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Mais Notícias : Conheça 8 fatos sobre a vacina Sputnik V
Enviado por alexandre em 27/04/2021 09:00:52

Imunizante que leva o nome do primeiro satélite espacial soviético precisa provar para a Anvisa que é seguro contra a Covid-19 para ser aplicado no Brasil

Camila Neuman, da CNN, em São Paulo

Profissional de saúde enche seringa com vacina Sputnik V contra Covid-19
Profissional de saúde enche seringa com vacina Sputnik V contra Covid-19
Foto: Maxim Shemetov/Reuters

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decide nesta segunda-feira (26) sobre a liberação dos pedidos de importação da Sputnik V, vacina russa, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, contra a Covid-19. 

No último sábado (24), agentes especializados da Anvisa finalizaram a visita de inspeção nos laboratórios das empresas Generium e UfaVita, que participam da produção da Sputnik V. A equipe, que chegou à Rússia no dia 16, trouxe um relatório com as informações coletadas que ajudaram na decisão.

Governadores de ao menos 12 Estados negociam a importação de 66 milhões de doses da vacina russa desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, além das 10 milhões encomendadas pelo Ministério da Saúde em parceria com a farmacêutica União Química. 

Antes das inspeções, a Anvisa havia informado por e-mail à CNN que ainda não dispunha da lista de todos os países que já teriam aprovado a Sputnik. Também havia dito que a agência estrangeira de referência para medicamentos, a EMA, não havia recebido todas as informações necessárias para concluir a análise de segurança, qualidade e eficácia da vacina, seguindo os parâmetros técnicos e científicos estipulados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ou pelo Conselho Internacional de Harmonização de Requisitos Técnicos de Medicamentos para Uso Humano.  

A dificuldade de aprovação divide os lados interessados: a União Química, que afirma já ter entregue toda a documentação solicitada à Anvisa; os governadores que pedem celeridade do órgão regulador, devido ao aumento de casos e mortes pela Covid-19 no país, e a Anvisa que precisa fazer seu papel de liberar o uso somente quando estivesse certa da segurança e eficácia. 

Saiba mais sobre a vacina:

1. Duas vacinas em uma

Entre todas as vacinas contra a Covid-19 já registradas no mundo, a Gam-COVID-Vac (nome oficial da Sputnik V) é a única desenvolvida com dois adenovírus inofensivos, nomeados de D-26 D-5, que não causam doença no ser humano e são aplicados um em cada dose, o que pode ser considerado duas vacinas em uma.  

Os adenovirus são uma família de vírus que atacam humanos e animais e, quando inativados, são considerados vetores, ou seja, servem para transportar material genético de um vírus diferente – no caso a proteína Spike encontrada no coronavírus - para uma célula humana. Na primeira dose, o D-26 leva a proteína S para dentro das células humanas, o que causará uma resposta imune do organismo, que começa a criar defesa contra a proteína e, consequentemente, anticorpos contra o coronavírus.

Na segunda dose, 21 dias depois, entra em cena o D-5, outro adenovírus que fará o mesmo papel, mas ao mesmo tempo tende a ser o diferencial mais assertivo do imunizante. Isso porque, segundo cientistas, por ter duas ‘fórmulas’ diferentes, essa vacina pode ajudar a produzir mais anticorpos contra o coronavírus e ser a responsável pela alta eficácia contra o vírus Sars-CoV-2. Mas ainda faltam dados científicos que comprovem a tese. 

2. Tem alta eficácia 

A vacina que leva o nome do primeiro satélite espacial soviético, lançado em 1957, atingiu uma taxa de eficácia de 97,6%. Ainda conforme o instituto, os dados serão revisados por outros cientistas e publicados em uma revista médica em maio.

De acordo com a farmacêutica russa, os dados de eficácia têm como base a análise da taxa de infecção entre os 3,8 milhões de vacinados com duas doses na Rússia entre 5 de dezembro e 31 de março. O dado é superior à eficácia de então 91,6% reportada pela revista científica The Lancet, em fevereiro.

Ainda segundo o estudo, a eficácia chegou a 100% para prevenção de casos graves e mortes pela doença, após 21 dias da aplicação da primeira dose. A aplicação do imunizante se dá por duas doses, via injeção intramuscular, com diferença de 21 dias entre cada dose. 

