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Brasil : O LADO BOM
Enviado por alexandre em 07/04/2017 08:32:08


China investirá em ferrovias no Brasil visando escândalo de corrupção
As firmas chinesas também estão dispostas a financiar projetos, o que lhes confere uma poderosa vantagem sobre os grupos locais

O presidente Michel Temer se reúne com o presidente chinês Xi Jinping em Xangai

Empresas chinesas têm interesse em comprar grandes construtoras e participar de licitações de ferrovias no Brasil para impulsionar sua presença em obras de infraestrutura locais, aproveitando o vácuo deixado por empreiteiras brasileiras que enfrentam dificuldades financeiras e acusações de corrupção, disse o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China.

O presidente da câmara, Charles Tang, afirmou que as empresas chinesas que miram o mercado local para oferecer seus serviços em construção podem garantir também financiamentos para os empreendimentos, o que seria um forte diferencial competitivo diante da maior recessão em décadas, que tem tornado escasso e caro o crédito no Brasil. O setor de construção também foi abalado nos últimos anos pela devassa promovida pela operação Lava Jato sobre grandes empreiteiras do país.

"Eles (chineses) querem construir e financiar a construção. Só que como eles não têm construtoras no Brasil, eles têm que subcontratar ou comprar construtoras aqui.... várias empresas estão pedindo para que eu as ajude a comprar empreiteiras grandes e que não estejam na Lava Jato", disse Tang, sem citar nomes.

Ele afirmou que também existe um enorme interesse dos orientais por projetos de ferrovias que o governo federal pretende licitar neste ano, como o trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) entre Ilhéus (BA) e Caetité (BA) e a Ferrogrão, entre Mato Grosso e Pará.

A Fiol tem investimento estimado de R$ 1 bilhão, enquanto a Ferrogrão deve consumir mais de R$ 12,6 bilhões.

"Os chineses sabem que no passado eles nunca poderiam entrar no Brasil nesses projetos de infraestrutura, estava tudo dominado pelas empresas que hoje estão na Lava Jato. Hoje, além de poderem entrar, está tudo barato, está todo mundo sem capital, as obras estão paradas. Logicamente isso atrai eles", disse Tang.

Ele comentou que chineses teriam interesse também em empreendimentos de porte ainda maior, caso estes saiam do papel, como o trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro e a ferrovia transoceânica, que ligaria o Brasil ao Oceano Pacífico cruzando a Cordilheira dos Andes.

Segundo Tang, empresas como a China Railway Engineering Corporation (CREC10) e a China Communications Construction Company (CCCC) poderiam participar desses empreendimentos ferroviários no Brasil.

"Para a China, nada disso é impossível", disse. "Para todas ferrovias viáveis, a China tem interesse", adicionou.

Presença constante no Brasil desde os anos 1970, Tang trilhou carreira em bancos e no mercado financeiro, onde chegou a ser colega de trabalho do atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Agricultura e terras

O presidente da Câmara Brasil China disse que há grande apetite de investidores orientais pela compra de terras no Brasil para produção agrícola, o que hoje é travado por um parecer de 2010 da Advocacia-Geral da União (AGU), que veta essas aquisições por estrangeiros.

O governo Michel Temer tem falado em rever essa regra para atrair investimentos, mas eventualmente com algumas limitações.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já afirmou que as reformas na legislação iriam procurar apoiar o investimento estrangeiro em produtos agrícolas com ciclos mais longos de produção como laranjas, florestas para a produção de celulose, cana-de-açúcar e café. Restrições se aplicariam à soja, milho e outras safras que são colhidas no mesmo ano em que são plantadas.

Tang teme que esse tipo de diferenciação possa frear o interesse oriental.

"Se houver limitação para o uso das terras em lavouras de curta duração, como a soja, aí perde 70% do interesse chinês", disse.

Segundo ele, os chineses poderiam já ter investido cerca de 90 bilhões de dólares no Brasil se fossem liberados para comprar terras.

Ele avalia, no entanto, que mesmo a continuidade do veto às compras de terras não afasta o interesse dos chineses pelo agronegócio brasileiro, onde empresas como a gigante de commodities agrícolas Cofco e o conglomerado Shanghai Pengxin Group devem continuar em caminho de expansão.

