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Política : PACIFICANDO
Enviado por alexandre em 22/05/2020 08:56:58

Rodrigo Maia abre o verbo durante live para jornalista nordestino confira

Leia na íntegra a live de Maia ao blog

Na entrevista que concedeu a este blogueiro, na noite de hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), abordou assuntos como as crises na saúde, na economia e na politica do País, o uso da cloroquina como medicamento indicado no combate ao coronavírus, as eleições municipais deste ano, o uso do fundo partidário na pandemia e a sua relação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), entre outros temas.

Segundo Maia, a maior crise enfrentada no momento é a na saúde. “Está todo mundo assustado. É lógico que vários casos são assintomáticos, mas não é brincadeira. Você pode pegar um que tenha uma ação diferente. A vida é o mais importante”, disse o presidente para completar: “Cabe ao governo gerar condições para que as empresas não entram em falência e depois, como a cidade, ao longo dos meses, possam reduzir o isolamento e ir voltando com suas atividades. Mas não pode ser prioridade em cima das vidas”. Confira abaixo a entrevista com Rodrigo Maia na íntegra:  

Blog do Magno: Houve o entendimento na reunião com os governadores. Realmente resolveram pacificar o país pra enfrentar essa pandemia?

Rodrigo Maia: Esse tem que ser o nosso objetivo, o diálogo, a harmonia e o enfrentamento ao Coronavírus. A reunião dos governadores com o Presidente e comigo é uma sinalização importante que tem muitas coisas que podem nos unir. Nós temos que tratar coisas que temos convergência, e não aquilo que nos divide. Temos um objetivo comum, que é salvar vidas, e também empregos e renda das pessoas mais simples.

BDM: O tom foi diferente da reunião de dois meses atrás. Estavam todos "desarmados", não é verdade?

Maia: É verdade. Como a outra foi difícil e essa foi de muita harmonia, acabou gerando uma surpresa a todos.  Conseguimos passar segurança para a sociedade, nessa reunião organizada pelo Presidente da República.

BDM: Estamos enfrentando uma tríplice crise, na saúde, na economia e na política?

Maia: Sim. O vírus já nos atinge na questão das vidas e dos empregos, e também a questão da renda. Ainda temos a questão da política. A política não pode ser um protagonista nesse momento. A política tem que construir soluções para que possamos garantir estruturas para prefeitos e governadores pra que todos em conjunto possam enfrentar o coronavírus.

BDM: O senhor percebeu que o Bolsonaro foi diferente nessa reunião, querendo resolver os problemas?

Maia: Foi uma reunião com harmonia, diferente do que ele faz em entrevistas. Eu tenho uma boa relação nas reuniões com ele, o problema é que quando ele vai pra aquele cercadinho na entrada da Alvorada, às vezes ele agride, ataca, mas a reunião foi num tom muito positivo, e devemos manter. É importante que a gente possa trabalhar de forma articulada.

BDM: Bolsonaro diz que ataca por que há muita hostilidade ao governo dele. O que o senhor acha?

Maia: Olha, conflitos políticos são da democracia. Da mesma forma que o presidente pode receber um ataque, ele também reage com muita força. Eu acho que temos que olhar pra frente, pra resolver os problemas da população. Quando existe um ataque, existe uma reação. O que precisamos entender é que não podemos, por esse confronto, deixar de estar unido para salvar vidas.

BDM: Quando o senhor diz que as redes sociais do Presidente são duras, o que senhor quer dizer que os filhos dão essa orientação?

Maia: Não quero nem entrar muito nisso, mas elas são duras, todo mundo sabe. Há uma certa estrutura radical nas redes sociais. Não só da direita, mas da esquerda também. É um ambiente radicalizado no Brasil e no mundo. A impressão é de que é um terceiro turno. Quem ganhou parece que ainda está disputando e quem perdeu ainda quer disputar, o que faz a gente perder um tempão com coisas que às vezes nem são verdadeiras.

BDM: Quem é o principal culpado por isso?

