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Mais Notícias : Ministério define 12 semanas de intervalo entre doses da Pfizer
Enviado por alexandre em 04/05/2021 09:30:00

Período é diferente do estipulado pelo fabricante

Ministério estipulou intervalo de 12 semanas entre as doses da vacina da Pfizer Foto: EFE/Martin Alipaz

O Ministério da Saúde orientou os estados a aplicarem a vacina contra a Covid-19 da farmacêutica Pfizer com 12 semanas de intervalo entre as doses. O Brasil recebeu na quinta-feira passada 1 milhão de doses do imunizante como parte de um acordo que prevê a aquisição de 100 milhões de doses a serem entregues até o fim do terceiro trimestre deste ano. A orientação relativa às 12 semanas supera o prazo previsto na bula do produto, que é de 21 dias.

A carga começou a ser distribuída aos estados para aplicação no público prioritário. Neste domingo (2), a Coordenação-geral do Programa Nacional de Imunizações, do ministério, divulgou novas orientações técnicas sobre a campanha de vacinação, e especificamente sobre a aplicação da vacina da Pfizer.

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A coordenação diz que a ampliação do intervalo “poderá trazer ganhos significativos do pontos de vista da saúde pública”, o que poderá reduzir a gravidade da Covid-19 em um país com alta mortalidade pela doença. Há uma necessidade, acrescenta o órgão, de ampliar a oferta de vacinas à população brasileira. Até esta segunda-feira, 7,69% receberam as duas doses dos imunizantes aplicados em território nacional.

Para justificar a decisão, a coordenação cita o exemplo do Reino Unido, onde o mesmo prazo de 12 semanas foi adotado.

– Esta recomendação considerou que a vacinação do maior número possível de pessoas com a primeira dose traria maiores benefícios do ponto de vista de saúde pública, considerando a necessidade de uma resposta rápida frente a pandemia de covid-19 – escreveu Laurício Monteiro Cruz, diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

A interpretação é de que a primeira dose já começa a oferecer proteção em patamares significativos contra o novo coronavírus. Vinte um dias após a primeira dose, a efetividade estimada é de 80% a 90%, aponta o documento. O intervalo de 12 semanas, reconhece o órgão federal, foi recebido com controvérsia e análises preliminares chegaram a apontar uma efetividade reduzida na comparação com o prazo indicado.

Questionada sobre a orientação do Ministério da Saúde, a Pfizer não se posicionou objetivamente sobre um eventual respaldo à decisão. A empresa disse que os regimes de dosagem “ficam a critério das autoridades de saúde e podem incluir recomendações seguindo os princípios locais de saúde pública”.

*Estadão


Mundo teve mais casos de Covid-19 em duas semanas do que em 6 meses, diz OMS

Nas últimas duas semanas houve mais casos de coronavírus do que nos seis primeiros meses de pandemia no mundo; Índia e Brasil somam mais da metade dos registros

Joshua Berlinger, Adam Renton, Aditi Sangal e Vital Neto, da CNN

Equipe médica cuida de pacientes em área de emergência de hospital
Equipe médica cuida de pacientes em área de emergência de hospital
Foto: Diego Vara/Reuters

Globalmente, houve mais casos de Covid-19 relatados nas últimas duas semanas do que durante os primeiros seis meses da pandemia, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, durante uma coletiva de imprensa em Genebra nesta segunda-feira (3). 

Dados levantados pela CNN mostram que, entre 19 de abril e 2 de maio de 2021, a OMS registrou 11.439.682 casos de Covid-19. Já entre 30 de dezembro de 2019 – quando foi confirmado o primeiro caso no mundo – e 6 de julho de 2021 foram registradas 11.338.515 infecções. 

“Mais casos de Covid-19 foram relatados globalmente nas últimas duas semanas do que durante os primeiros seis meses da pandemia”, disse Tedros Adhanom. “Índia e Brasil respondem por mais da metade dos casos da semana passada. Mas existem muitos outros países em todo o mundo que enfrentam uma situação muito frágil”. 

A Índia está há 12 dias consecutivos registrando mais de 300 mil novos casos de Covid-19 a cada 24 horas. A OMS fornece equipamentos e suprimentos, como concentradores de oxigênio, ao país, e dá orientações sobre como cuidar, em casa, de pessoas que não conseguem leitos hospitalares. 

