Mais Notícias - Esperada por governo e clínicas, vacina indiana ainda depende de aval da Anvisa - Notícias
« 1 (2) 3 4 5 ... 3793 »
Mais Notícias : Esperada por governo e clínicas, vacina indiana ainda depende de aval da Anvisa
Enviado por alexandre em 22/02/2021 08:53:24


A vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos foi batizada de
A Covaxin, vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos
Foto: Reprodução/Bharat Biotech

O Brasil cogita fechar nos próximos dias acordo para a utilização no país de mais duas vacinas contra a Covid-19, a russa Sputnik V e a Covaxin, desenvolvida na Índia pelo laboratório Bharat Biotech. Além do acerto financeiro, os imunizantes dependerão ainda da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação na população.

Na noite da última sexta-feira (19), o governo publicou uma edição extra do Diário Oficial da União com dois extratos de dispensa de licitação para a compra das vacinas. O documento assegura R$ 693,6 milhões para a compra da vacina russa e R$ 1,614 bilhão para a indiana. 

Em nota enviada à CNN, o Ministério da Saúde afirma que planeja, nos próximos dias, assinar contrato com a Precisa Medicamentos, que poderá trazer ao Brasil, entre março e maio, mais de 30 milhões de doses da Covaxin, além de 10 milhões de doses da vacina Sputnik V.

A vacina indiana está aguardando autorização da Anvisa para realizar os estudos clínicos da fase 3 no Brasil. As análises serão conduzidas pelo Instituto Albert Einstein. A novidade despertou interesse nas clínicas particulares brasileiras, que já entraram em contato com a empresa para compra de doses.

A Anvisa se reuniu com representantes do Bharat Biotech, da Precisa Farmacêutica – representante do laboratório indiano no país - e do Hospital Albert Einstein para discutir a melhor estratégia para a submissão formal do pedido de estudo clínico da Covaxin no país.  

“Esta iniciativa de reuniões prévias para troca de informação tem o objetivo de dar agilidade às análises e garantir que a pesquisa que será feita no Brasil seja capaz de produzir dados cientificamente válidos sobre segurança e eficácia da vacina”, informou a Anvisa.

O que se sabe sobre a Covaxin

A Covaxin é uma vacina para o combate ao Sars-CoV-2 de duas doses. O imunizante é produzido a partir de vírus inativado. 

A vacina é desenvolvida na Índia pela Bharat Biotech em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) e o Instituto Nacional de Virologia (NIV), com apoio da Fundação Bill & Melinda Gates. 

Segundo os fabricantes, o laboratório possui capacidade instalada de produção de 300 milhões de doses anuais.

Entre as vantagens do imunizante está a conservação, já que pode ser armazenada em temperaturas que variam de 2ºC a 8ºC. Além disso, de acordo com a Bharat Biotech, a vacina se mostrou eficaz em testes contra a nova variante britânica do vírus.

Frasco da Covaxin, vacina contra Covid-19 da indiana Bharat Biotech
Frasco da Covaxin, vacina contra Covid-19 da indiana Bharat Biotech
Foto: Adnan Abidi - 16.jan.2021/Reuters

Resultados apresentados

A Covaxin foi avaliada em ensaios clínicos nas fases 1 e 2, com resultados promissores de segurança e resposta imunológica, informou o laboratório à CNN.

“O desenvolvimento do produto e os dados dos ensaios clínicos obtidos até agora geraram cinco artigos científicos*, que foram submetidos a revistas internacionais e revisados por pesquisadores independentes”, afirma a Bharat Biotech.

A primeira fase de testes da vacina apresentou resultados de segurança e resposta imunológica dentro do esperado, de acordo com um estudo publicado em 21 de janeiro pela revista londrina "The Lancet", referência em publicações científicas no mundo. 

Uso emergencial na Índia

A publicação dos dados da fase 2 dos ensaios clínicos está sendo submetida ao processo de revisão por pesquisadores independentes. No entanto, segundo o laboratório responsável pela Covaxin, "os resultados até agora divulgados nos permitem manter o mais elevado grau de certeza na eficácia do imunizante”.

