Brasil - VIVER BEM - Notícias
« 1 2 (3) 4 5 6 ... 379 »
Brasil : VIVER BEM
Enviado por alexandre em 08/06/2017 18:09:25


Além do treino e dieta: emagrecimento depende do sono, intestino e paciência, explica nutricionista

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto
Nairana dos Reis, nutricionista

“Mudar os hábitos leva mais tempo do que imaginamos”. Essa é a afirmação da nutricionista Nairana dos Reis, 30, que acaba de terminar uma pós-graduação em nutrição esportiva, e é também especializada em “obesidade e emagrecimento”. Com uma clínica na região central de Cuiabá, ela conta que as pessoas chegam ao consultório com muita pressa de atingir os resultados, e o principal é entender que leva tempo.

“Eu sempre falo para os meus pacientes: você passou, por exemplo, trinta anos achando que comia certo. Não é de uma hora pra outra que você vai transformar a sua alimentação”, conta. “Tem gente que chega aqui, adulto, e ainda toma leite com achocolatado e açúcar todo dia de manhã, porque desde criança a mãe deu, e nunca parou. É preciso um trabalho para repensar essas coisas”.

Segundo Nairana, muitas pessoas procuram um nutricionista para esclarecer algumas dúvidas. “As pessoas chegam aqui com muita informação, porque leram muito, viram na mídia, mas estão perdidos”.

Entre low carb, jejum intermitente, dieta paleo, comer a cada três horas ou diversas outras ‘dietas da moda’, ela explica que não existe ‘a certa’. “Depende do paciente. Por isso muita gente chega perdida, achando que está fazendo o certo, mas não vê resultado. Cada pessoa é de um jeito, não dá para generalizar”.

O método que a nutricionista utiliza para avaliar os pacientes é, em sua maioria, pela bioimpedância. Com esse aparelho, é possível ter uma ideia da quantidade de gordura, músculos, e até água no corpo. “A pessoa vem, fazemos a bioimpedância, eu passo uma dieta de acordo com a meta dela, e depois de trinta dias ela tem que vir pro retorno”.

Nairana conta que grande parte dos pacientes não volta depois de um mês. “Muita gente não consegue atingir o que queria e prefere não voltar. Mas tem que voltar sim! Pra gente conversar, ver o que não está dando certo, trocar as opções se necessário”, explica.

Dentre as prescrições da nutricionista, sempre estão listados suplementos alimentares. “Hoje em dia não se tem mais aquela visão negativa que se tinha dos suplementos. Algumas marcas fazem até embalagens mais discretas, por exemplo, para os idosos, que não assustam tanto”.



Os mais indicados pela nutricionista (lembrando que cada paciente precisa de uma quantidade e o ideal é ter acompanhamento nutricional) é a glutamina, aminoácido que ajuda na imunidade, ômega 3, probióticos, polivitamínicos, além de alguns específicos como o BCAA e a creatina, e o whey protein.

Muitos destes suplementos podem ser tomados a vida toda. “A glutamina e o ômega 3, por exemplo, são importantes e o nosso corpo não consegue produzir a quantidade necessária. Claro que existem exceções, pessoas com alguma doença que não podem tomar, por isso é preciso procurar um médico”.

Para além da alimentação regrada e dos treinos, Nairana afirma que a busca por saúde – e pelo corpo que se deseja – é uma ‘teia de aranha’. “A alimentação é muito importante, o treino também, mas é preciso também ter um bom sono, a parte hormonal estar funcionando bem, o intestino... enfim, a união de tudo, e principalmente saber que as coisas não acontecem de forma rápida”, finaliza.

Serviço

Nairana atende na Clínica Vivez

Telefones: (65)3626-3300 / (65) 99272-0776

Brasil : TURISMO
Enviado por alexandre em 08/06/2017 08:22:53


Redescobrindo Fernando de Noronha
De O Globo

Mesmo quem nunca pisou nesse arquipélago, a mais de 540km de Recife, sabe bem o que andam falando dele por aí. Pelo quarto ano consecutivo, a Praia do Sancho entra para a lista das praias mais lindas do mundo; em suas ruas históricas é tão fácil esbarrar com uma celebridade quanto observar sua fauna e flora debaixo d’água; e seu alto custo de vida é tão proibitivo quanto as (necessárias) regras de preservação que limitam nossa circulação.

Mas é preciso desnoronhizar Fernando de Noronha.

Para isso, deve-se seguir na direção contrária dos turistas que insistem apenas nos roteiros tradicionais. Mesmo em um pedaço minúsculo de terra, dá para encontrar novidades e atividades pouco conhecidas.

Para ver uma ilha desnuda, em seu estado mais original, subimos alto para ter Noronha aos pés; desembarcamos na temporada de chuva para ver a cachoeira, normalmente tímidas, que só se mostra em algumas épocas do ano; encaramos trilhas que parecem tão rústicas quanto à época em que desfilavam ali os primeiros forasteiros; e embarcamos em uma canoa havaiana para observar golfinhos bem de perto.