Maia: Não tem culpado. O presidente foi eleito num formato. E os apoiadores utilizam o mesmo formato. Só que agora ele é presidente. Quando você está na oposição, não tem obrigação de unir o país. Mas quando você é, tem. Quando o clima está mais acirrado com governadores, deputados, prefeitos, acaba que fica uma situação de insegurança para a sociedade. O presidente foi eleito de forma legítima e cabe a ele essa articulação. Se ele não fizer, quem faz? 

BDM: Ele tem ido a manifestações na rua que pedem a intervenção militar. O que o senhor acha?

Maia: Isso foi muito criticado por todos. Tanto que na última manifestação, os Ministros se preocuparam em dizer que não existia nem faixas contra o Supremo, nem contra o Parlamento. Ou seja, eles não apoiavam essas manifestações. A gente sabe que ainda tem gente muito radical nessas manifestações, mas o importante é que o governo vem tentando construir uma relação que possa ser produtiva.

BDM: E a gente vê também faixas de "Fora Maia". Como o senhor vê isso?

Maia: Olha, a sociedade tem direito de manifestar. É normal. Um grupo critica, outro olha de outra forma. Sociedade é dividida, cada um pensa de uma forma, é um direito. Agora, é óbvio que manifestações de que falam em fechar Congresso ou fechar Supremo, não faz parte da democracia. E isso é muito ruim e grave.

BDM: Você acha que estava havendo muita tensão entre Judiciário, Congresso e Executivo?

Maia: Com certeza, nas semanas passadas, sim. Houve muito ataque e muita teoria da conspiração. Tem gente que chega no entorno do presidente e diz coisas que não existem. Inventaram que eu estava reunido com ministros do supremo, uma coisa que as pessoas inventam. A pessoa está lá no Palácio e acaba se envolvendo em coisas que não existem. O que a gente precisa é saber separar o que é invenção e o que é verdade. Manifestações contra o Congresso e ataques do Palácio contra o Congresso preocupam, mas não pode transformar isso em teses conspiratórias.

BDM: Isso me lembrou o Roberto Jefferson dizendo que o senhor era protagonista de um golpe contra o governo.

Maia: Você não acha que quando Roberto Jefferson defende um governo, ele mais atrapalha? Não tenho o que responder a ele. O que eu fico pensando é qual a razão de estimularem uma live do Roberto achando que ele tem credibilidade. Não ganha nada, informações falsas, que não agrega nada. A gente tem que pensar na sociedade. A emenda constitucional da guerra, por exemplo, que foi costurada dentro da Câmara, com o apoio de todos. Por sinal, queria agradecer à bancada de Pernambuco, que vem mostrando muita competência e qualidade.

BDM: Houve uma entrega de um pedido de impeachment com 400 assinaturas. O senhor vai dar início a esse processo?

Maia: Eu prefiro me reservar ao direito de não tratar sobre isso, pois nesse caso eu sou o juíz. E juíz não se manifesta.

BDM: O senhor usaria a cloroquina?

Maia: Recomendado por Bolsonaro não, pois ele não é médico. Mas se for por um médico, sim, ele que vai me dizer. Eu não posso chegar para a minha esposa ou para o meu pai e perguntar se devo usar, pois eles não são médicos. A minha opinião é que político não trata de prescrever remédio. Nem presidente, nem governador. Quem trata é médico. Qualquer coisa fora disso que não der certo, é perigoso. Se um médico disser para usar, use. Se não disser, não use. Pode ter efeitos colaterais graves. Ano passado por exemplo meu pai tomou um remédio para vertigem. Era pra tomar uma semana e voltar ao médico. Só que ele ficou um ano tomando e não voltou. No Natal do ano passado, caiu duas vezes. Ele fez o exame e era excesso de remédio contra vertigem. Poderia ter morrido porque se automedicou por um ano.

BDM: Duas medidas provisórias caducaram no Congresso. Uma em relação a balancetes de jornais, da desobrigação de fazê-lo e a outra da UNE da carteira online, o que o senhor tem a dizer?