Após a apresentação desses resultados, em 3 de janeiro a Covaxin foi recomendada para uso restrito em situação de emergência por um painel nomeado pelo governo indiano, que submeteu suas descobertas ao Drugs Controller General of India, a Anvisa do país.

Desde então, a Índia ampliou o uso da Covaxin em seu programa de imunização em massa, que teve início em 16 de janeiro e aplicou 5 milhões de doses da vacina em profissionais da área da saúde, segundo a Precisa Medicamentos.

Em que fase estão os testes?

Os ensaios clínicos de fase 3 da Covaxin começaram em meados de novembro de 2020 e estão hoje na reta final, com 26 mil voluntários em toda a Índia.

A Precisa Medicamentos, representante do laboratório no Brasil, assinou um termo de cooperação científica com o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein para realizar no país os estudos complementares de fase 3 da vacina. Os testes devem ser iniciados imediatamente após o aval da Anvisa..

Interesse privado

O governo federal incluiu a Bharat Biotech no Plano Nacional de Imunização divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro.

“Ainda no ano passado, o Ministério da Saúde convidou representantes da Bharat Biotech para uma apresentação sobre a vacina - assim como fez com outros fabricantes. Dessa apresentação surgiu um termo de compromisso, no qual a Bharat Biotech se compromete a atender a demanda do governo federal, após a aprovação da vacina pela Anvisa”, informou a Precisa Medicamentos.  

Também existe a intenção de fornecer a vacina ao mercado privado, após o atendimento da demanda do sistema público de saúde. Segundo a Precisa, a intenção é "atender principalmente empresas que necessitem imunizar seus colaboradores para, com isso, garantir o acesso a um número maior de brasileiros e permitir retomada mais rápida e segura da plena atividade econômica”.

“Tanto o fornecimento para o serviço público de saúde quanto ao privado dependem da regulamentação da Anvisa”, ressaltou a empresa.

O que especialistas dizem sobre a vacina

A CNN ouviu especialistas sobre o laboratório indiano Bharat Biotech, o histórico de produção de vacinas a baixo custo para países em desenvolvimento e sobre as semelhanças dessa vacina com a chinesa Coronavac, que já é aplicada no país.

De acordo com o imunologista Eduardo Nolasco, a vacina indiana utiliza o vírus inativado, como a Coronavac, entretanto, possui o acréscimo de uma importante molécula protetora contra o vírus. 

“Acrescentaram na vacina uma molécula que faz com que a resposta de linfócitos T seja aumentada. É o que a gente chama de resposta celular. É basicamente a formulação dela que difere da Coronavac, principalmente por conta desse indutor da resposta de linfócitos T", explica.

"Isso é muito importante porque já foi avaliado que a nossa principal resposta de defesa à Covid-19 é de linfócitos T, então eles acrescentaram essa molécula que vai aumentar a produção dessa resposta, que é importante e protetora, talvez até mais do que a própria produção de anticorpos”, completa.

O imunologista acrescenta que a Índia já responde por mais de 60% de produção de vacinas no mundo. “A Bharat Biotech participa ativamente dessa produção. Possui inúmeras vacinas conhecidas, como as vacinas contra raiva, coqueluche, mas talvez a mais famosa seja a Rotavac, que é uma vacina contra o rotavírus, que provoca bastante mortes nos países em desenvolvimento”, diz.

Segundo o médico, a Índia introduziu a Rotavac no seu programa de imunização em 2016 e tem mais de 35 milhões de doses fornecidas até o momento. “A RotaVac chegou a ser fornecida a países pobres por US$ 1, e esse valor ainda pode ser reduzido se for [pedido] uma grande disponibilidade de doses, então eles conseguem fazer bastante vacinas a preços acessíveis para esses países em desenvolvimento”.

Mas ainda que o laboratório se destaque na produção de vacinas, é preciso considerar a eficiência da distribuidora dessas doses no Brasil. É o que pondera o sanitarista e ex-diretor da Anvisa, Ricardo Oliva.  

“É preciso saber qual a experiência que a Precisa Medicamentos tem em importar vacinas, receber vacinas, fazer controle, distribuição. Uma coisa é receber da Fiocruz, com certeza fariam todo o controle necessário, o embarque, monitoramento no caminho, agora não sei se a Precisa tem competência para isso”, afirma Oliva.

