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Brasil : 24 milhões de cabeças
Enviado por alexandre em 09/08/2018 08:58:21


Rebanho bovino já chega a 24 milhões e MT segue líder do país

Foto: Francisco Alves / GCom MT
Rebanho bovino já chega a 24 milhões e MT segue líder do país
O número de estabelecimentos agropecuários no Brasil caiu 2% no ano passado em relação a 2006, passando de 5,17 milhões para 5,07 milhões. Já a área total teve uma expansão de 5%, passando de 333,6 milhões de hectares para 350,2 milhões de hectares. Os dados são preliminares, e fazem parte do Censo Agropecuário 2017, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na quinta-feira, 26.

Apesar da redução, de acordo com o IBGE, 2,52 milhões de estabelecimentos tinham 171,8 milhões de cabeças de gado bovino no ano passado, com destaque para Mato Grosso (24,1 milhões), Minas Gerais (19,4 milhões) e Mato Grosso do Sul (18,1 milhões).

O coordenador técnico do censo, Antonio Carlos Florido, ressaltou que a entrada desses 16,5 milhões de hectares de áreas novas no processo produtivo, ou que estavam paralisadas e voltaram a produzir, foi identificada em grande parte no Pará e no Mato Grosso.

Mato Grosso possui ainda a maior área destinada à produção agropecuária entre as 27 unidades da federação. Dados atualizados mostram que a superfície totaliza 54,83 milhões de hectares, 12,63% maior em relação aos números do último levantamento do setor, realizado em 2006. O levantamento mostrou ainda que o Centro-Oeste é a região que concentra a maior superfície com 110,61 milhões hectares.

Com Agência Brasil

Brasil : EMBRAPA
Enviado por alexandre em 09/08/2018 01:15:00

Biscoito de feijão-caupi é mais nutritivo e não contém glúten

Agência Embrapa de Notícias
Foto: Magda Cruciol
Magda Cruciol - Os biscoitos feitos à base de feijão-caupi têm uma boa textura e coloração atraente.

Os biscoitos feitos à base de feijão-caupi têm uma boa textura e coloração atraente.

Um biscoito à base de farinha de feijão-caupi é a nova alternativa da ciência para incrementar o mercado de produtos funcionais no Brasil. Além de não conter glúten, o que favorece os portadores da doença celíaca e pessoas com intolerância a essa proteína, o produto é feito a partir de uma variedade biofortificada desenvolvida pela Embrapa, a BRS Tumucumaque, que tem altos teores de ferro e zinco.

A novidade, desenvolvida em parceria entre a Embrapa Meio-Norte (PI) e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), de Campinas (SP), será apresentada ao público durante o VI Fórum Brasileiro do Feijão, de 15 a 17 de agosto de 2018, em Curitiba (PR). O evento reunirá pesquisadores, produtores e pessoas ligadas ao comércio e ao beneficiamento do produto.

“O biscoito, desenvolvido a princípio na versão doce, apresenta melhor valor nutricional em comparação às formulações tradicionais, principalmente por duplicar o teor proteico”, conta Jorge Hashimoto, pesquisador da Embrapa que coordenou o estudo.

Além de ter o dobro de proteínas em relação aos demais cereais usados na indústria de biscoitos, o feijão-caupi é altamente nutritivo, traz benefícios à saúde e é capaz de prevenir doenças metabólicas, como o diabetes, bem como as coronarianas e o câncer do cólon.

De acordo com Hashimoto, a importância nutricional dessa leguminosa impõe à pesquisa o desafio de aumentar os níveis de substituição das farinhas tradicionais. “Farinhas de diferentes origens têm características tecnológicas distintas que influenciam na qualidade do produto final”, detalha.

O biscoito de feijão-caupi atende o mercado de produtos isentos de glúten – que cresce alheio à crise econômica do País, formado principalmente por pessoas que sofrem de doença celíaca ou intolerância a essa proteína (veja quadro abaixo). Nos últimos anos, os alimentos saudáveis e funcionais têm ganhado cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros. Mais do que sabor, hoje o setor alimentício tem a preocupação de oferecer produtos que possam contribuir com a saúde. No Brasil, essa tendência é ainda mais proeminente do que nos outros países. Enquanto o mercado de produtos funcionais mundial cresce cerca de 30% ao ano, aqui o aumento tem sido superior a 40%.