"Eles têm muito acesso a capital e mais de 1,3 bilhão de bocas para alimentar", disse Tang, em referência à população chinesa.

Energia

Outra área na mira dos chineses é a de energia, onde estão no radar tanto a expansão em petróleo quanto em negócios no setor elétrico.

Segundo Tang, as chinesas CNPC e CNOOC, que são sócias da Petrobras na área de Libra, no pré-sal, devem manter o interesse em crescer no país, assim como outras petroleiras chinesas, como SinoChem e Sinopec.

Na visão do executivo, essas empresas devem participar das próximas licitações de áreas de petróleo, bem como prospectar outros negócios.

"Inclusive, se a Petrobras quiser vender a participação dela em Libra, provavelmente os compradores seriam os chineses", afirmou.

Em eletricidade, as gigantes State Grid e China Three Gorges já têm forte presença no Brasil, após aquisições bilionárias nos últimos anos, e a Shanghai Electric avalia atualmente empreendimentos da Eletrosul, da Eletrobras, que devem demandar cerca de R$ 3 bilhões em investimentos.

"Eles estão testando as águas", disse Tang, que vê uma possível nova onda de companhias adentrando o setor. "Todo mundo conhece esses três nomes, mas ninguém ouviu falar de mais seis gigantes chineses que querem vir, mas não vieram ainda."

Ele citou como possíveis interessadas no setor elétrico do Brasil empresas como Huaneng, Huadian, Guodian e CGGC, além da transmissora Southern Electric.
Fonte: Época

Brasil : PÉ NA BUNDA
Enviado por alexandre em 06/04/2017 10:08:56


Produtores em Mato Grosso querem afastamento do presidente da CNA diante volta do Funrural

Produtores em Mato Grosso querem afastamento do presidente da CNA diante volta do Funrural
Produtores rurais de Rondonópolis vão propor o afastamento do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Junior. O pedido é quanto ao apoio do mesmo a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou constitucional a cobrança do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) do empregador rural pessoa física na última semana.

O Sindicato Rural de Rondonópolis irá no próximo dia 12 de abril realizar uma Assembleia Geral Extraordinária para discutir os reflexos da decisão do STF. A decisão do Supremo em declarar o Funrural constitucional faz com que os produtores voltem a efetuar a contribuição de 2,1% sobre a receita bruta da comercialização.

Como o Agro Olhar já comentou, a decisão do STF tomada no dia 30 de março é contrária à sentença do próprio Supremo em 2011 quando se considerou ilegal a cobrança do Funrural.

O Sindicato Rural de Rondonópolis pontua que o pedido de afastamento de João Martins da Silva Junior da CNA se deve ao seu posicionamento de apoio a decisão do STF, o que para a entidade não atende os interesses do setor produtivo.

Ainda de acordo com o Sindicato Rural de Rondonópolis, a diretoria da entidade pretende sugerir para a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) a alteração estatuária da CNA, impossibilitando assim a reeleição para presidência e diretoria executiva. O Sindicato solicitará também uma alteração na forma da representatividade de votos da CNA, levando em consideração o número de produtores rurais ativos em cada unidade estadual, aplicando-se o sistema proporcional de eleição.

Hoje, o Sindicato Rural de Rondonópolis possui 354 associados.

Constitucionalidade

Por seis votos contra cinco os ministros do STF reconheceram no dia 30 de março a constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

A tese aprovada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal afirma que “é constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção”.

De acordo com o STF, o julgamento quanto a constitucionalidade do Funrural teve início diante ação de um produtor rural que questionou judicialmente a contribuição, prevista no artigo 25 da Lei 8.212/1991 (com a redação dada pela Lei 10.256/2001), que estabelece a cobrança de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da produção.

A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, observa que existem aproximadamente 15 processos sobrestados nas instâncias de origem, aguardando a decisão do Supremo sobre a matéria.

Nesta semana o senador Cidinho Santos (PR-MT) solicitou na tribuna do Senado anistia para as dívidas do Fundo de Defesa do Trabalhador Rural (Funrural) estimadas em R$ 7 bilhões."Se o passivo disso, for cobrado de forma imediata, será o caos na atividade que dá certo no país, que produzirá a maior safra da história, que tem gerado emprego e tem segurado a balança comercial brasileira", declarou o senador.