 

Os ensaios clínicos pós-registro envolvendo mais de 31 mil pessoas na Rússia e em Belarus começaram em 25 de agosto de 2020. No período, os Emirados Árabes Unidos, Índia e Venezuela iniciaram testes clínicos locais da vacina Sputnik V. A vacina recebeu certificado de registro do Ministério da Saúde da Rússia em 11 de agosto e, de acordo com os regulamentos de emergência adotados durante a pandemia de Covid-19, pode ser usada para vacinar a população da Rússia.

3. Testes tiveram pouca diversidade étnica

A pouca diversidade étnica entre os voluntários que participaram dos testes clínicos divulgados pela The Lancet é visto por especialistas como um ponto fraco da vacina. De todos os voluntários que tomaram as duas doses da Sputnik, 14.741 (98,5%) eram brancos; 217 (1,5%) asiáticos e apenas 6 pessoas (<0,1%) de outras etnias não especificadas.

Em geral, é preciso testar uma vacina em vários lugares, porque as pessoas são geneticamente diferentes. Levando-se em conta que a vacina pode ser usada emergencialmente no Brasil, cuja população é bastante miscigenada, os resultados poderiam ser outros.

Sendo assim, alguns cientistas consideram importante realizar teste de fase 3 aqui no Brasil antes de aprovar a vacina para uso emergencial. Isso porque em lugares onde a população é muito homogênea a pesquisa dá um viés. 

Mas, segundo a Anvisa, não existe a obrigação de que medicamentos ou vacinas registradas no Brasil, mesmo para uso emergencial, tenham estudos clínicos conduzidos no país.  

4. Farmacêutica pode produzir a Sputnik no Brasil

A União Química fez a transferência de tecnologia para produzir a Sputnik V no Brasil com o Fundo Russo de Investimento (RDIF), que detém a patente, e com Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, que desenvolveu a vacina, ainda em 2020, depois de visitar as fábricas na Rússia e treinar funcionários. Com isso, pretende produzir o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) em sua fábrica Bthek, em Brasília (DF), e fazer o envase em sua fábrica de Guarulhos (SP) - esta já certificada pela Anvisa. A União Química afirma que tem capacidade para fabricar até 8 milhões de doses da Sputnik V por mês.

Em janeiro de 2021, a União Química entrou com o primeiro pedido de importação e de uso emergencial da Sputnik V no Brasil, que foi recusado pelo órgão regulador. Outro pedido feito em março também foi negado pela falta da documentação. 

5. Estados brasileiros recorrem à Justiça por vacinas

Doze estados do Norte e do Nordeste e o município de Maricá (RJ) já protocolaram dezenas de pedidos para Anvisa liberar a importação das doses em caráter excepcional e pelo uso emergencial da vacina no Brasil.

Irritados com as exigências da Anvisa, os governadores do Consórcio Nordeste entraram com um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Anvisa acelerasse a liberação.  O STF deu um prazo de 30 dias para a Anvisa decidir sobre o pedido de importação feito pelos Estados. A agência tentou recorrer, mas o pedido de recurso foi negado pelo STF .

6. Cientistas concordam com exigências da Anvisa

O que para leigos pode parecer uma demora na aprovação, para os especialistas consultados pela CNN é um rito da ciência, pois é exigência do cumprimento de normas técnicas que vai garantir vacinas de qualidade. Caso contrário, todo o processo de validação de vacinas perde credibilidade e se colocará em dúvida todas as vacinas ofertadas no PNI.

7. Comunicação russa gera desconfiança

A Sputnik V foi a primeira vacina contra a Covid-19 a ser registrada no mundo, ainda em 2020. A aprovação, porém, gerou desconfiança internacional, pois a Rússia autorizou o imunizante sem ter finalizado estudos de fase 3 (com população mais numerosa e diversa), o que foi feito posteriormente e depois publicado na revista científica The Lancet.

A publicação dos resultados no renomado periódico científico, com dados consistentes de eficácia e segurança, fez a vacina conseguir registro em mais de 50 países, segundo o laboratório estatal russo. Entre eles, Argentina, Hungria, Belarus e México. 

