Política : APOIO
Enviado por alexandre em 10/05/2019 08:45:06

Por que o PSL  desobedece o Planalto e abraça Moro

ÉPOCA

Sérgio Moro, ministro da Justiça, sofreu uma derrota nesta quinta-feira (09). A comissão que analisa a Medida Provisória 780 no Congresso resolver mandar de volta para o Ministério da Economia o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Moro queria que o órgão — voltado para detectar movimentações financeiras atípicas — ficasse na Justiça. A batalha foi perdida, mas a guerra continua, e o ministro ganhou aliados que nem mesmo imaginava.  

A bancada do PSL, teoricamente, deveria ser fiel ao Palácio do Planalto, onde trabalha o grande puxador de votos do partido — Jair Bolsonaro. Na tarde desta quinta, os parlamentares garantiram a fidelidade a Moro. “Não venderemos o Coaf ao centrão”, disse um dos líderes.   

Onyx Lorenzoni havia mandado uma mensagem clara à bancada por meio do líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO): não barrar a votação da MP na Câmara, que já havia sido pautada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele pediu ao delegado Waldir e ao Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara, para que a bancada, no máximo, fizesse destaques no texto para tentar manter o Coaf com Moro. Mas, sob nenhuma hipótese, que obstruísse votação ou que pedisse votação nominal.  

O que o PSL fez?   

A bancada governista derrubou a sessão. Valendo-se da palavra do deputado Diego Garcia, que é de outro partido, o Podemos, o PSL conseguiu com que Maia encerrasse a sessão que votaria a MP. O deputado pediu a palavra por uma questão de ordem e proferiu a Maia: colocar em votação a MP “é desleal com o Parlamento e com os parlamentares dessa Casa”. Maia entendeu que era ele quem estava sendo chamado de desleal e, sentindo-se ofendido, encerrou os trabalhos da Casa. “Vossa Excelência não tem o direito de me chamar de desleal. Vossa Excelência está tirando o Coaf do ministro [Moro] na tarde de hoje”.

Após o encerramento da sessão, deputados e senadores foram para o gabinete da liderança do PSL na Câmara discutir o que fazer após Onyx determinar aos parlamentares que assumissem a derrota. Foi uma reunião tensa, na qual os principais líderes da legenda não estiveram presentes. Nem Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, nem Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho zero três do presidente, participaram. 

A bancada não escondeu a chateação com o Planalto. Eles alegam que, em nenhum momento, Onyx, Joice ou Eduardo participaram da articulação para manter o Coaf com Moro. Além disso, questionam por que o Democratas, partido do ministro-chefe da Casa Civil votou junto do centrão, mandando o Coaf para a Economia. “Todo mundo se articula e o governo fica assistindo”, reclamou um outro membro do PSL.  

O que Moro tem que Bolsonaro não tem?  

Sem uma liderança próxima, os deputados resolveram se agarrar a alguns princípios que nortearam a eleição deles próprios. O combate à corrupção. Na reunião da tarde, chamaram deputados do Novo, da Cidadania e do Podemos para participarem. Mais agarrados a essa bandeira do que à própria legenda, eles disseram que não vão de entregar de bandeja o Coaf ao centrão sob a justificativa de conseguir um grande acordo.   

Moro representa a bandeira eleitoral de grande parte desses deputados. Ao ter um ministro fraco, os deputados acreditam que essa bandeira ficará também enfraquecida. “Querem tirar o Coaf e mandar a Funai para a Justiça para ocupar o tempo do Ministério. Não querem que ele foque no que ele é bom”, continuou a reclamar o parlamentar.


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Enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, explicava em seu gabinete os pontos da reforma da Previdência para a bancada do PSL, um deputado federal chamava a atenção da equipe econômica pelas perguntas e muitas anotações.

