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Brasil : EDUCAÇÃO
Enviado por alexandre em 12/09/2017 23:10:02


Frequência de estudantes beneficiários do Bolsa Família atinge 87,5%

A frequência escolar dos estudantes beneficiários do Bolsa Família chegou a 87,47% entre junho e julho, segundo dados do Sistema de Acompanhamento da Frequência Escolar do Bolsa Família (Sistema Presença), que acompanha mais de 15,2 milhões de crianças e adolescentes na faixa de 6 a 17 anos. É o segundo maior percentual desde que a frequência escolar começou a ser acompanhada, em 2007 — o maior índice foi registrado em junho e julho de 2014, quando chegou a 88,61%. Os estados do Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins, Santa Catarina e Rondônia tiveram percentuais ainda maiores que a média nacional neste bimestre, com mais de 90%. Entre as capitais, Porto Alegre, Teresina, Palmas e São Paulo apresentaram melhor média de informação da frequência escolar, acima de 97%.

O MEC vai repassar todas essas informações ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), gestor do Programa Bolsa Família. O diretor de políticas de educação em direitos humanos e cidadania da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, Daniel Ximenes, afirma que o percentual de quase 90% de frequência escolar entre os estudantes acompanhados é resultado do trabalho de aproximação da pasta com os gestores e profissionais da educação. “Quando assumimos [o MEC], o resultado estava em torno de 84%”, relata. “Nós estamos tendo um trabalho de recuperação da rede, o contato com os coordenadores estaduais em todo o Brasil, orientações e atividades de formação. Nossa diretoria vem fazendo um trabalho de muita aproximação para que consigamos o resultado na ordem de quase 90%.

O resultado fortalece o acompanhamento de rede.” O acompanhamento é realizado em cinco períodos bimestrais ao longo do ano. À frente desse trabalho, o MEC atua em parceria com cerca de 50 mil coordenadores municipais e estaduais, além de auxiliares da área educacional. Esses agentes recolhem as informações sobre a frequência escolar e registram no Sistema Presença.

Condicionalidades do Bolsa Família

Uma das condições que as famílias devem cumprir para receber o benefício é manter o percentual mínimo de 85% de frequência escolar para crianças e adolescentes com idades de 6 a 15 anos e de 75% para jovens de 16 e 17 anos. ”Grande parte dessas famílias é de pais analfabetos ou semianalfabetos”, explica Ximenes. “Então, não se pode ter em hipótese alguma uma característica punitiva. São famílias que precisam do apoio do Estado para que as próximas gerações tenham melhores condições de escolarização. Muitas vezes, as crianças dessas famílias repetem ou abandonam, desistem da escola. Todos têm que ter uma trajetória escolar regular, e essa iniciativa apoia, nesse sentido, visando ao acesso e à permanência na escola.”

Brasil : A REALIDADE
Enviado por alexandre em 10/09/2017 12:03:48


Desigualdade de renda não caiu entre 2001 e 2015

Brasil Econômico

Segundo levantamento, ainda que a renda da parcela mais pobre da população tenha crescido, distância para o grupo mais rico se manteve

O crescimento da renda da população mais pobre no Brasil entre 2001 e 2015 não foi insuficiente para reduzir a desigualdade. Segundo estudo divulgado nesta semana pelo World Wealth and Income Database, instituto codirigido pelo economista Thomas Piketty, famoso por propor a taxação dos mais ricos para reduzir disparidades na distribuição de renda, a maior parte do crescimento econômico neste século foi apropriada pelos 10% mais ricos da população

De acordo com o levantamento, a fatia de renda nacionla dessa parcela da população passou de 54,3% para 55,3% entre 2001 e 2015. No mesmo período, a participação da renda dos 50% mais pobres também subiu 1 ponto percentual, passando de 11,3% para 12,3% e mantendo os mesmos níveis de desigualdade . A renda nacional total cresceu 18,3% no período analisado, mas 60,7% destes ganhos foram apropriados pelos 10% mais ricos, contra 17,6% das camadas menos favorecideas.