Um dos fundadores e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto ressalta a importância da conclusão da fase 3, uma vez que a aprovação desta etapa na Índia não pode interferir na distribuição da vacina em outros países.

“O laboratório é um grande produtor de vacina e ainda exporta para o mundo inteiro imunizantes bastante tradicionais, como o que desenvolveu agora para a Covid-19. Porém, o fato de ela ter sido registrada pela agência de vigilância sanitária da Índia não significa nada”, afirma. “A vacina da Bharat Biotech tem o registro da Índia, lá ela pode e está sendo usada, mas para ser usada fora de lá, falta um estudo de fase 3, por exemplo”, diz Vecina.

O sanitarista Gonzalo Vecina Neto
O sanitarista Gonzalo Vecina Neto comenta sobre a possível utilização da vacina Covaxin no Brasil
Foto: Reprodução / CNN

*Os artigos citados pela Bharat Biotech são:

A Phase 1: Safety and Immunogenicity Trial of an Inactivated SARS-CoV-2 Vaccine-BBV152

Safety and immunogenicity clinical trial of an inactivated SARS-CoV-2 vaccine, BBV152 (a phase 2, double-blind, randomised controlled trial) and the persistence of immune responses from a phase 1 follow-up report

Remarkable immunogenicity and protective ecacy of BBV152, an inactivated SARS-CoV-2 vaccine in rhesus macaques

Immunogenicity and protective efficacy of BBV152: a whole virion inactivated SARS CoV-2 vaccine in the Syrian hamster model

Evaluation of Safety and Immunogenicity of an Adjuvanted, TH-1 Skewed, Whole Virion InactivatedSARS-CoV-2 Vaccine - BBV152

 

Mais Notícias : Brasil só terá resultado como o de Israel se vacinar idosos, diz especialista
Enviado por alexandre em 21/02/2021 13:11:30


Anna Satie, da CNN em São Paulo

Profissional de saúde aplica vacina em idoso no Rio de Janeiro
Profissional de saúde aplica vacina em idoso no Rio de Janeiro
Foto: Daniel Resende/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Os países que têm o maior índice de vacinação contra Covid-19 a cada 100 mil habitantes já veem os efeitos da imunização.

Em Israel, onde 47% da população já recebeu ao menos a primeira dose da vacina — o maior índice em todo o mundo —, os casos sintomáticos da doença causada pelo novo coronavírus caíram em 94%.

"Isso mostra, inequivocamente, que a vacina contra o coronavírus da Pfizer é extremamente efetiva, na vida real, uma semana depois da segunda dose, assim como mostraram os estudos clínicos", avalia Ran Balicer, presidente de inovações da Clalit, a maior provedora de serviços de saúde de Israel.

No Reino Unido, o primeiro país ocidental a iniciar a vacinação, onde mais de 16 milhões de pessoas já receberam a primeira dose, o número de novos casos de Covid-19 foi de 55 mil em 15 de janeiro para 9.700 em 15 de fevereiro.

O sucesso nesses países provoca o questionamento: quando o Brasil começará a ver efeitos semelhantes?

Para Carla Domingues, epidemiologista e ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização, só será possível observar resultados quando a população idosa for vacinada.

"O Brasil poderá ter o mesmo efeito se vacinar os idosos, como Israel e Reino Unido estão fazendo. Depois de 30 dias, veríamos uma diminuição importante da carga da doença", disse.

Ela explica que, neste primeiro momento – e com uma quantidade pequena de doses disponíveis –, a vacinação pretende reduzir o número de internações e casos graves, não a transmissão — o que requereria uma grande parte da população vacinada.

"Para diminuir o número de casos graves e óbitos, precisamos vacinar os idosos e pessoas com comorbidades", disse. "Nosso objetivo tem que ser atingir cobertura suficiente para evitar que as pessoas adoeçam".

De acordo com o Plano de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 do Ministério da Saúde, o grupo de pessoas com condições que podem agravar a Covid-19 soma 12,6 milhões de indivíduos. Mais a população idosa, estimada em 28 milhões pelo IBGE, o total seria de 40,6 milhões de pessoas.

