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Brasil : QUEIMADURAS
Enviado por alexandre em 05/11/2021 01:27:08


Como pobreza agrava tragédia invisível de acidentes com queimaduras no Brasil
  • Paula Adamo Idoeta
  • Da BBC News Brasil em São Paulo
Fogareiro improvisado para cozinhar

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Fogareiro improvisado para cozinhar; em 2019, 1 em cada 5 famílias brasileiras não tinha acesso a botijões de gás

Quando o médico Marcos Barreto participa de congressos e conferências fora do Brasil, não é incomum que achem que ele trabalha em zonas de guerra.

Na verdade, ele chefia a unidade de queimaduras do Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra, no Recife (PE), referência no tratamento de queimados no país.

Ali são atendidas cerca de 280 pessoas por mês, uma média de quase dez por dia. E nos 40 leitos costumam ser internados, em média, 1,1 mil pacientes por ano, diz Barreto, que atua no hospital há 47 anos, desde que era estudante de Medicina.

"No exterior, acham que (números dessa magnitude) só podem ser de queimaduras por conflito", explica Barreto à BBC News Brasil.

"E se você me perguntar se esse número tem aumentado no Brasil, digo que sim, claro. Quanto mais pobreza, maior o número de acidentados. (...) Mas não é nada novo: é um problema histórico. Eu vejo isso há décadas. É um problema puramente social, e muito grave. Minha clientela é miserável. Eu nunca atendo rico queimado."

Essa relação direta entre o aumento recente da pobreza e mais queimaduras ainda não consta de estatísticas oficiais recentes, mas é confirmada por especialistas e tem sido observada nos últimos meses, em particular no acesso a combustível para cozinhar de modo seguro.

Enquanto o preço do gás de cozinha acumula alta de quase 30% neste ano, 56% da população adulta brasileira viu sua renda cair desde o início da pandemia, segundo pesquisa do Unicef (braço da ONU para a infância) publicada em maio.

O resultado é que se tornaram mais comuns os relatos - e os riscos de acidentes - envolvendo pessoas que, sem conseguirem comprar gás de cozinha, passaram a preparar refeições com combustíveis alternativos, mais inflamáveis ou perigosos.

"Sempre quando aumenta o preço do gás, centros de atendimento de queimados já sabem que precisam se preparar para atender mais gente", sobretudo em regiões vulneráveis, explica à BBC News Brasil o médico José Adorno, presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ).

Marcos Barreto, médico que chefia ala de queimaduras do Hospital da Restauração de Recife

Crédito, Arquivo pessoal

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Marcos Barreto, médico que chefia ala de queimaduras do Hospital da Restauração

Um caso recente a ganhar o noticiário foi o de Geisa Stefanini, de 32 anos, moradora de Osasco (SP), que morreu depois de ter grande parte do corpo queimado em um acidente doméstico. Seu bebê, de sete meses, sobreviveu à explosão, mas sofreu queimaduras em 18% do corpo.

Desempregada e sem dinheiro para um botijão, segundo relatos de pessoas próximas, Stefanini tinha tentado cozinhar com um fogão improvisado com tijolos, uma grelha e álcool obtido em um posto de gasolina.

2 litros de álcool em garrafa PET

Recentemente, 80% dos leitos femininos do Hospital da Restauração recifense chegaram a ser ocupados por casos como o de Geisa, informa o médico Marcos Barreto.

"O povo está indo ao posto de gasolina porque não tem R$ 100 para comprar o gás de cozinha, mas às vezes tem R$ 10 na mão. Com isso, compram 2 litros de álcool no posto, em garrafa PET, e cozinham por dois dias e meio", explica Barreto.

"Se você fizer a conta, isso sai mais caro do que o gás, mas é o que cabe no bolso deles naquele momento. A pessoa garante que vai cozinhar hoje e amanhã. Faz um tripé com uma panelinha de álcool no meio."

O improviso é altamente arriscado. "Você quase não enxerga o fogo azulado do álcool. Quando vai reabastecer, porque acha que o fogo acabou, ocorre o acidente."

O álcool e a gasolina são muito voláteis e se espalham e evaporam rapidamente, explica o major Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, corporação que atendeu à ocorrência de Geisa.

"Ao evaporar, o combustível forma uma nuvem invisível. E, ao contrário de um fogão, que você desliga, não tem como cortar o suprimento do combustível: o fogo só acaba quando queimar, destruindo tudo", detalha o major. "Por isso, nunca se deve improvisar a substituição de combustível em uma cozinha, que já está adaptada ao uso do gás."

Mas, mesmo que sejam alertadas sobre os riscos, as pessoas se veem sem alternativas, observa Barreto. "Elas me dizem, 'doutor, mas eu vou cozinhar com o quê?'. Já cheguei a internar três gerações da mesma família - avó, mãe e filha - por acidente na cozinha."