Assumimos tão fortemente essa ideia que, do que vimos, nada se parece aos cartões-postais de tons hedonistas que costumamos encontrar em folhetos de promoção turística. Se você já conhece Noronha, nem vai se dar conta que está de volta. Se ainda não conhece, que tal unir os roteiros tradicionais às nossas descobertas?

A temporada chuvosa no arquipélago varia entre os meses de março a junho, durante o inverno noronhense. Pois não fossem as precipitações e o calor beirando a casa dos 30°C, nem daria para perceber que essa é a baixa temporada da ilha. Mas o que não passa despercebido são as quedas d’água que escorrem imponentes sobre os paredões da Praia do Sancho. É na época de chuvas que elas se avolumam, dando origem a cachoeiras, atrás dessa faixa de areia de 320 metros de extensão.

Para quem não consegue tirar férias sem altas doses de sol na pele, vale lembrar que, dos dez dias em que estivemos na ilha, em abril, apenas um deles foi nublado e chuvoso.

O acesso ao Sancho continua o mesmo — por lances de escadas entre uma fenda na rocha —, mas seguindo em direção ao lado esquerdo da praia, visitantes são recebidos por duas cachoeiras escondidas na vegetação que, nesta época do ano, ganha tons esverdeados por conta das chuvas. Eis a novidade com prazo de validade e que se renova a cada temporada. Sai de cena a aridez típica dessa ilha de 12 milhões de anos e começa um dos períodos mais verdes de Noronha.

Nem tartaruga deixa de passar por ali. A temporada de desova vai de dezembro a junho, e não é raro encontrar demarcações de ninhos nas areias do Sancho, um cuidadoso trabalho feito pelo Projeto Tamar, desde 1984. Aliás procure se informar sobre atividades científicas abertas ao público, como a captura intencional na Praia do Sueste e a tartarugada na Praia do Leão, “um monitoramento noturno nas praias de desova”, como explica o biólogo Felipe Bortolon. A grande novidade de 2017 é que essa temporada de desovas deve bater o recorde histórico de 500 ninhos de tartarugas-verdes, em Fernando de Noronha.

E, se o nível do mar não for suficiente para o visitante entender a dimensão desse destino que já arrancou adjetivos inspirados de Américo Vespúcio e Charles Darwin, ele verá, do alto, Fernando de Noronha em sua melhor forma. Aberta recentemente para o turismo, a Trilha do Piquinho (R$ 120 por pessoa) proporciona um belo panorama, levando caminhantes a um dos pontos mais da ilha, onde os mares de Fora e de Dentro quase cabem na mesma fotografia.

Cartões-postais vistos do alto

Nesse antigo caminho usado pelos oficiais da Aeronáutica para manutenção do farol no topo do Morro do Pico (de 321m), o ponto mais alto de Noronha, os turistas percorrem trilha de três quilômetros, aproximadamente, com paradas em mirantes naturais, que abrem nossa visão para imagens emblemáticas, como o Morro Dois Irmãos e a Ilha do Frade.

É como ter Fernando de Noronha aos pés e com vista panorâmica de 360°. De dificuldade média e sem sinalização, essa caminhada de três horas (ida e volta) começa com subida em mata fechada e se bifurca em trilhas paralelas, com vistas para o interior da ilha principal e o mar. Exige boa condição física e o acompanhamento de guia local é fundamental.

A experiência termina em um ponto mais elevado sobre uma pedra, “onde é possível observar o pôr do sol, um dos mais belos de Noronha”, garante o guia Ailton Flor, um dos profissionais que atuam nessa trilha que recebe, por mês, uma média de apenas 20 pessoas.

Para quem não se dá bem com altura, há trilhas quase exclusivas que passam pelo lado mais intocado e isolado da ilha, no Mar de Fora. Como alternativa à trilha do Atalaia, que leva à concorrida piscina natural que serve de berçário para animais marinhos e pode ser visitada em controladas flutuações, a Trilha dos Abreus (R$ 209) é uma caminhada de 1,2km de extensão e dificuldade média que faz a gente esquecer que aquele pequeno pedaço de terra com cinco mil habitantes continua pulsando no centrinho histórico da Vila dos Remédios, núcleo de Noronha.

No roteiro, o visitante faz uma espécie de mini rapel por uma corda que se estende em um trecho mais escorregadio até o nível do mar e dá acesso à última parte da trilha, que termina em piscinas naturais abertas ao público. Embora bem sinalizada e com acesso diário liberado para 24 pessoas, a trilha é daquelas experiências em que se tem a sensação de que somos os primeiros a passar por ali.