A expansão foi feita às custas da faixa intermediária de 40% da população, cuja participação nacional caiu de 34,4% para 32,4% entre 2001 e 2015. De acordo com o estudo, a queda se deve ao fato de que essa camada da população não se beneficiou diretamente das políticas sociais e trabalhistas realizadas pelo governo nos últimos anos e nem pôde tirar proveito dos ganhos de capitai, como lucros, dividendos e renda de imóveis, restritos aos mais ricos.

"Ao capturar pouco ou nenhuma parte da distribuição da renda de capital e ao não capturar muitos dos frutos da política social diretamente, a faixa intermediária 'espremida' poderia ser um produto das elites que a quer botar em competição com a faixa inferior [de renda]", destacou o estudo, assinado pelo economista Marc Morgan.

A pesquisa classificou a manutenção da desigualdade no Brasil como "chocante", ainda mais se comparada a países desenvolvidos. "É digno de nota que a renda média dos 90% mais pobres no Brasil é comparável à dos 20% mais pobres na França, o que apenas expressa a extensão da distorção na renda no Brasil e a falta de uma vasta classe média", ressalta o estudo. Em contrapartida, a parcela 1% mais rica no Brasil ganha mais que o 1% mais rico no país europeu: US$ 541 mil aqui, contra US$ 450 mil a US$ 500 mil na França.

Brasil : CONHECIMENTO
Enviado por alexandre em 08/09/2017 09:59:45


Projeto Rondon recebe propostas de trabalho até 6 de outubro
Em julho de 2018, serão realizadas as operações Pantanal e Palmares


Instituições de Ensino Superior podem enviar propostas de trabalho para o Projeto Rondon até 6 de outubro. O edital com as regras foi publicado nesta segunda-feira (4), no Diário Oficial da União (DOU). Em julho de 2018, serão realizadas as operações Pantanal, no estado do Mato Grosso do Sul, e Palmares, no estado de Alagoas.

As propostas devem ser enviadas em arquivo salvo no formato PDF pelo site do projeto. Podem se inscrever instituições de todo o País, cadastradas no Ministério da Educação (MEC).

Em comemoração aos 50 anos da primeira operação do Projeto Rondon, neste ano foi realizada a Operação Cinquentenário. As atividades ocorreram entre 7 e 23 de julho em 15 municípios de Rondônia, envolvendo 310 voluntários e 30 universidades de todo o País.

Nos últimos 12 anos, o Projeto Rondon realizou 78 operações em 1.164 municípios de 24 estados, com a participação de 2.219 instituições de ensino superior e 21.935 rondonistas (universitários e professores), atingindo cerca de 2 milhões de pessoas.

Responsabilidade social

O Projeto Rondon contribui para o desenvolvimento local sustentável e para a construção da cidadania de moradores de municípios carentes. Assim, são desenvolvidas ações que trazem benefícios permanentes para as comunidades, além de consolidar nos jovens universitários e voluntários o sentido de responsabilidade social.

Uma operação do Rondon segue várias etapas. O planejamento realizado se inicia com a definição da região e dos estados onde será realizada: é feito um levantamento dos municípios de interesse da área (baixo IDH, tamanho do município etc) e detalhamento das necessidades logísticas.

Os municípios selecionados recebem a visita de um integrante do projeto, para informar à prefeitura e às lideranças locais sobre as possibilidades e as limitações do trabalho, verificar se os conjuntos de ações selecionadas para a operação respondem às principais necessidades do município e carências da população e apresentar a contrapartida solicitada aos municípios. Nesta fase, a prefeitura confirma seu interesse em aderir e participar do Projeto Rondon.

O Projeto Rondon é conduzido sob coordenação do Ministério da Defesa em parceria com os Ministérios da Educação, do Esporte, da Integração Nacional, do Meio Ambiente e da Saúde, além da Secretaria de Governo da Presidência da República e da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário.
24 Horas News

Brasil : EDUCAÇÃO
Enviado por alexandre em 06/09/2017 17:56:55


MEC estuda meios de ampliar formação docente

Estadão

Em meio às discussões sobre a reforma do ensino médio, o Ministério da Educação (MEC) estuda ao menos quatro medidas para transformar a formação de professores no País. O governo quer usar, por exemplo, programas federais como o Universidade para Todos (ProUni) e o Financiamento Estudantil (Fies) para estimular a adoção de novas bases curriculares nas universidades.