Até o momento, 5,4 milhões de brasileiros receberam a primeira dose da vacina, de acordo com levantamento da CNN junto às secretarias estaduais. Esse número também inclui profissionais de saúde, indígenas, quilombolas e pessoas institucionalizadas, que fazem parte da primeira fase da vacinação.

Redução da transmissão

O microbiologista da USP (Universidade de São Paulo) Luiz Gustavo de Almeida afirma que, para observar uma queda na transmissão, seria necessário vacinar cerca de 75 a 80% da população. "Esse é o mínimo, a gente sempre mira vacinar quanto mais pessoas for possível", disse.

Ele explica que se a eficácia da vacina for maior, o número ideal pode cair. "Quanto maior a eficácia da vacina, menor o número necessário de pessoas vacinadas para começar a diminuir os casos. No caso da vacina da Pfizer, que tem 95% de eficácia, essa porcentagem pode ser de cerca de 60 a 65%", afirmou.

A estimativa, no entanto, não é unânime. Em entrevista à CNN, Carla Domingues destaca que ainda não se sabe se as porcentagens usadas para outras doenças podem se aplicar à Covid-19.

"No caso da vacina contra HPV, estima-se que se 70% da população entre 9 e 12 anos for vacinada, você obtém a imunidade [de rebanho]. Já no caso do sarampo, mesmo com a vacina tendo 95% de eficácia, é preciso uma cobertura vacinal de 95% para chegar à imunidade”, afirma.

(*Com informações de Murillo Ferrari, da CNN em São Paulo, e da Reuters)

Mais Notícias : Rússia aprova sua terceira vacina contra Covid-19, a CoviVac
Enviado por alexandre em 20/02/2021 21:27:29

A Rússia aprovou neste sábado sua terceira vacina contra o coronavírus para uso doméstico, afirmou o primeiro-ministro Mikhail Mishustin, na televisão estatal, embora testes clínicos em larga escala da dose, chamada de CoviVac e produzida pelo Centro Chumakov, ainda não tenham começado.

A Rússia já havia aprovado duas vacinas contra Covid-19, incluindo a Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, de Moscou, que seguiu uma abordagem parecida ao receber aprovação antes de ver resultados de testes finais.

As aprovações preventivas causaram preocupação entre alguns cientistas do ocidente, mas a Rússia começou inoculações em massa com essas duas primeiras vacinas apenas depois de os testes serem concluídos com sucesso.

 

A Sputnik V foi aprovada em agosto e os últimos testes começaram em setembro. A vacinação em massa foi lançada em dezembro, após resultados preliminares dos testes mostrarem que a vacina tinha 91,4% de eficácia.

Desde então, mais de dois milhões de russos foram vacinados com pelo menos a primeira dose da Sputnik V, afirmou o ministro da Saúde, Mikhail Murashko, em 10 de fevereiro.

A aplicação da segunda vacina, desenvolvida pelo Instituto Vector em Novosibirsk, está começando.

“Hoje, a Rússia é o único país que já tem três vacinas contra a Covid-19”, afirmou o primeiro-ministro Mishustin.

O Centro Chumakov, fundado em 1955 em São Petersburgo por Mikhail Chumakov, é conhecido pelo seu trabalho com o cientista Albert Sabin, no auge da Guerra Fria, que levou à produção da vacina contra o pólio.  

Mais Notícias : Capacete criado no CE pode reduzir internações em UTI por Covid-19 em até 60%
Enviado por alexandre em 19/02/2021 09:00:31


Elmo pode reduzir em 60% a necessidade de internação em UTI
Elmo, mecanismo de respiração artificial não invasivo, pode reduzir em 60% a necessidade de internação em UTI, de acordo com testes
Foto: Tatiana Fortes/Governo do Ceará

Com a alta de casos e internações causadas pelo novo coronavírus no Brasil desde o fim de 2020, voltou a crescer também a demanda por leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e por equipamentos como respiradores e ventiladores pulmonares.

