecer no início do nome das agremiações.

Na reforma partidária, a Arena foi substituída pelo Partido Democrático Social (PDS). O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), extinto pela ditadura, foi reorganizado e nasceram o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

A abertura política reinstaurou as eleições diretas para os governos dos estados em 1982. O PMDB venceu as disputas em nove estados, entre eles, Minas Gerais, como Tancredo Neves, e São Paulo, com Franco Motoro. O partido avançava rumo ao poder federal.

4 – Diretas Já e Aliança Democrática Os brasileiros tomaram as ruas no início de 1984 para pedir a volta das eleições diretas para presidente de República. Puxada pelos partidos de oposição, pelas organizações clandestinas e pela sociedade civil, a campanha das Diretas Já teve o Dr. Ulysses como o nome mais badalado.

Nas principais capitais do país, políticos e artistas fizeram comícios que ultrapassaram 1 milhão de pessoas. Apesar da mobilização arrebatadora, a emenda constitucional que restaurava as eleições diretas foi derrotada pelo governo no Congresso na noite de 26 de abril de 1984.

Mantida a escolha indireta para o Palácio do Planalto, o pêndulo do poder interno do PMDB deslocou-se de Ulysses para Tancredo, perfil mais adequado para a disputa no Colégio Eleitoral. Se a eleição fosse direta, o candidato seria o deputado paulista, mais identificado com as ruas.

Composto pelos congressistas e por delegados escolhidos pelas assembleias estaduais, o colégio eleitoral era um universo próprio para articulações de bastidores, especialidade de Tancredo.

Ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf venceu a convenção do PDS para disputar a Presidência da República no Colégio Eleitoral. Insatisfeitos com a indicação, uma ala do PDS formou a Frente Liberal e se aproximou de Tancredo.

Desse movimento, participaram políticos que fizeram carreira na base de apoio dos militares, como o então presidente do PDS, senador José Sarney (MA), e os ex-governadores Marco Maciel, de Pernambuco, Aureliano Chaves, de Minas Gerais, Antônio Carlos Magalhães, da Bahia, e Jorge Bornhausen, de Santa Catarina.

A Frente Liberal e o PMDB fizeram, então, um acordo político batizado de Aliança Democrática para apoiar a candidatura de Tancredo, que renunciou ao governo de Minas Gerais para concorrer ao Planalto. Em 15 de janeiro de 1985, o moderado político mineiro, com José Sarney na vaga de vice, foi eleito presidente da República.

Para integrar a chapa, o político do Maranhão saiu do PDS e filiou-se ao PMDB, pois a legislação eleitoral exigia que fossem da mesma legenda. O regime militar chegava ao fim.

5 – Morte de Tancredo e Constituinte Em fevereiro de 1985, Ulysses foi eleito presidente da Câmara. Na noite do dia 14 de março de 1985, véspera da posse no Planalto, Tancredo foi hospitalizado com fortes dores no abdome. A gravidade da doença impediu que o presidente eleito tomasse posse no lugar do general João Figueiredo, sucessor de Geisel.

O fato inesperado levou Sarney a assumir a Presidência da República. Primeiro, interinamente, enquanto Tancredo permaneceu hospitalizado. Com a morte do titular, em 21 de abril de 1985, o político maranhense foi efetivado no cargo.

Sarney governou, inicialmente, com a equipe montada por Tancredo. Desde o primeiro dia de governo, disputou poder com Ulysses, poderoso na Presidência da Câmara. O Brasil permanecia com economia estagnada e com a inflação alta.

Para enfrentar a crise, Sarney baixou em fevereiro de 1986 o Plano Cruzado, pacote econômico que, ente outras medidas, decretou o congelamento dos preços dos produtos. O efeito imediato foi positivo e os brasileiros viveram meses de felicidade com a inflação baixa.

Como parte da promessa de redemocratização do país, deputados e senadores eleitos nessa disputa chegaram a Brasília com a tarefa de elaborar uma nova Constituição. A sensação de estabilidade levou a população a votar em peso nos candidatos do PMDB em 1986.

Nesta disputa, o partido elegeu 22 governadores nos 23 estados existentes na época. Na Câmara, o partido ficou com 260 vagas e, no Senado, somou 44 parlamentares, um total de 304 congressistas.

Com esse peso, o PMDB ocupou os principais cargos da República. Além de Sarney, no Planalto, Ulysses foi eleito para mais um mandato no comando da Câmara e Humberto Lucena (PB) para a Presidência do Senado.

Instalada em 1987, a Assembleia Nacional Constituinte elaborou uma nova Carta Magna para o país, promulgada em 5 de outubro de 1988. Eleito suplente, Michel Temer exerceu o mandato.

Enquanto funcionou, Ulysses acumulou quatro cargos na cúpula do poder, situação que lhe rendeu o apelido de “tetrapresidente”. Nesse período, ele presidiu a Câmara, a Constituinte, o PMDB e, na ausência de Sarney, assumia a Presidência da República.

Este período marcou o auge do PMDB no poder.

6 – Eleições de 1989, impeachment e a “CPI dos Anões” O fracasso no Plano Cruzado provocou o retorno da inflação e tornou Sarney impopular. Escolhido candidato pelo PMDB, Ulysses obteve menos de 5% dos votos e ficou em sétimo lugar.

O vencedor foi o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello (PRN), com o senador Itamar Franco (PRN-MG) como vice. Ambos pertenceram ao PMDB.

Denúncias de corrução levaram ao impeachment de Collor dois anos e meio depois de chegar ao Planalto. Itamar assumiu o cargo e seu antigo partido voltou ao poder.