A Fundação OMS também está levantando fundos para apoiar a necessidade de oxigênio e suprimentos relacionados em todo o mundo, disse Tedros, que pediu a todos que continuem seguindo as recomendações da organização e dos países em relação às medidas de segurança da saúde pública. 

“O que está acontecendo na Índia e no Brasil pode acontecer em outros lugares, a menos que todos nós tomemos esses cuidados de saúde pública que a OMS vem pedindo desde o início da pandemia”, disse Tedros. “As vacinas são parte da resposta, mas não são a única resposta.” 

(Texto traduzido. Clique aqui para ler a versão em inglês)

Mais Notícias : Covid: 8 medidas cruciais contra o coronavírus (que está mais presente no ar do que nas superfícies)
Enviado por alexandre em 03/05/2021 09:58:05

  • María Cruz Minguillón
  • The Conversation*
Ilustração de um homem usando uma máscara cercada por sprays

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Os aerossóis permanecem flutuando no ar por minutos ou horas e, nesse tempo, podem percorrer vários metros

Que a covid-19 é transmitida principalmente pelo ar é uma realidade indiscutível neste momento.

Ela consegue isso através dos agora famosos aerossóis, que nada mais são do que pequenas partículas de saliva ou fluido respiratório emitidas pelas pessoas quando respiram, falam, gritam ou tossem.

Embora esteja claro que os aerossóis emitidos por pessoas saudáveis ​​não são um problema, aqueles emitidos por pessoas infectadas podem conter vírus. O problema é que eles permanecem flutuando no ar por minutos ou horas e, nesse tempo, podem se mover vários metros.

Em ambientes internos mal ventilados, os aerossóis de uma pessoa infectada são distribuídos por todo o espaço, com o risco de outras pessoas serem infectadas ao inalá-los. O ar de uma sala fechada funciona como uma piscina: se houver uma fonte que coloca água com coloração (nosso vírus) na piscina, depois de um tempo toda a água da piscina (nosso ar) terá mudado de cor. Não importa se estou perto ou longe da fonte: a água estará colorida.

Como sabemos tudo isso? Além do conhecimento pré-pandêmico da dinâmica de fluidos e aerossóis, no último ano, vários estudos foram realizados. Alguns deles detectaram o vírus SARS-CoV-2 infeccioso no ar de ambientes internos. Experimentos com animais mostraram que o contágio existe mesmo sem contato algum.

Uma mulher com uma máscara no rosto segurando outra máscara

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Uma máscara mal ajustada (com lacunas entre a borda da máscara e o rosto) pode ver sua eficácia cortada pela metade

Vários eventos de supercontágio — em que uma única pessoa infecta muitas — que só podem ser explicados pela transmissão de aerossol, também foram estudados.

Foi observado que ser infectado em ambientes fechados é 20 vezes mais provável do que ao ar livre, o que novamente só pode ser explicado pela transmissão de aerossol. A revista acadêmica de saúde The Lancet publicou recentemente um artigo que não deixa dúvidas quanto à importância da via de transmissão por aerossóis.

Sabe-se que as pessoas infectadas são principalmente contagiosas antes de apresentarem sintomas (pré-sintomáticos) ou quando sequer apresentam sintomas (assintomáticos). Assim, é impossível, na ausência de testes com diagnóstico imediato, confiáveis ​​e abundantes, saber quem é contagioso e quem não é. Portanto, é preciso agir como se todas as pessoas fossem. Temos que nos proteger continuamente.

A desinfecção de superfície faz sentido?

Por uma série de razões, as transmissões por superfície e por gotículas por muito tempo foram consideradas as principais formas de contágio, apesar da falta de evidências.

A transmissão por superfície ocorre quando uma pessoa toca uma superfície que contém vírus e, em seguida, toca seus olhos, nariz ou boca. As gotas são grandes partículas emitidas ao falar, tossir ou espirrar, que podem atingem os olhos, entrar no nariz ou na boca de outra pessoa. Por esse motivo, as medidas adotadas se concentraram principalmente na desinfecção de superfícies e na proteção contra gotas (distanciamento ou barreiras físicas).