Parlamentar de primeiro mandato e neófito na política, o ex-ator Alexandre Frota (PSL-SP) ouvia atentamente às explicações e questionava o que seria essa tal de “capitalização” da Previdência que todos falavam. Inconformado com o termo “difícil”, conseguiu arrancar de Guedes uma explicação que acabou por rebatizar o programa: “é uma poupança garantida”. “Essa linguagem é mais popular, de fácil comunicação e boa de rua, de esquina”, sugeriu, naquele dia 2 de abril. Guedes passaria a usar o termo dali em diante.

Frota, vice-líder do PSL, vestiu a camisa de defensor da Previdência. Para participar da Comissão Especial que vai alterar as regras de aposentadoria, abriu mão da vaga que ocupava na Comissão da Cultura. “Tive de me afastar”, lamentou, frisando querer “dedicação exclusiva” para aprovar as mudanças na Previdência. Frota acompanha diariamente as divulgações sobre o tema pelo grupo de WhatsApp que mantém com a equipe econômica e a bancada do PSL.

Também se aproximou do secretário-adjunto de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, com quem traça estratégias de atuação no Congresso. A mais recente delas – baseada em tática de futebol americano com marcação “homem a homem” – mirou blindar Guedes de ataques da oposição durante audiência no Senado.

“Frota atuou como um verdadeiro gladiador e nos ajudou manter a calma na comissão”, defendeu o líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO). Coordenador da comissão especial da Previdência, Frota fez até mesmo a escolta do ministro até o banheiro quando ele saiu do plenário nos intervalos da audiência. A atuação de marcador do PSL lhe rendeu apelido de “Coach”.

A preparação é conquistada diariamente. Isso porque antes de “entrar” para a política, o carioca se aventurou por diversas carreiras: ator de filme pornô, diretor, modelo, comediante, jogador de futebol americano e até participou do reality show A Fazenda. “Acordo 4h30, ando no Parque da Cidade, tomo café, tomo banho e sou um dos primeiros a chegar na Câmara. Marco todas as minhas reuniões e visitas pela manhã, procuro me inscrever em tudo que posso, às 10h, tenho reunião geralmente com os técnicos do PSL e do governo para discutir pautas. Tento estar sempre preparado”, disse.

Esse desempenho o fez perceber a oportunidade de ganhar a confiança de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao garantir apoio do PSL para sua recondução à Presidência da Câmara. À época, Maia reconheceu a articulação do ex-ator por ter dialogado com Guedes e com o presidente da sigla, Luciano Bivar (PSL-PE).

Assim como aumentou o número de amigos no Parlamento, também conquistou inimizades. Foi apontado pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, como um político inexperiente e que “quer nomear todo mundo” na pasta. Questionado, admitiu ter indicado nomes para as seis secretarias da Cultura. Emplacou três. “Os outros ele não aceitou”.

Frota tem nas redes sociais um trunfo: possui 1,1 milhão de seguidores no Facebook, 163,4 mil no Twitter, e 149 mil no Instagram. Divulga por elas suas movimentações parlamentares.

Em fevereiro, ganhou destaque quando veio à tona a nomeação do amigo e personal trainer Jean Carlos Pereira Nunes como secretário parlamentar do seu gabinete, com um salário bruto de R$ 6,6 mil. Ele não viu problema nomeação. “Pior seria colocar alguém da família, que não é o caso, ou que não reunisse as condições para me ajudar. Trabalha de segunda a sexta. Tenho certeza que não irá correr com dólar na cueca ou com malinha de 500 mil reais”, disse.

De posições firmes e polêmicas, Frota também enfrenta resistência de colegas na Casa. “Ainda tem muito a aprender”, diz um líder mais experiente, que pediu anonimato. Indagado sobre a inexperiência, Frota não se intimida. “Tenho maturidade, com 55 anos de idade, acho que vou caminhar bem. Tenho essa casca grossa pra aguentar a turbulência”. Com informações do jornal O Estado de S.Paulo.

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