Em 1993, outro escândalo de corrupção mexeu na cúpula do poder. Um grupo de deputados que dominava a Comissão Mista de Orçamento foi investigado pela CPI dos Anões, apelido da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou os desvios de dinheiro praticado por congressistas de diferentes partidos.

A comissão pediu a cassação de 18 parlamentares. Desses, seis foram cassados e quatro renunciaram. Entre os atingidos pelas denúncias, estavam dois pemedebistas de peso: o ex-presidente da Câmara Ibsen Pinheiro (RS) e o líder do partido, deputado Genebaldo Corrêa (BA).

Ibsen foi cassado e Genebaldo renunciou ao mandato. Um dos acusados que escaparam da cassação foi o jovem deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que no futuro será um dos símbolos da corrupção no país.

A CPI dos Anões foi o primeiro episódio a exibir ao país a estreita ligação do PMDB com a corrupção sistemática.

7 – Governos FHC e Lula Nas eleições de 1994, o PMDB lançou como candidato a presidente o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia. O sucesso do Plano Real, deu a vitória a outro ex-integrante do partido, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-ministro da Fazenda, responsável pelas medidas que acabaram com a inflação na gestão Itamar.

Desgastado por denúncias de corrupção e sem discurso para superar o Plano Real, Quércia ficou em quarto lugar, com menos de 5% dos votos. Mas o partido continuou expressivo no Congresso, com 103 deputados e 23 senadores, e também nos estados, com nove governadores.

Dividido em relação ao governo FHC, o PMDB permaneceu decisivo no Congresso. Michel Temer presidiu a Câmara de 1997 a 2001 e, no Senado, o partido também permaneceu como a principal força política.

Nessa época, o partido voltou a protagonizar escândalos de corrupção. Em 2001, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou à Presidência do Senado, depois de acirrada briga com o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), por envolvimento em desvios de dinheiro do Banco do Estado do Pará.

Com a eleição para presidente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002, o PMDB ficou um tempo fora do governo federal. O escândalo do mensalão, de 2005, fragilizou a administração petista e setores do PMDB, puxados pelo ex-presidente Sarney e pelo senador Renan Calheiros (AL), deram apoio a Lula.

No segundo governo do PT no Planalto, o PMDB integrou o governo.

8 – Governo Dilma e impeachment O PMDB indicou Michel Temer para a vaga de vice na chapa da petista Dilma Rousseff na eleição de 2010. A dobradinha vitoriosa se repetiu em 2014.

No segundo governo Dilma, as relações entre a petista e o pemedebista se deterioraram. Temer reclamava de isolamento e chegou a escrever uma carta para a presidente com reclamações sobre o fato de não participar das decisões de governo.

Ao mesmo tempo, o então vice estreitava as relações com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto de Dilma. O afastamento da petista se agravou e, em 2016, Temer tomou posse no Palácio do Planalto (foto em destaque) depois de participar da articulação que levou ao impeachment da petista.

9 – O MDB volta ao Planalto Assim, depois da posse de Sarney no lugar de Tancredo, o MDB voltou ao poder com Temer sentado na cadeira presidencial na vaga com a cassação de Dilma. No comando do país, o político paulista corrigiu erros na condução da economia e segurou a inflação que ultrapassara os dois dígitos anuais.

Temer legou para o governo os amigos que sustentaram sua trajetória na Câmara, onde cumpriu três mandatos como presidente. Entre eles, alguns notórios envolvidos com denúncias de corrupção, como o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o deputado Geddel Vieira Lima. Ambos perderam o cargo por causa de denúncias e saíram da Esplanada diretamente para a cadeia.

Na Presidência, Temer sofreu duro golpe em 2017 com a divulgação de gravações de conversas que teve com o empresário Joesley Batista na garagem do Palácio do Jaburu, onde continuou morando depois de assumir o Planalto. Os diálogos serviram de base para acusações que quase derrubaram o presidente.

Neste mesmo ano, o partido retomou a antiga sigla, MDB. Ainda influente no Congresso e com amigos no Judiciário, Temer manteve-se no cargo depois de escapar de dois pedidos de abertura de processos de impeachment e de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. Assim, ele conseguiu terminar o mandato-tampão e passar a faixa presidencial para Jair Bolsonaro (PSL), eleito em 2018 para o Palácio do Planalto.

10 – A prisão de Michel Temer Oitenta dias depois de deixar o governo, Temer foi preso em São Paulo, acusado de chefiar uma quadrilha. A cena do carro do ex-presidente cercado por policiais armados sacramentou a derrocada do MDB.

Com bancadas de 34 deputados e 13 senadores, o partido perdeu a força que manteve no Congresso, com altos e baixos, desde a redemocratização. Depois de viver o auge durante a Constituinte, quando teve hegemonia no Congresso e no Planalto, o velho MDB perdeu até mesmo a Presidência do Senado – cargo quase cativo do partido nos últimos 35 anos – depois da derrota de Renan Calheiros para Davi Alcolumbre (DEM-AR).

A decadência do partido abre espaço para a renovação da cúpula. Na presidência da sigla, o ex-senador Romero Jucá, outro símbolo da corrupção no partido, perde força para continuar no posto. Nessas circunstâncias, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, movimenta-se para substituí-lo – ou para indicar alguém de sua influência.

Em reunião da Executiva Nacional realizada na última terça-feira (20/3), Ibaneis colocou-se na briga interna defendeu a expulsão dos filiados presos. Na opinião do governador do DF, o MDB “está se diluindo”. Pelo poder um dia desfrutado pelo partido, pode-se dizer que ele tem razão.

Jornalista: Eumano Silva

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