Mas a realidade é que a principal transmissão é por aerossóis, também em curtas distâncias. Os Ministérios da Ciência e da Saúde da Espanha publicaram relatórios sobre a transmissão de aerossóis no final de 2020, embora as conclusões não tenham se refletido muito nas medidas aplicadas desde então.

Um menino brincando com uma pipa em um parque

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Atividades ao ar livre devem ser promovidas. Isso implica facilitar o uso de parques e jardins e ficar de olho em 'falsos ambientes externos', como terraços fechados

É preciso mudar a estratégia. A descoberta da transmissão via aerossol do SARS-CoV-2 não é uma má notícia. O SARS-CoV-2 foi transmitido dessa forma desde o início da pandemia.

Ignorar isso nos levou a direcionar esforços erroneamente. Saber qual é a principal forma de transmissão do covid-19 é nossa melhor ferramenta para evitá-lo.

Vários artigos científicos refletem isso. A própria revista Nature, em seu editorial de fevereiro de 2021, pediu mudanças: "O coronavírus está no ar: há muita ênfase nas superfícies".

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Temos que fazer isso agora. Como? Mais de 100 cientistas espanhóis identificaram oito pontos-chave para acabar com a pandemia. É um consenso alcançado entre várias áreas do conhecimento como virologia, engenharia, ciências ambientais ou medicina. São explicados numa carta, promovida pelo grupo Aireamos, dirigida às autoridades competentes na Espanha, centrais e regionais.

Medidas prioritárias

1. As máscaras de uso geral precisam ser eficazes. É preciso identificar e retirar do mercado as que não o são e enfatizar a necessidade de um bom encaixe no rosto. Uma máscara mal ajustada (com lacunas entre a borda da máscara e o rosto) pode ter sua eficácia cortada pela metade. Em interiores compartilhados, incluindo, é claro, locais de trabalho, ela deve ser sempre usada, independentemente da distância entre as pessoas.

2. Atividades ao ar livre devem ser promovidas. Isso implica facilitar o uso de parques e jardins e ficar de olho em 'falsos ambientes externos', como terraços fechados.

3. Os espaços internos devem ser ventilados com ar externo contínua e suficientemente, usando ventilação natural ou mecânica. Na analogia da piscina, isso significa adicionar água limpa à nossa piscina de forma contínua, e gradualmente retirando a água colorida. Quanto? O suficiente para que a piscina nunca fique muito escura, apesar de a fonte com água colorida não parar.

Os critérios devem ser claramente definidos. Até a OMS publicou recomendações sobre ventilação, embora ainda não explique claramente como ocorrem as infecções.

Um homem abrindo uma janela

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Os espaços internos devem ser ventilados com ar externo contínua e suficientemente, usando ventilação natural ou mecânica

4. O CO₂ interno deve ser medido para verificar a ventilação adequada. O CO₂ é emitido junto com os aerossóis quando respiramos, então é um bom indicador da quantidade de ar usado em um local. É a melhor solução atualmente disponível para indicar o risco de contágio.

5. É preciso que se informe sobre a eficácia e os riscos potenciais de várias tecnologias de purificação do ar. A filtragem (filtros conhecidos como HEPA) é a tecnologia preferida para remover aerossóis respiratórios com eficácia.

6. Atenção especial deve ser dada aos centros educacionais, como escolas e universidades. São espaços com características que propiciam eventos de super contágio: muitas pessoas, muitas horas por dia e às vezes pouca ventilação.

Professor e criança com máscara em uma sala de aula em Havana

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Os centros educacionais são espaços com características que promovem eventos de super contágio

7. Devem ser desenvolvidos e aplicados critérios, procedimentos e regulamentos claros e eficazes para reduzir o risco de contágio. O primeiro pode ser um limite de 700-800 ppm de CO₂ em interiores compartilhados (até 1000 ppm se houver filtragem suficiente).

8. Informação de qualidade é a melhor defesa. São necessárias mensagens claras sobre como o vírus é transmitido e como nos proteger. É fundamental que a população entenda a lógica das regras para adotar o comportamento ideal em cada situação.

Não é difícil. Vamos fazer isso.

*Este artigo apareceu originalmente em The Conversation. Você pode ler a versão original e ver os links para estudos científicos aqui.

