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Regionais : Como o Japão mantém o coronavírus sob controle
Enviado por alexandre em 26/03/2020 00:52:05


Mãe coloca álcool em mão de criança na cidade de Iwate, no Japão, em 23 de março de 2020

Das cerejeiras que adornam as avenidas e parques japoneses, o coronavírus parecia estar bem longe no último fim de semana. Em todos os lugares, pessoas faziam piquenique sob o esplendor rosa, comiam, sorviam latas de cerveja e tiravam fotos diante dos brotos recém-florescidos.

 

Olimpíada de Tóquio é adiada para 2021, depois de pedido de primeiro-ministro do Japão
"Hanami, o contemplar das flores, é a coisa mais importante no ano para nós, japoneses", diz um animado funcionário do parque Ueno, em Tóquio.

 

O contraste com a Europa não poderia ser maior. O Japão tem apenas dez focos de Covid-19, registrando nesta terça-feira (24) 42 mortos e 1.166 infecções confirmadas. Apenas algumas dezenas de novos contágios são adicionados diariamente às estatísticas.

 

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Na verdade, esses números tinham tudo para explodir. Afinal, o país tem alta densidade demográfica, possui a maior proporção de idosos do mundo e um contato muito próximo com a vizinha China. Em janeiro, 925 mil chineses chegaram ao Japão, e em fevereiro, 89 mil.
No entanto, o governo demorou a tomar medidas mais rígidas. O primeiro-ministro Shinzo Abe fechou as escolas duas semanas antes das férias, e todos os eventos foram cancelados. Mas lojas e restaurantes permaneceram abertos, e não foram muitos os japoneses que começaram a trabalhar de casa.

 

Desconfiança do governo?


As estatísticas sobre a disseminação da Covid-19 inicialmente levantaram suspeitas de que a verdade estava sendo varrida para debaixo do tapete.

 

"Na época do desastre nuclear em Fukushima, o governo primeiramente não quis admitir o derretimento dos reatores. Isso fez com que haja atualmente muita desconfiança em relação às declarações oficiais", diz a socióloga Barbara Holthus, do Instituto Alemão de Estudos Japoneses, em Tóquio.

 

Apesar de ter capacidade para 6 mil testes por dia, o Japão fez apenas 14 mil exames, 20 vezes menos do que na Coreia do Sul, que foi duramente atingida pela pandemia.

 

"Apenas os pacientes com os sintomas mais severos são testados", informa o virologista Masahiro Kami, do Medical Governance Research Institute. "O número de casos não registrados é, portanto, muito alto", avalia. O cientista político Koichi Nakano acusa o governo japonês. "O primeiro-ministro Shinzo Abe quer retratar o Japão como um país seguro", diz.

 

Tais críticas são rejeitadas pela equipe de especialistas que assessora o Ministério da Saúde japonês. Em vez de realizar testes em âmbito nacional, a tática consiste em buscar onde existe acúmulo de infecções. Por exemplo, quando a doença foi detectada em uma escola primária, a ilha de Hokkaido, no norte do país, fechou todas as escolas e declarou estado de emergência. Após três semanas, o vírus parou de se espalhar.

 

"O pequeno número de testes deve garantir que os recursos sanitários permaneçam disponíveis para casos mais graves", analisa o cientista político alemão Sebastian Maslow, da Universidade de Tóquio.

 

Sem apertos de mão


Especialistas em Japão destacam outras características especiais: por um lado, o hábito de curvar-se para cumprimentar pessoas reduz o risco de infecção. Não há apertos de mão nem beijos no rosto. Por outro, desde a primeira infância, a população se atém, de maneira disciplinada, a regras básicas de higiene.

 

"Lavar as mãos, fazer gargarejos com solução desinfetante e usar máscaras fazem parte de nossa vida cotidiana. Para isso, não precisamos de coronavírus", relata uma japonesa, mãe de duas crianças.


Por isso que foi fácil para a sociedade se adaptar à nova realidade a partir de fevereiro. Desde então, desinfetantes para as mãos estão disponíveis em todas as lojas e entradas de empresas. Usar máscaras tornou-se uma obrigação civil.

