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Brasil : VACINAÇÃO NOS EUA
Enviado por alexandre em 03/05/2021 23:30:46

Os latino-americanos que viajam aos EUA para se imunizar

"Minha mãe tem 80 anos e, como fomos convidadas para um casamento na Flórida, aproveitei a viagem para nós duas recebermos a vacina."

A história desta venezuelana que prefere não dar seu nome é cada vez mais comum: a de viajantes de países latino-americanos que estão sendo vacinados contra o coronavírus nos Estados Unidos.

"Foi tudo muito simples. Bastava mostrarmos nosso passaporte e eles nos vacinaram sem nem precisar sair do carro no Hard Rock Stadium de Miami", disse ela à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC).

No norte dos EUA, na cidade de Boston, outra venezuelana de 62 anos também não teve grandes dificuldades. "Eu me registrei na página do Departamento de Saúde de Massachusetts e alguns dias depois eles me deram a vacina sem pedir nenhum documento". Ela recebeu a vacina da Pfizer no Hynes Convention Center.

"Meu marido insistiu que eu viesse tomar. Realmente, é uma questão de vida ou morte e não sei quando as vacinas chegarão ao meu país ou se vão administrar os imunizantes bem na Venezuela. E aqui foi tão fácil ... "

Mas não são apenas os venezuelanos. No México e na Colômbia, proliferam agências de viagens que promovem pacotes turísticos que têm como principal atrativo o acesso à vacina, ainda longe do alcance da maioria em muitos países latino-americanos devido à lentidão em sua distribuição na região.

Pacotes de viagens

Segundo a Associação Mexicana de Agências de Viagens, já existem cerca de 500 empresas que oferecem pacotes que incluem voo para os EUA, recepção no aeroporto, acomodação e traslado para um centro de vacinação — tudo por cerca de 20 mil pesos (cerca de US$ 1 mil ou mais de R$ 5 mil)

Nos principais aeroportos do sul dos EUA, como os de Miami, Orlando, Houston ou Los Angeles, o turismo de vacinas é um fenômeno já bem visível.

Florida

Crédito, EPA

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A Flórida é um dos lugares para onde os latino-americanos estão viajando para se vacinar

Isso é também consequência do avanço da campanha de vacinação nos EUA, onde mais de 53% da população já recebeu pelo menos uma dose da vacina, percentual só superado por Israel e Reino Unido.

Os dados contrastam com 6,1% na Colômbia, onde as autoridades foram obrigadas a decretar novos confinamentos para conter o avanço da epidemia. Em outros países, o percentual de pessoas vacinadas também é baixo: 9,5% no México e 1% na Venezuela.

Na região, poucos casos excepcionais, como Uruguai e Chile, se aproximam dos números americanos.

"A América Latina é a região que atualmente mais necessita de vacinas", diz a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne.

Vacinação na Bolívia

Crédito, EPA

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A vacinação está atrasada em muitos países da região

Isto é um problema?

Quando a crescente chegada de latino-americanos — incluindo pessoas famosas cuja vacinação causou polêmica — virou notícia na imprensa, alguns Estados anunciaram medidas para garantir que apenas residentes recebessem a vacina.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, anunciou que o Estado exigiria comprovante de residência para aplicar a vacina.

Mas a Secretaria de Saúde do Estado disse à BBC Mundo que há exceções.

Como a Flórida tem muitos residentes temporários, principalmente idosos, as autoridades dizem que "não podem limitar" a vacinação de pessoas que não moram lá durante todo o ano.

Na sexta-feira (30/04), o clínico geral do Estado, Scott Rivkees, emitiu uma instrução recomendando estender a vacinação a todos os não-residentes na Flórida que estejam lá "fornecendo bens e serviços".

Os turistas latino-americanos que foram vacinados na Flórida consultados pela BBC Mundo disseram que não é necessário comprovante de residência.

E até políticos locais parecem ter visto no novo "turismo de vacinas" uma oportunidade de compensar um pouco a queda de visitantes causada pela pandemia. É o caso do prefeito de North Miami Beach, Anthony F. DeFillipo, que chegou a sugerir que estrangeiros venham para a cidade em busca da vacina.

Três dias depois, a Prefeitura esclareceu em comunicado que cabe à Secretaria de Estado da Saúde definir os critérios para administrar a vacina.