María Cruz Minguillón é cientista titular do Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (IDAEA), do Conselho Superior de Pesquisa Científica da Espanha (CSIC).

Mais Notícias : Adenovírus da Sputnik causa resfriado comum, sem maiores problemas, diz médico
Enviado por alexandre em 01/05/2021 22:30:57

A Anvisa negou nesta semana a importação da Sputnik V por falta de dados técnicos. Segundo o professor titular de imunologia clínica da faculdade de Medicina da USP, Jorge Kalil, o adenovírus do tipo 5, replicante, que está gerando estes questionamentos, são capazes de gerar apenas resfriados comuns nas pessoas, sem grandes complicações.

“O adenovírus 5 causa no homem, normalmente, um resfriado comum. Então, não tem maior problema ter um pouco de adenovírus. Existem inúmeros estudos, quanto é que pode, quanto é que não pode, mas não traz problema nenhum."

No entanto, ele ressalta que é importante que a Anvisa queira saber, por exemplo, quanto destes adenovírus estão na composição da vacina.

“A Anvisa tem razão em querer saber quantos têm e qual é o limite que será feito para que a gente não fique causando resfriado à toa ou para que a gente não fique causando algum outro problema qualquer."

Jorge Kalil também diz que a vacina Sputinik V deverá ser adotada e será necessária no país para combater à pandemia. Ele espera que os russos dialoguem com a agência brasileira para chegar a uma resolução.

“Nós tivemos uma reunião nesta sexta-feira (30), de vários cientistas com a Anvisa, para tentar entender o que está se passando. A Anvisa mesmo que convocou. Seria muito interessante nós termos essa vacina russa, que promete ser muito boa, mas ela tem que esclarecer algumas coisas."

Frascos com vacina contra Covid-19 Sputnik V
Frascos com vacina contra Covid-19 Sputnik V
Foto: Akhtar Soomro/Reuters

Mais Notícias : O que você precisa saber sobre a vacina da Pfizer, que chega hoje ao Brasil
Enviado por alexandre em 30/04/2021 09:01:38

Composição, esquema de doses, armazenamento: entenda mais sobre o imunizante que chega ao país nesta quinta-feira (29)

Lucas Rocha, da CNN, em São Paulo

Vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech
Vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech
Foto: Charles Platiau/Reuters (30.dez.2020)

A primeira remessa de um milhão de vacinas da Pfizer chega ao Brasil nesta quinta-feira (29), no aeroporto de Viracopos, em Campinas. O lote será distribuído somente nas capitais por questões de armazenamento. A vacina produzida pela farmacêutica norte-americana Pfizer, em parceria com a empresa alemã BioNTech, conta com um esquema de duas doses e já foi aprovada em 83 países.

No dia 23 de fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro definitivo da vacina no Brasil, que permite que o imunizante seja comercializado, distribuído e utilizado pela população, tendo sido avaliado a partir de dados robustos dos estudos de qualidade, eficácia e segurança. Saiba mais:

Como funciona a vacina da Pfizer

A vacina Pfizer/BioNTech utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O material genético sintético, que carrega o código genético do SARS-CoV-2, estimula o organismo a gerar anticorpos contra o vírus.

Em outras palavras, o objetivo é que o mRNA sintético dê as instruções ao corpo humano para a produção de proteínas encontradas na superfície do vírus. São essas proteínas que levam à resposta do sistema imunológico e trazem a proteção para o indivíduo.

As vacinas de RNA mensageiro são um novo tipo de imunizante, considerado de 3ª geração, que também tem como objetivo proteger as pessoas de doenças infecciosas. (veja quadro)

Tipos de vacinas existentes
Tipos de vacinas existentes
Foto: Arte/CNN Brasil

Características de armazenamento 

Quando começaram a ser usadas, as vacinas da Pfizer/BionNTech precisavam ficar armazenadas a -70°C, o que dificultava a utilização em regiões sem os refrigeradores adequados.

No final de fevereiro deste ano, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, deu sinal verde para a farmacêutica transportar e conservar a vacina em temperaturas convencionais, entre -25°C e -15°C, normalmente encontradas em freezers farmacêuticos, por um período de até duas semanas.