A Alemanha também demonstrou interesse em adquirir doses da vacina, mas as negociações ainda são preliminares, já que a EMA faz uma análise em etapas sobre o imunizante para ver se autoriza seu uso na União Europeia.

Um incidente ocorrido com a Eslováquia voltou a causar desconfiança acerca da produção da Sputnik V. Isso porque a agência de medicamentos eslovaca, SUKL, disse que levas da vacina Sputnik recebidas pelo país estavam diferentes das analisadas por cientistas internacionais e pela própria EMA. A declaração irritou os russos, que exigiram a devolução das centenas de milhares de doses da Sputnik V compradas pelo país europeu, alegando violações contratuais.

Outro ponto referente à Sputnik que vem chamando atenção é o tom comercial com que comunicações sobre a vacina têm sido reportadas ao redor do mundo. Um site com informações sobre a vacina em nove línguas permite ter acesso a dados globais sobre a vacina, seus pesquisadores e suas parcerias. 

Em uma das comunicações, há informação que cada dose da Sputnik V é vendida por um preço inferior a US$ 10 e que a Rússia é a fabricante de vacina mais confiável do mundo junto com os Estados Unidos, apesar da adesão à vacinação ser considerada baixa na Rússia. Estas e outras comunicações têm fontes exclusivamente russas. 

8. O que é e o que faz o Instituto Gamaleya?

O Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, que criou a Sputnik V, é uma instituição secular na Rússia. O centro foi fundado em 1891 como um laboratório privado. Em 1949, recebeu o nome de Nikolai Gamaleya, pioneiro da pesquisa russa em microbiologia. Desde 1997, o centro é dirigido pelo acadêmico Alexander Gintsburg.

Gamaleya estudou no laboratório do biólogo francês Louis Pasteur, em Paris, e abriu um centro de vacinação contra a raiva na Rússia em 1886. No século 20, Gamaleya, se tornou um dos líderes do centro, lutou contra epidemias de cólera, difteria e febre tifoide e foi um dos organizadores de campanhas de vacinação em massa na URSS.

O Centro Gamaleya já desenvolveu e registrou três vacinas contra o ebola usando a plataforma de vetores de adenovírus. As vacinas foram oficialmente aprovadas para uso pelo Ministério da Saúde da Rússia. Cerca de 2.000 pessoas na Guiné receberam injeções de vacinas contra ebola em 2017-18 como parte do ensaio clínico de Fase 3. 

O Centro de Pesquisa Gamaleya recebeu uma patente internacional para a vacina contra o ebola e tem expertise no uso de vetores adenovirais no desenvolvimento de imunizantes contra influenza e síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS). Ambas as vacinas estão atualmente em estágios avançados de ensaios clínicos, segundo o Instituto. 

Fontes: Carla Domingues, epidemiologista e coordenadora do PNI (2011 e 2019); Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Miguel Giudicissi Filho, diretor Científico do Grupo União Química, Governo russo, Anvisa, Ministério da Saúde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais Notícias : Qual é a máscara mais segura de acordo com o ambiente
Enviado por alexandre em 26/04/2021 09:33:19

Especialistas indicam os melhores modelos para cada local e explicam a forma correta de usá-los

Sandee LaMotte, da CNN

Usar duas máscaras pouco ajustadas não oferece a mesma proteção do que  apenas u
Usar duas máscaras pouco ajustadas não oferece a mesma proteção do que apenas uma máscara bem colocada
Foto: Iryna Veklich/ Getty Images

Pense na máscara facial como o acessório da moda que pode salvar sua vida – e a vida de quem você ama. Mas, em vez de ficar escolhendo qual estampa, logotipo ou slogan você quer exibir, selecione sua máscara com base em sua eficácia contra o coronavírus mortal no ambiente em que você está.

Diretrizes sobre como fazer essa escolha devem sair dentro de algumas semanas, de acordo com Jonathan Szalajda, vice-diretor do Laboratório Nacional de Tecnologia de Proteção Individual, que faz parte do Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos Estados Unidos.

Trabalhando em estreita parceria com agências governamentais, partes interessadas da indústria e a ASTM International, uma organização internacional de padrões técnicos, o guia vai trazer os padrões aplicados à eficiência do filtro, dimensionamento e ajuste, limpeza e período recomendado de uso ou reutilização.