Chegada das vacinas ao México

Crédito, Reuters

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Especialistas exigem que países como os EUA enviem mais vacinas para outros menos desenvolvidos

Mary Jo Trepka, especialista em Epidemiologia da Florida International University, disse à BBC News Mundo que "nos EUA há um amplo estoque de vacinas e a pequena porcentagem de doses que os viajantes latino-americanos estão tomando não deve representar um problema [para os demais americanos]".

"Na verdade, é do interesse dos EUA que a população de nossos países vizinhos seja vacinada e, do ponto de vista da saúde pública, o problema é: por que não estão chegando vacinas suficientes a esses países", diz Trepka, que cobra do presidente dos EUA, Joe Biden, um maior envolvimento no programa Covax e em outras iniciativas de ajuda a países menos favorecidos.

A Casa Branca anunciou em 26 de abril que enviará 60 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca para países em dificuldade "assim que elas estiverem disponíveis". Mas ele não detalhou quem serão os favorecidos.

López Obrador

Crédito, EPA

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O presidente do México é um dos que pediu ajuda a Biden com as vacinas

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'E você? Qual você recebeu?'

Por Marcos González, correspondente da BBC no México

Estou embarcando em um voo da American Airlines de Miami para a Cidade do México. Embora seja de manhã cedo, há muitas conversas animadas. Três jovens mexicanos de no máximo 30 anos falam sobre sua viagem aos EUA. Eles cumprimentam outros conhecidos mexicanos que estão embarcando no avião.

"E você chegou ontem e vai embora hoje? Nossa, tá maluco. E qual você recebeu? Eu, a da Moderna", diz um deles, de terno e perfeitamente penteado, para uma das amigas que está andando pelo corredor procurando por seu assento.

Não é segredo para os passageiros ou tripulantes que, entre os inúmeros atrativos de se viajar para os EUA, agora existe também a possibilidade de se receber a vacina por lá. E não são poucos os que trocam dicas sobre como fazer isso de forma rápida e confortável.

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Desigualdades

Para Trepka, a desvantagem do turismo de vacinas da América Latina é que ele "agrava as desigualdades nos países de origem", pois quem pode viajar para os EUA é quem pode pagar e tem autorização de entrada, o que exclui grande parte da população da região.

O fato de nem todos poderem pagar explica o alvoroço causado pelos casos conhecidos de celebridades que viajaram aos EUA para se vacinar, como o ex-candidato à presidência do Peru Hernando de Soto, que inicialmente negou ter recebido a vacina.

Trepka, no entanto, não culpa os turistas. "Eu acho que faria o mesmo se estivesse no lugar deles."

Vacina

Crédito, Reuters

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A desvantagem do turismo de vacinas da América Latina é que ele "exacerba as desigualdades nos países de origem"

Brasil : NOVOS SANTOS
Enviado por alexandre em 03/05/2021 23:17:55

Igreja Católica retoma canonização, conheça os novos santos

Depois de um ano sem consagrações, em função da Covid-19, Vaticano volta a realizar processos de canonização, que cresceram com o papa Francisco

Edison Veiga, colaboração para a CNN

Papa Francisco celebra missa de Domingo de Ramos
Francisco é o papa que mais fez canonizações na história (28.mar.2021)
Foto: Reprodução / CNN

Impulsionados por João Paulo II (1920-2005), os processos de canonização cresceram ainda mais com o papa Francisco no comando da Igreja Católica. Agora, começam a ser retomados depois de uma interrupção atribuída à pandemia de Covid-19. O atual pontífice é o maior responsável por consagrações de santos na história do catolicismo, com 45% das canonizações.

Francisco pontífice sempre demonstrou ter apreço por estimular e reconhecer devoções populares e há muito superou o antecessor polonês. De março de 2013, quando se tornou papa, até outubro de 2019, na celebração da última missa de canonização, o argentino consagrou aos altares a incrível marca de 897 santos. João Paulo II, por sua vez, canonizou 482 nomes durante os 16 anos de pontificado.

O ano de 2020 foi um raro momento dos tempos modernos em que o Vaticano não reconheceu nenhum novo santo. Desde a primeira canonização presidida por João Paulo II, em 1982, só haviam passado em branco 1985 e 1994 — este último, com uma possível explicação: o papa havia fraturado o fêmur e precisou reduzir a agenda devido às dificuldades de locomoção.