Entre os títulos que tentam definir o arquipélago — como Ibiza brasileira e Esmeralda do Atlântico — o de “Havaí brasileiro” parece ser o que melhor traduz esse conjunto de ilhas de origem vulcânica que submerge a quatro mil metros de profundidade. E não é só pelo clima de isolamento e pelas ondas que se formam na cobiçada temporada de swell, na Cacimba do Padre.

E são tantas opções de turismo na pequena notável do Atlântico que a gente sempre volta com a sensação de que um bis é pouco.

Brasil : PALESTRA
Enviado por alexandre em 07/06/2017 16:47:10


“Antifeminista” causa confusão em universidade federal: “Fui expulsa”


Thais Azevedo foi expulsa de uma palestra que dava na UFG

O que era para ser uma palestra de uma militante “antifeminista” acabou se tornando uma confusão no salão nobre da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, segunda-feira à noite, no centro de Goiânia (GO). De um lado, Thais Godoy Azevedo, professora particular de inglês em São Paulo, reclama ter sido impedida de palestrar e de ter sido agredida verbalmente. De outro, estudantes que criticam o suposto discurso de ódio da militante – que estava em Goiânia para se defender de um processo aberto contra ela por ofensas na internet.

Thais chegou a fazer um vídeo ao vivo no Facebook falando do evento, que acabou abruptamente: “Fui expulsa pelos ditos tolerantes”, afirmou ela.
Leia Também: Autoteste para o HIV chega até o fim do mês às farmácias

Ao UOL, ela deu sua versão do ocorrido. “Eu estava numa ansiedade e num nervosismo absurdos já fazia uns dias. Imagina você falando para pessoas que te odeiam”, conta Thais, que, ao chegar para a palestra, encontrou o salão trancado propositalmente, diz ela, e na porta um cartaz crítico à sua palestra.

O salão havia sido reservado com bastante antecedência por um aluno, para o advogado Giuliano Miotto, membro de uma comissão da OAB de Goiânia, que por sua vez convidou Thais, uma das administradoras da página “Moça, não sou obrigada a ser feminista”. O título da palestra: “Desmascarando o feminismo”.

A divulgação causou polêmica na universidade e professores e coletivos solicitaram à faculdade que a palestra fosse transformada em debate. A proposta foi rejeitada pela diretoria. “A universidade é pública, o espaço é público, temos que garantir a liberdade de expressão. A gente pode concordar, discordar e até divergir. Mas temos que ouvir”, opina Pedro Sérgio dos Santos, diretor da faculdade.
Leia Também: Drogas ou álcool cortam o efeito da pílula do dia seguinte? Jairo responde

Sem terem o pedido atendido, os coletivos decidiram fazer um evento paralelo, em outra área da faculdade. “A palestra dela começou e algumas pessoas que foram lá para ouvi-la tentaram argumentar e pontuar algumas questões que ela estavam falando. Ela exteriorizou a rigidez e mandou um menino calar a boca e pediu para ele se retirar. As pessoas que estavam lá para ouvi-la não concordaram. Ela não soube conduzir a ocasião para tentar acalmar os ânimos e as pessoas que estavam lá embaixo por motivo da confusão subiram no salão nobre. E foi a partir dali que saiu do controle”, opina Danielle Ribeiro, do Coletivo Pagu, grupo de extensão do Núcleo de Direitos Humanos da UFG.

Também incomodou aos coletivos o fato de Thais ter virado um painel com fotos de militantes históricas, como a própria Pagu. “Quem ia falar era eu, e eu ia fazer live no Facebook, e não queria que as pessoas tivessem que olhar para aquelas imagens”, argumenta a palestrante, defendida pelo diretor da faculdade. “O espaço havia sido reservado para ela. É ela quem determina a decoração.”
Leia Também: DEPOIMENTO: Usuário precisa de chance, não de internação à força, diz ex-viciada

Com o pessoal que estava no evento paralelo subindo ao salão nobre, começou a confusão. As luzes foram desligadas, supostamente pelas militantes, o que, para o diretor, geraria insegurança para o evento. “Com as luzes apagadas, não haveria como registrar algum ato de violência”, comenta, afirmando que, a partir dali, não havia como continuar com a palestra.

Acompanhada por seguranças, Thais deixou a faculdade, enquanto trocava ofensas com militantes. Nos videos postados por ela, não é possível identificar tentativa de agressão física.

Segundo o diretor, partiu da reitoria a decisão de enviar mais seguranças do que o usual para o evento, uma vez que já havia o risco de confrontamento. Para Danielle, esse confrontamento era um desejo da palestrante, que afirmou ao UOL que, após a repercussão do caso, recebeu mais de 20 convites para palestras.