No Brasil, a Anvisa atualizou as condições de armazenamento de vacina da Pfizer em abril, levando em conta as novas recomendações.

Em entrevista à CNN, o coordenador dos testes do imunizante no Brasil, Cristiano Zerbini, afirmou que o país não terá problema para armazenar o imunizante. “[A vacina] pode ficar entre -15ºC e -25ºC durante 14 dias e entre 2ºC e 8ºC por cinco dias. Então o armazenamento não será um problema, [e como] a distribuição vai ser pelas capitais, esse armazenamento será um pouco mais fácil”, avaliou o especialista.

Esquema de doses

O esquema para a imunização completa considera a aplicação de duas doses, com um intervalo de 21 dias. Segundo a Anvisa, a vacina pode ser aplicada em pessoas com mais de 16 anos.

Eficácia

A vacina apresentou a taxa de eficácia de 91,3% após a aplicação da segunda dose. Os testes de fase três foram realizados com cerca de 44 mil participantes, em 150 centros de pesquisa, no Brasil, e em países como Estados Unidos, Alemanha, Turquia, África do Sul e Argentina. 

Proteção contra variantes

Após o surgimento de variantes do novo coronavírus, uma das principais dúvidas da comunidade científica é a capacidade de proteção dos imunizantes já desenvolvidos. Diversos estudos têm sido desenvolvidos no intuito de responder a essa pergunta.

Uma pesquisa publicada no periódico científico New England Journal of Medicine, em abril, apontou que a vacina da Pfizer protege contra a cepa sul-africana (B.1.351). Outro estudo, publicado no mesmo periódico em março, mostrou que o imunizante foi capaz de neutralizar a variante P.1, que teve origem em Manaus, no Amazonas.

Uma análise preliminar publicada em fevereiro na revista Nature Medicine apontou que a vacina também mostra eficácia contra mutações do coronavírus.

Aplicação em gestantes 

A vacina Pfizer/BioNTech não parece representar nenhum risco sério para grávidas, segundo estudo preliminar conduzido por pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada no periódico New England Journal of Medicine, no dia 21 de abril, analisou os dados de mais de 35 mil grávidas que tiveram acompanhamento dos CDC via dispositivos como aplicativos para smartphone.

Segurança da vacina

A vacina da Pfizer parece ser segura e os eventos adversos são raros, de acordo com uma apresentação feita pelo Comitê Consultivo de Vacinas e Produtos Biológicos Relacionados da FDA (Food and Drug Administration, órgão norte-americano equivalente à Anvisa) dos Estados Unidos.

Mais Notícias : Sete em cada dez brasileiros conhecem alguém que morreu de Covid-19
Enviado por alexandre em 29/04/2021 08:44:14

A pedido da CNN, cientistas fizeram levantamento e apontam que, estatisticamente, ainda é possível afirmar que quase 25% dos brasileiros perderam alguém próximo

Lílian Cunha, colaboração para a CNN

Covid-19
Enterros à noite no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, no auge da segunda onda da pandemia
Foto: VINCENT BOSSON/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Brasil está próximo de alcançar a marca de 400 mil mortos por Covid-19. A sensação de que a morte invadiu nossas vidas, nossas casas e parece beliscar nossos calcanhares é palpável – e real. Se em 2020, para uma parte da população a pandemia parecia concentrada em bairros da periferia ou em uma faixa etária mais alta, após termos cruzado a barreira de mais de 3 mil falecimentos diários a percepção de que a morte nos espreita se intensificou. 

Um pai, uma mãe, um parente, amigo, vizinho ou conhecido. Sogro da sua prima. Amiga de sua avó. Filho. Ex-colega de classe ou de trabalho. Marido. A chance de você conhecer alguém que morreu de Covid-19 é alta. Exatamente 67,97%, considerando a população do Brasil (211 milhões de habitantes) e que cada indivíduo conheça em média 600 pessoas. 

Covid-19
Foto: Arte/CNN

Ou seja, sete em cada dez brasileiros sabem de alguma vítima fatal da Covid em seu círculo de relacionamentos. O número é maior ainda – 77% – se levarmos em conta apenas a população adulta, os brasileiros maiores de 18 anos  (163,981 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE).