OLHAR DIRETO

Brasil : ÓTIMA QUALIDADE
Enviado por alexandre em 06/04/2017 09:54:54


Qualidade da carne brasileira é reconhecida internacionalmente
Da porteira da fazenda para as gôndolas dos supermercados, a carne brasileira é reconhecida mundialmente pela sua qualidade.

Estratégico para o Brasil, o setor pecuário é uma indústria altamente tecnológica e confiável. Da porteira da fazenda para as gôndolas dos supermercados, a carne brasileira é reconhecida mundialmente pela sua qualidade.

Por considerar a importância do setor, o governo federal aumentou a fiscalização, realizou investigações em possíveis focos de problemas e instalou controles ainda mais rígidos do que os usuais em todo o território nacional.

Em todo o Brasil, cerca de cinco mil frigoríficos são auditados com os mais altos padrões internacionais. Além dos fiscais, os parceiros comerciais têm sempre as portas abertas para avaliar as condições e procedimentos cumpridos pelos fornecedores brasileiros. Não é à toa que cerca de 150 países compram a care brasileira.

O presidente da República, Michel Temer, considera que não há risco para os consumidores e que as falhas encontradas foram resolvidas. “O governo federal quer reiterar a sua confiança na qualidade do nosso produto nacional, que ao longo do tempo tem conquistado o consumidor e obtido a aprovação dos mercados mais exigentes do ponto de vista de fiscalização e defesa agropecuária”, afirma.

Pesquisa e tecnologia

Por trás da qualidade do produto brasileiro e de toda essa indústria, existem 100 anos de pesquisa em tecnologia agropecuária. O País não poupa esforços em melhoramento genético, na nutrição dos animais por meio de pastagens selecionados e em suplementação de alta tecnologia.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, defende a qualidade da carne brasileira. Ele lembra que o País exporta para centenas de mercados e que alcançar todos esses consumidores exigiu anos de investimentos em segurança e defesa sanitária.

Para garantir uma posição entre os melhores do mundo, o Brasil também aposta em gestão profissional com foco no bem-estar animal e na segurança sanitária. Com isso, ao longo dos últimos 100 anos, construiu uma sólida estrutura de prevenção e controle.

“Os consumidores podem ficar tranquilos porque o nosso sistema é um sistema robusto, é um sistema forte. Ele consegue detectar os problemas que vão surgindo”, explica o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

O selo do Serviço de Inspeção Sanitária (SIF), aplicado em todos os produtos consumidos no Brasil e exportados, tem mais de 100 anos e é considerado pelos brasileiros como um dos símbolos mais confiáveis do País.

Laudos confirmam qualidade

O ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento realizou fiscalizações extraordinárias em 21 plantas de frigoríficos sob suspeita. No levantamento, não foi encontrado nada que colocasse a saúde dos consumidores em risco.

As falhas encontradas eram de caráter econômico, a exemplo de receitas incorretas que levassem a aumento dos lucros. Para essa operação, foram mobilizados 250 servidores, entre auditores fiscais, agentes de inspeção e de atividades agropecuárias.

Falhas representam uma minoria de frigoríficos

O Brasil tem quase cinco mil frigoríficos que, para poder operar, passam por um rigoroso processo de validação e certificação. Desse total, 21 estavam sob suspeita, o equivalente a 0,43% de todo parque produtivo brasileiro.

Entre os servidores públicos que atuam para o Ministério da Agricultura, apenas uma parcela pequena estava envolvida em fraudes. O Brasil tem, atualmente, cerca de 11 mil funcionários para garantir a segurança e a sanidade dos produtos, e apenas 33 deles foram investigados, o equivalente a 0,3% de toda a forma de trabalho do ministério.

Medidas duras contra irregularidades

Depois de falhas identificadas pela Polícia Federal brasileira, o Ministério da Agricultura tomou uma série de medidas para punir os envolvidos e para garantir a qualidade da carne brasileira.

