A CRISE POLÍTICA COMO OPORTUNIDADE DE RECONSTRUIR O AMBIENTE POLÍTICO EM RONDÔNIA - Regionais - Notícias
Regionais : A CRISE POLÍTICA COMO OPORTUNIDADE DE RECONSTRUIR O AMBIENTE POLÍTICO EM RONDÔNIA
Enviado por alexandre em 13/03/2018 08:11:23


Nas últimas semanas a cena política do estado foi sacudida por dois fatos importantes, não necessariamente vinculados ou com conexões entre si. O primeiro foi uma suposta ruptura do governador de Rondônia, Confúcio Moura (MDB) com o vice governador Daniel Pereira (PSB). O segundo fato foi a gravação de uma conversa entre o presidente da Assembleia Legislativa, Maurão de Carvalho (MDB) e o deputado Jesuino Boabaid (PMN), em que ambos entabulavam estratégia para constranger o governador. Na nossa avaliação, os dois fatos produziram efeitos mais devastadores para a política do Estado do que para os envolvidos nos dois episódios. Explica-se:

No primeiro caso, apesar de manter boas relações com o vice, não consta que Confúcio Moura teria o vice Daniel Pereira como o candidato preferido para sucedê-lo. Pelo menos, não há declarações públicas do governador nesse sentido até dois meses atrás. Foram nos últimos 60 dias que, parece, começaram alguns movimentos de aproximação entre os dois nesse sentido. Se isso ocorreu, e se a iniciativa foi de Moura, ele deve ter pesado o impacto político que isso causaria, uma vez que o seu partido tem um candidato declarado, o deputado Maurão de Carvalho. Ao fazer isso, é razoável supor que o governador considerou duas possibilidades para viabilizar o apoio ao seu vice. A primeira seria o seu auto convencimento de que o partido apoiaria a sua decisão e caminharia junto, destinando ao deputado Maurão de Carvalho outro papel nas eleições de outubro. A segunda possibilidade seria, não conseguindo o apoio do partido para o seu Projeto, deixar o MDB e buscar compor condições para compor com o vice. No caso da ruptura alardeada no primeiro fim de semana de março, a verdade logo virá à tona. Enquanto isso resta-nos conjecturar.

A troca de comando nos governos nunca é pacífica. Ainda mais quando os comandantes a serem trocados são de partidos diferentes. O grupo prestes a entrar pressiona para que os prazos sejam antecipados, para que se aboletem logo nas suas posições e passem a usufruir das benesses que imaginam encontrar nos cargos que ocuparão. Os que estão nos cargos manobram para permanecerem até o limite do tempo, de modo a extrair deles o máximo para as suas biografias. No caso dos gestores que serão candidatos, essa premissa é ainda mais verdadeira. No meio desse jogo, o governador e o vice, cercado de fofocas por todos os lados. Dai para o erro, é um passo. Certamente foi isso que causou tamanho mal estar.

No entanto, não há que se esquecer de que a prerrogativa de continuar ou não no cargo até o final é pessoal e intransferível do governador, pois ele foi eleito para mandato de quatro anos e não para três anos e quatro meses. Esta questão transcende o viés político e partidário – e pode ser avocado a qualquer tempo pelo mandatário.

Em relação à gravação que envolve o presidente da Assembleia Legislativa e o deputado Jesuíno Boabaid, o teor da conversa entre os dois explica as motivações de ambos. Sem entrar no mérito destas motivações, o que é importante é considerar o que buscavam com a conversa. Nela havia claro objetivo de criar situações, no âmbito da Assembleia Legislativa, que constrangessem ao governador. Os mecanismos legislativos a serem utilizados eram os usuais, mas os métodos sugeridos na conversa a serem utilizados para dar a eles a legalidade que necessitavam são pouco republicanos.

Com a publicidade dada à gravação, a mídia local adotou postura inversa ao que se espera de uma imprensa comprometida com a verdade e com o respeito à inteligência da sua audiência. Buscar criminalizar quem gravou a conversa sem autorização judicial é elementar, e requer procedimentos jurídicos básicos.

No entanto, não é inteligente ignorar o teor das conversas e, principalmente, quem são os interlocutores. É o teor da conversa que assusta, e não o gravador ou quem o utilizou. A quem gravou, o tratamento jurídico e as penalidades correspondentes. Aos interlocutores gravados, as consequências políticas das suas falas e das intenções nelas consignadas.

A forma como foram tratados os dois episódios, resulta em retrocesso na nossa prática política – e nos distancia dos avanços clamados pela sociedade rondoniense.

maisro

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