Por enquanto, aqui está uma análise de máscaras e máscaras respiradoras com base no conhecimento científico atual e o que os especialistas estão dizendo sobre como usá-los da melhor forma.

Máscaras tipo PFF2 ou N95

Feitas de fibras tecidas com uma carga elétrica que pode prender partículas errantes (como uma meia que gruda em outras peças na secadora de roupas), as máscaras de PFF2 (ou N95, nos Estados Unidos) são atualmente o que há de melhor quando se trata de filtrar partículas grandes e pequenas, segundo vários estudos. As máscaras nesta categoria também são conhecidas como “respiradores com máscara filtrantes” ou “respiradores descartáveis”.

O que aconteceria sse todos os norte-americanos usassem uma máscara do tipo N95 ou PFF2 por quatro semanas em ambientes arriscados, como dentro de casa? “Isso acabaria com a epidemia” no país, afirmou o doutor Abraar Karan, médico de medicina interna do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School, ao correspondente médico chefe da CNN, Sanjay Gupta.

As máscaras PFF2 vêm em vários tamanhos para acomodar diferentes formatos de rosto. Quando ajustadas ao rosto do usuário e usadas adequadamente, elas podem reter 95% das partículas em torno de 0,3 mícron, segundo estudos. O SARS CoV-2 pode ter até 0,1 mícron de diâmetro, ou cerca de um décimo de milésimo de milímetro.

Embora possa parecer que os filtros da PFF2 não percebam as minúsculas partículas de Covid-19, isso não é verdade. A maioria dos fragmentos de vírus sai dos pulmões envolta em gotículas respiratórias maiores, normalmente muito acima de 0,3 mícron.

Mesmo aqueles que são aerossolizados são facilmente capturados. Devido a um fenômeno natural chamado movimento browniano, essas partículas minúsculas não viajam em linhas retas. Em vez disso, elas saltam em zigue-zague e são facilmente capturadas pelo filtro eletrostático da PFF2.

Embora alguns especialistas peçam a aplicação nacional de máscaras PFF2 para todos nos EUA, elas estão atualmente reservadas para profissionais de saúde na linha de frente do atendimento aos pacientes da Covid-19. Isso se deve em parte à falta dessas máscaras, projetadas para serem usadas uma vez e descartadas, mas também devido ao treinamento necessário para ajustar e usar a máscara adequadamente.

“Em um ambiente de saúde, há uma vantagem porque há um treinamento adequado para informar às pessoas como usar as máscaras adequadamente, o que não existe em um ambiente público”, afirmou Szalajda, da NPPTL.

De acordo com o CDC, outras máscaras respiradoras também atendem ou excedem o nível de eficácia de 95%: as máscaras N99, N100, R95, R99, R100, P95, P99 e P100, de acordo com os códigos em que são vendidas nos EUA. Alguns desses dispositivos (que às vezes se parecem com máscaras de gás) receberam uma autorização de uso emergencial nos EUA e podem ser usadas em ambientes não cirúrgicos durante a escassez de máscaras PFF2.

A máscara PFF2 (e suas irmãs e irmãos) se ajusta melhor aos contornos faciais exclusivos de uma pessoa em um rosto nu para, assim, manter a vedação firme. Ela deve ser usada adequadamente, apesar do fato de que essa alta filtração pode tornar a respiração mais difícil. As máscaras do tipo PFF2 têm uma resistência respiratória muito maior do que as máscaras cirúrgicas simples ou de tecido.

“Já vi homens bem barbados usando a PFF2 que, ou a usavam de cabeça para baixo, ou só cobriam a boca e não o nariz e a boca, porque é mais fácil respirar quando você não está cobrindo nariz”, contou Szalajda.

Uma observação: cuidado com as máscaras PFF2 com válvulas de expiração, pois elas devolvem o fluxo de ar ao ambiente. Também tome cuidado com imitações de PFF2 que estão sendo vendidos na Internet e em algumas lojas comerciais.

As máscaras aprovadas pelos institutos nacionais têm uma etiqueta de aprovação na embalagem da máscara ou dentro dela (na caixa ou nas instruções do usuário). Em tempo: no Brasil, é o selo do Inmetro.