O governo acelerou auditorias em estabelecimentos investigados; reforçou a cooperação entre a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura; promoveu uma série de reuniões e contatos com organismos internacionais e parceiros para demonstrar a qualidade e segurança da proteína animal do País. Além disso, os envolvidos com irregularidades foram punidos severamente.

Laboratório moderno para aprimorar segurança

O governo brasileiro inaugurou, em 30 de março, o Laboratório Multiusuário de Biossegurança para a Pecuária (Biopec), o mais moderno laboratório de pesquisa em segurança e qualidade da carne da América Latina.

A estrutura, instalada na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), é a primeira do País de alto nível de biossegurança para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em bovinos, aves e suínos.

Grandes mercados continuam a comprar carne brasileira

Os maiores mercados para proteína animal, que tinham dúvidas sobre a carne brasileira, foram atendidos com respostas e informações para todos os questionamentos. Com a garantia de que as falhas seriam prontamente investigadas, eles continuaram a negociar normalmente com o Brasil.

Mercados com um severo sistema de defesa sanitária como os dos Estados Unidos, União Europeia, Japão, China, Emirados Árabes Unidos e praticamente todos os parceiros comerciais do Brasil continuam a negociar normalmente com o País.

Ministro da Agricultura vai pessoalmente aos parceiros comerciais

Para reforçar as garantias de qualidade da carne brasileira, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, vai pessoalmente aos países parceiros. Na primeira fase da missão, ele percorrerá Emirados Árabes, Arábia Saudita e Ásia, onde visitará a China. Antes da volta para o Brasil, ele irá à Europa.

24HORASNEWS

Brasil : GASTRONOMIA
Enviado por alexandre em 05/04/2017 16:01:18


Feira internacional do Turismo do Pantanal vai ter sushi de jacaré e quibe suíno

Da Redação - Naiara Leonor

Feira internacional do Turismo do Pantanal vai ter sushi de jacaré e quibe suíno
Pratos criados para ser sustentáveis. A Feira Internacional de Turismo do Pantanal, que acontece entre os dias 20 e 23 de abril em Cuiabá traz a chefe do Senac-MT, Márcia Mesquita com suas criações especiais para o evento: sushi de jacaré e quibe suíno.


“Os pratos que serão preparados nas oficinas durante a FIT, em especial o Sushi de Jacaré e o Quibe Suíno foram criados para atender essa proposta sustentável. A apresentação de carnes diferenciadas e obtidas em cooperativas da região acabam sendo pratos sustentáveis e uma criação gourmet digna de apresentação durante a feira de turismo de negócios de grande relevância no país”, explicou o chef.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), em Mato Grosso, será um dos participantes desta edição da Feira Internacional de Turismo do Pantanal (FIT Pantanal) como representante do segmento de educação profissional em turismo e hospitalidade. Agora, para explorar outra área de atuação, a instituição de ensino vai realizar oficinas gastronômicas sustentáveis e palestras voltadas para o tema.

Márcia acrescenta a importância em elaborar pratos que devem ser valorizados e que, de certa forma, podem trazer menos fome para o mundo. “As oficinas estão com ideias de aplicabilidade de alimentos sem desperdício, usados em sua totalidade, tanto para os restaurantes quanto para o cotidiano da população”.

As oficinas durante a FIT são gratuitas e as inscrições deverão ser feitas antecipadamente pelo site www.fitpantanal.com.br

Brasil : COPA DO MUNDO
Enviado por alexandre em 05/04/2017 00:08:15


Atraso, corrupção e trabalho escravo: o horror nos relatos em São Petersburgo para Copa 2018
Por: Felipe Lobo

Construção do estádio de São Petersburgo, do Zenit (Photo by Laurence Griffiths/Getty Images)

Um estádio com obras iniciadas em 206, previstas para terminar em 2008, será sede da Copa do Mundo de 2018. Mas ainda não está pronto. A Arena Zenit, em São Petersburgo, está em obras há 11 anos, com um orçamento muito maior do que o inicial. Pesam acusações graves sobre a obra. Além do óbvio atraso, há alegações de corrupção. O pior veio nesta semana, em uma denúncia da revista norueguesa Josimar (sim, há uma revista de futebol com o nome do lateral brasileiro que brilhou na Copa de 1986): o uso de trabalho escravo de norte-coreanos, além de péssimas condições de trabalho para os trabalhadores imigrantes – que representam cerca de 50% da mão de obra dos estádios da Copa, segundo o próprio Comitê Organizador Local da Copa 2018.