 

Mesmo antes do novo coronavírus, os japoneses consumiam 5,5 bilhões de máscaras por ano, uma média de 43 por pessoa. Essa cifra saltou tanto durante a pandemia que as lojas ficaram sem estoque de máscaras. Novas remessas passaram a ser vendidas de forma racionada. Antes da abertura do comércio, as pessoas já esperavam pacientemente formando fila na porta das lojas. Muitos estabelecimentos passaram a oferecer pedaços de tecido e filtros de café com instruções para que os clientes fizessem suas próprias máscaras.

 

"Os japoneses aparentemente entenderam rapidamente que é uma infecção pode permanecer sem sintomas", afirma o executivo alemão Michael Paume, radicado no Japão. "Então, colocam a máscara para proteger os outros, a fim de não transmitir vírus."

 

"Máscara reduz risco de contágio"


O uso em massa parece desacelerar os vírus. É o que indica a queda acentuada no número de pacientes com gripe nas sete semanas posteriores ao surgimento do vírus Sars-CoV-2.

 

"As máscaras reduzem a transmissão de gotículas com material viral pelos seus portadores", constatam agora também cinco médicos ocidentais em um estudo, entre eles, Fabian Svara, do instituto de pesquisa Caesar, de Bonn, na Alemanha, e Matthias Samwald, da Universidade de Medicina de Viena.

 

Além do distanciamento social e da lavagem das mãos, o protetor para a boca pode desempenhar um papel importante na redução do contágio, segundo os cinco especialistas. Eles avaliam que o baixo número de infecções em países como o Japão comprova isso.

 

Em razão desse sucesso, o primeiro-ministro Abe Shinzo optou há uma semana por não declarar estado de emergência nacional. Desde então, os japoneses estão voltando lentamente à vida cotidiana normal. As escolas de reforço pedagógico voltaram a funcionar, as crianças sentam-se a uma determinada distância umas das outras em salas ventiladas. Os primeiros parques de diversões abrem, mas quem apresenta febre tem que ficar do lado de fora.

 

O governo, porém, teme uma segunda onda de infecções. Por isso, no início do novo ano escolar, em abril, só as escolas em áreas sem registro de casos devem reabrir. Eventos maiores continuam proibidos.

 

 

No entanto, a preocupação principal está no perigo apresentado por visitantes estrangeiros. Depois dos sul-coreanos, desde sábado são os cidadãos da União Europeia (UE) que estão impedidos de entrar no país. Só aqueles residentes no Japão podem entrar, mas todos os que chegam da Europa devem ficar em quarentena por 14 dias. Segundo informações não oficiais, as medidas devem vigorar inicialmente até o final de abril.

 

G1



Trump pede o fim do confinamento por coronavírus nos EUA


Presidente doa EUA Donald Trump conversa com jornalista no Fox News em entrevista virtual no dia 24 de março de 2020-AFP

O presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira que deseja aliviar o isolamento causado pelo novo coronavírus nos Estados Unidos e reativar a economia em três semanas, embora o governador de Nova York tenha avisado que a crise atingirá seu pico nesse período.

 

“Muitas pessoas concordam comigo. Nosso país não foi projetado para fechar”, disse ele à Fox News. “Pode destruir um país dessa maneira, fechando-o”, assegurou o presidente

 

“Eu adoraria ter o país aberto e realmente quero que seja para a Páscoa”, disse Trump nesta entrevista em um formato de programa de bate-papo. A Páscoa será em 12 de abril.

 

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Medidas de distanciamento social e quarentena foram instituídas em grande parte dos Estados Unidos, levando a uma queda acentuada da atividade na maior economia do mundo.

 

A campanha presidencial para as eleições de novembro foi outra vítima significativa da quarentena, já que vários comícios foram cancelados.

 

Especialistas em saúde apontaram que as medidas de isolamento e paralisação são a única maneira de impedir que a doença facilmente transmissível e com risco de vida se multiplique incontrolavelmente.

 

Trump pediu um período de observação de 15 dias que termina no início da próxima semana. Mas o presidente garantiu na terça-feira que as medidas foram exageradas.

