Governo criou factoide com militares no INSS, dizem funcionários do órgão

Data 16/01/2020 10:10:00 | Tóopico: Mais Notícias


Funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dizem que o governo criou um grande factoide ao anunciar a contratação de 7 mil militares para colocar os processos em dia e reduzir as filas de pedidos de benefícios. Eles não darão conta do trabalho, não na velocidade prometida pelo presidente Jair Bolsonaro. 

Segundo integrantes do INSS, a ideia de contratação de militares surgiu do nada, porque não se tinha nada de concreto a ser feito. O instituto está sucateado, apesar de o governo propagar a história do INSS digital, que mais de 90 serviços podem ser realizados por meio da internet. 

“O INSS tem, sim, que passar por uma grande reestruturação, mas nada foi feito pelo atual governo nem pelos anteriores para modernizar de verdade o sistema de gestão”, afirma um gerente de um dos mais movimentados postos de atendimento do Distrito Federal. 

Ele ressalta que sai governo, entra governo, tudo continua na mesma. “Por isso, impera o descaso no atendimento, sobretudo aos mais pobres, pois aqueles que têm amigos no poder furam as filas de atendimento, têm tratamento vip”, ressalta o mesmo gerente. 

Tempestade perfeita  

Para técnico, os militares contratados terão que passar por um amplo processo de treinamento. “Não será da noite para o dia que vão resolver tudo. Estamos falando de um trabalho complexo, que demanda tempo para aprendizado”, frisa. “Pelo que fomos informados, nem se sabe quem são esses militares. Ou seja, anunciam coisas sem combinar o jogo.” 

Os funcionários do INSS dizem que o atual governo sabia de todos os impactos da aprovação da reforma da Previdência nos sistemas de concessão de benefícios, mas não fez nada de efetivo para preparar o órgão para as mudanças. E mais: boa parte dos processos encalhados deu entrada no INSS antes da reforma. Portanto, os processos já poderiam ter sido solucionados. 

O que se fez, em vez de agilizar o atendimento do INSS, foi criar uma série de burocracias para a concessão de benefícios. O governo se preocupou em reter os processos para não aumentar a fatura com aposentadorias. Deu no que deu. “Estamos assistindo no INSS a tempestade perfeita: falta de pessoal, governo despreparado e mudança de regras”, completa outro funcionário do INSS.



https://azzolinadvogados.com.br/wp-content/uploads/2019/08/contribui%C3%A7%C3%B5es-em-atraso-no-INSS.jpg

A contratação de 7 mil militares para reforçar os atendimentos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode ser contestada pelo Ministério Público Federal (MPF). Apurou-se que grupos que atuam com o tema estudam a possibilidade de agir preventivamente para impedir a União e a Presidência do INSS de promoverem o recrutamento. O que está em análise é se a proposta vai trazer eficiência suficiente para fazer valer o custo gerado aos cofres públicos.  

O MPF ainda realiza cálculos e faz avaliações criteriosas antes de tomar qualquer medida. “Qual é o custo do treinamento? Como serão alocados? Quanto custará?”, indaga um integrante do MPF. Primeiro, se mensura os impactos para saber se vão vantajosos, ou não, e depois adota alguma posição. As análises feitas até o momento, contudo, sugerem que a medida aventada pelo governo pode não trazer o melhor custo-benefício para os milhões de brasileiros em busca de atendimento.  

Uma das ponderações levantadas no MPF é a situação da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev). Conforme a coluna “Nas entrelinhas”, do Correio, destacou nesta quarta-feira (15), a estatal está demitindo empregados de 21 regionais, que serão extintas a partir de fevereiro. “E não está assegurada a possibilidade de realocação de pessoas concursadas que poderiam ser aproveitadas, por exemplo, no INSS”, destacou uma fonte. 

Sem um Dataprev fortalecido, há um entendimento no MPF que não é possível fazer as adaptações nos sistemas de concessão e, assim, resolver boa parte dos problemas nas filas do INSS. “Todos sabiam que tinham que ser feitas em razão da reforma da Previdência. Essa ideia de trazer os militares vai gerar um custo que não se sabe se terá qualquer eficiência”, criticou outro integrante.  

Justiça

Outra consideração feita no órgão é sobre os gastos que o governo terá de lidar na Justiça, e como equacionar a conta final. “As sessões da Justiça Federal estão cheias de mandados de segurança contra atrasos na concessão, que geram mais custos, porque, quando concedidos, são pagos com ajustes de mora. E o beneficiário ainda fica prejudicado se o valor for um pouco mais alto, tendo em vista que a Receita Federal cobra o Imposto de Renda, o que é indevido”, alertou uma fonte.  Continue reading




Este artigo veio de Ouro Preto Online
http://www.ouropretoonline.com

O endereço desta história é:
http://www.ouropretoonline.com/modules/news/article.php?storyid=77968