Boa notícia a quem não pode ingerir glúten

A doença celíaca é uma reação imunológica do intestino relacionada à intolerância ao glúten, que causa inflamação, podendo levar à desnutrição pela má absorção de nutrientes. Mas, além dos portadores diagnosticados com essa doença, cresce no Brasil e no mundo a quantidade de pessoas com intolerância ao glúten, que apesar do que a maior parte das pessoas pensa, não é um carboidrato, mas uma proteína. Esse aumento é acompanhado de perto pelo incremento do mercado de produtos funcionais no Brasil e no mundo.
Boa textura e coloração atraente

O pesquisador Jorge Hashimoto conta que, para ajustar a formulação do biscoito, foi usada uma ferramenta estatística de delineamento de misturas e regressão multivariada. “As características de interesse do produto são afetadas pela variação das proporções dos componentes”, explica. Parte desse trabalho foi executada pela pesquisadora Elizabeth Harumi Nabeshima, do ITAL. A pesquisa testou cinco formulações: 100% trigo, que ficou como testemunha; 50% com farinha de feijão-caupi e 50% de trigo; 33% de trigo e 67% de feijão; 16% de trigo e o restante de feijão; e, por último, 100% com farinha de feijão-caupi.

O resultado do estudo utilizando apenas a farinha de feijão-caupi, de acordo com Hashimoto, resultou em um biscoito menos duro que o elaborado com trigo. Ele ressalta que o produto apresenta uma cor mais atraente do que os biscoitos existentes no mercado devido à coloração da farinha de feijão-caupi. Além disso, o cientista afirma que o novo biscoito obteve boa aceitação sensorial.

“O grande diferencial é que o biscoito pode ser consumido por pessoas portadoras da doença celíaca e ainda apresenta aumento da qualidade nutricional, já que a maioria dos produtos alternativos para os celíacos é pobre em proteínas”, revela.

O trabalho começou em 2015, em Teresina, como um plano de ação do projeto “Feijão-caupi: transferindo tecnologias, produtos e processos para a sustentabilidade da cadeia produtiva no Brasil”.

Vem de longe a primeira tentativa de uso da farinha de feijão-caupi na elaboração de biscoitos. O trabalho pioneiro foi realizado nos anos de 1985 e 1986, no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará (UFC), pela professora Maria Alsenir Carvalho Rodrigues. O estudo, que terminou na dissertação de mestrado em tecnologia de alimentos da professora, buscou um biscoito com alto valor nutritivo, de simples fabricação e de custo baixo. Ela trabalhou com as misturas de farinhas de feijão-caupi e sorgo granífero.
Redução da anemia em crianças

A segunda tentativa de elaboração de biscoitos à base da leguminosa aconteceu na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Em 2013, a nutricionista Liejy Agnes dos Santos Raposo Landim apresentou uma dissertação de mestrado em alimentos e nutrição, testando a substituição de 30% da farinha de trigo pela farinha de feijão-caupi, da cultivar BRS-Xiquexique, também desenvolvida pela Embrapa Meio-Norte. O estudo avaliou o impacto da ingestão desses biscoitos por estudantes pré-escolares para controle da anemia ferropriva.

A nutricionista trabalhou com 262 crianças, na faixa etária de dois a cinco anos, da rede pública municipal de Teresina. Antes de consumirem os biscoitos, a prevalência de anemia entre elas era de 11,5%. Após o consumo, o índice caiu para 4,2%. O resultado mostrou a eficiência dos nutrientes do feijão-caupi no combate à anemia.
Alimento funcional promissor

O biscoito chega ao mercado entusiasmando profissionais de saúde e de nutrição. A médica Jozelda Lemos Duarte, presidente da Sociedade de Gastroenterologia do Piauí, considera que produtos isentos de glúten e com potencial nutritivo são valiosos para esses pacientes. “Eles são muito importantes para a alimentação das pessoas com doença celíaca, pois o tratamento básico da doença começa com a retirada total do glúten da alimentação”, frisa a especialista.

Segundo a médica, que também é professora universitária e atende no Hospital Getúlio Vargas, o maior da rede pública do Piauí, até o uso de utensílios domésticos, como frigideira ou panela com restos de trigo no preparo de alimentos, pode gerar problema para um portador da doença. “Os primeiros sintomas da doença são específicos, como dores abdominais, gases e diarreias frequentes sempre após a alimentação, e deve-se buscar o diagnóstico quando há suspeita”, recomenda.

