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Regionais : A fé de Bolsonaro
Enviado por alexandre em 16/09/2018 00:25:02

A fé de Bolsonaro

Um candidato deve ser avaliado por suas declarações ou por ações pregressas?

Hélio Schwartsman – Folha de S.Paulo

Uma pessoa deve ser julgada por sua fé ou por suas obras? A pergunta, que tem origem teológica, aplica-se a políticos. Um candidato deve ser avaliado por suas declarações ou por ações pregressas?

Longe de mim sugerir que promessas, propostas e programas de governo, que, grosso modo, compõem o campo da fé, não signifiquem nada. Com maior ou menor acuidade, eles sinalizam o caminho que o candidato pretende seguir e constituem uma espécie de compromisso firmado com o eleitor.

Políticos sempre irão exagerar um pouco nas juras feitas durante a campanha, mas seria um erro achar que o voto equivale a um cheque em branco. Dilma Rousseff descobriu do pior modo possível que há limites para o chamado estelionato eleitoral.

No mais, se discurso fosse tudo, bastaria aos candidatos dizer que irão implantar a sociedade ideal que conquistariam 100% dos votos. Mas até o mais simplório dos eleitores sabe que não deve acreditar em tudo que políticos prometem. Assim, ao menos para a parcela do eleitorado que pretende fazer uma escolha mais racional do que emocional, só o que resta é confrontar a profissão de fé do candidato com suas obras.

Nesse quesito, por tudo o que li e vi até agora, a candidatura que se revela mais incoerente é a de Jair Bolsonaro, que apresenta um programa ultraliberal na economia, mas ostenta, como deputado, um longo histórico de posições ultraestatistas.

Assinale-se que outros candidatos competitivos também passaram por mudanças. Marina Silva foi do campo da esquerda para um ideário econômico mais liberal e Ciro Gomes caminhou do PDS, sucedâneo da Arena, para a centro-esquerda. Suas transições, contudo, foram paulatinas e temos registro de posições intermediárias. Já com Bolsonaro, a guinada foi muito mais rápida e se deu no contexto de uma disputa eleitoral. Fica difícil pelo menos não suspeitar de que sua conversão tenha mais a ver com oportunismo do que com convicção.



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Josias de Souza

A nova pesquisa do Datafolha consolida a liderança de Jair Bolsonaro (26%), confirma o derretimento de Marina Silva (8%) e sinaliza uma ascensão fulminante de Fernando Haddad (13%). Nessa configuração, Bolsonaro bloqueia uma vaga no segundo turno. E a disputa pela segunda vaga restringe-se agora a três candidatos: Haddad, Ciro Gomes (13%) e Geraldo Alckmin (9%).

O atentado contra a vida de Bolsonaro não produziu uma reviravolta. Apenas 2% do eleitorado disse ter mudadado de voto em função da facada. Mas a tentativa de homicídio como que calcificou os votos do esfaqueado. Hoje, 75% dos eleitores de Bolsonaro afirmam que não lhes passa pela cabeça a ideia de virar a casaca, trocando de candidato. Daí a percepção de que o paciente do Hospital Albert Einstein move-se em direção ao segundo turno sem sair da UTI.

Outro personagem que movimenta a grade de candidatos sem sair do lugar é Lula. Mais uma vez, o presidiário de Curitiba revela um notável poder de transferência de eleitores. No final de agosto, Haddad somava 4% das intenções de voto. Na última segunda-feira, véspera do anúncio de sua conversão em substituto de Lula, ele já amealhava 9%. Decorridas apenas 72 horas, bateu em 13%, deixando Alckmin para trás e empatando numericamente com Ciro.

Mantido o ritmo atual, Haddad seria o candidato favorito a disputar o segundo turno com Bolsonaro. Mas será necessário observar nos próximos dias os efeitos de uma inevitável alteração na tática de campanha de Ciro e Alckmin. A dupla vinha concentrando o grosso de sua artilharia em Bolsonaro. Agora, ambos levarão Haddad à alça de mira. Pregarão o voto útil, apresentado-se como melhores alternativas para evitar a chegada do capitão ao Planalto. Ciro aparece mais bem-posto no segundo round.

Para se manter no jogo, Ciro e Alckmin terão de guerrear entre si e, simultaneamente, tentar deter a polarização entre Bolsonaro e Haddad, claramente esboçada na pesquisa. Não será uma tarefa fácil, pois Haddad tem baixa rejeição e não atraiu ainda nem a totalidade dos eleitores tradicionais do PT. De resto, o potencial de transfusão de votos de Lula está longe de ser esgotado.


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