Nesta segunda-feira (3), haverá um consistório em que será anunciada a data para a retomada da consagração de santos. Sete religiosos serão canonizados: o oficial das Forças Armadas, explorador, geógrafo, linguista e eremita francês Charles de Foucauld (1858-1916); o oficial da corte indiano Devasahayam Pillai (1712-1752), que assumiu o nome cristão de Lázaro; o padre francês Cesar de Bus (1544-1607); os padres italianos Luigi Palazzolo (1827-1886) e Giustino Russolillo (1891-1955); e as religiosas italianas Maria Domenica Mantovani (1862-1934) e Maria Francesca de Jesus (1844-1904), cujo nome de batismo era Anna Maria Rubatto.

Consistório é o nome que se dá para a reunião de cardeais, convocada e presidida pelo papa. No caso do encontro agendado para esta segunda-feira, trata-se de um consistório ordinário, ou seja, embora todos os purpurados sejam convidados, espera-se a presença apenas daqueles que estejam em Roma ou arredores. Essa característica dos tempos de pandemia tornará mais simples o encontro.

Voz do povo tem força nas canonizações

Em 28 de novembro, quando ocorreu o último consistório realizado para a nomeação de novos cardeais, houve ausências por conta da situação sanitária. “Geralmente os que não podem comparecer justificam a ausência. Mas nesse último, pela primeira vez, alguns participaram por videoconferência”, explica o vaticanista Filipe Domingues, doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. 

Ele acredita que, dado o precedente aberto, eventualmente os consistórios a partir de agora possam permitir esse tipo de participação remota, em casos de necessidade. “Mas a ideia dos cardeais presentes fisicamente em Roma é uma questão histórica e simbólica”, salienta ele, sobre o papel dos cardeais como conselheiros papais.

 Já a celebração da canonização em si, cuja data será anunciada na segunda, realmente seria difícil de ocorrer com a pandemia fora de controle. “Seria complicado, pelo próprio sentido da cerimônia”, explica a vaticanista Mirticeli Medeiros, pesquisadora de história do catolicismo da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. 

“Numa canonização, a pessoa recebe o título de ‘santa’ e seu culto é ‘estendido a toda a Igreja Universal’, para usar a linguagem técnica. Não é um ato só da hierarquia católica, ao contrário do que se pensa. Os canonistas reiteram que além do processo em si, a ‘vox populi’, ou seja, a voz do povo de Deus, tem seu peso. O povo, que espalha a fama de santidade da pessoa, é parte fundamental desse processo”, afirma Medeiros.

O vaticanista italiano Andrea Gagliarducci avalia que uma canonização de forma reservada “não faria sentido”. “Os fiéis devem estar presentes [à cerimônia], e o papa deve celebrá-la”, pontua ele, que acredita haver condições para realizar a celebração neste ano de 2021 seguindo protocolos de segurança. 

Charles de Foucauld, novo santo católico
Charles de Foucauld, novo santo católico, em foto provavelmente de 1915
Foto: Domínio Público

Missas de canonização costumam ser celebrações concorridas, com a Praça São Pedro lotada de fiéis, geralmente reunindo caravanas dos países de origem dos novos santos. Em outubro de 2019, na última celebração do tipo, eram muitas as bandeiras brasileiras empunhadas na cerimônia que fez de Irmã Dulce (1914-1992) a 37ª santa brasileira. Cerca de 25 autoridades do Brasil, como o vice-presidente Hamilton Mourão, os então presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, acompanharam a cerimônia. Também integraram a comitiva nacional o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Há casos em que o Vaticano celebra as canonizações no país de origem do novo santo — exigindo uma logística impossível em um período sanitariamente inviável. Foi assim, por exemplo, que o mundo viu o então papa Bento XVI reconhecer, em maio de 2007, Frei Galvão (1739-1822) como o primeiro santo nascido em solo brasileiro. A missa, naquela ocasião, foi celebrada no Campo de Marte, em São Paulo.  

As origens dos novos santos

Dentre os sete novos nomes apresentados, o mais aguardado é o do francês Charles de Foucauld. Sua biografia é bastante interessante: órfão de pai e mãe na infância, tornou-se oficial das Forças Armadas da França e acabou enviado para a Argélia. Aos 23 anos, deixou a vida militar e decidiu explorar o Marrocos. Convertido ao catolicismo, viveu como monge trapista por um período — depois saiu da ordem e adotou hábitos de ermitão. 

