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Enviado por alexandre em 15/05/2018 08:36:24


Conheça Cedil, o homem de 92 anos que é maratonista e coleciona corridas

Da Redação - Vitória Lopes: Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto/Reprodução

Conheça Cedil, o homem de 92 anos que é maratonista e coleciona corridas
Todo primeiro domingo após o Dia de Reis Magos (6 de janeiro), as ruas de Cuiabá e Várzea Grande recebem a Corrida de Reis, a maior corrida de rua do estado. Pelo menos desde 1993, religiosamente Cedil Pereira Lima participa do evento. Na sua sala, pelo que pude contar, havia 19 camisetas penduradas, sendo a mais velha de 2001. “Isso porque meus meninos sumiram com muitas outras camisas!”, disse o homem, que os recebeu de tênis de corrida.


A julgar pelos poucos cabelos brancos, Cedil já deixa muitos jovens para trás. O corpo esguio, o típico que vem no nosso imaginário em se tratando de um maratonista, não revela que o aposentado, na verdade, tem 92 anos. E já participou de incontáveis corridas em Cuiabá, Rondônia e até na Itália. A coleção de troféus e medalhas, exibidas orgulhosamente na sala, pede até por mais espaço.

Cedil, que é mineiro, conta que aos 15 anos já corria pelas ruas de Anápolis (GO), onde cresceu. Mas foi só ao se aposentar, depois de 30 anos trabalhando como tratorista no Departamento de Estradas de Rodagem de Goiás (Dergo), que ele se dedicou as corridas.

Por conta dos exercícios em longo prazo, o corredor chegou invicto aos 90 anos: não tem colesterol, diabetes ou outros problemas de saúde. “Mais de 33 anos correndo e eu nunca parei. Eu só não vou à corrida domingo quando não tem. Porque eu treino assim: domingo eu corro, meio de semana eu treino. Eu falo mesmo, eu corro porque gosto e é pela minha saúde. Responsável por toda a minha saúde é atividade física, não tomo remédio nenhum”, revela.

Pai de três filhos, sendo que a caçula mora na Itália, a família de Cedil apoia que ele continue praticando esportes. Um amigo médico já o aconselhou várias vezes a continuar. Por conta disso, em visita a caçula na Itália, o maratonista teve oportunidade de correr por lá. “Eu não corro mais lá porque só vou quando meu genro está de folga, e ele vai comigo. Porque chegando lá fico perdido, não entendo o que falam. Mas para treinar não, onde minha filha mora tem pista e eu treino direto lá”.

Rotina que virou tradição

A rotina de Seu Cedil começa cedo, com duas colheres de granola, que ele garante ser o “quebra-torto” ideal para a manhã. “Você não cria barriga e fica alimentado! Ela tem 40 itens, que equivale a uma refeição completa”, diz ele enquanto mostra o saco vazio da sacola em meio aos troféus.

Como seu objetivo é distância, ele treina duas vezes por semana. O seu parque preferido é o Mãe Bonifácia, por conta das subidas. Inclusive, quando está no meio da corrida e observa que uma subida se aproxima, ele nem sofre. “Não sou o primeiro que chego, mas também não sou o último: depois de mim ainda chega muita gente”.

Ele ainda observa que é preciso aprender a correr e respeitar seus limites. “Você tem que correr no ritmo da sua resistência. Se você tem capacidade para fazer em tantos minutos ou em tantas horas, é aquilo mesmo. Mas esse negócio de sair ‘doido’, isso é besteira, você não vai a lugar nenhum”, garante.

A partir desses hábitos, o corredor quebrou vários recordes pessoais e também para a sua idade. Os inúmeros troféus como “corredor voluntário” ou condecorações pelo exemplo a ser seguido, fizeram de Cedil uma pessoa reconhecida. No Bairro Alvorada, onde mora há 25 anos, ele é sempre cumprimentado, e quando chega na Corrida de Reis, sempre posa para uma foto.

“Aqui em Cuiabá virei celebridade sem eu nem pensar. Tem gente que até fala que a corrida que eu não estou nem tem graça. Porque sou um incentivo na chegada, na saída e no trajeto”.

Apesar dos incentivos, o aposentado aponta para a baixa premiação, que de uns tempos pra cá, ficou menor. “Não está sendo bom pra mim porque antes pagava prêmio bom. Cansei de ganhar R$ 500 reais, R$ 400, R$ 300... Ai depois que entrou essa crise, aumentou demais as corridas, e eles começaram a cobrar por elas corridas e tiraram os prêmios. Dão uma coisinha ou outra”.

Por fim, pergunto qual foi o trajeto mais longo de Cedil e a corrida que ele mais se orgulha. Cedil responde que foi 15 km, de Várzea Grande a Morada do Ouro. E ele se recorda que voltou a pé para casa.

OLHAR DIRETO

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