O governo também pretende criar uma nova base para os currículos de cursos de licenciatura, reforçar a complementação pedagógica a distância e criar especializações no ensino médio que apresentem aos alunos a carreira de professor. Os planos foram apresentados nesta terça-feira, 5, no Fórum Estadão - O Novo Ensino Médio, que reuniu representantes do MEC e do Conselho Nacional de Educação (CNE) e especialistas para debater questões referentes às alterações na última etapa da educação básica.

‘A gente tem, por exemplo, (a possibilidade de) os financiamentos estarem atrelados a determinados modelos curriculares‘, diz o secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares da Silva. ‘Se tivermos uma orientação no MEC dizendo qual é o mínimo que um professor tem de saber, teremos condições de influenciar com muito mais efetividade as redes privadas‘, afirmou.

Segundo o secretário, a nova base para a formação de professores pode ser apresentada até o fim do ano, na forma de um ‘documento orientador‘, que seria discutido com outras entidades. O texto deve trazer sugestões para conteúdos e habilidades que as Licenciaturas de todo o País devem ensinar.

Outra ideia é estimular a carreira docente já na educação básica. Segundo a secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, o tema deve ser incluído entre os itinerários formativos do ensino médio - que serão a parte flexível da etapa após a reforma.

‘Não é formá-los para serem professores no nível médio, mas prepará-los para seguir a licenciatura e entender o que é a carreira de docente‘, diz Maria Helena. ‘Mas não há decisões tomadas ainda.‘

A proposta ainda será levada ao ministro da Educação, Mendonça Filho. O corpo técnico do MEC prevê que um pacote de medidas para a formação de professores será apresentado pela pasta ainda em outubro.

Em curso

Uma iniciativa que, segundo o ministério, deve ser ampliada, é o apoio a cursos de complementação pedagógica para professores que já estão no mercado. Os cursos são oferecidos pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), que tem cerca de 20 mil alunos nessa modalidade, e pelos Institutos Federais Tecnológicos.

O público-alvo são licenciados de História que dão aula de Língua Portuguesa e professores de Matemática que lecionam também Filosofia, por exemplo. Mais de 50% dos professores da educação básica no Brasil não têm formação na área em que atuam, de acordo com o próprio MEC.

A presidente da ONG Todos Pela Educação, Priscila Cruz, que participou do Fórum, apoia antecipar a formação dos professores desde o ensino básico e a tentativa de atrair os melhores alunos para a carreira. ‘Estamos aguardando um anúncio do MEC nesse sentido, justamente porque, sem mexer na formação dos professores, não há como avançar‘, disse.

Brasil : RESTAURAÇÃO
Enviado por alexandre em 05/09/2017 01:45:55


Cirurgiã resgata prazer sexual de mulheres mutiladas

Época

Nos dias comuns de sua clínica em Burlingame, Califórnia, a ginecologista Marci Bowers atende grávidas, mulheres em rotina de exames e pacientes transgêneros. Nos dias especiais, faz partos e cirurgias de transição de sexo – é famosa na área. Nos dias especialíssimos, ela repara o clitóris de mulheres mutiladas. Bowers foi a primeira a fazer esse tipo de cirurgia em solo americano, em 2009. Desde então, oferece o serviço de forma voluntária a quem possa se deslocar até a Baía de São Francisco e arcar com os US$ 700 de uso das instalações. Em maio, levou sua técnica ao Quênia, após dois anos de preparação.