 

As diferenças entre as máscaras
As diferenças entre as máscaras
Foto: Arte/CNN

PFF2 europeia

Em resposta à disseminação de novas variantes mais contagiosas do coronavírus, alguns países europeus estão exigindo o uso de máscaras PFF1 e PFF2. A sigla significa “peça facial filtrante”.

O "P" significa que a máscara é fortemente resistente a óleo e pode ser usada para proteger contra aerossóis não oleosos. Em comparação, o “N” da N95, que é a nomenclatura adotada nos EUA, significa que a máscara não é resistente ao óleo e não pode ser usada em um ambiente de gotículas de óleo (como na perfuração de petróleo). Um filtro PFF1 tem uma eficácia de filtração mínima de 80%, um PFF2 é 94% eficaz, e um PFF3 é 99% eficaz contra doenças infecciosas transmitidas pelo ar.

Na semana passada, o estado alemão da Baviera determinou que os cidadãos usassem máscaras PFF2 ao fazer compras pessoalmente e usar o transporte público. O governo alemão passou a seguir esse exemplo, exigindo que todos no país usassem máscaras PFF1 ou PFF2 no trabalho, nas lojas ou no transporte público.

A França também pediu aos cidadãos que abandonem as máscaras caseiras. Agora, as máscaras cirúrgicas PFF1 de uso único e as máscaras respiradoras com filtragem PFF2, mais protetores, são necessários em todos os locais públicos.

A França também está permitindo que as pessoas usem máscaras de tecido comerciais certificadas para filtrar 90% das partículas maiores ou iguais a 0,3 mícron. Os cidadãos são orientados a procurar o logotipo da “garantia de filtração” ao comprar essas máscaras.

KN95 e máscaras com filtro semelhante

As máscaras KN95, que são certificadas pelos padrões chineses, também filtram e capturam 95% das partículas de 0,3 mícron. Mas existem diferenças: as camadas de filtro dos respiradores N95 eram “oito vezes mais grossas e tinham densidade de carga dipolo duas vezes maior do que a dos respiradores KN95”, segundo um estudo publicado em dezembro.

As máscaras KN95 não são certificadas pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos, mas alguns fabricantes de máscaras KN95 receberam a aprovação de uso emergencial em ambientes de cuidados de saúde nos EUA.

A empresa 3M, que fabrica muitas máscaras faciais com filtro, divulgou um documento comparando os respiradores N95 e europeus PFF2 com o chinês KN95, o australiano e neozelandês P2, o coreano 1ª classe e o japonês DS2. 

Segundo a empresa, todas são “semelhantes” no que diz respeito à “filtragem de partículas não baseadas em óleo, como as resultantes de incêndios florestais, PM (partícula pequena) de 2,5 da poluição do ar, erupções vulcânicas ou bioaerossóis (por exemplo, vírus).

“No entanto, antes de selecionar uma máscara respiradora”, afirma o documento da 3M, “os usuários devem consultar seus regulamentos e requisitos de proteção respiratória locais ou consultar as autoridades locais de saúde pública para obter orientação sobre a seleção”.

Máscaras de grau cirúrgico

Projetadas para serem usadas por cirurgiões e outros profissionais de saúde, as máscaras cirúrgicas ou de grau cirúrgico são dispositivos descartáveis e frouxos destinados a “ajudar a bloquear gotas, respingos, sprays ou respingos de partículas grandes que podem conter germes (vírus e bactérias), evitando que eles cheguem à sua boca e ao seu nariz”, de acordo com a FDA, a agência reguladora de medicamentos e alimentos nos EUA.

Elas não “filtram ou bloqueiam partículas muito pequenas no ar que podem ser transmitidas por tosses, espirros ou certos procedimentos médicos”, enfatizou a FDA. “As máscaras cirúrgicas não foram feitas para desempenhar as funções da máscara respiradora”, disse Szalajda da NPPTL. “Não têm o objetivo de proteger contra partículas de inalação, mas contra o contato com fluidos corporais”.

As verdadeiras máscaras de grau médico são feitas de três camadas de material não tecido, normalmente plástico. A camada superior colorida do tecido é feita de polipropileno com tecnologia spunbond de grau médico. Trata-se de um polímero de resina ligado por calor em uma estrutura semelhante a uma teia.