Pensando em tratar pacientes com insuficiência respiratória, incluindo a causada pela Covid-19, pesquisadores do Ceará desenvolveram o Elmo, um mecanismo de respiração artificial não invasivo que pode reduzir em 60%, de acordo com a comprovação dos testes, a necessidade de internação em UTI e a intubação de pacientes com Covid-19.

Recentemente, a Secretaria da Saúde do Ceará doou ao estado do Amazonas – que enfrentou a partir das primeiras semanas de janeiro o momento mais grave da pandemia – 65 unidades do aparelho e capacitou profissionais da saúde para utilizá-lo em pacientes internados com o novo coronavírus.

Mas, afinal, como o Elmo funciona e por que ele pode ser uma ferramenta importante para desafogar os sistemas de saúde em todo o país?

O equipamento envolve toda a cabeça do paciente e é fixado no pescoço em uma base que veda a passagem de ar. Com a aplicação de oxigênio e ar comprimido, o Elmo gera uma pressão positiva (em relação à pressão atmosférica) que ajuda pacientes com dificuldade de oxigenação. 

Dessa forma, ele é indicado para o tratamento de pacientes com quadro clínico moderado, mas também auxilia casos que começam a evoluir para gravidade.

“A ideia do Elmo surgiu em abril de 2020, na primeira onda da pandemia aqui no Brasil, como uma iniciativa de várias instituições para achar soluções para a falta de respiradores e leitos”, explicou à CNN o médico pneumologista e intensivista Marcelo Alcantara Holanda, Superintendente da Escola de Saúde Pública (ESP) do Ceará e idealizador do Elmo.

“Mas, em vez de produzir um respirador mecânico do zero, algo que nunca foi feito no Ceará, coloquei essa ideia de fazer um capacete que pudesse ser uma interface, um dispositivo para administrar oxigênio com segurança ao mesmo tempo em que fornece uma pressão nas vias aéreas, facilitando a entrada e a saída de ar no pulmão que está doente”, completou.

Raul Gonzalez Lima, professor titular da Poli-USP, afirmou que, por ser desenvolvido com um material flexível, o capacete é benéfico para pacientes que precisam de fluxo contínuo de ar e oxigênio.

“Não tenho todos os detalhes da tecnologia do Ceará, mas quando você coloca pressão no material que eles utilizam isso aumenta o volume do capacete, que funciona bem para um fluxo contínuo de ar e oxigênio”, afirmou.

Força-tarefa pelo equipamento

Holanda destacou que foi montada uma força-tarefa que, só na fase de prototipagem, contou com a participação de mais de 40 pessoas entre pesquisadores, voluntários e equipe de apoio da ESP, da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de Fortaleza (Unifor).

"O Elmo surgiu do espírito solidário entre pessoas e instituições. Isso foi fundamental para uma ideia inovadora ser aplicada com êxito na solução de um problema grave"

Marcelo Alcantara Holanda, idealizador do Elmo


“Demos uma contribuição muito significativa e continuamos com novas ideias para melhorar a qualidade do equipamento, já que essa é, digamos, a versão 1.0”, afirmou Holanda.

“A tendência é que ele seja aperfeiçoado. Em Fortaleza o pessoal está muito empolgado para fazer melhorias progressivas e, à medida que o Elmo é usado em larga escala e colhemos dados, podemos aperfeiçoá-lo.”

Ele explicou ainda que, por não depender de respiradores, o equipamento tem um custo relativamente baixo – estimado entre R$ 1,2 mil e R$ 1,5 mil.

Além disso, o Elmo pode ser esterilizado e reutilizado em outros pacientes, além de aumentar a segurança dos profissionais de saúde, já que, por ser vedado, não permite a proliferação de partículas de vírus.

“Também é eficiente para outras situações em que o problema do pulmão for a oxigenação, como em pneumonias e outras situações comuns, como um edema pulmonar.”

Passo a passo da instalação do Elmo nos pacientes
Passo a passo da instalação do Elmo nos pacientes
Foto: Reprodução/Esmaltec

Autorização da Anvisa e produção em série

Depois de ser testado por cinco meses ao longo de 2020 em pacientes no Hospital Leonardo da Vinci, em Fortaleza – comprovando sua eficácia no tratamento de insuficiência respiratória –, o equipamento recebeu em outubro aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produção em escala industrial, que ficou a cargo da emprsa Esmaltec.