Foi a esse número que chegaram Ricardo Takahashi, professor titular do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisador da área de epidemiologia matemática; Leandro Russovski Tessler, físico e professor da Universidade Estadual de Campinas; Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e coordenador na Rede de Análise Covid-19; e Régis Varão, professor doutor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp.

A pedido da CNN, esses cientistas calcularam qual a probabilidade de cada brasileiro conhecer uma vítima da pandemia. Para que o cálculo fosse possível, foi necessário estipular quantas pessoas o brasileiro conhece. O problema é que não existem estudos que mapeiem isso nacionalmente. Por isso, levamos em conta uma estimativa feita pela especialista em estatística, Tian Zheng, da Universidade de Colúmbia, nos EUA. Segundo ela, cada americano tem, em média, 600 conhecidos – e aí entram não apenas amigos e familiares, mas colegas de trabalho, vizinhos, pessoas que você conhece, mas de quem talvez não lembre o nome. 

Covid-19
Foto: Arte/CNN

 “Pode até ser que o brasileiro conheça mais que 600 pessoas. Mas muita gente vai dizer que conhece bem menos e outros, bem mais”, pondera o físico Leandro Tessler - afinal, trata-se de uma média. 

Assim, levamos em conta também outro número: 150. Conhecido como “número de Dunbar”, ele foi estipulado, na década de 1990, pelo antropólogo inglês Robin Dunbar, da Universidade de Oxford. Dunbar calculou que o ser humano (independentemente de sua nacionalidade) tem capacidade de manter uma rede de amizades composta, em média, por 150 pessoas. Nesse seleto conjunto estão seus amigos (os distantes e os mais chegados, pessoas que você sabe o nome e que, provavelmente, estão em sua lista de contatos no celular). E toda sua família. Algumas pesquisas mostraram que, no Brasil, os parentes são pouco mais de 50% dos laços de amizade - talvez porque as famílias sejam grandes. 

Estatisticamente, quando o círculo de relacionamento fica mais estreito, a chance de se conhecer uma pessoa morta pela Covid é menor, porém ainda bem significativa: 24,77%. Ou seja, um em cada quatro brasileiros tiveram uma perda próxima provocada pela pandemia. Uma perda mais dolorosa. 

Covid-19
Foto: Arte/CNN

Mas, conforme alerta o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, no ritmo em que a pandemia cresce em todo o país, esses percentuais ganham mais corpo. “O número tende a ser cada vez mais verdadeiro. A chance de você conhecer alguém morto pela doença aumenta todo dia.”

Claro que isso varia também conforme a idade, a região, a classe social, a profissão da pessoa, diz o professor Takahashi. “Uma pessoa em São Paulo ou em Manaus vai ter mais vítimas conhecidas que alguém que trabalha isolado, no campo, em Goiás”, explica. 

Cada um e todos nós

Enquanto a estimativa numérica varia de acordo com diferentes fatores, o que não muda é esse sentimento de que estamos cercados de dor e morte. A arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) decidiu, em junho do ano passado, fazer um mapa da Covid na cidade de São Paulo. 

Com base no código postal de pessoas internadas e falecidas, ela identificou, por meio do LabCidade, um laboratório dedicado a estudar o espaço público e direito à cidade, onde a doença estava aparecendo e matando mais. “O problema é que o Ministério da Saúde considerou que o CEP das pessoas era informação pessoal e proibiu a divulgação do mapa”, conta ela.

O mapeamento continua sendo feito, embora não seja divulgado. “No começo, a gente achava que as periferias eram mais atingidas, com suas moradias e condições mais precárias para o isolamento”, diz. Com o recrudescimento da pandemia e a consolidação dos dados, Rolnik viu que o cenário mudou – e chegou a duas conclusões que não esperava: não existe lugar na capital paulistana, por menor ou mais isolado que seja, onde a Covid não tenha feito estragos. “A doença está por toda a cidade. Inteiramente.”

É por isso que, estatisticamente, 73,1% dos paulistanos conhecem alguém que morreu. Quando se restringe a familiares e amigos, o percentual é de 27,98%. (Os dados usados na reportagem sobre mortes em cidades são referentes a 27 de abril e reportados pelas secretarias municipais de saúde.)