A doença celíaca, que não tem cura, atinge hoje cerca de dois milhões de pessoas no País. A cada ano surgem pelo menos 150 mil novos casos, segundo estimativas da Federação Nacional dos Portadores de Doença Celíaca no Brasil. De acordo com a gastroenterologista, essa doença pode aparecer em qualquer fase da vida, atingindo principalmente pessoas de cor branca.

Adriana Soares, nutricionista há 20 anos e gastrônoma há seis, vê o produto como mais uma alternativa alimentar às pessoas acometidas pela doença celíaca e com intolerância ao glúten. “Esse biscoito desenvolvido à base de feijão-caupi terá um grande impacto social”, acredita a especialista, que incentiva a elaboração de dietas que devolvam o bem-estar aos pacientes.

Ela destaca que o feijão-caupi contém inúmeros aminoácidos essenciais na síntese das proteínas, cujas concentrações atendem às necessidades nutricionais diárias de jovens e adultos. “Como o portador de doença celíaca deve se abster totalmente do glúten na sua alimentação, a chegada ao mercado de alternativas alimentares é muito importante para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, enfatiza.
Base da alimentação nordestina

O novo biscoito agrega mais valor ao feijão-caupi, que já é um dos principais componentes da dieta alimentar nas regiões Nordeste e Norte do Brasil, especialmente na zona rural. Somente as cultivares de caupi geradas pela Embrapa Meio-Norte, em parceria com outras instituições do sistema cooperativo de pesquisa, ocupam 30% da área total cultivada no País: quase um milhão e meio de hectares, gerando renda e milhares de empregos diretos.


Leguminosa forte na economia

De origem africana, o feijão-caupi, também conhecido como feijão-de-corda, chegou ao Brasil pela Bahia, na segunda metade do século XVI. Hoje, o produto é a base da alimentação da Região Nordeste, principalmente no Semiárido. A espécie é plantada com destaque também no Centro-Oeste e vem ganhando força na Região Norte. Em 2017, segundo estimativa preliminar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País produziu 3,2 milhões de toneladas de feijão comum e de caupi, em uma área plantada de 3,2 milhões de hectares.

As exportações brasileiras de feijão em 2017 também apresentam números robustos. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o País exportou quase 117 mil toneladas da leguminosa. A Índia se destacou: comprou 53,2 mil toneladas. O Egito ficou em segundo lugar com a importação de 16,2 mil toneladas do Brasil e o Paquistão comprou 6,3 mil toneladas.

Brasil : CASAMENTO AOS 16
Enviado por alexandre em 08/08/2018 16:49:31

Proposta que proíbe casamento antes dos 16 anos entra na fase final
Aprovada na CCJ do Senado, projeto segue para votação em plenário

Por Karine Melo - Repórter da Agência Brasil Brasília

A proibição do casamento de menores de 16 anos, em qualquer hipótese, foi aprovada nesta quarta-feira (8) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Hoje o casamento de menores de 16 anos só é admitido em caso de gravidez ou para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal, já que ter relações sexuais com menores de 14 anos é crime, com pena que varia de 8 a 15 anos de reclusão.
Casamento comunitário reúne 81 casais no Centro de Convenções de Brasília (Wilson Dias/Agência Brasil)
Proibir o casamento infantil significa proteger as crianças, especialmente as meninas, mais prejudicadas com esse tipo de união, diz a relatora do projeto na CCJ do Senado, Marta Suplicy - Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil

Para sair do papel, o texto ainda precisa ser votado no plenário da Casa, para onde segue com pedido de urgência. Se aprovada na fase final, a matéria vai à sanção presidencial. Apesar de acabar com a possibilidade do casamento antes dos 16 anos, o texto em discussão mantém as outras normas em vigor hoje: casamento no Brasil só a partir de 16 anos completos, com autorização dos pais, ou livremente a partir de 18 anos.

"O projeto é singelo, mas de um significado imenso para a proteção das nossas crianças, em especial das meninas. Com o casamento infantil, a menina perde a capacidade de tomar decisões por si mesma. O que ocorre, na maioria das vezes, é que ela deixa a escola, o que vai se refletir dramaticamente na sua capacidade de conseguir um emprego quando adulta, sem contar outras situações graves”, destacou a senadora Marta Suplicy (MDB-SP), relatora da proposta na CCJ.