Maia: A questão dos balancetes acaba em 2022. Nós já tínhamos aprovado uma lei. Então não cabia uma medida provisória, pois o presidente diz que àquela medida era pra prejudicar jornal A, B ou C. A câmara não pode votar um projeto que o presidente diz que está editando uma medida provisória pra prejudicar alguém, pois amanhã pode ser com a gente. As leis são feitas para beneficiar a sociedade. Então esse foi o motivo. Uma lei já tinha tratado desse assunto.

O segundo, não chegou para a Câmara. Foi para o presidente do Senado. O presidente manda instalar uma comissão mista. A medida provisória vai para a Comissão Especial. A Câmara só pode votar quando a comissão votar. Eu não posso fazer um relatório. Então a Câmara de deputados não tinha condição nem de tratar desse assunto. Não tinha condições de colocar em prática.

BDM: O que o senhor pode falar a respeito das eleições?

Maia: Nós temos um prazo para adiar para novembro ou dezembro. Não podemos correr riscos. É preciso ter o isolamento, então eu sei que poderemos ter problemas. O pior momento da pandemia pode ser agora em maio, junho ou até julho. Agosto deve começar a cair a curva. Então a gente pode começar em outubro, é isso que temos conversado. Prorrogar mandato, nem existe esse caminho. O que diz a constituição é que, não tendo eleição, assume alguém através da lei orgânica. Na cidade do Rio de Janeiro, assumiria o presidente do tribunal de contas, mas em outras cidades não tem essa previsão. Isso pode abrir uma lacuna muito grave. Hoje, é prorrogar mandato de prefeito e vereador. Amanhã, um governo forte - não esse governo, que não tem maioria no parlamento - mas um outro governo, com uma base de 380 deputados, ele resolve criar uma crise com a China e dá um golpe por dentro do parlamento, protegido por uma decisão de agora. Mas, por outro lado, vamos dizer que a pandemia continue até novembro. Aí quando a gente for fazer a eleição, talvez colocar pra começar de 7 da manhã e acabar de meia-noite... coloque os idosos pra votar por 3 ou 4 horas, pegar escolas menores. A eleição não pode ampliar a contaminação.

BDM: Eu vi um "meme" na Internet de um rapaz dizendo que não pode ir a Shopping, não pode tomar banho de praia, mas pode ter eleição?

Maia: Mas a gente está discutindo o adiamento. Talvez em outubro não dê pra fazer, mas talvez em 15 de novembro, sim. Ou no primeiro domingo de dezembro. A gente está estudando alternativas de diversos países. Coreia do Sul, Chile, cada país está olhando de um jeito e vamos ver o caminho mais compatível.

BDM: E as questões de campanha. Campanha o candidato vai para a rua, pega na mão do povo... como vai ser?

Maia: Isso vai acabar. Vai ser uma nova forma de fazer campanha. O mundo vai mudar. Brasileiro não tinha hábito de usar máscara. Mas as pessoas na Ásia tinham. As relações vão mudar, não só nesse ano, mas nos próximos. A curva precisa achatar para a gente continuar vivendo. Se não tiver vacina nos próximos 12 meses, como vamos fazer em relação aos idosos? Vamos pegar experiências internacionais para que possamos usar ao nosso favor.

BDM: O dinheiro do fundo partidário não deveria ser usado para a pandemia?

Maia: Já foi usado. Todo o recurso que tinha no caixa está sendo usado. Por isso foi criada uma PEC, para usar tudo. Vai ser ter um déficit de 600 bilhões de reais. Nós já conseguimos pra saúde uma medida provisória 909, que o dinheiro ia todo para o Banco Central e transferimos todos os 9 bilhões para a pandemia. Pegamos as emendas de bancada e o governo autorizou a transferir de outros ministérios para a saúde. Essa semana tem mais uma MP de 10 bilhões. Mas a prerrogativa é exclusiva do Presidente de transferir recursos. A constituição veda o Parlamento de fazer essas mudanças.

BDM: O senhor acha que o governo pode fazer algo para manter o auxílio dos 600 reais?