Assassinado no deserto da Argélia, Foucauld tornou-se, para a Igreja, um mártir da fé. “É considerado o profeta do diálogo religioso entre o cristianismo e o islã, entre os vários títulos ligados à sua trajetória. Sendo assim, nada mais significativo que a canonização seja feita pelo papa Francisco, que investe muito nessa aproximação”, avalia Medeiros. “A vida de Foucauld se tornou universalmente conhecida e é óbvio que muitos fiéis rezam a ele, conhecem sua história”, acrescenta Gagliarducci. “Sua história é fascinante.” 

Também vale ressaltar a presença de um mártir indiano entre os que serão canonizados, no caso o oficial da corte indiano Devasahayam Pillai, depois conhecido como Lázaro. Embora o país não tenha maioria católica, é um local que tem sido contemplado pelo olhar atento de Francisco às periferias do mundo. Em 2019, na última cerimônia de canonização ocorrida, foi canonizada Mariam Thresia Chiramel Mankidiyan (1876-1926), uma religiosa indiana. 

  • Devasahayam Pillai
  • Cesar de Bus
  • Luigi Palazzolo
  • O padre italiano Giustino Russolillo agora é canonizado pela Igreja Católica
  • Religiosa italiana Ana Maria Rubatto também é uma nova santa católica
  • Maria Domenica Mantovani, nova santa católica, era italiana

“Trata-se de um país onde a fé católica se fortalece, com muitas vocações”, analisa o vaticanista Domingues. “Francisco enfatiza a questão da fé popular, então observa essas devoções e as joga para toda a Igreja.”

Os demais nomes são todos de lideranças de ordens religiosas — e, claro, há um fator político importante que acaba influenciando em tais processos, que acabam por conferir maior prestígio e notoriedade para tais congregações. 

Francisco, o fazedor de santos

Se em oito anos de papado Francisco já vai atingir a incrível marca de ter canonizado 904 nomes, considerando os apresentados nesta segunda, é preciso fazer uma ressalva que esse número só foi possível graças a canonizações coletivas, quando o papa reconhece como santos, de uma vez só, um grupo de grande de cristãos, geralmente martirizados.

E em maio de 2013, Francisco bateu o recorde absoluto de santos feitos de uma só vez, quando canonizou os 813 moradores da cidade de Otranto, no sul da Itália, que foram dizimados por otomanos em 14 de agosto de 1480. A maior canonização coletiva da Igreja anterior a isso havia sido presidida por João Paulo II em outubro de 2000: na ocasião, foram santificados 120 mártires chineses.

A reportagem da CNN Brasil cruzou dados levantados pelo teólogo e filósofo Fernando Altemeyer Júnior, chefe do departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com informações da Congregação para as Causas dos Santos, organismo da Cúria Romana responsável pelos processos de canonização. Com os sete nomes a serem oficializados neste ano, a Igreja atingirá a marca de 2 mil santos. 

Considerando aqueles cuja identidade é conhecida — o que nem sempre é possível nos casos desses grupos de mártires santificados em conjunto —, o levantamento mostra de 68% são de religiosos como padres, bispos, papas, monges, freiras etc. E a preponderância é masculina: 78% dos eleitos para os altares católicos são homens.

Brasil : PAULO FREIRE
Enviado por alexandre em 02/05/2021 20:35:09

Afinal, o que pregava o patrono da educação brasileira?, entenda

Se dissessem para você que um brasileiro é um dos três teóricos mais citados no mundo você acreditaria? Possivelmente, não. Mas deveria. Porque ele existe e se chama Paulo Freire.

O educador, que faria 100 anos em setembro de 2021, morreu no dia 2 de maio de 1997. Às vésperas de seu centenário, tem tido seu legado vilipendiado por grupos de extrema direita, que o acusam de fazer uma doutrinação "de esquerda" que nunca teve respaldo em sua teoria. Embora fosse um crítico do capitalismo, Freire sempre defendeu a autonomia intelectual de seus alunos, pois essa era a função do processo educacional.

Para celebrar a memória de Freire nos 24 anos de sua morte, o GUIA preparou um especial com as ideias do grande pensador brasileiro.