Histórico

Em junho, quando o texto foi aprovado na Câmara dos Deputados, a autora da proposta, Laura Carneiro (DEM-RJ), destacou que, no Brasil, cerca de 877 mil meninas casaram-se com menos de 16 anos.

“Elas são quase vendidas a seus abusadores na forma de casamento. A aprovação do projeto é um avanço extraordinário, aplaudido por todos os organismos envolvidos nos direitos da criança e do adolescente”, afirmou a deputada.

Brasil : NOSTÁLGIA OURO
Enviado por alexandre em 02/08/2018 19:40:00

Noite de festa e muita emoção para os quarentões de Ouro Preto
A vontade de reunir, reencontrar amigos de infância que foram embora há de 20 anos de Ouro Preto do Oeste, este foi o mote do Encontro dos Quarentões. Uma bonita e organizada festa que sobrou emoção, alegria e muitas histórias relembradas dos então jovens sonhadores que hoje são Senhores e Senhoras, mas que embuidos em um sentimento de nostalgia se reuniram para manter viva o pilar da vida de cada um que esteve no evento que ficará marcado na memória dos agora quarentões e assim poderão olhar para si mesmos e dizer “Foi bom demais”.

E para traduzir todo glamor que cercou o encontro a funcionária pública estadual e filha de pioneiros de Ouro Preto do Oeste Airla Souza juntamente com outro quarentão, mas jovem de espirito o servidor da Câmara Municipal Celso Cabral, nos relatou como originou-se a ideia de reunir aqueles jovens moradores da pujante e acolhedora Ouro Preto do Oeste em um encontro que foi coroado de êxito desde a preparação até a coração realizada no paradisíaco e acochegante Racho Coqueiral, onde a natureza fez sua morada e certamente serviu para que no futuro um novo encontro seja realizado.

Em janeiro de 2017 durante uma conversa nostálgica pelo whatssap entre Airla (OPO) e Elaine (Camboriú-SC), duas amigas de infância resolveram convidar os amigos que não viam há muito tempo e que foram embora de Ouro Preto do Oeste, a participarem de um grupo de whatssap para fins de terem notícias de cada um, e assim no primeiro momento conseguiram adicionar ao grupo uma de média 30 amigos, daí foram surgindo amigos de todos os lugares do mundo, onde chegou ao número de 192 membros, sendo 70% amigos que moraram e tiveram sua infância marcada na cidade de Ouro Preto do Oeste, e os demais daqui de OPO, todos movidos pela saudades dos amigos e desse lugar maravilhoso.

Durante muitos momentos e trocas de fotos no grupo surgiu a idéia de nos encontrarmos novamente, idéia que para muitos seria impossível pois tínhamos amigos de muito longe. Amadurecemos a idèia, e em julho/17 formamos uma comissão organizadora integrada pelos amigos Airla, Elaine, James e Marcelo que em comum acordo decidiram fazer o 1º Encontro do Quarentões de Ouro Preto do Oeste, motivados pela saudade dos amigos e o desejo da maioria retornar depois de 25, 20 anos a cidade onde estão suas raízes. Passamos ao grupo e a maioria vibrou com a idéia de retornar a OPO e rever amigos e familiares.

Chegou um momento em que achávamos que o Encontro não iria acontecer, mas diante da adesão de amigos vindo de longe motivou outro e outros a participar desse momento memorável.

Até que chegou o grande dia, no último sábado 28/07/2018 nos reencontramos numa grande festa realizada no Rancho Coqueiral, com a presença de amigos que vieram de Londres, Eunápolis-BA, Natal-RN, Alto Araguaia-MT, Cobija-Bolívia, Rio Branco e Epitaciolândia-AC, Humaitá-AM e amigos de diversas cidades vizinhas de Ouro Preto. Foram momentos de muito amor, carinho e respeito, muitos abraços, e claro muita resenha, relembrando momentos da infância.
Por tratar-se de amigos quarentões o tema da festa foi anos 80, tivemos banda, Dj com repertório dos anos 80,90 e 2000, foi realmente uma volta ao passado com os amigos.
Conseguimos reunir 64 quarentões com seus familiares, totalizando o número de 112 pessoas participando desse grande momento.