LEIA TAMBÉM: Fifa decide acabar com Comitê Organizador Local e fará a Copa sozinha

Vamos ao contexto. A Arena Zenit, em São Petersburgo, é vista como um passo importante para o Zenit. Campeão em 1984, ainda na época da União Soviética, o time só voltou a ser uma potência no país a partir de 2005. Foi quando a Gazprom, gigante do gás natural, passou a ter o controle acionário do clube. Desde então, foram quatro títulos do Campeonato Russo, além da Copa da Uefa em 2007/08.

O estádio que o time usa é o Petrovsky, com capacidade para 21.500 pessoas, construído em 1924. Foi reformado quatro vezes, sendo a última delas em 1994. O estádio não atende ao que o Zenit quer ser, então o projeto do novo estádio foi iniciado em 2006. A ideia era ter a nova casa pronta em 2008, mas a obra atrasou. O orçamento inicial de US$ 220 milhões explodiu para US$ 1,5 bilhão. Terá capacidade para 68,134 pessoas na Copa do Mundo de 2018, da qual será uma das sedes.

O aumento do custo do estádio não é por acaso. O estádio de US$ 1,5 bilhão poderia custar um terço desse valor, ou até menos que isso, segundo Dimitry Sukharev, da organização anti-corrupção da Transparência Internacional. Isso seria possível com padrões internacionais de controle de qualidade. A explicação, para ele, para o custo aumentar tanto é um só: corrupção. E mais que isso: o fato das descrições dos projetos terem sido escritas depois de serem feitas. Uma forma eficaz de fazer as contas baterem e dar um destino ao dinheiro que sumiu.

“Eu diria que 80% da nossa mão de obra consistia de trabalhadores imigrantes enquanto eu estive aqui. Alguns tinham contratos de trabalho e foram pagos conforme prometido. Mas eu ouço que muitos dos trabalhos não foram sequer pagos. Muitos contratantes desonestos estiveram envolvidos. Eu faço parte do negócio de construção há 20 anos e nunca vi algo mais caótico que a Arena Zenit”, diz o gerente de projeto, não identificado, ouvido pela Josimar.

No dia 11 de fevereiro, a Zenit Arena foi aberta, em um evento para 10 mil pessoas com música, dança e até um urso. Sim, um urso. Então o estádio está pronto? Não, ainda não está. “Mesmo o estádio não estando pronto, Putin exigiu que fosse aberto”, afirmou Sergey Kagermazov, repórter que trabalhou disfarçado e falou com a revista Josimar. Segundo ele, quatro trabalhadores morreram entre agosto e dezembro de 2016. A causa? Cair no concreto e eletrocutados.

Com os atrasos grandes na obra, no verão europeu de 2016 o vice-governador de São Petersburgo, Igor Albin, que também é um ex-ministro de Vladimir Putin, tirou a Transstroj como principal construtora da obra. Então, Albin encorajou que empresas de construção trabalhassem até o fim do ano de graça em troca de futuras obras e menos inspeções, de acordo com um gerente de projeto ouvido pela Josimar. Neste momento, faltava um ano para a Copa das Confederações, da qual o estádio será sede, e a obra já está oito anos atrasada.

Uma das empresas que atendeu ao chamado de Albin foi a Dalpiterstroj, uma empresa especializada em construir grandes apartamentos completos na região. No final de agosto, a empresa levou 60 trabalhadores norte-coreanos para trabalhar na Arena Zenit. Fizeram trabalhos de acabamento no estádio. Segundo o gerente de projeto ouvido pela Josimar, o trabalho feito pela empresa vale milhões de rublos (a moeda russa) e foi feito de graça como “um presente para a nossa linda e grande cidade”.