Alfabetização em suas próprias palavras 
 

Paulo Freire criou um método de alfabetização, usado inicialmente junto a adultos, que pretendia ensinar o aluno a ler e a escrever a partir da seleção de palavras-chave de seu vocabulário – que, por sua vez, expressariam a sua cultura. Nada de vovô viu a uva da vovó. O método foi utilizado pela primeira vez em Angicos, no sertão do Rio Grande do Norte, onde aproximadamente 75% dos adultos eram analfabetos. A metodologia, posteriormente, seria aplicada para crianças. 

Aprendizado ativo

Para Freire, a sala de aula deveria ser um espaço de troca e produção de conhecimento. Nada de alunos calados apenas ouvindo o professor. O saber, ele defendia, nasceria da interação entre professores e estudantes, a partir da realidade destes, com a mediação dos primeiros. 

Decoreba? Esquece 

Para o pensador, o aprendizado era uma maneira de conhecer o mundo – para transformá-lo – e já sabendo que ele está mesmo em constante transformação. “O mundo não é, está sendo”, dizia. "Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para, em seguida, poder reescrever essa realidade (transformá-la)". Essa visão tinha um caráter libertador das populações mais pobres e oprimidas, razão pela qual Freire foi preso e exilado no período da ditadura civil-militar (1964-85).   

Não existe neutralidade

Pensador de origem marxista e severo crítico do mundo capitalista, Freire criticava a ideia de educação neutra, tão cara aos liberais. Isso não significa, como afirmam alguns setores hoje em dia, que o pensador fosse adepto de uma educação doutrinadora. Não. O que ele pretendia era que os estudantes, a partir do processo de aprendizado, tivessem capacidade de situar-se no mundo de maneira crítica, de modo a transformá-lo. “Educação ou funciona como um instrumento que é usado para facilitar a integração das gerações na lógica do atual sistema e trazer conformidade com ele, ou ela se torna a ‘prática da liberdade’, o meio pelo qual homens e mulheres lidam de forma crítica com a realidade e descobrem como participar na transformação do seu mundo.” 

Educação em três etapas

Freire dividia a aprendizagem em três momentos. O primeiro é aquele em que o educador se inteira do que o aluno conhece, de modo a trazer o seu universo para a sala de aula. Em seguida, o educador deve explorar as questões como temas em discussão, permitindo ao educando sair do senso comum e desenvolver sua capacidade crítica. A última etapa é da problematização: o conteúdo analisado transforma-se em propostas de ação para superar problemas e dilemas da realidade. Para o pensador, este é o objetivo final do ensino.  

O mundo está em constante transformação – e a educação também 

O antidogmatismo de Freire estendia-se à sua própria obra. Ele mesmo dizia que seus métodos deveriam ser atualizados com o passar do tempo.  

Obras 

A “Pedagogia do Oprimido”, obra mais famosa do autor, e outros de seus livros estão disponíveis no Brasil pela Editora Record. Em 2019, a editora Todavia publicou um perfil biográfico do pensador, escrito pelo educador Sérgio Haddad. 

Para saber mais, veja também uma entrevista com Mário Sergio Cortella e Sérgio Haddad sobre Paulo Freire: Vídeo abaixo

https://www.rdnews.com.br/nacional/paulo-freire-afinal-o-que-pregava-o-patrono-da-educacao-brasileira-entenda/143728

Brasil : SUPERAÇÃO
Enviado por alexandre em 02/05/2021 20:09:57

O fotógrafo cedo do Piauí que luta para Paralimpíadas de Tóquio
  • Ana Paula Ramos
  • De Köping (Suécia) para BBC News Brasil

João Maia chamou atenção por ser um fotógrafo cego fazendo a cobertura dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro, em 2016

O piauiense João Maia, de 46 anos, não consegue enxergar, mas isto não impede que exerça a profissão de fotógrafo. Sem o apoio da visão, João conta com seus outros sentidos para fazer os cliques: a audição, o tato, o olfato e o mais importante deles: o coração.

Nascido em Bom Jesus no Piauí e residente em São Paulo desde a adolescência, João ficou cego aos 29 anos por causa de uma uveíte bilateral — doença inflamatória na úvea, que é a camada do olho que abrange a íris, o corpo ciliar e a coroide.

Depois do processo de reabilitação que durou um ano e uma passagem de sete anos pelo esporte paralímpico no atletismo, João decidiu se dedicar totalmente a sua paixão: a fotografia.

Ele trocou a vida de atleta pela vida artística e se destacou em 2016, quando chamou a atenção por ser um fotógrafo cego fazendo a cobertura dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. Ele foi credenciado como fotojornalista de um projeto chamado Superação da produtora cultural Mobgraphia, que consistia em retratar os atletas com fotos de celular.