Danielle Ribeiro, do Coletivo Pagu, argumenta: “Alguém que almeja um debate não fica provocando, ridicularizando quem tem pensamentos contrários. Ela provoca ódio, incita a violência. Ela não teve a intenção nenhuma de construir um debate. As pessoas que estavam com ela filmaram o tempo inteiro, mas ela só publicou o que era interesse dela, cortando quando lhe convinha. Antes de acontecer qualquer coisa ela já pediu segurança”. A palestrante, por sua vez, alega que seu sinal de internet estava ruim e por isso a transmissão teve cortes.
Leia Também: REGALIAS NA PRISÃO: Irmã de Aécio Neves 'desalojou' detentas e está sozinha em cela especial

Para a faculdade, Thais tinha o direito de palestrar sem oposição, como aconteceu com militantes com a mesma ideologia dos coletivos. “A posição institucional é que todas as pessoas têm o direito de manifestarem suas opiniões. Essas pessoas que fizeram isso (protestar) não falam em nome da instituição. Se ela fez um discurso de ódio, então quem se incomodou deverá buscar o caminho legal. Para dizer que há discurso de ódio você tem que ouvir o discurso da pessoa. Ela pode ter tido discurso de ódio na internet, mas não posso trabalhar com a presunção de crime. Aqui ela não havia falado”.

Apesar de ofender as militantes femininas em diversos momentos do vídeo e de chamar um garoto de “capado”, Thais acredita que não foi intolerante, como acusa seus críticos de serem. “Eu só uso as frases das feministas”, diz.

Assista o vídeo
http://www.polemicaparaiba.com.br/brasil/palestra-antifeminista-causa-confusao-em-universidade-federal-fui-expulsa/
Fonte: UOL

Brasil : VIDA SAUDÁVEL
Enviado por alexandre em 07/06/2017 16:36:59


O vinagre de maçã tem sido usado como uma fonte de saúde por milhares de anos.

Pesquisas mostram que o seu uso que tem muitos benefícios para a saúde, como baixar os níveis de açúcar no sangue.

Mas será que acrescentar o vinagre de maçã à sua dieta também pode te ajudar a perder peso?

Neste artigo irei explorar mais os benefícios do vinagre de maçã para o emagrecimento e te dar dicas de como incorporá-lo em sua dieta.

Não deixe de ler e compartilhar.
O que é Vinagre de Maçã?

O vinagre de maçã é feito a partir de um processo de fermentação dividido em duas etapas (1).

Em primeiro lugar, as maçãs são cortadas ou trituradas e combinadas com levedura para converter o açúcar em álcool. Em seguida, as bactérias são adicionadas para fermentar o álcool em ácido acético.

A produção tradicional de vinagre de maçã normalmente leva cerca de um mês, mas alguns fabricantes drasticamente aceleram o processo de modo que ele leva apenas um dia.

O ácido acético é o principal componente ativo do vinagre de maçã. Também conhecido como ácido etanoico, é um composto orgânico com um sabor amargo e cheiro forte.

Aproximadamente 5-6% do vinagre de maçã consiste em ácido acético. Mas a água e vestígios de outros ácidos, como o ácido málico, também estão presentes em sua composição (2).

Uma colher (15 ml) de vinagre de maçã contém cerca de três calorias e praticamente nenhum carboidrato.
Ácido Acético Faz Você Perder Gordura

O ácido acético é um ácido graxo de cadeia curta que se dissolve em acetato e hidrogênio no corpo.

Algumas pesquisas feitas em animais sugerem que o ácido acético no vinagre de maçã pode causar a perda de peso de várias maneiras:

>> Reduz os níveis de açúcar no sangue: Em um estudo feito com ratos, o ácido acético melhorou a capacidade do fígado e dos músculos para absorver o açúcar do sangue (3).

>> Diminui os níveis de insulina: O ácido acético também reduziu a proporção de insulina no sangue, o que favorece a queima de gordura.

>> Acelera o metabolismo: Outro estudo mostrou que o ácido acético aumenta a enzima AMPK, que favorece a queima de gordura e diminui a produção de gordura e açúcar no fígado (4).

>> Reduz o armazenamento de gordura: O tratamento de ratos diabéticos obesos com ácido acético ou acetato os protegeu da obesidade e aumentou a expressão de genes que reduzem o armazenamento de gordura da barriga e a gordura hepática (5, 6).

>> Queima de gordura: Um estudo mostrou que a dieta com o ácido acético foi capaz de aumentar significativamente os genes responsáveis pela queima de gordura, o que levou a menos acúmulo de gordura corporal (7).

>> Suprime o apetite: Outro estudo sugere que o acetato pode suprimir centros no cérebro que controlam o apetite, o que pode levar à redução da ingestão alimentar (8).
Vinagre de Maçã Reduz a Ingestão Calórica

O vinagre de maçã pode promover a sensação de saciedade, o que pode diminuir a ingestão de calorias (9, 10).

Um estudo realizado mostrou que pessoas que tomaram o vinagre com uma refeição rica em carboidratos tiveram uma resposta 55% mais baixa do açúcar de sangue uma hora após a refeição.