As máscaras cirúrgicas também têm pequenos fios dobráveis para ajudar a mantê-la no lugar e geralmente são amarradas atrás da cabeça ou presas com presilhas nas orelhas. Este design não facilita o ajuste perfeito, especialmente em comparação com a N95, de acordo com Szalajda.

As máscaras cirúrgicas são de uso único: se estiverem sujas ou a respiração ficar difícil, devem ser cuidadosamente descartadas e substituídas, segundo a FDA.

Máscaras de pano caseiras

A máscara mais comum em uso entre o público em geral hoje é a de tecido, muitas vezes costurada em casa. A eficácia depende do tipo de tecido usado e do número de camadas de tecido. Elas podem ter apenas 26% de eficácia.

De acordo com o CDC, “várias camadas de tecido com contagens de fio mais altas demonstraram desempenho superior em comparação com camadas únicas de tecido com contagens de fio mais baixas, em alguns casos filtrando quase 50% das partículas finas com menos de 1 mícron”. É uma boa notícia: estudos detectaram SARS-CoV-2 em aerossóis entre 1 e 4 mícrons.

Um estudo publicado em setembro passado examinou a capacidade do algodão, poliéster e da seda de repelir a umidade quando usados em máscaras ou como apoio para a máscara.

“Descobrimos que os revestimentos de seda para o rosto repelem gotas em testes de spray, assim como máscaras cirúrgicas descartáveis de uso único”, escreveram os autores, acrescentando que as máscaras de seda “podem ser mais respiráveis do que outros tecidos que retêm umidade e são reutilizáveis por meio de limpeza”.

Seja qual for o tecido, procure uma trama justa, de acordo com estudos. Use o teste de luz para verificar a trama: se você puder ver facilmente o contorno das fibras individuais ao segurar a máscara contra a luz, provavelmente ela não será eficaz.

Você também pode adicionar filtros à sua máscara de tecido, de acordo com o CDC. Alguns são feitos de polipropileno, o plástico que produz aderência estática; outros de prata ou cobre, que têm propriedades antimicrobianas. Os estudos sobre a eficácia desses acessórios, no entanto, são raros, o que torna a orientação imitada.

Para aumentar a proteção, as pessoas começaram a aplicar camadas de máscaras de tecido sobre as cirúrgicas para proteção adicional. O presidente dos EUA, Joseph R. Biden, foi visto usando duas máscaras em várias ocasiões. No dia da posse, o indicado ao secretário de Transportes, Pete Buttigieg, e seu marido, Chasten Glezman, tiraram uma selfie com máscara dupla; a poeta Amanda Gorman usou uma máscara cirúrgica sob sua versão Prada.

É um comportamento defendido por Joseph Allen, professor associado da Escola de Saúde Pública T.H. Chan de Harvard e diretor do programa Edifícios Saudáveis da faculdade. “Uma máscara cirúrgica com uma máscara de pano em cima pode trazer mais de 91% de eficiência de remoção de partículas”, Allen disse recentemente à equipe do doutor Gupta.

Faz sentido usar a máscara dupla, de acordo com o doutor Anthony Fauci, agora conselheiro médico chefe de Biden. “Se você tem uma cobertura física com uma camada, coloca outra camada, provavelmente isso é mais eficaz – e é por isso que você vê as pessoas com máscaras duplas ou fazendo uma versão de um N95”, Fauci disse a Savannah Guthrie da NBC.

Mas preste atenção para sempre caber na máscara, como Allen disse à CNN. “A máscara deve passar pela ponte do nariz, abaixo do queixo e ficar rente ao rosto, descansando ao longo da pele."

Protetores faciais, bandanas, polainas, máscaras de esqui e lenços

Certos itens não fornecem uma barreira suficiente contra a Covid-19 e outros vírus e não devem ser usados como meio de proteção significativa, de acordo com o CDC.

Não use lenços ou máscaras de esqui de malha como medida de proteção, diz o CDC. Não use face shield sem máscara por baixo, aconselha a agência, pois ele não protegerá contra pequenas gotas transportadas pelo ar que podem flutuar sob e dentro do protetor. E esqueça as bandanas e as polainas para o pescoço.