Botijões de gás de cozinha

Crédito, Pedro Ventura/Agência Brasília

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Aumento no preço do gás de cozinha tem feito pessoas carentes optarem por alternativas mais perigosas

Cozinhar com lenha e carvão

Como aponta Barreto, o problema não é novo. Em 2019, uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estimou que, no ano anterior, 14 milhões de famílias brasileiras (ou 20% do total) usavam lenha ou carvão para cozinhar - um aumento de 3 milhões de famílias em relação a 2016.

Ficaram, portanto, mais suscetíveis a acidentes, queimaduras ou intoxicação pela fumaça.

Outras 89 mil famílias usavam outros combustíveis para preparar alimentos, o que pode incluir o álcool.

No mundo inteiro, um relatório do Banco Mundial publicado em outubro de 2020 apontou que 2,8 bilhões de pessoas dependiam de lenha, resíduos de colheita, carvão e outros combustíveis inseguros e poluentes para cozinhar.

O prejuízo social acumulado disso, seja em danos à saúde, ao clima (pela emissão de gases do efeito estufa) e à produtividade das mulheres - as principais encarregadas do preparo de refeições - foi estimado em US$ 2,4 trilhões.

Além disso, em 2014 a ONU calculou que 4,3 milhões de pessoas morriam por ano por doenças causadas pela poluição em ambientes fechados - sobretudo por partículas e monóxido de carbono produzidos pela queima de madeira, carvão ou resíduos em fogões improvisados ou ineficientes.

A Organização Mundial da Saúde não tem estatísticas atualizadas sobre queimaduras, mas calculou, em 2018, que cerca de 180 mil pessoas morriam por ano no mundo em decorrência desse tipo de lesão, sobretudo em países de renda baixa e média, a maior parte na África e no Sul da Ásia.

No Brasil, alguns estudos estimam que haja mais de 1 milhão de casos de queimadura por ano, dos quais 2,5 mil terminam em morte. E dois terços ocorrem dentro de casa, muitas vezes envolvendo crianças.

Cerca de 90% dos atendimentos são na rede pública de saúde, evidenciando a vulnerabilidade de muitas das vítimas, segundo a SBQ.

Álcool em gel

Crédito, Marcello Casal Jr/Ag Brasil

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Álcool se tornou mais presente nas casas por conta da pandemia; seus riscos muitas vezes são minimizados

Aqui, um projeto recém-aprovado no Senado prevê, agora, um auxílio-gás, no valor de 50% do preço nacional do botijão de 13 kg (atualmente orçado em R$ 100, mas que chega a ser vendido por R$ 130), para as famílias inscritas no Cadastro Único de programas sociais do governo federal. O projeto ainda será reavaliado pela Câmara dos Deputados.

Exposição excessiva ao álcool

Para além dos custos do botijão de gás, a pandemia favoreceu uma exposição excessiva das pessoas ao álcool como higienizador, sem que isso tenha sido acompanhado de medidas educativas, explica José Adorno, da Sociedade Brasileira de Queimaduras.

Adorno lembra que, em março de 2020, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) flexibilizou as restrições à fabricação e à venda do álcool na concentração 70%, que é altamente inflamável.

"Aumentou a presença do álcool na casa das pessoas, o que não é seguro", pontua Adorno.

O resultado, diz ele, é que começaram a surgir desde casos extremos "de pessoas passando álcool gel no corpo como se fosse protetor solar" até um aumento nos atendimentos ambulatoriais e nas internações por conta de queimaduras acidentais graves, segundo relataram à SBQ centros hospitalares especializados em queimaduras.

Entre março e novembro de 2020, houve cerca de 700 internações decorrentes de acidentes com líquidos inflamáveis, diz a sociedade.

"Os acidentes mais comuns (ocorrem quando) o adulto acende um fogareiro com criança por perto, ou a criança depois pega o álcool para copiar o adulto", prossegue o presidente da SBQ.

Acidentes em casas pequenas, em que a cozinha não fica em um cômodo separado, ou em áreas externas, com o uso de álcool líquido para acender churrasqueiras (o que não é recomendado), também são frequentes.

Por isso, segundo a SBQ, deve-se manter em casa apenas frascos pequenos de álcool 70%, para higienizar mãos, e usar na limpeza em geral água e sabão ou o álcool 46, que é menos volátil. E os recipientes devem sempre ser mantidos longe de locais quentes e fora do alcance de crianças.

Marcos Barreto na sala infantil da ala de queimaduras do Hospital da Restauração

Crédito, Arquivo pessoal

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"Já cheguei a internar três gerações da mesma família - avó, mãe e filha - por acidente na cozinha", diz Marcos Barreto, na sala de pacientes infantis vítimas de queimaduras

"Mas os frascos de álcool também precisariam ser mais bem diferenciados pela indústria", critica o Adorno. "O álcool 70% precisaria ter alguma tarja que o identificasse, assim como fazemos com medicamentos tarja preta ou com venenos."

Palumbo, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, lembra que, para churrasqueiras, o mais seguro é usar acendedores, que não vão evaporar rapidamente, como faz o álcool líquido.