Sua história foi contada por mais de 30 veículos de imprensa pelo mundo e impulsionou a criação do projeto Fotografia Cega. Hoje, João se dedica não apenas a fotografar, mas também ensina técnicas da fotografia sem o uso da visão e assim "abre os olhos" da sociedade para as capacidades das pessoas com deficiência.

Depois do sucesso em 2016, o fotógrafo visa agora a cobertura das Paralimpíadas em Tóquio, que serão realizadas entre os meses de agosto e setembro, sem a presença dos torcedores por causa das restrições da pandemia.

Atleta cega disputa corrida

Crédito, João Maia

Legenda da foto,

João Maia (autor desta foto do Open Internacional Loterias Caixa, de 2018) já fotograva antes de perder a visão. Quando retomou o ofício, depois de cego, teve que aprender uma nova arte: a de fotografar com os outros sentidos

"Quando eu estiver no Japão fotografando, alguém vai se questionar como uma pessoa cega está fazendo este trabalho. A gente precisa rever nossos valores, a questão da empatia. A pessoa com deficiência tem sua forma de ver o mundo, a minha é através da minha câmera. Eu conto histórias através das minhas imagens", contou à BBC News Brasil.

Desafio em Tóquio

A ida para Tóquio deve impulsionar o novo projeto de João Maia, que consiste na produção de um livro sobre sua história de vida e na obtenção de material para uma nova exposição fotográfica: 4 Sentidos e Uma Visão.

"Vamos usar o material de Tóquio nesta exposição, que terá acessibilidade total, com áudio-descrição, alto-relevo, legendas em braile e letras ampliadas. Queremos ainda escrever este livro da minha trajetória, fazendo mais uma cobertura de Paralimpíada, desta vez do outro lado do mundo", comentou.

Atleta com deficiencia na perna corre prova de ciclismo nas Paralimpiadas de 2016

Crédito, João Maia

Legenda da foto,

"Quando vou bater uma foto na Paralimpíada, sinto a conexão de sons, o disparo da prova, o som da batida do atleta correndo, o som da torcida. Eu transformo toda essa composição de sons em imagens, por isto minha fotografia é cega"

João conta com a ajuda da jornalista e escritora Luciane Tonon, que deve guiá-lo em Tóquio, descrever os ambientes e posteriormente, escrever o livro sobre a trajetória dele.

Luciane, que é criadora do portal Guia do Deficiente, conta que conheceu João em um evento teste para as Paralimpíadas em 2016, no Estádio Olímpico Nilton Santos, o "Engenhão" no Rio de Janeiro.

"Eu estava caminhando para a pista quando vi um cadeirante conduzindo um cego e ambos com máquinas fotográficas em mãos. Eu parei na hora, percebi que ali tinha uma história interessante", contou.

João Maia e Luciane Tonon

Crédito, Arquivo Pessoal

Legenda da foto,

João conta com a ajuda da jornalista e escritora Luciane Tonon, que deve guiá-lo em Tóquio, descrever os ambientes e posteriormente, escrever um livro

Luciane abordou a dupla de fotógrafos e então descobriu que o cego era João Maia. Desde então, os dois iniciaram uma parceria de trabalho e hoje lutam para arrecadar a quantia de que precisam para cobrir as despesas previstas em Tóquio.

As passagens foram financiadas, mas os gastos com alimentação e hospedagem estão pendentes, além da dívida que ficou por causa da passagem.

Atleta de judo

Crédito, João Maia

Legenda da foto,

Quando trabalhou nas Paralimpíadas de 2016, onde registrou esta foto, João teve sua história foi contada por mais de 30 veículos de imprensa pelo mundo

"Nós fizemos uma vaquinha online, mas então a pandemia começou e acabou nos intimidando na divulgação. Comecei a refletir que muitas pessoas estavam sem renda, arrecadando fundos para combater a fome e nós querendo ir para o Japão", desabafou Luciane.

Mesmo assim, o projeto segue de pé e para João, a ida ao Japão representa um grande passo para mostrar o potencial das pessoas com deficiência, conscientizar a sociedade e trazer inspirações para quem convive com alguma limitação, física ou psicológica.