Eles também acabaram consumindo 200-275 calorias a menos durante o resto do dia (10).

Em outro estudo realizado, tomar vinagre de maçã com uma refeição retardou significativamente o esvaziamento do estômago. Isso causa sentimentos aumentados de saciedade e níveis baixos de açúcar no sangue e insulina (11).

No entanto, esse efeito pode ser prejudicial para algumas pessoas.

A gastroparesia, ou o atraso no esvaziamento estomacal, é uma complicação comum da diabetes tipo 1. A sincronização da insulina com os alimentos torna-se problemática, uma vez que é difícil prever quanto tempo levará para que o açúcar no sangue aumente após uma refeição.

Uma vez que o vinagre foi mostrado para prolongar ainda mais o tempo que o alimento permanece no estômago, incluí-lo às refeições pode piorar a gastroparesia (12).
Vinagre de Maçã Emagrece?
Decanter with vinegar and red apple
O consumo do vinagre de maçã contribui para a perda de peso

Resultados de um estudo feito em humanos indicam que o vinagre de maçã tem alguns efeitos muito impressionantes sobre o peso e a gordura corporal (13).

Neste estudo de 12 semanas, 144 adultos japoneses obesos consumiram 1 colher de sopa (15 ml) de vinagre, 2 colheres de sopa (30 ml) de vinagre ou uma bebida placebo todos os dias.

Os integrantes do estudo foram recomendados a restringir a ingestão de álcool, mas podiam continuar sua dieta habitual e atividades durante todo o estudo.

Aqueles que consumiram 1 colher de sopa (15 ml) de vinagre por dia tiveram os seguintes resultados médios:

>> Perda de peso: 1,2 kg.

>> Diminuição da percentagem de gordura corporal: 0,7%.

>> Diminuição da circunferência da cintura: 0,5 polegadas (1,4 cm).

>> Diminuição dos triglicéridos: 26%.

Isto é o que mudou naqueles que consumiram 2 colheres de sopa (30 ml) de vinagre por dia:

>> Perda de peso: 1,7 kg.

>> Diminuição da percentagem de gordura corporal: 0,9%.

>> Diminuição da circunferência da cintura: 0,75 pol (1,9 cm).

>> Diminuição dos triglicéridos: 26%.

Já o grupo do placebo ganhou 0.4 quilogramas, e sua circunferência da cintura aumentou ligeiramente.

De acordo com este estudo, adicionar 1 ou 2 colheres de vinagre de maçã a sua dieta pode ajudá-lo a perder peso. Também pode reduzir sua porcentagem de gordura corporal, fazer você perder gordura da barriga e diminuir seus triglicérides no sangue.

Um estudo realizado em camundongos que receberam uma dieta rica em gordura e alto teor calórico descobriu que consumia altas doses de vinagre ganhou 10% menos gordura do que o grupo controle (7).
Outros Benefícios do Vinagre de Maçã

Além de promover a perda de peso e de gordura, o vinagre de maçã tem vários outros benefícios:

>> Reduz o nível de açúcar no sangue e de insulina: Quando consumido com uma refeição rica em carboidratos, o vinagre mostrou diminuir significativamente os níveis de açúcar no sangue e de insulina após a refeição (14, 15, 16, 17, 18).

>> Melhora a sensibilidade à insulina: Um estudo realizado em pessoas com resistência à insulina ou diabetes tipo 2 constatou que a adição de vinagre em uma refeição rica em carboidratos melhorou a sensibilidade à insulina em 34% (19).

>> Reduz o nível de açúcar no sangue em jejum: Em outro estudo sobre pessoas com diabetes tipo 2, o grupo que tomou vinagre de maçã com um lanche noturno rico em proteínas teve duas vezes menos açúcar no sangue em jejum do que no grupo placebo (20).

>> Melhora os sintomas do Ovário Policístico: Em um pequeno estudo feito com mulheres com síndrome do ovário policístico que tomaram vinagre por 90-110 dias, quatro em cada sete mulheres retomaram a ovulação, provavelmente devido à melhora da sensibilidade à insulina (21).

>> Diminui os níveis de colesterol: Estudos feitos em ratos diabéticos e ratos saudáveis descobriu que o vinagre de maçã aumentou o HDL (o “bom”) colesterol. Também reduziu o LDL (o “mau”) colesterol e triglicérides (22, 23, 24).

>> Baixa pressão arterial: Estudos realizados em animais sugerem que o vinagre pode diminuir a pressão arterial, inibindo a enzima responsável pela constrição dos vasos sanguíneos (25, 26).

>> Matar bactérias e vírus prejudiciais: O vinagre é útil para combater as bactérias que podem causar intoxicação alimentar. Um estudo descobriu que vinagre reduziu o número de certas bactérias em 90% e alguns vírus em 95% (27, 28).
Como Adicionar O Vinagre de Maçã a sua Dieta?