Tratamento nem sempre existe

Gambiarras em redes de eletricidade, queimaduras por escaldadura (por exemplo, quando crianças viram sobre si panelas de água ou café quente) e botijões de gás mal instalados completam o quadro de causas comuns de acidentes, cujas vítimas nem sempre conseguem o tratamento adequado.

O professor universitário maranhense Daniel Moraes descobriu isso em 2017, quando uma explosão por vazamento de gás na casa de sua vizinha causou queimaduras em 65% de seu corpo. Foi o início de uma trágica saga pessoal que o deixou internado por nove meses e com a sensação de que, em suas palavras, "minha vida tinha acabado".

"Eu não tinha ideia da dimensão disso (das queimaduras) até acontecer comigo, porque é um problema invisível", diz Moraes à BBC News Brasil.

"Fiquei meses internado em um bom hospital aqui de Caxias (cidade a 360 km da capital maranhense São Luís), mas que não tinha atendimento especializado para queimaduras - que requer nutrição adequada, fisioterapia etc."

Como ele não suportava a dor, cada troca de curativo tinha de ser feita no centro cirúrgico, sob anestesia geral. Sem fisioterapia e passando dias a fio deitado e imóvel, Moraes viu suas pernas - um dos principais focos das queimaduras - atrofiarem e "ficarem da mesma finura que meus braços".

"Achei que não fosse sobreviver, nem voltar a andar", recorda.

Foi só depois que conseguiu ser transferido para um centro de referência em Goiânia (GO) que Moraes conseguiu acesso a profissionais médicos especializados em queimaduras: "saí de lá 18 dias depois, andando." O que o fez concluir que, se tivesse recebido cuidados adequados desde o início, seu sofrimento - cujas cicatrizes físicas e psicológicas perduram até hoje - poderia ter sido encurtado.

Daniel com sua amiga Andréa, com curativos nos braços após sair do hospital

Crédito, Arquivo pessoal

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Daniel com sua amiga Andréa, com curativos nos braços após sair do hospital; eles hoje ajudam maranhenses vítimas de queimaduras

"Eu tive educação e acesso a informações e passei por tudo isso. Conheci pessoas de poder aquisitivo baixíssimo, pessoas que precisaram largar tudo para mudar de Estado e poder se tratar", conta.

Com a amiga advogada Andréa Barbosa, que o ajudou durante o tratamento, Moraes criou a Associação Maranhense de Apoio a Sobreviventes de Queimaduras, em que ajudam vítimas a navegar pelo sistema estatal de saúde e a obter desde vagas em centros especializados até itens caros do tratamento, como malhas compressivas e cremes hidratantes.

"A maior parte dos sobreviventes que nos procuram vivem na pobreza, em povoados onde não há atendimento hospitalar", conta Andréa Barbosa.

Existe, de fato, uma distribuição desigual na oferta per capita de atendimento a queimados no país, explica o médico José Adorno, com maior concentração no Sudeste e menor no Norte e em parte do Nordeste.

O Maranhão, apesar de ter um dos mais altos índices de acidentes com queimaduras no Nordeste, ainda não tem um centro próprio de atendimento a queimados - este está em fase de conclusão e treinamento de sua equipe. Enquanto isso, pacientes com frequência são mandados para outros Estados ou se tratam por conta própria, diz Barbosa.

"Para se ter uma ideia, em algumas casas que visitamos, encontramos crianças sentadas na rede com os braços (queimados) esticados, sem curativos nas queimaduras, apenas com um ventilador".

(Observação: a recomendação de especialistas, no caso de queimaduras, é jamais aplicar pomadas, medicamentos ou quaisquer produtos caseiros, como borra de café ou clara de ovo; deve-se apenas lavar a área queimada com água corrente, cobrir com um pano limpo e buscar ajuda médica imediatamente).

Mulher cozinhando na rua, em foto de arquivo

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Mulher cozinhando na rua, em foto de arquivo; líquidos mais inflamáveis são mais inseguros e favorecem acidentes graves

'Trauma que fica na penumbra'

Além da desigualdade no acesso a tratamento, um dos muitos aspectos trágicos é o fato de as queimaduras em geral afetarem pessoas jovens e crianças, no auge de suas vidas sociais e produtivas.

Segundo Adorno, as queimaduras são uma das principais causas de desperdício de anos de vida, porque muitas vezes exigem longos períodos de internação hospitalar, múltiplas cirurgias, afastamento do trabalho e reabilitação.

"É um problema que atinge um público jovem e impõe uma vida difícil, cheia de restrições (por exemplo, muita sensibilidade ao sol), estigma (por causa das cicatrizes) e cuidados físicos e psicológicos que o SUS não está preparado para oferecer", diz o médico.

"É um trauma que fica na penumbra: o sequelado convive menos com a sociedade e é muito estigmatizado."

A experiência de Daniel Moraes, ao deixar o hospital com máscaras e roupas especiais para proteger a pele, corrobora isso. "As pessoas te olham e você se sente muito mal. A reinserção social é muito difícil, (porque) o trauma é muito grande. Eu estava fazendo mestrado, começando minha carreira, e tudo precisou ser interrompido pelo acidente. Eu só consegui (retomar a vida) porque tive o apoio de muitas pessoas, de muitos amigos."

