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Política : ALIMENTOS EM ALTA
Enviado por alexandre em 09/09/2020 09:43:15

Governo planeja zerar tarifa para importar alimentos

Preocupado com o efeito do aumento de preços dos alimentos na popularidade do presidente Jair Bolsonaro, o governo quer zerar as tarifas de importação de alguns itens da cesta básica para facilitar a entrada dos produtos estrangeiros. Ontem, ao falar sobre a variação do preço do arroz – que disparou nas últimas semanas, com o pacote de cinco quilos chegando a custar R$ 40 em alguns sites (normalmente, é vendido a cerca de R$ 15) –, Bolsonaro disse que o governo prepara medidas para encarar a inflação dos alimentos e “dar uma resposta a esses preços que dispararam nos supermercados”. 

No Palácio do Planalto foi instalado um gabinete para informar o presidente sobre a variação dos preços dos produtos. Esse trabalho já estava sendo feito pelos ministérios da Economia e da Agricultura, mas Bolsonaro pediu para acompanhar mais de perto as oscilações dos preços, já que é cobrado pela rede de informações – principalmente nos grupos de WhatsApp.

O aumento das importações de alimentos por parte da China e a desvalorização do real ante o dólar encareceram os produtos básicos no País – e levou também a uma queda de braço entre os supermercadistas e a indústria de alimentos sobre o repasse do aumento de custos para os consumidores.

A alta acontece justamente no momento em que o auxílio emergencial, pago a desempregados e trabalhadores informais e responsável pelo aumento da popularidade do presidente durante a pandemia, foi reduzido à metade, de R$ 600 para R$ 300.

No fim do mês passado, já preocupado com o aumento dos preços, o Ministério da Agricultura defendeu zerar as taxas de importação do arroz, trigo e soja. A alíquota de importação de países de fora do Mercosul é de 12%, no caso do arroz, e de 8%, para soja e milho. A medida, porém, precisa do aval da Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Não há data de quando o tema será tratado.  Continue lendo

Analistas refizeram as contas e preveem, agora, inflação dos alimentos acima de 10% neste ano, resultado pelo menos quatro vezes superior às estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que variam entre 2,3% e 2,5%. 

Com isso, a população de mais baixa renda, que destina quase 80% dos recursos disponíveis para a compra de alimentos, será a mais prejudicada. Muitas famílias, inclusive, já estão retirando do carrinho de supermercado uma série de itens básicos — a quantidade de arroz, feijão e carne diminuiu bastante. 

Como não veem mudança nesse quadro tão cedo, os analistas afirmam que o IPCA de 2021 voltará a se situar entre 3% e 4%, elevando o desafio do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 2% ao ano, o menor nível da história. Os mais pessimistas, acreditam que a Selic poderá subir já neste ano. 

Tropa de choque de Bolsonaro 

A disparada dos preços dos alimentos não atormenta apenas os consumidores. O Palácio do Planalto já identificou que a comida mais cara está começando a impactar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que vem subindo gradualmente, principalmente, entre os eleitores de renda mais baixa. 

Não à toa, o Planalto montou uma tropa de choque para monitorar a alta dos preços dos alimentos e para acompanhar todas as medidas que vêm sendo tomadas pelos ministérios da Economia e da Agricultura a fim de conter abusos e de evitar desabastecimento. 

Segundo integrantes da equipe econômica, o momento exige um acompanhamento cuidadoso, mas não há nada de muito preocupante no horizonte. Um dos técnicos garante que o país está diante de um movimento passageiro, de reacomodação do mercado, já que o consumo cresceu além do esperado. 

“Com o auxílio emergencial de R$ 600, que injetou bilhões na economia, era natural supor que a demanda maior por alimentos pressionaria os preços. Mas vemos uma pressão momentânea, um choque passageiro”, afirma o técnico da equipe econômica.


Blog do Vicente

Apesar da promessa do presidente Jair Bolsonaro de que o governo agirá para conter a disparada dos preços dos alimentos, sobretudo do arroz, do óleo de soja, do feijão e das carnes, especialistas em inflação argumentam que o movimento de reajustes dos produtos básicos vai durar pelo menos um ano. A inflação dos alimentos em 2020 deve passar de 10%. 

Segundo os especialistas, há uma conjunção de fatores que justificam a disparada dos preços da comida. Além de o consumo de alimentos ter aumentado no país durante a pandemia, as compras da China dispararam e há produtos, como o arroz, que tiveram a área plantada reduzida para dar lugar à colheita de soja e milho. 

Os economistas explicam que, com a pandemia, muitas empresas da área de alimentos suspenderam parte da produção, mas, quando religaram as máquinas, encontraram uma demanda crescendo mais rápido do que a oferta. Esse descompasso inflou os preços de várias mercadorias, como leite e óleo de soja — esse produto também influenciado pela alta do dólar. 

China está comprando tudo o que vê pela frente 

A demanda maior por alimentos é uma tendência em todo o mundo, mas ainda mais forte na China, que está repondo estoques. O país asiático, por exemplo, teve que sacrificar quase toda a criação de porcos por causa de uma peste. Agora, enquanto os animais vão crescendo, compra tudo o que há de carne suína disponível no mercado mundial.  Continue lendo

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