Existem algumas maneiras de incluir vinagre de maçã em sua dieta.

Um método fácil é usá-lo com azeite, como molho de salada. O resultado fica particularmente saboroso com folhas verdes, pepinos e tomates.

O vinagre também pode ser usado para temperar vegetais, ou você pode simplesmente misturá-lo em água e beber.

A quantidade de vinagre de maçã usado para perda de peso é de 1-2 colheres (15-30 ml) por dia, misturado com água.

Tomar mais do que isso não é recomendado por causa de efeitos potencialmente nocivos em dosagens mais elevadas (29).

De maneira geral, ingerir uma quantidade moderada de vinagre de maçã parece promover a perda de peso e fornece uma série de outros benefícios para a sua saúde.

Mas é claro que os resultados só serão positivos quando acompanhados de uma dieta de verdade e hábitos saudáveis.

Outra forma de potencializar a perda de peso é fazer uso dos chás para secar a barriga. No Guia GRATUITO que eu preparei, você irá encontrar as 10 melhores receitas de chás para incluir na dieta, basta preencher o formulário abaixo.
Vídeo: Por que a dieta do vinagre emagrece?

Abraços e fique com Deus!

Dr. Juliano Pimentel.

Brasil : BRUTAL LAMPIÃO
Enviado por alexandre em 07/06/2017 01:13:05



LAMPIÃO - Despido do mito, cangaceiro estava mais para narcotraficante do Rio que para Robin Hood

Por Humberto Vital

Eles faziam do assassinato um ritual macabro. O longo punhal, de até 80 centímetros de comprimento, era enfiado com um golpe certeiro na base da clavícula – a popular “saboneteira” – da vítima. A lâmina pontiaguda cortava a carne, seccionava artérias, perfurava o pulmão, trespassava o coração e, ao ser retirada, produzia um esguicho espetaculoso de sangue. Era um policial ou um delator a menos na caatinga – e um morto a mais na contabilidade do cangaço. Quando não matavam, faziam questão de ferir, de mutilar, de deixar cicatrizes visíveis, para que as marcas da violência servissem de exemplo. Desenhavam a faca feridas profundas em forma de cruz na testa de homens, desfiguravam o rosto de mulheres com ferro quente de marcar o gado.



Quase 80 anos após a morte do principal líder do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, a aura de heroísmo que durante algum tempo tentou-se atribuir aos cangaceiros cede terreno para uma interpretação menos idealizada do fenômeno. Uma série de livros, teses e dissertações acadêmicas lançados nos últimos anos defende que não faz sentido cultuar o mito de um Lampião idealista, um revolucionário primitivo, insurgente contra a opressão do latifúndio e a injustiça do sertão nordestino. Virgulino não seria um justiceiro romântico, um Robin Hood da caatinga, mas um criminoso cruel e sanguinário, aliado de coronéis e grandes proprietários de terra. Historiadores, antropólogos e cientistas sociais contemporâneos chegam à conclusão nada confortável para a memória do cangaço: no Brasil rural da primeira metade do século 20, a ação de bandos como o de Lampião desempenhou um papel equivalente ao dos traficantes de drogas que hoje sequestram, matam e corrompem nas grandes metrópoles do país. Guardadas as devidas proporções, o cangaço foi algo como o PCC dos anos 1930.



Cangaceiros e traficantes



Foram os cangaceiros que introduziram o sequestro em larga escala no Brasil. Faziam reféns em troca de dinheiro para financiar novos crimes. Caso não recebessem o resgate, torturavam e matavam as vítimas, a tiro ou punhaladas. A extorsão era outra fonte de renda. Mandavam cartas, nas quais exigiam quantias astronômicas para não invadir cidades, atear fogo em casas e derramar sangue inocente. Ofereciam salvo-condutos, com os quais garantiam proteção a quem lhes desse abrigo e cobertura, os chamados coiteiros. Sempre foram implacáveis com quem atravessava seu caminho: estupravam, castravam, aterrorizavam. Corrompiam oficiais militares e autoridades civis, de quem recebiam armas e munição. Um arsenal bélico sempre mais moderno e com maior poder de fogo que aquele utilizado pelas tropas que os combatiam.



“A violência é mais perversa e explícita onde está o maior contingente de população pobre e excluída. Antes o banditismo se dava no campo; hoje o crime organizado é mais evidente na periferia dos centros urbanos”, afirma a antropóloga Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autora do livro A Derradeira Gesta: Lampião e Nazarenos Guerreando no Sertão. A professora aponta semelhanças entre os métodos dos cangaceiros e dos traficantes: “A maioria dos moradores das favelas de hoje não é composta por marginais. No sertão, os cangaceiros também eram minoria. Mas, nos dois casos, a população honesta e trabalhadora se vê submetida ao regime de terror imposto pelos bandidos, que ditam as regras e vivem à custa do medo coletivo”.