 

“Perdemos milhares e milhares de pessoas por ano devido à gripe. Não fechamos o país” por causa disso, declarou.

 

“Perdemos muito mais do que isso em acidentes de carro. Não ligamos para os fabricantes de automóveis para dizer ‘Pare de fabricar'”, afirmou.

 

Horas depois, Trump parecia voltar atrás em seu objetivo de abrir o país na Páscoa, em uma entrevista coletiva com Anthony Fauci, o renomado especialista em doenças infecciosas que assessora o governo.

 

“Só o faremos se for positivo”, disse Trump, esclarecendo que a reabertura pode se limitar a uma “parte” do país, por exemplo, a algumas áreas rurais ou áreas do Texas e oeste dos Estados Unidos, onde a densidade populacional é alta. frequentemente baixo.

 

Em busca de um plano de estímulo 

 

O colapso da atividade e os alertas de uma recessão ou mesmo de uma depressão são um revés brutal para uma economia que estava bem até a crise, com a menor taxa de desemprego já registrada.

 

Líderes legislativos disseram nesta terça-feira que estão chegando à aprovação de um pacote de estímulo econômico de quase 2 trilhões dólares para empresas, hospitais e americanos comuns afetados pelo isolamento.

 

Republicanos e democratas estão negociando o texto há dias, mas as notícias de que um acordo está próximo ajudou elevar as ações em Wall Street, que fechou com uma alta de 11,37%, o maior índice desde 1933.

 

Esta seria a maior injeção de dinheiro na economia, superando em muito o resgate de 2008, quando a crise financeira global atingiu os Estados Unidos.

 

Trem bala

 

Mais de 700 pessoas morreram devido ao coronavírus nos Estados Unidos, que registraram quase 54.000 casos confirmados, de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins, usada como referência no país, nos Estados Unidos.

 

Os Estados Unidos são o país com mais casos no mundo, atrás da China e da Itália. Em contraste com o otimismo de Trump, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, alertou na terça-feira que o número de novos casos no estado está dobrando a cada três dias e atingindo “números astronômicos”. O estado já tem mais de 25 mil diagnósticos positivos, incluindo quase 15 mil na cidade de Nova York, o epicentro da pandemia no país.

 

Cuomo estimou que Nova York chegará ao ápice da crise em 14 a 21 dias, tornando imperativo obter mais leitos hospitalares, máscaras, respiradores e equipe médica o mais rápido possível.

 

Atualmente, o estado tem apenas 10 mil respiradores e precisa de mais 30 mil, disse Cuomo, desesperado, pedindo ajuda ao governo federal. Nova York tem 53 mil leitos hospitalares, mas precisa de 140 mil.

 

 Quem vem primeiro, economia ou saúde? 

 

Com sua campanha eleitoral suspensa, Trump está buscando uma saída da calamidade do novo coronavírus que permitirá que ele seja reeleito em novembro.

 

Um de seu maior orgulho, antes do surto do vírus, era a força da economia. “Não podemos perder a Boeing. Não podemos perder algumas dessas empresas”, disse Trump no programa da Fox na Casa Branca.

 

“Se perdermos essas empresas, estamos falando de centenas de milhares de empregos, milhões de empregos”, destacou.

 

No entanto, sua insistência em um rápido renascimento da economia acarreta o risco de que alguns acreditem que ele prioriza a riqueza em detrimento da sobrevivência dos doentes, principalmente os idosos, os mais vulneráveis.

 

O vice-governador do Texas, Dan Patrick, concorda com Trump. Segundo ele, que completará 70 anos em uma semana, os adultos dessa idade ou mais poderão cuidar de si mesmos.

 

 

 

“Não sacrifique o país”, clamou. “Minha mãe não é descartável”, disse Cuomo, que se tornou líder nacional em tempos de crise por suas entrevistas coletivas diárias.

 

Apesar das críticas à sua administração da pandemia, Trump continua a ter números fortes nas pesquisas. No último levantamento, feito pelo instituto de pesquisas de Monmouth, 50% das pessoas consultadas aprovaram o tratamento da crise, contra 45% que não aprovaram.

 

Istoé

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