Os desfechos podem, também, ser fatais: a SBQ calcula que o Brasil tenha acumulado 33 mil mortes por diferentes tipos de queimaduras entre 2011 e 2019.

O atraso no atendimento emergencial contribui para mortes ou a perda de membros, diz Adorno, uma vez que queimaduras mal cuidadas tendem a infeccionar.

"Enquanto os países desenvolvidos diminuíram sua mortalidade por queimaduras para cerca de 3% dos casos, aqui nossa mortalidade é, em média, de 8% a 10% dos casos", agrega.

Prevenção sai mais barato, econômica e socialmente

Atendimento a vítima de queimadura

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Atendimento de alta complexidade a queimaduras chega a custar US$ 1 mil por dia

No Hospital da Restauração, no dia em que Marcos Barreto conversou com a reportagem, no final de outubro, os 15 leitos infantis da ala de queimados estavam ocupados. Outras cinco crianças aguardavam vaga no corredor de emergência.

Os 25 leitos de adultos também estavam tomados, enquanto dois pacientes aguardavam na UTI e outros dois, na emergência.

Naquele mesmo dia, Barreto havia acabado de atender um paciente que havia ateado álcool e fogo ao próprio corpo, em uma tentativa de suicídio - casos que também se tornaram mais comuns na rotina do hospital em meio ao desalento da pandemia, de possíveis efeitos psicológicos da covid longa (problema que ainda está sendo estudado pela medicina) e da crise econômica, diz o médico.

Ele e sua equipe de 150 pessoas fazem em torno de 6 mil curativos em queimaduras todos os anos. "Parece uma guerra civil", retrata.

Só as queimaduras por álcool, como a que matou Geisa Stefanini em Osasco, resultaram em quase 23 mil internações em todo o país entre 2012 e 2019, segundo a SBQ. Os custos estimados ao SUS são de R$ 73 milhões, sem contar os prejuízos sociais e produtivos das vítimas.

José Adorno cita um levantamento feito nos EUA apontando que cada US$ 1 investido em educação e prevenção de queimaduras gerou uma economia de US$ 27 em atendimento médico evitado.

"Cada dia de tratamento de uma queimadura em um centro avançado custa até US$ 1 mil (R$ 5,5 mil na cotação atual) e deixa para a sociedade uma pessoa cheia de sequelas e com dificuldades de reabilitação", conclui o médico.

Brasil : MAIS SEGURAS
Enviado por alexandre em 04/11/2021 09:52:28

As cinco cidades mais seguras do mundo pós-pandemia

Nada na memória moderna mudou a vida nas cidades tanto quanto a pandemia de covid-19.

Do fechamento de escritórios nos centros ao uso obrigatório de máscaras e restrições impostas a restaurantes, as medidas de prevenção ao coronavírus transformaram a paisagem das cidades em todo o mundo, provavelmente numa perspectiva de longo prazo.

Na verdade, a pandemia de covid-19 é a primeira deste porte a nos atingir como uma espécie "urbanizada".

Quando a gripe espanhola eclodiu, no início de 1900, apenas 14% dos humanos viviam em cidades, mas hoje esse percentual subiu para 57%, de acordo com estimativas da Divisão de População da Organização das Nações Unidas (ONU).

Como resultado, as cidades tiveram que se tornar ainda mais vigilantes em termos de proteção sanitária e segurança de uma maneira geral para preservar melhor seus habitantes.

Para esclarecer que mudanças levaram a mais segurança, a Economist Intelligence Unit lançou recentemente o Índice de Cidades Seguras de 2021, que classifica 60 cidades com base em 76 indicadores de segurança nas áreas de infraestrutura, vida digital, segurança pessoal, fatores ambientais e, claro, saúde — com critérios como capacidade de resposta à pandemia e mortalidade por covid-19 incluídos neste ano.

Todas as cidades classificadas no topo da lista — incluindo Copenhague, Toronto, Cingapura, Sydney e Tóquio — apresentam elementos que ilustram como a segurança em geral se correlaciona com um forte senso de coesão social, inclusão total da população e confiança da sociedade.

Conversamos com moradores destas cidades para ver como as mudanças provocadas pela pandemia tornaram suas cidades mais seguras, inclusivas e resilientes; e o que os turistas ainda precisam saber para se manterem seguros quando finalmente puderem visitá-las.

Copenhague

Encabeçando a lista, a capital da Dinamarca se classificou particularmente bem devido ao novo pilar de segurança ambiental do índice, que mede sustentabilidade (incluindo incentivos à energia renovável), qualidade do ar, gestão de resíduos e cobertura florestal urbana.

Parque de Copenhague

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Os abundantes parques e espaços abertos de Copenhague desempenharam um papel fundamental na forma como os moradores lidaram com as restrições da pandemia

Este último teve um impacto absoluto em como a cidade e seus moradores foram capazes de lidar com as restrições da pandemia, completamente suspensas em setembro de 2021.