Além do medo, os cangaceiros exerciam fascínio entre os sertanejos. Entrar para o cangaço representava, para um jovem da caatinga, ascensão social. Significava o ingresso em uma comunidade de homens que se gabavam de sua audácia e coragem, indivíduos que trocavam a modorra da vida camponesa por um cotidiano repleto de aventuras e perigos. Era uma via de acesso ao dinheiro rápido e sujo de sangue, conquistado a ferro e a fogo. “São evidentes as correlações de procedimentos entre cangaceiros de ontem e traficantes de hoje. A rigor, são velhos professores e modernos discípulos”, afirma o pesquisador do tema Melquíades Pinto Paiva, autor de Ecologia do Cangaço e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.



Homem e lenda



Virgulino Ferreira da Silva reinou na caatinga entre 1920 e 1938. A origem do cangaço, porém, perde-se no tempo. Muito antes dele, desde o século 18, já existiam bandos armados agindo no sertão, particularmente na área onde vingou o ciclo do gado no Nordeste, território onde campeava a violência, a lei dos coronéis, a miséria e a seca. A palavra cangaço, segundo a maioria dos autores, derivou de “canga”, peça de madeira colocada sobre o pescoço dos bois de carga. Assim como o gado, os bandoleiros carregavam os pertences nos ombros.



Um dos precursores do cangaço foi o lendário José Gomes, o endiabrado Cabeleira, que aterrorizou as terras pernambucanas por volta de 1775. Outro que marcou época foi o potiguar Jesuíno Alves de Melo Calado, o Jesuíno Brilhante (1844-1879), famoso por distribuir entre os pobres os alimentos que saqueava dos comboios do governo. Mas o primeiro a merecer o título de Rei do Cangaço, pela ousadia de suas ações, foi o pernambucano Antônio Silvino (1875-1944), o Rifle de Ouro. Entre suas façanhas, arrancou os trilhos, perseguiu engenheiros e sequestrou funcionários da Great Western, empresa inglesa que construía ferrovias no interior da Paraíba.



Bonnie e Clyde do sertão
O amor de Maria Bonita e Lampião provocou uma revolução no cotidiano dos cangaceiros



Maria Bonita e Lampião / Foto: Wikimedia Commons Images



Uma sertaneja amoleceu o coração de pedra do Rei do Cangaço. Foi Maria Gomes de Oliveira, a Maria Déa, também conhecida como Maria Bonita. Separada do antigo marido, o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Neném, foi a primeira mulher a entrar no cangaço. Antes dela, outros bandoleiros chegaram a ter mulher e filhos, mas nenhuma esposa até então havia ousado seguir o companheiro na vida errante no meio da caatinga. O primeiro encontro entre os dois foi em 1929, em Malhada de Caiçara (BA), na casa dos pais de Maria, então com 17 anos e sobrinha de um coiteiro de Virgulino. No ano seguinte, a moça largou a família e aderiu ao cangaço, para viver ao lado do homem amado. Quando soube da notícia, o velho mestre de Lampião, Sinhô Pereira, estranhou. Ele nunca permitira a presença de mulheres no bando. Imaginava que elas só trariam a discórdia e o ciúme entre seus “cabras”. Mas, depois da chegada de Maria Déa, em 1930, muitos outros cangaceiros seguiram o exemplo do chefe. Mulher cangaceira não cozinhava, não lavava roupa e, como ninguém no cangaço possuía casa, também não tinha outras obrigações domésticas. No acampamento, cozinhar e lavar era tarefa reservada aos homens. Elas também só faziam amor, não faziam a guerra: à exceção de Sila, mulher do cangaceiro Zé Sereno, não participavam dos combates – e com Maria Bonita não foi diferente. O papel que lhes cabia era o de fazer companhia a seus homens. Os filhos que iam nascendo eram entregues para ser criados por coiteiros. Lampião e Maria tiveram uma filha, Expedita, nascida em 1932. Dois anos antes, aquele que seria o primogênito do casal nascera morto, em 1930. Entre os casais, a infidelidade era punida dentro da noção de honra da caatinga: o cangaceiro Zé Baiano matou a mulher, Lídia, a golpes de cacete, quando descobriu que ela o traíra com o colega Bem-Te-Vi. Outro companheiro de bando, Moita Brava, pegou a companheira Lili em amores com o cabra Pó Corante. Assassinou-a com seis tiros à queima-roupa. A chegada das mulheres coincidiu com o período de decadência do cangaço. Desde que passou a ter Maria Bonita a seu lado, Lampião alterou a vida de eterno nômade por momentos cada vez mais alongados de repouso, especialmente em Sergipe. A influência de Maria Déa sobre o cangaceiro era visível. “Lampião mostrava-se bem mudado. Sua agressividade se diluía nos braços de Maria Déa”, afirma o pesquisador Pernambucano de Mello. Foi em um desses momentos de pausa e idílio no sertão sergipano que o Rei do Cangaço acabou sendo surpreendido e morto, na Grota do Angico, em 1938, depois da batalha contra as tropas do tenente José Bezerra. Conta-se que, quando lhe deceparam a cabeça, a mais célebre de todas as cangaceiras estava ferida, mas ainda viva.