João Maia com certificado de curso de fotografia

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto,

João Maia já havia feito cursos de fotografia antes de perder a visão aos 29 anos

"Vou ao Japão para, mais uma vez, levantar esta bandeira. Quero empoderar e mostrar que há uma luz no fim do túnel, um caminho a ser traçado para que as pessoas com deficiência possam ter autonomia, segurança e liberdade para serem o que quiserem, para terem oportunidades de se tornar um profissional em qualquer área que desejarem", afirmou.

Diagnóstico e superação

Foi em 2004, que a vida de João começou a mudar drasticamente. Na época, com então 29 anos, ele trabalhava como carteiro em São Paulo, mas começou a ter dificuldades no trabalho por causa da visão.

Na época, ele sofria de miopia e astigmatismo e passou a ter episódios de dificuldade de enxergar, o que resultou em idas frequentes ao oftalmologista, troca de óculos e um diagnóstico errado de glaucoma.

"Uma vez eu desci do ônibus para ir ao trabalho e uma pessoa esbarrou em mim com tanta violência que os meus óculos caíram e eu não os encontrei. Fui ao trabalho naquele dia sem enxergar. Naquela tarde eu ganhei óculos novos, mas tive que trocar dois meses depois. Passei um ano tratando glaucoma", explicou.

A visão de João foi piorando cada vez mais, até não conseguir mais separar as cartas ou enxergar letras pequenas Um tempo depois, já não era mais capaz de ler o letreiro do ônibus ou enxergar qualquer coisa a distância.

João Maia quando atleta

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto,

João Maia foi atleta paralímpico, experiência que o ajuda a fotografar o esporte hoje

"Teve um momento bem difícil em que eu fui passar por um túnel iluminado entre o metrô e o terminal de ônibus. Eu tive que caminhar bem devagarinho para não esbarrar nas pessoas e percebi que o problema era sério. Já não conseguia trabalhar com a mesma agilidade dos outros, então fui ao médico da empresa e ele me afastou. Fui aposentado por invalidez e não voltei mais", contou.

Depois do diagnóstico de uveíte bilateral, João finalmente entendeu a condição que acometeu sua saúde ocular. Ele sofreu uma inflamação de alto grau, teve descolamento da retina e perdeu a visão por completo no olho direito. No esquerdo, sofreu uma lesão do nervo ótico e tem uma visão chamada de "conta dedo". Até 1,20 metro de distância, têm percepções de vultos coloridos.

Quando soube que nunca mais voltaria a enxergar, João conta que passou pelo luto e um processo difícil de aceitação, reabilitação e por fim a compreensão de que podia ir além de sua limitação fisíca e ter autonomia e qualidade de vida.

"Foi muito difícil. Eu tinha baixa visão, pensava que estava enxergando um pouco e não me aceitava como deficiente. Então me dei conta de que não conseguia mais ler, não podia pegar um ônibus ou andar à noite sozinho. Eu tive que me aceitar e começar a usar bengala. Hoje em dia moro sozinho e vivo muito bem graças à tecnologia", reitera.

Vida como fotógrafo

A fotografia veio muito antes da cegueira. Aos 14 anos, o jovem piauiense começou a se interessar, ler e trocar ideias com um amigo cujo pai era fotógrafo. Depois se inspirou em um professor que tinha uma câmera profissional e passou a escrever para empresas do ramo da fotografia, que o presentearam com manuais.

Quando ainda estava em Bom Jesus, João ganhou a primeira câmera de presente de um irmão e passou a fotografar como hobby. Depois foi para São Paulo atrás de oportunidades, ainda na adolescência, seguindo alguns de seus irmãos que já moravam na cidade.

A fotografia esteve presente durante todos os anos em que ainda enxergava e quando retomou o ofício depois de cego, teve que aprender uma nova arte: a arte de fotografar com os outros sentidos.

Atletas com deficiencias disputam corrida no atletismo

Crédito, João Maia

Legenda da foto,

"Conheço cada botão do meu equipamento e me apoio nos sons da câmera. O barulho me dá certeza de que está sendo focado. Minha fotografia é feita essencialmente com as minhas percepções"

"Conheço cada botão do meu equipamento e me apoio nos sons da câmera. O barulho me dá certeza de que está sendo focado. Minha fotografia é feita essencialmente com as minhas percepções", explica.

No caso das Paralimpíadas, a passagem que teve pelo esporte como atleta ajuda a entender as provas e João sempre conta com o apoio de algum colega para descrever o ambiente e ajudar nas configurações.