Maia: Essa ajuda, o governo tinha feito de 200 reais, nós passamos para 500 e em conjunto chegamos a 600. Nós queremos atender a população. O valor é grande. Vamos estudar caminhos, ver recursos que estão mal distribuídos e melhorar o gasto do orçamento público. Tem muitas coisas que podemos pensar em propor ao governo. Acho difícil o governo consiga fugir da necessidade de manter o auxílio. Talvez seja importante pegar todos os programas de proteção de emprego e renda e juntar tudo e criar um único programa de renda mínima que seja permanente. E que tenha lastro orçamentário para que depois a gente consiga pagar.

BDM: O senhor disse que o governo não tem maioria no congresso para aprovar o que quer. A base é instável?

Maia: O presidente fez muitas críticas ao parlamento e aos deputados. Tem uma parte dos partidos de centro e centro direita, PSDB, DEM, Cidadania, entre outros. O DEM não é centrão. O DEM foi oposição de Lula e Dilma por 13 anos. Nós fizemos parte da base do presidente FHC e Temer. Não fazemos base a Bolsonaro, nem a Dilma e Lula. Nós temos a nossa posição. Pauta de reformas, voto independente. A gente vota nessa agenda de ajuste fiscal e dos gastos públicos.

BDM: Mas Mandetta era do DEM. Ele foi indicado pelo DEM

Maia: De jeito nenhum. O próprio presidente fez questão de dizer isso. Ele fez uma composição para garantir a governabilidade. Acho inclusive que Mandetta estava indo muito bem, tendo a confiança da sociedade. O presidente acabou atacando com mais força, misturou coisas que não faziam sentido. Mandetta foi um grande ministro. Mas as relações ficaram estremecidas. Espero que em breve seja nomeado o novo ministro que entenda da área de saúde, pois não podemos ficar com um interino

BDM: Quando foi que o presidente atacou o senhor?

Maia: Foi aquele na CNN. Como se eu tivesse conspirando para querer derrubar o governo. Não tem nada disso. Todas as propostas do Governo que foram na linha de melhorar a economia foram aprovadas. Agora, o direito a crítica, todos nós temos.

BDM: O senhor disse em uma entrevista que o Paulo Guedes não era uma pessoa séria?

Maia: Sim, foi naquele debate em que Pernambuco acabou perdendo 113 milhões. Aquele conflito federativo com governadores iria gerar uma paralisia da máquina dos municípios e estados e nós fizemos esse enfrentamento. Quando nós fomos conversar com o governo, elas não quiseram oferecer nem um real ao Estados, depois ofereceram 14 bilhões, e numa articulação no Senado, se conseguiu os mesmos 60 bilhões, nós estávamos defendendo. Agora, a forma de distribuição não foi a que eu defendi. E ele nos atacou de forma absurda. E eu respondi dizendo que não era uma coisa séria o que ele estava fazendo. Nós tanto estávamos certos, que depois o Senado aprovou um valor igual ao nosso. E hoje o Presidente anunciou a sanção do projeto.

BDM: O senhor acha que o governo não reconhece o esforço do senhor pela reforma da previdência?

Maia: Claro que não reconheceu. Mas não foi pro governo que eu fiz. Eu fiz pela certeza de que eu estava fazendo o melhor para o Brasil. Nós estávamos na seguinte situação: o sistema previdenciário iria inviabilizar o país. E ia desorganizar a dívida pública. Com isso, investidores vão embora e nossa economia volta a cair. Fiz pela convicção que tenho que aquele projeto organizava a previdência. Continuo defendendo a reforma administrativa, pra melhorar o gasto público. De cada 100 reais, 94 são despesas obrigatórias. Votamos o PLN8, que é a regra de ouro. Você só pode emitir dívida para investimento. Ano passado foram 240 bilhões, esse ano 320 milhões, que nós estamos usando para manter a máquina pública viva

BDM: O regimento da casa não permite que o senhor seja candidato a reeleição. Você pode fazer algum movimento para isso?

Maia: Eu respeito a constituição. Ela não vai ser modificada. Eu tenho orgulho de ter aprovado bons projetos. Se a constituição me limita, eu respeito. Agora, o governo tem direito de ter o candidato dele. E na hora certa eu vou construir algum nome que tenha perfil para aglutinar.

