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Política : ABUSTRE
Enviado por alexandre em 10/11/2018 13:30:00

Eunício trata verba pública como dinheiro grátis

Josias de Souza

O senador Eunício Oliveira virou um personagem perigoso. Candidato à reeleição, sofreu um acidente. Os eleitores o atropelaram. Teve traumatismo eleitoral. Deveria estar no pronto-socorro reservado a velhos oligarcas da política. Mas seu mandato atual só termina em fevereiro. Por uma trapaça do destino, Eunício está sentado no trono de presidente do Senado. E transformou a pauta de votações numa xepa de feira.

Alheio à ruína fiscal que envenena o Orçamento da União e anestesia a economia brasileira, Eunício levou a voto um projeto que cria gastos e outro que reduz receitas. Aprovados, adicionaram ao déficit público um buraco extra de pelo menos R$ 6 bilhões por ano. Jair Bolsonaro torceu o nariz. Mas Eunício, numa entrevista ao Estadão, revelou que não aprendeu nada com o tranco dos eleitores. “Não estou preocupado se Bolsonaro vai gostar ou não”, disse Eunício, sem se dar conta de que a vítima de sua irresponsabilidade não é Bolsonaro, mas o Brasil.

Empresário, Eunício fez fortuna encostando seus negócios em cofres públicos. Numa conjuntura de crise, não concederia aos seus empregados o reajuste salarial que o Senado deu aos ministros do Supremo. E jamais privaria a caixa registradora de suas firmas das receitas que ajudou a tirar dos cofres da União na xepa em que os senadores serviram isenção tributária a fabricantes de automóveis. Eunício e outros zumbis que vivem seus últimos dias no Senado não notaram. Mas foi essa mania de tratar dinheiro público como se fosse dinheiro grátis que revoltou o eleitorado.

Reunião com Eunício é retirada da agenda de Bolsonaro



Bolsonaro tem enfrentado retaliações do Senado com votações de impacto nas contas públicas e sucessão para a presidência da Casa preocupa equipe

Estadão Conteúdo - Vera Rosa

Uma audiência de meia hora com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), entrou e saiu rapidamente da agenda de Jair Bolsonaro. O encontro entre os dois chegou a constar como "a confirmar" na lista de compromissos do presidente eleito para a próxima terça-feira, em Brasília. Nunca apareceu, porém, no diário de atividades de Eunício para o dia 13.

O presidente do Senado tem mandado recados de insatisfação ao futuro governo. Eunício não foi reeleito, mas sempre lembra que é dono de papel preponderante, como chefe do Congresso, até o fim deste ano. Diz, ainda, que terá influência na escolha do candidato à sua sucessão no comando da Casa, em fevereiro de 2019.

A pauta do Senado está sob a batuta de Eunício e a equipe de Bolsonaro tem receio de que parlamentares em fim de mandato incluam "jabuticabas" e "bombas" no Orçamento do ano que vem , ainda em discussão. No jargão político de Brasília, os dois termos são sinônimos de problemas à vista.

Após várias reuniões em Brasília nesta semana, Bolsonaro desembarcará novamente na capital na próxima terça-feira, 13. Em sua agenda neste dia está prevista uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), logo após sua chegada. A audiência com Eunício vinha antes, mas, por falta de confirmação, saiu da lista.

Em conversas reservadas, correligionários de Bolsonaro dizem agora que o ideal é o novo governo ficar "neutro" nessa disputa. No Senado, o PSL acompanha os movimentos de Renan Calheiros (MDB-AL), que, apesar de negar a candidatura à cadeira de Eunício, articula nos bastidores sua volta ao cargo.



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