Segundo o empregado na obra, se as empresas não atendessem ao chamado do vice-governador, não receberiam mais nenhuma obra do governo (isso soa familiar em tempos de Lava-Jato, executivos de construtoras investigados e políticos pedindo doações para a cidade) e teriam inspeções rigorosas. Até por isso, outra empresa, Seven Suns, também apareceu no estádio para, digamos assim, colaborar com a obra. Levou 50 trabalhadores norte-coreanos.

Segundo o gerente de projetos, um intermediário ofereceu 100 trabalhadores norte-coreanos que estariam preparados para trabalhar dia e noite até o fim do ano. O preço era seis milhões de rublos (pouco mais de US$ 106 mil), sendo que quatro milhões (cerca de US$ 71 mil) seriam pagos ao governo norte-coreano e outros dois milhões (US$ 35 mil) seriam distribuídos entre a empresa e os trabalhadores. Os trabalhadores receberiam o pagamento de 600 rublos por dia (US$ 10). O gerente de projeto recusou a oferta porque já tinha trabalhadores suficientes.

O gerente de projeto entrevistado pela Josimar contra as condições que ele vê os trabalhadores norte-coreanos: trabalham dia e noite e dormem em um container, dentro da obra, em uma área cercada de cercas. Em novembro, foi noticiada a morte de um trabalhador norte-coreano do estádio. A polícia russa alegou que foi um ataque cardíaco. O gerente de projeto diz que a causa da morte – desta e das outras – foi outra. Fontes consultadas pela revista Josimar disseram que diversas organizações internacionais entraram em contato com a Fifa e expressaram suas preocupações depois da notícia da morte do trabalhador sul-coreano. A Fifa prometeu investigar. Não houve qualquer resposta depois disso.


Construção do estádio de São Petersburgo, do Zenit (Photo by Laurence Griffiths/Getty Images)

O uso de trabalho norte-coreano é muito controverso em toda comunidade internacional. Algumas organizações humanitárias descrevem os norte-coreanos como escravos e reféns. Do que é pago para estes trabalhadores, cerca de 90% é tirado deles. Eles ficam sob vigilância 24 horas por dia, tanto no trabalho quanto nos containers que dormem. Alguns dos trabalhadores deixam a Coreia do Norte com contratos de trabalho de 10 anos e são explorados por seus empregadores e pelo regime norte-coreano.

É justamente o regime da Coreia do Norte o motivo de tantos trabalhadores do país serem mandados para outros lugares. Eles geram receita para o governo. Como há um boicote internacional à Coreia do Norte pelo frequente teste de armas nucleares, o governo norte-coreano fica com cada vez menos fontes de recursos. Trabalhadores fora do país ajudam a fazer entrar dinheiro no país. Segundo as Nações Unidas, este tipo de serviço gera até US$ 2 bilhões por ano à Coreia do Norte e é uma das principais receitas do governo norte-coreano.

Um dinheiro que organizações de direitos humanos denunciam que é usado para o programa de armas nucleares. Marzuki Darusman, ex-investigador especial das Nações Unidas na Coreia do Norte até 2016, descreve os trabalhadores da Coreia do Norte fora do país como escravos. Organizações humanitárias trabalham para que os países que usam a força de trabalho norte-coreana sejam responsáveis por essas violações de direitos humanos – além, evidentemente, da Coreia do Norte, que não reconhece as Nações Unidas.


Condições subhumanas

Os relatos são assustadores. Os passaportes dos trabalhadores ao retidos por seus empregadores (prática, aliás, muito usada também no Oriente Médio). Eles sabem que, se reclamarem, haverá consequências tanto para eles quanto para as suas famílias, na Coreia do Norte. Por isso organizações de direitos humanos os descrevem como reféns. Esta é a principal diferença entre os trabalhadores imigrantes na Rússia, muitos deles de ex-repúblicas soviéticas, como Uzbequistão, Belarus, Moldova, Ucrânia e Quirguistão. Suas famílias não estão sob um governo ditatorial, sob ameaça, caso o trabalhador fuja.