"Os parques e áreas verdes, assim como as vias navegáveis, foram extremamente populares durante a pandemia. Os moradores de Copenhague estavam passeando, comprando comida para viagem e aproveitando os muitos espaços para respirar da cidade", afirmou o morador Asbjørn Overgaard, CEO da organização sem fins lucrativos Copenhagen Capacity.

A cidade também continua a fornecer "guias-corona" para orientar as pessoas, além de oferecer uma ampla sinalização e marcações claras para criar espaço entre os grupos ao ar livre.

O espírito comunitário do país, melhor resumido na palavra dinamarquesa samfundssind, também permite que os cidadãos trabalhem juntos e confiem uns nos outros — incluindo as autoridades do governo — para criar condições de vida mais seguras.

O Índice de Cidades Seguras encontrou uma alta correlação entre o controle da corrupção e cidades mais seguras, então não é surpresa que a classificação da Dinamarca como um dos países menos corruptos do mundo tenha permitido que seus cidadãos confiassem em suas instituições e uns nos outros durante a pandemia.

Copenhagen também implementou um amplo programa de testes de covid, que permanece gratuito para todos, incluindo turistas.

Os dados coletados permitem o monitoramento detalhado dos surtos; além disso, a cidade implementará testes de água de esgoto para detectar surtos precocemente.

Toronto

A maior cidade do Canadá aparece logo a seguir, em segundo lugar, no índice de segurança geral, com alta pontuação em infraestrutura e segurança ambiental.

Toronto

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Toronto está bem classificada na lista devido à sua cultura inclusiva e segurança ambiental

Os moradores atribuem isso a uma cultura inclusiva que valoriza a comunicação segmentada entre as comunidades, especialmente quando se trata de conscientização e aplicação de vacinas.

Farida Talaat, moradora de Toronto, destaca como a cidade iniciou uma série de programas de vacinação específicos para cada comunidade como forma de ajudar a tornar a cidade mais segura.

Por exemplo, o plano de vacinação Homebound Sprint funcionou para concluir a aplicação da primeira dose em moradores que não podiam deixar suas casas; e a Força-Tarefa de Cientistas Negros para Equidade de Vacinas foi estabelecida no início da campanha de vacinação para garantir uma abordagem mais igualitária para a imunização.

Os moradores também se sentem seguros por causa do longo histórico de multiculturalismo da cidade.

"Em Toronto, é normal nascer fora do Canadá. Descobri que diferentes grupos étnicos e culturais interagem entre si e não vivem em silos", disse Filipe Vernaza, que vive na cidade desde 1998.

"Um grupo típico de pessoas provavelmente inclui pessoas de diferentes etnias, orientações sexuais e religiões. Toronto é uma cidade extremamente aberta, onde você pode se sentir seguro sendo quem você é."

Cingapura

Classificada em segundo lugar em segurança digital, segurança sanitária e segurança de infraestrutura, Cingapura se valeu desses pontos fortes para agir rapidamente durante os primeiros dias da pandemia, implementando logo o monitoramento digital e rastreamento de contato.

Cingapura

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Para se manter segura, Cingapura está usando software de rastreamento de aglomerações e aplicativos de celular para check-in

O país também possui uma das taxas de vacinação mais altas do mundo (atualmente em 80%), mas ainda requer um monitoramento e rastreamento de contatos rigoroso diante de novas variantes.

"Antes que possam entrar nos prédios ou instalações, todos os moradores precisam escanear seu TraceTogether Token ou usar o aplicativo SafeEntry para check-ins", afirmou Sam Lee, morador de Cingapura, que administra um blog de viagens homônimo.

"Isso permite que as autoridades rastreiem rapidamente indivíduos que possam ter se misturado ou interagido com pessoas infectadas, e assim uma ordem de quarentena possa ser cumprida para conter ou quebrar a cadeia de transmissão do vírus."

Os turistas também precisam instalar o TraceTogether ou alugar um celular que venha com ele instalado antes de entrar no país.

Trabalhar de casa se tornou padrão na maioria das empresas para reduzir as interações, o que Lee observa que resultou em transportes públicos menos lotados.

As atrações turísticas e os shoppings têm entradas limitadas, e os "Embaixadores de Distanciamento Seguro" monitoram as aglomerações para garantir que a população cumpra as ordens de saúde pública; os indivíduos que violam as regras enfrentam multas pesadas.

A população também pode monitorar aglomerações em shoppings, correios e supermercados com a recém-lançada ferramenta Space Out.

Sydney

A maior cidade da Austrália ficou em quinto lugar geral no índice — e entre as 10 primeiras em segurança sanitária.

Sydney

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A taxa de mortalidade per capita por covid na Austrália é uma das mais baixas do mundo

A Austrália foi um dos primeiros países a fechar completamente suas fronteiras durante a pandemia e manteve lockdowns rígidos diante do aumento de casos — com um efeito positivo.

A taxa de mortalidade per capita por covid na Austrália continua a ser uma das mais baixas do mundo.