BDM: A postura que o senhor tem em relação ao impeachment, é a mesma em relação aos inquéritos?

Maia: Se tiver alguma coisa nos inquéritos, o procurador oferece a denúncia. Ai eu sou obrigado a abrir prazo de 5 sessões depois colocar no plenário. São formatos diferentes. Eu não tenho nada a ver com o inquérito que está no Supremo. Não quero fazer juízo de valor.

BDM: Em relação ao Centrão, ele já teve indicações para o governo. A tendência é que ele tenha mais espaço?

Maia: Eu não tenho participado dessa articulação. O governo tem o direito de ter diálogo com os partidos, para compor uma maioria, uma base. É sempre ideal que quando o governo ganhe, ele construa a maioria, não necessariamente com cargos. Mas é uma forma de atuação e decisão do presidente. 

BDM: A sua relação com Bolsonaro e com o governo é protocolar?

Maia: Com o ministro Ramos tenho bola relação. Com o presidente já foi mais próxima e mais distante. Acho que a reunião de hoje foi muito boa. Não somos aliados, mas precisamos ter relações de respeito institucional

BDM: Em relação a ajuda para o Estados, o presidente disse que a Polícia está de olho nessa farra de dinheiro, já que muitas coisas estão sem feitas sem critério e sem licitação.

Maia: É papel da polícia. Se tiver indicações de coisas erradas, tem que fazer investigação e prender. Agora, não se pode deixar de ajudar, pela possibilidade de haver irregularidade. Tem que ter um sistema de controle e fazer funcional. É muito ruim pensar que alguém possa estar pensando em se beneficiar no meio de uma situação como essa. Deveria ter a condenação em dobro ou em triplo.

BDM: Há um excesso de intervenção do congresso?

Maia: É um erro histórico. Desde FHC, os próprios políticos acionam Ministério Público e Supremo. Nós transferimos o nosso podemos pra Supremo e Procuradoria. E aí quando a gente transfere, ele passa a ter atribuições que não são dele. Eu acho até que o Supremo tem tentado interferir menos. Eu responsabilizo 100% a político pelo excesso de poder do Supremo.

BDM: O Supremo proibir de o presidente nomear o comandante da PF não é demais?

Maia: Eu acho, mas na hora que proibiu Lula de assumir o ministério, os que estão no governo aplaudiram. Esse é o problema, quando é contra o adversário, se comemora, independente do mérito. Cabe diálogo para quem as coisas sejam resolvidas no parlamento. No caso do Lula, se o Moro não tivesse vazado os áudios, ninguém ia saber o que se passou. Tudo foi articulado. Ali, quem estava contra Dilma, aplaudiu. Mas gerou uma jurisprudência. A lei tem que valer para todos.

BDM: Como o senhor viu a saída de Moro?

Maia: Gerou uma crise política em meio a pandemia. Por isso eu nem me manifestei na época, pois a briga não era minha. Deixa para quem é responsável. É ruim, pois ele tem prestígio e já havíamos perdido o Mandetta. Cabe ao governo ter confiança nos novos ministros.

BDM: Você acha que o vídeo que está com Celso de Mello deve se tornar público.

Maia: Se olharmos para trás, sim. É o que aconteceu nos últimos anos. Se algum ministro precisar proteger alguma coisa, ou com relação a outras países, sim. Mas fora isso, é transparência total. Mas cabe ao ministro Celso de Mello.

BDM: Qual a maior crise? Saúde, economia ou política?

Maia: Da saúde, claro. Está todo mundo assustado. É lógico que vários casos são assintomáticos, mas não é brincadeira. Você pode pegar um que tenha uma ação diferente. A vida é o mais importante. Junto com isso, o cuidado com a economia. Cabe ao governo gerar condições para que as empresas não entram em falência e depois, como a cidade, ao longo dos meses, possam reduzir o isolamento e ir voltando com suas atividades. Mas não pode ser prioridade em cima das vidas.