A médica foi para Nairóbi. Operou 45 mulheres ao longo de duas semanas, com o apoio de equipes locais, e treinou três cirurgiões. Eles agora podem começar a sanar uma demanda continental, visível pelas centenas de mulheres que ficaram na fila de espera. “Muitas vinham de países vizinhos”, conta Bowers. “Não há palavras para descrever a força da experiência. Muitas pediam apenas para encostar em mim.” O que elas querem, diz a médica, é antes de mais nada restaurar sua identidade. Sentem falta de uma parte do corpo. Estima-se que um quinto das mulheres do Quênia sofreu mutilação genital, uma prática tradicional feita principalmente, mas não só, na África e no Oriente Médio. Europa e Estados Unidos enfrentam essa realidade em suas comunidades de imigrantes. O Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, calcula haver no mundo 200 milhões de mulheres e meninas mutiladas. Em alguns países, como Somália e Egito, ao menos quatro em cada cinco mulheres passaram pelo procedimento. Nos últimos 20 anos, a prática vem sendo questionada. Os números diminuem, mas de forma muito lenta, informa a Organização das Nações Unidas (ONU). Uma vez crescida e casada, a menina que sofreu mutilação desconhece o prazer sexual. Em alguns casos, não sente nada. Em outros, apenas dor. “A mentalidade está mudando lentamente”, afirma Bowers. “Muitas buscam sua dignidade perdida. Eu me identifico com elas. Sei o que é querer algo fisicamente e não ter.” Ela diz isso porque viveu, por décadas, com uma identidade diferente da atual.

Bowers era chefe de um departamento num hospital de Seattle e tinha um casamento estável, com três filhos, mas não se identificava com o próprio corpo, de homem. Aos 38 anos, após uma cirurgia de mudança de sexo, Marc tornou-se Marci. Há quase 20 anos, reassumiu suas funções rotineiras, mas na pele de mulher. A vida amorosa mudou, o casamento legal perdurou (numa parceria com a esposa para cuidar dos filhos) e, na prática médica, Bowers dedicou-se a uma nova especialidade, a da cirurgia de mudança de sexo. Buscou o médico Stanley Biber como mentor e foi trabalhar a seu lado em Trinidad, no Colorado, transformada em “capital mundial da troca de sexo” pela fama do cirurgião, um pioneiro na prática. Em 2003, ela assumiu a clientela de Biber, que se aposentava, aos 80 anos. Três anos depois, o mentor morreu. Bowers herdou seu prestígio, mas ainda estava a alguns anos de encontrar a inovação que abraçaria – sem concordância de toda a comunidade médica.

Em 2009, o ginecologista francês Pierre Foldès e sua colega Odile Buisson publicaram os resultados do estudo com a primeira ultrassonografia em 3-D do clitóris estimulado em pleno ato sexual. O estudo reforçou a tese de que o ponto G existe e é um caminho alternativo de estimulação do próprio clitóris. Afinal, o órgão é bem maior do que se imaginava e hoje é desenhado com dois bulbos pendendo pelas laterais dos lábios vaginais. Foldès uniu seu conhecimento ao trabalho humanitário que fazia na África, atendendo vítimas de mutilação. Criou uma cirurgia ambulatorial simples, de 45 minutos. Os passos básicos consistem em remover o tecido da cicatriz deixada pela mutilação, expor o que restou do clitóris, localizar o “ligamento suspensório” (parte da anatomia que puxa o órgão para junto do corpo) e fazer nele um corte. “Isso libera o clitóris e permite trazer o que ainda há dele para a superfície”, explica Bowers. Tal manobra só é possível pelo tamanho do órgão – algo que muitos ginecologistas ainda ignoram. “Se você assiste a uma única cirurgia, percebe que 95% do clitóris ainda está lá. O órgão é longo, tem até 11 centímetros de comprimento.” A cirurgiã aprendeu tudo isso com o próprio Foldès.