"Fomos convidados pela Unifor para integrar o time de desenvolvimento do capacete hiperbárico, através da parceria com pesquisadores, universidades e entidades de saúde e a nossa equipe de engenheiros fez o projeto dos componentes exclusivos e investimos em moldes de injeção específicos e únicos para esse produto”, afirmou Marcelo Pinto, diretor superintendente da Esmaltec, em nota.

A empresa afirmou que ficou encarregada pela parte fabril, pela comercialização e pelos registros de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o que foi feito em julho. Já a produção do Elmo foi iniciada em dezembro.

Também em dezembro, a Esmaltec doou 250 unidades do capacete de respiração para utilização na rede pública do Ceará. Desses, 200 foram destinados a hospitais públicos e 50 para a Escola de Saúde Pública (ESP). Neste ano, mais 300 aparelhos foram doados à Secretaria da Saúde cearense. Já a rede privada de saúde recebeu 100 unidades do Elmo.

Segundo a Pinto, a linha de produção da empresa tem capacidade para atender uma demanda de até 100 peças/dia – até o momento, já foram enviados mais de 700 unidades para secretárias e hospitais, das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

"Estamos recebendo consultas de vários hospitais e instituições da área da saúde de todas as regiões do pais. O grande desafio durante o processo foi garantir um equipamento acessível a todos, principalmente quando se compara com preços de ventiladores hospitalares que tem preços bem elevados", completou, destacando que o Elmo é comercializado por menos de R$ 2 mil.

"Nossa participação nesse projeto não busca a lucratividade, isso fazemos como fabricante de eletrodomésticos da linha branca. O que nos motiva com o Elmo é gerar valor à sociedade e contribuir para o bem estar das pessoas."

Uso no Amazonas

Depois de doar 65 unidades do equipamento para o governo do Amazonas – que devem beneficiar 10 unidades de saúde amazonense –, a Secretaria da Saúde do Ceará realizou, no começo de fevereiro, o treinamento de 74 profissionais de saúde amazonenses para usar o capacete de respiração assistida.

A fisioterapeuta e bolsista da ESP Ingrid Sá foi uma das três responsáveis pela capacitação de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, além de engenheiros clínicos no Amazonas. 

À CNN, ela destacou a parceria entre os dois governos e o interesse dos profissionais amazonenses em utilizar o Elmo nos pacientes com Covid-19.

“O Elmo será mais um recurso para ajudar [os profissionais do Amazonas] no tratamento dos pacientes com Covid-19. Além de não ser invasivo e ter baixo custo, acreditamos que ele será importante para ajudar nas internações”, afirmou.

Além da parte teórica sobre o funcionamento do aparelho, os profissionais passaram por uma simulação com um voluntário para experimentar o uso do capacete em situação próxima à realidade.

“Nossa orientação para eles foi que não deixem o Elmo para uso apenas em último caso e, sim, que o utilizem assim que a lista de recomendações [para uso do capacete] começar a ser preenchida”, explicou Sá.

Ela destacou ainda que foi criado um grupo focal por meio de um aplicativo de comunicação para que os profissionais no Ceará possam dar suporte durante os primeiros usos no Amazonas.

Para participar do treinamento, Sá, a também fisioterapeuta Betina Santos e a enfermeira Rebeca Bandeira foram imunizadas com a primeira dose da vacina contra a Covid-19.

Profissionais de saúde do Amazonas são treinados para usar o Elmo
Profissionais de saúde do Amazonas são treinados para usar o Elmo em pacientes com Covid-19
Foto: Djalma Júnior/SECOM/AM

À CNN, a Secretaria da Saúde do Ceará esclareceu que a doação dos aparelhos foi feita a pedido do governo amazonense. A pasta afirmou ainda que os hospitais que quiserem adquirir o Elmo devem entrar em contato diretamente com a empresa responsável.

Já a Secretaria de Saúde do Amazonas informou que recebeu 40 unidades do aparelho e que “está providenciando a distribuição delas entre as unidades da capital”.