Com 70% da população vacinada em Nova Gales do Sul, muitas restrições devem ser suspensas — e as fronteiras internacionais estão previstas para serem abertas em novembro.

Além de se sentirem protegidos da pandemia, os moradores de Sydney há muito tempo sentem uma forte sensação de segurança pessoal nas ruas.

"Eu realmente nunca me senti tão segura em um país como morando em Sydney", disse Chloe Scorgie, fundadora do site de viagens australiano Passport Down Under, que se mudou para Sydney em 2018.

"Viajei por Sydney sozinha sendo uma turista mulher e nunca me senti em perigo."

A cidade também ficou em primeiro lugar em segurança digital, o que inclui a política de privacidade da cidade, proteção a ameaças de segurança cibernética e um planejamento urbano inteligente em geral.

Sydney lidera esse esforço em parte com seu plano estratégico de Smart City, que apresenta algumas das inovações recomendadas para cidades mais conectadas e seguras.

Por exemplo, o plano descreve como sensores inteligentes podem ser colocados em lixeiras, postes de luz e bancos para coletar informações sobre seu uso em geral, fluxos de transporte e atividade de pedestres.

Da mesma forma, a iluminação inteligente e as redes de câmeras de monitoramento CCTV podem melhorar a segurança após o anoitecer e a economia noturna.

Algumas destas ideias já estão sendo colocadas em prática no sul de Sydney na forma dos centros ChillOUT: espaços ao ar livre em que os moradores podem se encontrar sob iluminação inteligente, se conectar ao Wi-Fi e ligar aparelhos eletrônicos, com dados de uso enviados aos líderes municipais para que possam entender melhor como seus cidadãos interagem com a infraestrutura da cidade — e se adaptar a isso.

Tóquio

A capital do Japão ficou em quinto lugar no ranking geral e no topo do índice de segurança sanitária, que mede fatores como assistência médica universal, capacidade de resposta à pandemia, expectativa de vida, saúde mental e mortalidade por covid-19.

Mulheres de máscara desinfetam mesa

Crédito, Uji Ozeki/Getty Images

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Tóquio ficou em quinto lugar no ranking geral, e no topo do índice de segurança sanitária

Embora os casos da doença tenham aumentado durante as Olimpíadas, as taxas caíram drasticamente, à medida que a vacinação já atingiu quase 60% da população.

À luz das notícias positivas, o Japão anunciou o fim do estado de emergência nacional e o levantamento gradual das restrições a partir do fim de setembro.

Em vez disso, o país pretende encorajar o uso do passaporte de vacina para admissão em centros médicos e grandes eventos, e até mesmo incentivar as empresas a oferecerem descontos ou cupons aos portadores de passaporte.

Tóquio também se classificou entre as cinco primeiras cidades do ranking por sua segurança de infraestrutura, que inclui segurança de transporte, respeito em relação a pedestres e redes de transporte.

Como uma cidade que pode ser percorrida a pé conectada por trem, Tóquio foi construída para encorajar caminhadas e o engajamento da comunidade — o que, por sua vez, levou a uma participação mais forte dos cidadãos na segurança, na forma de prevenção e vigilância de crimes nos bairros, e um senso compartilhado de responsabilidade pela prevenção da criminalidade.

"Dos vários centros de achados e perdidos nas estações de trem aos quase desnecessários cadeados de bicicletas, há um imenso respeito pelo bem-estar dos outros", disse Sena Chang, moradora de Tóquio e fundadora da revista The Global Youth Review.

Ela se lembra da vez em que perdeu uma sacola de compras no centro da cidade, e a encontrou no mesmo lugar em que havia deixado, junto a um bilhete gentil.

"Uma cultura de séculos de coletivismo e um grande respeito mútuo tornam Tóquio a cidade mais segura em que já morei", afirmou.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.

Brasil : BEIJO GREGO
Enviado por alexandre em 01/11/2021 22:52:58

Saiba mais sobre a prática sexual que está na boca do povo

Uma cena picante de Verdades Secretas 2 tem causado polêmica - e curiosidade - entre o público. Numa sequência bem tórrida de sexo, Giotto (Johnny Massaro) dá um beijo grego em Mateus (Bruno Montaleone).

 

O nome, para quem não conhece a prática, significa fazer carícias com a boca e a língua na região anal do parceiro. O nome surgiu por conta das experiências bastante comuns nas orgias que aconteciam na Grécia Antiga.

 

Mas, afinal, o beijo grego é bom, mesmo? É seguro? Para responder 6 dúvidas sobre o assunto, ouvimos os terapeutas sexuais Eduardo Perin e Ricardo Desidério. Confira!

 

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Você sabe por que algumas tampas de caneta têm um furo na ponta? Quando descobrir ficará surpreso

 

Por que o beijo grego é polêmico?

 

Tudo o que envolve a região anal no sexo acaba resultando em polêmica, por conta de tabus, questões religiosas e até culturais. O ânus, no entanto, é uma região erógena como tantas outras do corpo. E, segundo especialistas, não há nada de errado ou "anormal" no beijo grego, carícia bastante que pode servir ou não como preliminar para relações hetero ou homossexuais.