"Quando vou fotografar uma prova de atletismo de 100 metros de velocidade, por exemplo, eu me posiciono na área restrita e peço para a pessoa do meu lado descrever o ambiente. Sei qual atleta quero fotografar e peço que me digam em que raia ele está, então posiciono a câmera", descreve.

Depois de 2019 ficou mais fácil para João fotografar. No Natal daquele ano, ganhou um protótipo de câmera profissional com acessibilidade em uma campanha da Canon. O novo equipamento permitiu que trabalhasse no mesmo nível de um fotógrafo sem deficiência.

"Quando vou bater uma foto na Paralimpíada, sinto a conexão de sons, o disparo da prova, o som da batida do atleta correndo, o som da torcida. Eu transformo toda essa composição de sons em imagens, por isto minha fotografia é cega", conclui.

Brasil : FUMAÇA
Enviado por alexandre em 30/04/2021 23:13:40

Fumaceiro na Amazônia custou R$ 1 bilhões aos cofres públicos

Estudo da Fiocruz e do WWF-Brasil aponta que as queimadas na Amazônia foram responsáveis pela elevação dos percentuais de internações hospitalares por problemas respiratórios nos últimos 10 anos (2010-2020) nos estados com maiores números de focos de calor: Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre. Estas internações custaram quase 1 bilhão aos cofres públicos.

O levantamento aponta ainda que a associação da situação da pandemia com as queimadas florestais na Amazônia pode ter agravado a situação de saúde da população da Amazônia legal, pois os poluentes oriundos das queimadas podem causar uma resposta inflamatória persistente e, assim, aumentar o risco de infecção por vírus que atingem o trato respiratório.

O estudo mostra que mesmo com a possível subnotificação, por conta de inconsistências na base de dados do DataSUS, os valores diários de poluentes são extremamente elevados e contribuíram para aumentar em até duas vezes o risco de hospitalização por doenças respiratórias atribuíveis à concentração de partículas respiráveis e inaláveis finas (fumaça) nos estados analisados.

No Amazonas, 87% das internações hospitalares no período analisado estão relacionadas às altas concentrações de fumaça (partículas respiráveis e inaláveis). O percentual foi de 68% no Pará, de 70% em Mato Grosso e de 70% em Rondônia. Já as doenças respiratórias associadas às altas concentrações de partículas de poluentes emitidas pelas queimadas respondem por 70% das internações hospitalares registradas no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.

A pesquisadora Sandra Hacon, da Ensp/Fiocruz, afirma que embora os percentuais de internação hospitalar por doenças respiratórias na região tenham se mantido estáveis entre 2010 e 2020, uma parte considerável dessas internações podem ser atribuídas às concentrações de partículas respiráveis finas e inaláveis emitidas por incêndios florestais. “As micropartículas que compõem a fumaça ficam depositadas nas cavidades dos pulmões, agravando os problemas respiratórios. Elas são um fator de risco para pessoas que já possuem comorbidades. Vemos, portanto, um impacto à saúde e perda da qualidade de bem-estar das pessoas, além do elevado custo econômico das doenças respiratórias para o SUS”, explica. “A fragilização do sistema respiratório é extremamente preocupante no atual cenário de uma pandemia que também causa problemas respiratórios. Essa sobreposição sugere que a região da Amazônia legal tenderá a ter seu sistema de saúde pressionado, já que as queimadas são mais intensas nos meses de seca, que se iniciam dentro de poucas semanas”, alerta.

Importante salientar que no ano de 2020 o Brasil alcançou o maior número de queimadas na década. Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) a floresta amazônica registrou 103.161 focos ante 89.171 em 2019, um aumento de 15,7%. Essa tendência contínua de destruição impacta diretamente não só na saúde das pessoas, mas em todo o ecossistema, que sofre todos os anos durante o ciclo das queimadas intensificado no período de seca, ressalta Edegar de Oliveira, diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil. Ele aponta que “as queimadas fazem parte da dinâmica de destruição da Amazônia. As áreas desmatadas são posteriormente queimadas para “limpar” o terreno, abrindo espaço para a pastagem, a agricultura, ou a simples especulação fundiária. A associação entre o desmatamento, queimadas e degradação da floresta traz um custo muito alto para todos nós, especialmente para os povos da floresta, e para o clima do planeta”, afirma.


ac24horas

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