A doença, contudo, não atinge a cidade homogeneamente. Há manchas onde ela é mais grave que em outros lugares. Essas manchas não estão divididas, como se chegou a pensar, entre áreas onde moram os mais pobres e os mais ricos. Mesmo dentro de um mesmo bairro, seja ele de classe A, C ou D, existem locais de maior e menor incidência. O que explica isso? 

“A circulação de pessoas. Onde há mais trânsito de pessoas, há mais casos. E os locais de maior trânsito são estações de metrô, pontos, corredores e terminais de ônibus”, explica a urbanista. É por isso que, segundo os dados do LabCidade, o bairro mais atingido pela doença atualmente na capital é Santa Cecília – região de classe média alta, com várias estações de metrô e terminais de ônibus. 

“Sem diminuir a exposição das pessoas no transporte público, com mais ônibus, mais vagões e menos lotação, o combate ao vírus não vai ter sucesso. Medidas ‘classemediacêntricas’, como o trabalho em casa, só são possíveis para 30% das ocupações. E não geram o impacto que precisamos”, diz Rolnik. 

Covid-19
Foto: Arte/CNN

Manaus, o caso mais grave 

Essa displicência com medidas de distanciamento social no transporte público – e em outros espaços em geral – também acontece em outras cidades. E assim o vírus vai se espalhando e fazendo vítimas. 

Manaus, por exemplo: a capital amazonense, com 2,02 milhões de habitantes, é a cidade com a maior média de pessoas que pelas estatísticas conhecem mortos pelo coronavírus: 92,59%. 

Ou seja, dificilmente alguém na cidade cuja gravidade serviu de motivação para a abertura da CPI da Pandemia não ouviu falar de alguém que tenha morrido. No círculo mais fechado, a situação é estarrecedora: quase metade (47,82%) dos manauaras perdeu um amigo ou familiar. 

Olhando para outras capitais, Cuiabá vem em seguida: 91.94% conhecem vítimas fatais (e 46,73% dos moradores perderam amigos ou familiares). 

Os altos percentuais, porém, não estão restritos a capitais. Com uma população de 465 mil habitantes, São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, chama atenção. Lá, assim como em Manaus, nove em cada dez pessoas conhecem, estatisticamente, pessoas mortas pelo vírus (91,18%). No círculo mais próximo, são 45,50%.

Era o que faltava?

Ou seja: a pandemia está generalizada e as mortes, também. “Minha prima perdeu o pai para Covid há poucos dias. Ele foi cremado e o velório foi uma cerimônia com apenas dois parentes, atrás de um vidro e, do outro, oito caixões. Oito pessoas sendo veladas juntas, coletivamente, por falta de espaço. Essa é uma cena que não vai se apagar da memória dela e nem da minha”, diz Flávia Ávila, especialista em economia comportamental e presidente da InBehavior Lab, empresa especializada em usar a ciência para criar estratégias, intervenções e políticas públicas. 

Flávia mora em Brasília onde 78,47% das pessoas conhecem algum falecido pela pandemia (e 31,88% tem maior familiaridade com vítimas). O momento é triste, mas segundo ela, toda essa matemática da Covid, mostrando qual a proximidade das pessoas com a morte, pode ter um efeito positivo. Pelo ponto de vista da economia comportamental que, muito simplificadamente, estuda como as pessoas tomam suas decisões, o sofrimento que a Covid causa pode funcionar como um “atalho mental”, evocado pelo ser humano na hora de tomar decisões, como evitar aglomerações, usar máscara.

“Toda vez que você precisa decidir algo, seu cérebro puxa por lembranças que ajudem na tomada de decisão. Ter parentes ou conhecidos que morreram é uma memória forte e pode modificar comportamentos”, explica Flávia. “Até agora, as pessoas estavam pensando assim: ‘ah, depois de um ano, se não peguei até agora, não preciso mudar nada, está tudo bem’”, diz. Isso é o que a economia comportamental chama de viés da confirmação: a pessoa procura na realidade dela elementos que comprovem o que ela pensa. 