No domingo aconteceu um almoço com a presença de alguns familiares dos amigos presentes e das ilustres Mestras do tempo de escola, jardim de infância, estiveram presentes Dona Aída Maria, Professoras Adna Costa, Maria da Luz Gomes, Edna Carioca, Dircy Maria da Cunha, a secretária Lecy e a merendeira Edmar Rabel. Todas foram homenageadas e receberam o carinho dos que foram seus alunos que ali estavam presentes.



Acesse mais fotos

Fonte: Alexandre Araujo e Airla Souza

Fontos: Geraldo Nonato Rodrigues




Brasil : IMPRENSA LIVRE?
Enviado por alexandre em 31/07/2018 18:57:20

Jornalista denuncia pressão política

Portal UOL

O jornalista Augusto Nunes, que comandou o Roda Viva até março deste ano, decidiu não renovar seu contrato com a Cultura por causa da pressão política movida pelos conselheiros da TV mantida pelo governo de São Paulo. . Segundo Nunes, o conselho curador forçava nomes tanto para serem entrevistados quanto para realizarem a sabatina. "Havia uma pressão para que a gente começasse a convidar políticos amigos do dos conselheiros", conta.

"Eu deixava a escolha dos entrevistadores para a produção. Só queria jornalistas independentes, que formulassem perguntas objetivas. Mas eles [conselheiros] começaram a sugerir nomes, a fazer pressão", revela o articulista em entrevista para o canal Pingue-Pongue com Bonfá, de Marcelo

As intromissões cada vez mais constantes não caíram bem para o âncora, que detona os curadores. "O conselho da Cultura tem um bando de gente que passa o dia por lá. Porque eles são aposentados, têm tempo de sobra, ficam ali só fazendo fofoca", critica ele.

Nunes diz que, como estava incomodado, decidiu procurar o presidente da Cultura, Marcos Mendonça, para conversar. "Eu disse a ele o seguinte: 'Quero saber como vai ser esse ano'. Questionei se o jornalismo ia voltar a ter controle sobre o Roda Viva ou se essa pressão ia continuar. [E Mendonça disse:] 'Olha, esse ano é eleitoral, eu devo dizer que vai piorar", lembra ele.

De fato, a pressão piorou. Nunes diz que foi forçado a fazer entrevistas com alguns políticos. "Falavam: 'Tem que chamar o ministro da Educação [José Mendonça Filho], o das Comunicações [Gilberto Kassab], o da Saúde [Ricardo Barros]'. [Eu argumentava:] 'Mas nós já chamamos, eles vieram aqui quando assumiram'. 'É, mas são compromissos...'", conta ao jornalista Bonfá.

Para Nunes, o conselho usa o Roda Viva como palanque político para seus amigos. "Eles vêm aqui para se elogiarem, todos querem dizer que fizeram um grande trabalho, e depois vão se candidatar”.

Ao mesmo tempo, havia um movimento no conselho que criticava os convidados do Roda Viva. "Alguns conselheiros diziam que só ia gente que não era de esquerda. Mas foram vários de esquerda, todos bem tratados. Outros só não foram porque recusaram. O Lula e a Dilma [Rousseff], por exemplo, eu convidava todo mês. Convidei durante anos, eles nunca quiseram ir", recorda.

Pressionado por todos os lados, Nunes decidiu que não renovaria seu contrato. "Falei: 'Eu não quero mais, não. Topo fazer as entrevistas com os ministros, mas minha última data eu quero para mim'", diz ele, que convidou o juiz Sérgio Moro para a sabatina que marcou sua despedida, em março _e bateu recorde de audiência.

O ex-âncora ressalta que saiu no tempo certo Eu gosto de ficar em qualquer cargo pelo tempo de um mandato político, porque você vai se desgastando naturalmente por episódios assim Eu me livrei dessas pressões que nunca tolerei, e que já posso dispensar a essa altura da vida. Porque ninguém é de ferro."

Ele, no entanto, fez questão de se despedir do Roda Viva com um aviso. "Mandei meu recado: 'Espero que o programa continue seguindo a rota do jornalismo independente'. Porque é uma rota perigosa, mas é a única que leva a um bom porto. Eu fiz a advertência. Se o Roda Viva seguir, ele sobrevive; senão, ele morre", alerta.

Procurada pelo Notícias da TV, a Cultura não se manifestou sobre as declarações de Augusto Nunes até a conclusão deste texto. Com a saída do jornalista, o programa de entrevistas passou a ser comandado por Ricardo Lessa.

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