Suas histórias pessoais se encontraram em 2007, quando a secretária eletrônica da clínica de Bowers registrou um recado perguntando se ela gostaria de aprender a técnica. O convite foi feito pela ONG Clitoraid (junção das palavras “clitóris” e “ajuda”, em inglês), criada em 2003 com a missão de oferecer reparação gratuita ao maior número de mulheres possível. A entidade foi criada por membros do movimento raeliano, uma seita que acredita em alienígenas e prega a cultura da paz – recentemente, promoveram meditações coletivas no intuito de influenciar negociações para proibir armas nucleares. Devolver o prazer feminino, segundo eles, é corrigir a violência e devolver um direito básico ao prazer sexual. Daí a ideia de financiar o treinamento de médicos e multiplicar a técnica Foldès. As crenças exóticas dos raelianos não facilitaram o trabalho. “Não fazemos proselitismo. Como a Cruz Vermelha, criada por cristãos, a Clitoraid foi criada pela filosofia raeliana, mas o trabalho é humanitário”, diz Nadine Gary, uma diretora da organização. Foi ela que, anos atrás, iniciou a busca por médicos. Recebeu 27 “nãos” antes de chegar a Bowers. Pensou nela num momento que define como pura intuição feminina. “Ela conhece muito sobre essa região anatômica e tem uma experiência de vida riquíssima, sabe o que é não ter a própria identidade. Deixei o recado e recebi a resposta muito rápido: ‘Sim, é claro que quero fazer parte disso’.”

Bowers foi à França em dois momentos, em 2007 e em 2009, para acompanhar as cirurgias de Foldès, que atua de forma independente, mas coordenada com a ONG. “Ele é um pouco como um santo, eu diria. É uma figura humanitária que, ao mesmo tempo, tem os pés no chão”, resume. De volta aos Estados Unidos, realizou cerca de 300 cirurgias voluntárias, segundo suas contas. Em 2014, viajou para o país africano de Burkina Faso, onde 76% da população feminina é mutilada. A missão deveria inaugurar um hospital construído pela Clitoraid ao longo de oito anos com dinheiro de doações, mas a ação foi barrada pelas autoridades – às vésperas da data marcada, quando vans lotadas de mulheres esperançosas chegavam à cidade de Bobo. Impedida de usar o hospital, Bowers fez as cirurgias na clínica de um médico local.

A cirurgia dura 45 minutos e só é possível porque a estrutura interna do clitóris tem até 11 cm

Nos Estados Unidos, as estimativas indicam haver entre 200 mil e 500 mil vítimas de mutilação genital. Bowers não cobra por esse atendimento, mas há outras dificuldades no caminho das potenciais pacientes. Uma é financeira – muitas imigrantes não podem pagar os custos da viagem até a Califórnia. Outras têm medo do procedimento, pois guardam a lembrança do corte e têm sintomas de estresse pós-traumático. Por último, há polêmica em torno da própria operação, relativamente nova e pouco conhecida na comunidade médica. “Há médicos que dizem: ‘É impossível restaurar o clitóris, não pode dar certo’. Isso é absurdo”, diz Bowers. Ela ouviu de algumas pacientes que seus médicos as desencorajavam a passar pela reconstrução. A médica Neila Speck, especialista na área e integrante da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, atendeu mulheres mutiladas durante um estágio na Itália, em 1998. Eram imigrantes africanas com o tipo mais severo de mutilação, em que se cortam o clitóris e os lábios vaginais e se costura a abertura vaginal. Speck voltou ao Brasil com imagens dos casos e as mostrou em sala de aula. Ela desconhece a reparação do clitóris. “Isso não era feito lá [na Itália]. Desconheço a técnica.” Tirar o tecido cicatrizado e liberar o órgão, no entanto, faz sentido para ela. “A amputação não é completa. O clitóris pode ser trazido para a frente. É possível que a técnica restaure a sensibilidade”, diz.

Em 2012, Foldès e sua equipe publicaram um estudo, financiado pela Associação Urológica Francesa, que analisou o pós-operatório de 847 pacientes. Um ano após a cirurgia, mais de 800 delas relataram menos dores durante o sexo e as primeiras sensações de prazer por meio do clitóris. Metade reportou ter atingido o orgasmo. Na sede da Clitoraid, em Las Vegas, Nadine Gary recebe informalmente esse tipo de retorno. “Jamais vou me esquecer do telefonema de uma mulher que havia passado pela cirurgia três meses antes. Ela chorava de emoção e queria me contar que havia vivido seu primeiro orgasmo. Isso ocorreu numa noite de 8 de março, Dia Internacional da Mulher.” Por isso, Bowers está disposta a continuar operando e confrontando os colegas. “A ignorância dos médicos é inacreditável. Teríamos de começar por eles, ensinando sobre a fisiologia do clitóris”, afirma.

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