A realidade é implacável e nada está tão bem quanto antes parecia para alguns. Se você tem a sorte de ainda não ter tido alguém próximo que a Covid levou, certamente sabe de alguém que se contaminou, que ficou internado. “Imagine que você tenha um grupo de 150 amigos, então a chance de que ninguém tenha tido Covid é 0,003%. Muito baixa”, calculou Régis Varão, professor doutor do Instituto de Matemática da Unicamp.

Anestesia ou empatia 

Mas por que precisamos chegar a esse ponto extremo para vislumbrar alguma mudança? “É difícil saber. E também é dificílimo estimar o que esse trauma todo, esse luto vai provocar na sociedade”, afirma Flávia. O certo, de acordo com ela, é que haverá consequências sociais. Mesmo que muita gente ainda não tenha sentido esse sofrimento, a dor de quem teve essa proximidade com a perda é forte e não vai se diluir. Nem na sociedade, nem no indivíduo. 

A reação a esse momento tão grave, obviamente, não é uníssona. Para Vera Paiva, professora titular no Departamento de Psicologia Social do Instituto de Psicologia da USP, há pessoas e grupos que, profundamente sensibilizados pela dor do próximo, se mobilizam e agem para oferecer conforto e apoio. “Gosto de pensar que a maior parte dos brasileiros é pela vida, pela solidariedade. Foram essas pessoas, por exemplo, que pressionaram e conseguiram colocar o direito à vida na Constituição, só para citar um grande exemplo.”

Já uma outra parcela da sociedade está dessensibilizada, contaminada com o que ela chama de “cultura da morte”. “É a cultura que existe desde os tempos do escravagismo, da ditadura e que vem ganhando força em alguns setores nos últimos anos, com a banalização da morte provocada pela violência urbana ou, recentemente, pelo vírus”, diz a especialista.

São pessoas que, segundo ela, gostam de se colocar no lugar de Deus para decidir quem vive e quem morre: se quem morre são os velhos, os fracos, os pobres, os negros, tudo bem. Para esse grupo, banalizar a morte e menosprezar os direitos humanos é a regra. É um comportamento social bem mais grave e tóxico que o negacionismo, ela diz. 

Negar o problema é a forma mais leve e irresponsável de lidar com a perda. Por um tempo, a negação é aceitável e normal. Mas quando se torna um modo de vida, é patológico e arriscado. Ainda mais numa pandemia. “Ao negar a realidade, a pessoa não sente a necessidade de se responsabilizar”, diz  o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, mestre em  psicologia clínica pela Pontificia Universidad Católica de Chile. 

O luto como companhia

O que o Brasil e o mundo estão vivendo com a pandemia é uma situação inédita neste século e no anterior, na opinião dele, não comparável sequer ao período das grandes guerras. “Havia mortes, mas não havia a informação da morte tão disponível quanto temos hoje”, afirma Amaral. A percepção de que a morte está à espreita por si só é capaz de gerar luto. A falta de abraços, do convívio social, do contato próximo com outras pessoas. Tudo isso também colabora para um sentimento muito próximo ao do luto. 

E cada um tem uma forma bem individual de lidar com isso. “A experiência do luto é tão pessoal quanto a impressão digital de cada um. Não existe uma cartilha para lidar com ele”, diz o psicólogo. O caminho mais saudável para quem vive a dor da perda de uma pessoa amada, de alguém mais distante, ou simplesmente a angústia desses dias é aceitar o que aconteceu e conversar sobre isso. 

Externar os sentimentos e falar da dor, do medo, da raiva e da saudade. Escoar os sentimentos em forma de palavras, seja conversando com alguém de confiança presencialmente, se for possível, ou de forma virtual. E até mesmo escrevendo num papel, como num diário. “Transferir os sentimentos para a palavra, de certo modo, esvazia o peso da dor e não deixa que as emoções se acumulem.”

Olhar para o outro também ajuda. “Tenho muitos pacientes que perderam familiares e amigos para a Covid e que me relatam que ajudar os outros é algo que auxilia a aplacar essa dor”, conta o também psicólogo Wilson Montiel. Para ele, mesmo vivendo seu próprio pesadelo de dor e perda, romper essa bolha dolorosa para ajudar alguém – seja uma pessoa conhecida ou um desconhecido na rua passando fome – “gera outro sentimento, com grande potencial para aplacar o luto: a gratidão”. 

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