Uma pesquisa de 2020 da Universidade Duke examinou 14 coberturas faciais comumente disponíveis. Não surpreendentemente, a N95/PFF2 ajustada foi considerada a mais eficaz, seguida por máscaras cirúrgicas de três camadas. Mas o estudo descobriu que bandanas dobradas, máscaras de tricô e polainas de pescoço não ofereciam muita proteção. Na verdade, as polainas de pescoço até aumentavam a transmissão de gotículas respiratórias.

Keri Enriquez e Eliza Mackintosh da CNN contribuíram para esta reportagem

(Texto traduzido. Leia o original, em inglês)

 

Mais Notícias : Abril já é o mês com mais mortes por Covid-19 no país desde o início da pandemia
Enviado por alexandre em 25/04/2021 13:05:12

2021 deve ultrapassar neste domingo (25) o ano de 2020 no número total de óbitos em razão do coronavírus

Fabricio Julião, da CNN, em São Paulo*

Cruzes sobre covas em Cemitério São Francisco Xavier
Até então, março de 2021 era o mês mais letal, com 66.573 mortes
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Mesmo antes de terminar, o mês de abril deste ano já contabiliza mais mortes por Covid-19 no Brasil do que qualquer outro desde o início da pandemia, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pela CNN. Desde o primeiro dia do mês até o dia 24, foram registradas 67.977 vítimas de coronavírus no país.

Até então, março de 2021 era o mês mais letal, com 66.573 mortes. Somente janeiro deste ano, com 29.555 óbitos, seria o terceiro mês mais fatal em 2020, ficando atrás apenas de julho (32.881) e junho (30.280) do ano passado.

2021 deve ultrapassar neste domingo (25) o ano de 2020 no número total de óbitos em razão do coronavírus. No ano passado, foram registrados 194.949 vítimas, enquanto 2021 já atinge a marca de 194.543 mortos em decorrência do vírus.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil possui 389.492 mortes e 14.308.215 casos de Covid-19.

*Sob supervisão de Evelyne Lorenzetti

Mais Notícias : Entenda como será a distribuição das doses da Pfizer que chegam na quinta (29)
Enviado por alexandre em 24/04/2021 22:15:43

O Ministério da Saúde prevê que um milhão de doses da vacina contra Covid-19, desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, cheguem ao Brasil na próxima quinta-feira (29).

Esse primeiro lote será distribuído somente nas capitais por uma questão de complicação logística, uma vez que o imunizante precisa ser armazenado a 20º C negativos. Segundo a pasta, liderada por Marcelo Queiroga, somente as capitais federais teriam condições de garantir a estocagem segura da vacina neste momento.

No dia seguinte à chegada das vacinas, na sexta-feira (30), o governo federal já começará a entrega as doses aos governadores. Ao longo de toda a semana, mais 650 mil doses do imunizante serão enviadas ao Brasil. No mês de maio, o acordo é de 2,5 milhões doses e até o final de junho, 15 milhões de vacinas Pfizer/BioNTech deverão ter sido entregues. O contrato de 100 milhões de doses será cumprido no segundo semestre de 2021. O ministério já negocia novas remessas para 2022.

As geladeiras do Sistema Único de Saúde (SUS), espalhadas por todo o país - incluindo cidades de pequeno porte -, comportam um armazenamento entre 2 a 8º C positivos. As capitais, no entanto, receberam um reforço de geladeiras e conseguirão armazenar entre 15 e 25º C negativos por até quatorze dias, cumprindo a recomendação do laboratório.

A previsão é que em junho, mais superfreezers comecem a chegar em outras partes do país. O Ministério da Saúde já fez a compra de 183 ultracongeladores, mas 30 deles só vão estar disponíveis para uso no meio do ano. Deste modo, até junho de 2021, a vacinação com o imunizante da Pfizer/BioNTech só acontecerá nas capitais. 

Mais Notícias : Cientistas descobrem como o coronavírus se 'esconde' de anticorpos
Enviado por alexandre em 23/04/2021 09:18:55

Estudo britânico pode abrir caminho para desenvolvimento de medicamentos que consigam ter eficácia contra a Covid-19

Cientistas descobrem coronavírus esconde anticorpos
Análise de amostras biológicas para detectar a presença de Covid-19 (Imagem: Villa Fabrizio)

Rafael Garcia, Globo

Para se proteger contra o ataque do sistema de defesa do organismo infectado, o coronavírus pode se agarrar a fragmentos da hemoglobina, a molécula que transporta oxigênio no sangue, mostra uma nova pesquisa. A descoberta, descrita em estudo de cientistas do Reino Unido nesta quinta-feira (22), pode abrir novas estratégias farmacológicas contra o patógeno.