BDM: Não é um desserviço nesse momento estarem falando em impeachment?

Maia: Olha, não quero julgar, mas PT, PSB, PDT, PCdoB e PSol tem ajudado fortemente na votação de projetos.  Eles estiveram presentes na PEC da Guerra, para aplicação dos gastos. A esquerda tem feito muito nesse momento. Mesmo quem quer o impeachment, tem nos ajudado muito.

BDM: Falta articulação ao governo Bolsonaro?

Maia: Eu acho que o governo decidiu, ele é um bom deputado e Victor Hugo tem aprendido. Tem melhorado. Tem um boato que ele vai cair, mas ele tem melhorado na articulação. É uma decisão do governo, mas quando se pega uma pessoa inexperiente, tem dificuldade. Mas ao longo do tempo todo mundo aprender E Victor Hugo tem aprendido.


Maia: “Quem não é médico não pode sugerir cloroquina”

Por Hylda Cavalcanti – Jornal de Brasília

O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na noite desta quinta-feira (21) que se contrair a covid-19 e Jair Bolsonaro lhe recomendar tomar cloroquina ele não tomará, pois “ninguém no país deve prescrever qualquer medicamento para os outros se não for médico”. Maia não seguiu adiante no comentário, feito horas após uma reunião com Bolsonaro e os governadores e tida como harmônica. De forma mais descontraída que de costume, ele disse que a crítica construtiva ao governo é importante, que muitas vezes se sentiu desconfortável em relação ao presidente e que a culpa do ativismo judicial, tão criticada por parlamentares e integrantes do Executivo, é culpa dos próprios políticos que anos atrás procuraram muito os tribunais para impedir a tramitação de projetos e atos do governo.

A entrevista de Maia foi concedida pela internet, numa live, ao jornalista Magno Martins, e acompanhada por vários jornalistas – inclusive a repórter do Jornal de Brasília. O presidente da Câmara também defendeu a importância de as eleições serem adiadas por poucos meses para que os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores não sejam prorrogados. Disse, ainda, que considera o seu partido, o DEM, muito diferente do Centrão e contou, de maneira diplomática, mas mantendo o tom de sempre, detalhes sobre suas divergências com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Rodrigo Maia só tentou desconversar uma única vez: quando perguntado sobre o motivo pelo qual não autoriza a abertura do pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Além das mais de 30 solicitações sobre o tema já protocoladas, nesta quinta-feira (21) um pedido coletivo foi entregue à Câmara por parlamentares de vários partidos e cerca de 400 entidades da sociedade civil organizada.      

“Não posso falar sobre esse tema porque como presidente da Câmara terei de atuar na questão como um juiz”, afirmou, tentando mudar de assunto. Quando a pergunta foi repetida em relação à possibilidade de um futuro pedido da Procuradoria-Geral da República de impeachment, a partir do inquérito que foi aberto para apurar interferência do presidente nas atuações da Polícia Federal, ele desconversou ainda mais. Disse que “aí se trata de outra questão”.

“Nesse caso vou ter de instalar o processo atendendo à ordem da PGR, mas são situações diferentes”, argumentou, sem maiores explicações sobre se vai considerar ou não os pedidos que estão na sua mesa desde o ano passado.

Momentos difíceis

Rodrigo Maia afirmou que já teve momentos difíceis com Bolsonaro e outros momentos mais amenos na relação com o presidente. Acha que boa parte dos problemas têm sido provocados por notícias falsas que circulam nos gabinetes do Palácio do Planalto e do Congresso que são levados ao presidente. E também, por fake news noticiadas diariamente nas mídias sociais.

“Lamento que isto esteja acontecendo num momento em que precisamos de união para trabalhar pelo país e ajudar as pessoas a se prevenirem dessa pandemia”, afirmou. Maia ressaltou que considera o exacerbamento observado nas redes sociais tão grave nos grupos de extrema direita como também nos de extrema esquerda. “O próprio presidente é bastante duro em vários posicionamentos, principalmente nas redes sociais e isso não é bom. Toda ação leva a uma reação”, opinou.