 

O beijo grego exige cuidados prévios?

 

A higiene é fundamental, tanto na parte interna quanto externa do ânus, principalmente para as pessoas em que a região apresenta mais pelos. Há quem adote o plástico filme para beijar ou lamber o ânus do par de forma mais segura.

 

Há riscos para a saúde?

 

Não podemos esquecer que, por maiores que sejam os cuidados, a região anal é por onde passam as fezes. Assim, há o risco de o beijo grego transmitir algumas Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST's) como hepatite, herpes genital, sífilis e HPV, principalmente se um dos parceiros apresentar alguma lesão na boca ou no ânus. Por isso, quaisquer sinais diferentes após a prática é importante procurar um especialista.

 

A prática promete mesmo prazer?

 

Tudo o que envolve o sexo precisa, em primeiro lugar, do consentimento dos envolvidos para que a experiência seja saudável. Algumas pessoas podem sentir nojo ou repulsa pela prática, outras não gostam do estímulo recebido. No entanto, é importante saber que o ânus é uma região sensível, rica em muitas terminações nervosas e que, ao ser tocada - principalmente com a boca e a língua - pode despertar muito prazer.

 

O que pode tornar o beijo grego mais gostoso?

 

A conexão com o par e o tesão do momento contribuem muito para a experiência do beijo grego ser intensa e excitante. Outra dica é saber identificar os limites do outro, por isso a intimidade é essencial. Nem todo mundo irá ter o mesmo prazer que você.

 

Por isso é preciso se permitir e ir se descobrindo. Para quem deseja ousar e ir além, há diversos géis com sabor à venda em sex shops que podem tornar o beijo grego mais gostoso. Camisinhas próprias para língua, principalmente as texturizadas, também são uma boa pedida.

 

Fonte: Terra

Brasil : NÃO USE!
Enviado por alexandre em 01/11/2021 14:54:01

Usar celular no banheiro pode causar problemas de saúde

Você costuma utilizar o celular, ler um livro, revista ou jornal para se distrair enquanto faz as necessidades no banheiro? Saiba que esse hábito pode trazer alguns problemas à saúde e deve ser evitado.

 

O principal problema causado por esse costume é a hemorroida, que surge quando as veias da região do reto e do ânus acabam inchando e causando dores, ardência e até sangramento durante ou após as evacuações.

 

Segundo André Augusto Pinto, gastroenterologista, cirurgião geral e coordenador da Clínica Gastro ABC (SP), isso acontece porque, conforme a pessoa fica sentada no vaso sanitário por muito tempo, ocorre a diminuição da circulação nas veias do ânus, resultando na dilatação dessas veias e, consequentemente, nas hemorroidas.

 

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Cigarro ainda é a principal causa do câncer de pulmão

"Quanto mais dilatadas essas veias, mais dor local e sangramento elas vão causar. O esforço repetitivo para evacuar, principalmente nos pacientes com intestino preso e com as fezes muito ressecadas, também dificulta o processo de drenagem do sangue dessa região", afirma o especialista.

 

Usar celular no banheiro pode causar problemas de saúde – FATONEWS

 

Como tratar as hemorroidas?


Geralmente, para aliviar o incômodo e tratar as hemorroidas, é necessário seguir uma rotina de alimentação rica em fibras, ingerir líquidos em grande quantidade e evitar o esforço na hora de evacuar. André ainda cita outras recomendações, como:

 

Não vestir calças muito apertadas


Evitar usar roupas de baixo de materiais sintéticos


Não consumir alimentos muito condimentados, como pimentas, ketchup e mostarda


Evitar ficar muito tempo na posição sentada


Não passar mais de 15 minutos no banheiro.


"O tratamento com pomadas tópicas ou locais, além de sabonetes antissépticos específicos e medicações via oral, como anti-inflamatórios e analgésicos, também são usados no tratamento clínico", destaca o gastroenterologista.

 

Já nos casos de hemorroidas muito dilatadas, o tratamento cirúrgico também pode ser realizado através da hemorroidectomia. Além disso, também é possível realizar procedimentos menos invasivos, como a ligadura elástica, que comprime a veia dilatada e alivia os sintomas.

 

Bahia Notícias / Saúde / Notícia / Uso de celular no banheiro pode causar  hemorróidas - 07/08/2014

Fotos: Reprodução 

 

Outras complicações


Utilizar o celular no banheiro e fazer muito esforço na hora de evacuar podem causar uma outra complicação intestinal, além das hemorroidas, de acordo com André.

 

"Se você fica muito tempo no banheiro para evacuar e faz muita força nos casos de fezes muito ressecadas, isso pode causar, além das hemorroidas, a fissura anal, uma doença que resulta em pequenas rachaduras na região do ânus que podem causar dor local intensa e sangramento nas evacuações", explica o médico.