Equipamento semelhante

Raul Gonzalez Lima é coordenador de uma parceria da USP com a iniciativa privada que desenvolve um capacete que, adaptado a um respirador artificial, dispensa o uso do tubo endotraqueal em pacientes internados em UTIs.

O aparelho, batizado de Escafandro, teve alguns protótipos testados ao longo de 2020, incluindo a produção de um lote piloto, mas ainda não entrou em produção em larga escala.

À CNN, Lima afirmou que a equipe está trabalhando na modificação de alguns subsistemas e na simplificação de seu uso. Ainda não há, porém, um prazo para a conclusão dessas modificações.

Ele explicou ainda que o Escafandro, por ser destinado a pacientes já internados em UTI, se difere do Elmo por ter como objetivo trabalhar com um fluxo pulsado de ventilação.

“Alguns pacientes estão com músculos da respiração fadigados e, portanto, precisam de um descanso. Para eles, a respiração pulsada ajuda muito, porque é uma pressão positiva que se impõe para entrar no pulmão e, com isso, os músculos acabam relaxando e descansando, o que é benéfico para sua recuperação.”

Mais Notícias : Profissional do RJ é a 1ª indiciada no país por falsa aplicação de vacina
Enviado por alexandre em 18/02/2021 09:34:24

A técnica de enfermagem suspeita de não injetar devidamente uma dose de vacina contra a Covid-19 em um idoso em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, é a primeira profissional no Brasil a ser indiciada criminalmente por não aplicar corretamente o imunizante. 

Durante depoimento nesta quarta-feira (17) ao delegado Luiz Henrique Pereira, responsável pela investigação, Rozemary Gomes Pita, 42 anos, não soube explicar por que injetou a vacina na seringa, mas não apertou o êmbolo para inserir imunizante no braço da idosa.

Profissional de saúde aplica vacina em idoso no Rio de Janeiro
Profissional de saúde aplica vacina em idoso no Rio de Janeiro
Foto: Daniel Resende/Enquadrar/Estadão Conteúdo

 A profissional foi flagrada pela família da idosa, no último dia 11, no drive-thru montado dentro do campus de uma universidade. Ela vai responder pelos crimes de infração de medida sanitária e peculato culposo.

Depoimento

A CNN teve acesso ao depoimento prestado pela profissional. Ao delegado, ela contou que foi chamada pela coordenadora de saúde do local de vacinação, e que essa funcionária lhe mostrou o vídeo do momento em que ela simulava aplicar a vacina no idoso.

Ao ser confrontada pelo delegado o que a levou fazer isso, Rozemary disse não saber “explicar a razão de não ter pressionado e êmbolo da seringa, e que nunca ocorreu tal falha”. 

Rozemary é técnica de enfermagem há 10 anos e foi contratada pela Fundação Estatal de Saúde, que é vinculada à prefeitura de Niterói. A administração municipal informou que a técnica foi demitida no dia seguinte. 

Familiares flagraram o caso

O flagrante foi feito por familiares de um idoso de 90 anos no posto drive-thru que fica na Universidade Federal Fluminense (UFF). O inquérito foi aberto depois que a polícia tomou conhecimento do caso através das redes sociais. 

Segundo a polícia, a seringa com a vacina não foi encontrada. 

Além da técnica em enfermagem, o delegado Luiz Henrique Marques também ouviu a coordenadora da fundação e o genro do idoso, que filmou a vacinação. 

Na declaração à polícia, a testemunha explicou o diálogo com a técnica e disse que, na hora, questionou se ela havia apertado a seringa, mas ela não respondeu e os liberou em seguida. 

Nas imagens gravadas, é possível ver que a técnica em enfermagem insere a agulha no   braço do idoso, perfurando-o, mas, em momento algum, aciona o êmbolo da seringa.

Em paralelo à investigação policial, o caso está sendo apurado pela prefeitura de Niterói. "Todas as medidas cabíveis serão tomadas. O protocolo determina que o Conselho Profissional de Enfermagem seja notificado. Fizemos isso nesta segunda-feira (15)", informou a assessoria do governo municipal.

« 1 (2) 3 4 5 ... 3793 »