O presidente da Câmara lembrou, ao falar sobre a confusão entre Executivo e Judiciário por conta da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impedir a posse de Alexandre Ramagem na Polícia Federal, o caso do ex-presidente Lula.

“É engraçado. O que o Supremo fez foi o mesmo que já aconteceu no período da posse do ex-presidente Lula, que terminou não podendo assumir um ministério no governo Dilma Rousseff. E na época muita gente que está reclamando agora, achou bom”, frisou.

Em outro momento em que demonstrou desconforto, Maia foi contundente ao afirmar que seu partido o DEM, não tem semelhanças com o Centrão, que está fazendo articulações com o governo para aumentar a base aliada de Bolsonaro no Congresso.

DEM e Centrão

“O DEM não é o Centrão. Com todo o respeito aos partidos que fazem o bloco, mas o Centrão costuma se articular por troca de cargos e nós não, tanto é que não participamos de todos os governos. Temos uma atitude programática e nunca fizemos parte dos governos de Lula, de Dilma e nem deste do presidente Bolsonaro. Participamos, sim, dos governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e de Temer”, pontuou.

Quando indagado sobre os ministros do DEM no governo, Maia afirmou que estes foram indicados por iniciativa própria de Bolsonaro levando em conta interesse pessoal dele em tê-los na equipe – até mesmo o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (demitido no último mês).

E que os cargos ocupados por estes integrantes do DEM nunca foram computados como uma vaga ocupada pela legenda no atual Executivo. São estes, além de Mandetta, Onix Lorenzoni (ex-ministro da Casa Civil, hoje titular do Ministério da Cidadania), a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, e o ex-ministro Osmar Terra, ex-titular da Cidadania.

Eleições

Rodrigo Maia aguarda a decisão do grupo que avalia a possibilidade de adiamento das eleições, mas adiantou ser favorável a que o pleito aconteça ainda este ano, para que os mandatos não sejam prorrogados. “Vamos tentar ver uma data adequada, mas o adiamento para 2021 só em última hipótese. Esperamos que, a partir de agosto, as coisas estejam melhores em relação à pandemia”, frisou.

“Estamos estudando a solução que vários países adotaram para realizar eleições nesta situação que estamos enfrentando. Nossa posição é que, prorrogando os mandatos, abriremos uma brecha para que no futuro, governantes que estejam com problemas para se reeleger arranjem algum pretexto para conseguirem ter seus mandatos adiados. Isso depõe contra a democracia do país”, disse.

O deputado falou de forma elegante sobre as divergências que teve com o ministro da Economia, Paulo Guedes, quando chegou a dizer, numa entrevista, que Guedes não era “um homem sério” e, sem citar explicitamente as palavras, manteve a existência das divergências.

Segundo ele, tudo aconteceu por conta do projeto de socorro aos estados e municípios com a pandemia e a votação da matéria – cujo conteúdo foi alterado na Câmara, mudado no Senado e o texto terminou sendo sancionado da forma como a Câmara queira inicialmente – mostrou que a intenção dele e dos parlamentares estava correta. “Mas o momento é de focarmos em ajudar o país e a população para combatermos esta pandemia”, reiterou.

Maia não sinaliza disposição por impeachment

Na live ao blog, há pouco, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não quis adiantar se aceitará o pedido para abertura do processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pedido hoje formalmente pelos partidos de oposição. “Sou o juiz, não posso falar”, alegou, ao sair pela tangente.

Ao longo da entrevista, Maia mostrou que está distanciado do Palácio do Planalto e admitiu que Bolsonaro cria muitas dificuldades na relação com o Congresso, e por isso mesmo o presidente não tem uma base sólida na Câmara e no Senado.

Maia também criticou o fato de Bolsonaro ter se aliado ao ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, alegando que essa aliança irá atrapalhar muito mais o Governo. Na live, o presidente da Câmara também negou que seja candidato à reeleição da Presidência da Casa, pois vai obedecer a Constituição que o impede de concorrer novamente. A íntegra da entrevista será postada em instantes.

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