 

 

Neste caso, as fissuras anais podem ser curadas espontaneamente dentro de quatro a seis semanas. Porém, caso a dor persista, pode ser necessário um tratamento clínico. "O profissional médico especializado, como proctologista, gastroenterologista e cirurgião geral, deve ser procurado quando os sintomas são frequentes, persistentes ou apresentam piora progressiva ao longo do tempo", alerta André. 

 

Fonte: minhavida.com

Brasil : TATUAGEM
Enviado por alexandre em 01/11/2021 14:51:37

Enfermeira da linha de frente contra a Covid-19 no Amapá vence concurso nacional de tatuagem

A paixão pela enfermagem e a tatuagem levou a enfermeira Amanda Miranda, de 29 anos, a uma emoção dupla no último fim de semana. Ao mesmo tempo em que celebrou o início do fechamento da unidade Covid-19 no Hospital Universitário de Macapá, onde trabalhou ao longo da pandemia, superou 100 concorrentes e foi escolhida como a tatuada mais bela do país no concurso promovido pela Tattoo Week, uma das maiores convenções do ramo do mundo.

 

Mineira, mas atuando como enfermeira no Amapá há mais de 7 anos, Amanda conta que tem mais de 50% do corpo tatuado, levando a arte nas costas e em todo o braço e perna direitos. É a primeira vez que uma representante do estado leva a competição.

 

Os critérios para a vitória vão desde estilo, atitude, personalidade, postura, empoderamento, relação com a arte e principalmente, número de tatuagens e qualidade dos desenhos no corpo.

 

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Foi a primeira vez que Amanda concorreu na disputa e disse ter "criado coragem". A vontade de se tatuar, segundo ela, começou na infância.

 

Apesar da paixão, encarou resistência da família, principalmente por acreditarem na discriminação contra pessoas que tatuam grande parte do corpo, que poderia fechar portas no mercado de trabalho.

 

Fotos mostram tatuagens de Amanda Miranda, que tem 50% do corpo preenchido — Foto: Arquivo Pessoal

 

"Por eu ter escolhido a enfermagem, a engenharia [Amanda também é mecânica de usinagem]. O medo dele [pai], o amor dele era que me deixassem num cantinho, era como se ele quisesse me proteger do preconceito da sociedade. Minha mãe também ficou triste, mas eu disse que apesar da tatuagem meu caráter não mudaria", conta.

 

Apesar da vontade de "riscar" o corpo, as principais tatuagens do corpo vieram nos últimos 5 anos. A primeira dela foi a fênix na costa e depois "fechou" o braço e as pernas.

 

"A perna, a maior, fiz em 4 dias, 9 horas por dia. Era meu objetivo. O braço fiz em dois dias", relata sobre as tatuagens feitas em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.


A enfermeira acredita que a tatuagem é uma forma de expressão pessoal e que pode empoderar muitas mulheres e seguirem seus sonhos e objetivos independente das escolhas.

 

Amanda Miranda foi escolhida a mais bela tatuada do Brasil — Foto: Arquivo Pessoal

 

"As pessoas que tem a arte na pele são de bom coração. Gostam de trabalhar, de ajudar e ganhar a vida honestamente. A beleza vai além do estético, precisa ser integral”, reitera.

 

Formada em Minas Gerais Amanda chegou até o Amapá por influência de uma prima e, desde então, passou a atuar na rede pública de saúde nos principais hospitais do estado: o de Emergência (HE) e o Universitário, da linha de frente contra o vírus.

 

Amanda Miranda atua há 7 anos na rede pública de saúde do Amapá — Foto: Arquivo Pessoal

 

Com a chegada da pandemia, viu os efeitos do coronavírus, principalmente nos primeiros casos, onde o desconhecido sobre tratamentos e formas de transmissão exigiu dos profissionais de saúde um papel ainda mais essencial na sociedade.

 

"Foi uma experiência dolorosa, porque lidei diretamente com o sofrimento dos pacientes, quanto das famílias. Foi algo inesperado, porque o Covid-19 no estado iniciou na sala de estabilização do HE, onde eu trabalhava na sala vermelha. Chegaram e avisaram ali viraria local para Covid-19. Não estávamos preparados para tanto sofrimento, com a morte e tivemos que aprender a colocar o psicológico em ação", lembra.

 

Passados mais de 1 ano e meio do início da pandemia e com os números em baixa a partir do avanço da vacinação, Amanda crê que os efeitos tendem a ser menores, mas todos os cuidados devem ser mantidos.

 

Amanda Miranda no Hospital Universitário de Macapá — Foto: Arquivo Pessoal

Fotos: Divulgação 

 

"Perdi colegas que trabalhavam comigo e tinha a minha família que morava longe. Estava cuidando do próximo, mas não conseguia cuidar dos meus pela distância. Hoje, o HU está encerrando, graças à Deus, é um sinal que tudo está voltando ao normal", diz.

 

O Hospital Universitário (HU), que pertence à Universidade Federal do Amapá (Unifap), na Zona Sul de Macapá, foi o maior centro de tratamento dos pacientes graves de Covid-19 durante a pandemia. Na sexta-feira (29), a unidade encerrou os atendimentos desses casos.

 

Fonte: G1

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