Em artigo publicado na revista Science, pesquisadores do Instituto Francis Crick de Londres e outros centros de pesquisa mostraram que uma parte do vírus é capaz de agarrar a biliverdina, um pigmento esverdeado que é subproduto da quebra da hemoglobina quando o organismo a fragmenta para reciclá-la. Uma vez grudado nessa molécula, o vírus impede que algumas classes anticorpos, estruturas de defesa do sistema imune, se agarrem a ele.

A biliverdina é conhecida o pigmento sanguíneo que dá aparência esverdeada a hematomas, quando a cor roxa típica desses ferimentos começa a esmaecer. Com ela é uma molécula relativamente abundante no sangue, não é difícil o vírus encontrá-la e usá-la para se proteger. O intervalo de vida da biliverdina no organismo é curto, pois ela se decompõe em bilirrubina, pigmento mais amarelado.

Um aspecto importante da descoberta, liderada pela cientista Anachiara Rosa, é que caso encontrarem uma maneira de impedir esse processo, o sistema imune deve ganhar eficácia.

Mais de um ano após a pandemia, ainda não existem medicamentos virais criados especificamente contra o coronavírus, e algumas vacinas tem eficácia relativamente baixa. Uma dificuldade em fazer as pesquisas avançarem é justamente a falta de alvos disponíveis para tentar atingir o patógeno. Quase todo o desenvolvimento de vacinas se concentra em um único pedaço da proteína spike (a projeção do vírus em forma de espinho), chamada de “domínio de ligação do receptor” (RBD, sigla em inglês). Algumas drogas experimentais também miram essa estrutura.

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Essa pequena parte da proteína spike pode ser considerada a “chave” que o vírus usa para se ligar a células humanas, que possuem “fechaduras” (proteínas de superfície celular) que concedem entrada ao patógeno. Como o RBD tem de ficar desprotegido para o vírus poder agir, é um alvo preferencial de cientistas que buscam criar fármacos específicos que o reconheçam e o ataquem.

Uma dificuldade que pesquisadores estão encontrando, porém, é que alguns anticorpos e fármacos desenhados especialmente para atacar essa região às vezes não funcionam bem, e a razão disso não tem sido bem compreendida.

Conhecimento e aplicação

Um dos insights levantados pela nova pesquisa é que, quando o vírus está colado na biliverdina, alguns anticorpos estimulados pelas vacinas provavelmente não conseguem agarrá-lo direito, porque precisam atacar a parte da spike bloqueada pela biliverdina.

Essa molécula se conecta em um outro “domínio” da spike, encobrindo-o, e este não estaria sendo reconhecido pelo sistema imune. Se o vírus não têm à disposição moléculas de biliverdina para se escudar, porém, uma gama maior de tipos de anticorpos conseguem agarrá-lo e neutralizá-lo.

A descoberta dos cientistas no Reino Unido levou tempo porque exigiu instrumentos sofisticados de microscopia e cristalografia para fazer um mapeamento da spike em minúsculos detalhes. No estudo da Science, os cientistas apontam com precisão a cavidade da molécula onde a biliverdina se liga.

Além de oferecer evidência da descoberta analisando a estrutura da spike, os pesquisadores demonstraram seu efeito em uma prova experimental. Ao infectar amostras de tecido humano em laboratório com o vírus, eles perceberam que o patógeno combatia melhor as células do sistema imune caso os cientistas aplicassem biliverdina na região.

Apesar de mostrar um mecanismo de evasão ainda não conhecido do vírus, o estudo publicado na Science ainda não aponta uma estratégia específica de explorar esse conhecimento para tratamento. Se algum tipo de terapia conseguir limitar o acesso do vírus à biliverdina no organismo, por exemplo, talvez o resultado seja uma eficácia maior do sistema imune.

No estudo, Rosa e colegas sugerem a criação de vacinas que tenham como antígenos versões da spike desprovidas da área que interage com a biliverdina, assim os anticorpos derivados delas não dependeriam disso na hora de neutralizar o vírus.

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