Uma advogada que trabalha com casos de direitos humanos, Olga Tseitlina, atendeu a um cliente norte-coreano em 2016 que descreveu a rotina. E o relato é estarrecedor. Ele serviu 10 anos no exército do país, antes de ser mandado para trabalhar fora. No exército, apanhava de superiores. Um tratamento similar ao que ele recebia no local de trabalho, fora do país. Recebia US$ 5 por mês, o resto ia para o governo norte-coreano. Trabalhava em uma madeireira em uma floresta da Sibéria, sem dia de folga, com longas jornadas de trabalho. Davam a ele uma maça, um ovo e um pouco de arroz durante o dia. Nada mais.

No acampamento onde moravam os trabalhadores, muitos estavam sem água corrente e sem a possibilidade de sequer tomar banho. O corpo do norte-coreano tinha diversas mordidas de insetos. Piolhos eram comuns. Depois de trabalhar por três anos nestas condições, o trabalhador atendido pela advogada Tseitlina fez o que grande parte dos trabalhadores norte-coreanos fora do país fazem: fugiu. Mas teve que enfrentar a ameaça de deportação e, ao contrário da maioria, conseguiu ficar na Rússia, mas vive sob constante medo.

Esta é uma situação muito comum. O Kremlin faz pressão sobre as organizações que ajudam trabalhadores imigrantes. Em 2013, havia 10 organizações como essa. Atualmente, apenas três. Uma delas é a Cruz Vermelha, que não dá informações e nem entrevistas, mesmo solicitada pela Josimar. A estimativa é que 30 mil trabalhadores norte-coreanos trabalhem na Rússia e ao menos 100 mil tenham sido exportados como força de trabalho para países como China e Oriente Médio, além da Rússia.

As acusações de trabalho escravo não são uma novidade quando falamos de obras da Copa do Mundo. As obras para a Copa de 2022, no Catar, frequentemente são acusadas de usarem trabalho escravo, especialmente de pessoas do leste da Ásia, que chegam em condições muito parecidas com as da Coreia do Norte, com passaporte apreendido e em condições de moradia sub-humanas, sob constante vigilância e jornada de trabalho dia e noite.

São cerca de 110 trabalhadores norte-coreanos que passaram pela obra da Arena Zenit. Entre agosto e dezembro, quatro mortes. O Comitê Organizador Local da Copa 2018 diz que lamenta profundamente as mortes. O COL também não confirmou a presença de norte-coreanos nas obras do estádio de São Petersburgo, além de negar as más condições de trabalho alegadas, usando duas inspeções feitas por organizações de direitos dos trabalhadores como prova.

O COL também afirmou que tem ciência que “alguns poucos trabalhadores norte-coreanos” trabalharam nas obras do estádio de São Petersburgo e que eles fizeram “apenas trabalhos de acabamento por um curto período de tempo”. Ainda disse que cerca de 50% dos trabalhadores nas obras dos estádios da Copa são imigrantes e que para a entidade e a Fifa o respeito aos direitos humanos dos trabalhadores, independente da nacionalidade, é “muito importante”.

Não esperávamos nada diferente em relação à postura das autoridades russas. É difícil esperar também que a Fifa, que é cúmplice de tudo que temos visto no Catar e na Rússia, faça algo a respeito, mesmo que seja vistoriando de forma efetiva. Restam as organizações internacionais de direitos humanos, como a Cruz Vermelha e Anistia internacional, que podem fazer mais barulho e cobranças públicas para, no mínimo, constranger os organizadores.

É impossível ver tudo isso e não lembrar do que disse Jérôme Valcke, ex-secretário-geral da Fifa na época dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, quando tinha problemas com o governo brasileiro. “Vou dizer algo que é maluco, mas menos democracia às vezes é melhor para se organizar uma Copa do Mundo. Quando você tem um chefe de estado forte, que pode decidir, assim como Putin poderá ser em 2018, é mais fácil para nós organizadores do que um país como a Alemanha, onde você precisa negociar em diferentes níveis”, disse Valcke, em abril 2013. Simbólico. Passados quatro anos, Valcke caiu e foi banido do futebol por alegações de corrupção.

O triste é pensar que a Copa do Mundo, um dos maiores e mais fantásticos acontecimentos do esporte, é construída pelos braços de trabalhadores escravos. Isso é inaceitável e essas denúncias devem ser vistas e apuradas com seriedade por todas as autoridades envolvidas. Mas é Putin, não é? Não podemos esperar que algo vá ser feito.

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