➽ Lampião sempre afirmou que entrou na vida de bandido para vingar o assassinato do pai. José Ferreira, condutor de animais de carga e pequeno fazendeiro em Serra Talhada (PE), foi morto em 1920 pelo sargento de polícia José Lucena, após uma série de hostilidades entre a família Ferreira e o vizinho José Saturnino. No sertão daquele tempo, a vingança e a honra ofendida caminhavam lado a lado. Fazer justiça com as próprias mãos era considerado legítimo e a ausência de vingança era entendida como sintoma de frouxidão moral. “Na minha terra,/ o cangaceiro é leal e valente:/ jura que vai matar e mata”, diz o poema “Terra Bárbara”, do cearense Jáder de Carvalho (1901-1985).



No mesmo ano de 1920, Virgulino Ferreira entrou para o grupo de outro cangaceiro célebre, Sebastião Pereira e Silva, o Sinhô Pereira – segundo alguns autores, quem o apelidou de Lampião. Como tudo na biografia do pernambucano, é controverso o motivo do codinome. Há quem diga que o batismo se deveu ao fato de ele manejar o rifle com tanta rapidez e destreza que os tiros sucessivos iluminavam a noite. O olho direito, cego por decorrência de um glaucoma, agravado por um acidente com um espinho da caatinga, não lhe prejudicou a pontaria. Outros acreditam na versão atribuída a Sinhô Pereira, segundo a qual Virgulino teria usado o clarão de um disparo para encontrar um cigarro que um colega havia deixado cair no chão.



O cangaço não tinha um líder de destaque desde 1914, quando Antônio Silvino foi preso após um combate com a polícia. Só a partir de 1922, após assumir o bando de Sinhô Pereira, Virgulino se tornaria o líder máximo dos cangaceiros. Exímio estrategista, Lampião distinguiu-se pela valentia nas pelejas com a polícia, como em 1927, em Riacho de Sangue, durante um embate com os homens liderados pelo major cearense Moisés Figueiredo. Os 50 homens de Lampião foram cercados por 400 policiais. O tiroteio corria solto e a vitória da polícia era iminente. Lampião ordenou o cessar-fogo e o silêncio sepulcral de seu bando. A polícia caiu na armadilha. Avançou e, ao chegar perto, foi recebida com fogo cerrado. Surpreendidos, os soldados bateram em retirada.



A capacidade de despistar os perseguidores lhe valeu a fama de possuir poderes sobrenaturais e, após escapar de inúmeras emboscadas, de ter o corpo fechado. No mesmo mês da tocaia de Riacho de Sangue, Lampião e seu bando caíram em nova emboscada. Um traidor ofereceu-lhes um jantar envenenado, numa casa cercada por policiais. Quando os primeiros cangaceiros começaram a passar mal, Virgulino se deu conta da tramóia e tentou fugir, mas viu-se acuado por um incêndio proposital na mata. O que era para ser uma arapuca terminou por salvar a pele dos cangaceiros: desapareceram na fumaça, como por encanto.



Mas o maior trunfo de Lampião foi o de cultivar uma grande rede de coiteiros. Isso garantiu a longevidade de sua carreira e a extensão de seu domínio. A atuação de seu bando estendeu-se por Alagoas, Ceará, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Lampião chegou a comandar um exército nômade de mais de 100 homens, quase sempre distribuídos em subgrupos, o que dava mobilidade e dificultava a ação da polícia. Em 1926, em tom de desafio e zombaria, chegou a enviar uma carta ao governador de Pernambuco, Júlio de Melo, propondo a divisão do estado em duas partes. Júlio de Melo que se contentasse com uma. Lampião, autoproclamado “Governador do Sertão”, mandaria na outra.



Há divergências – e discussões apaixonadas – em torno da figura histórica de Virgulino. Ele comandava sessões de estupro coletivo ou, ao contrário, punia indivíduos do bando que violentavam mulheres? Castrava inimigos, como faziam outros tantos envolvidos no cangaço? Há controvérsias. “Lampião não era um demônio nem um herói. Era um cangaceiro. Muitas das crueldades imputadas a ele foram praticadas por indivíduos de outros bandos. Entrevistei vários ex-cangaceiros e nenhum me confirmou histórias a respeito de estupros e castrações executadas pessoalmente por Lampião”, diz o pesquisador Amaury Corrêa de Araújo, autor de sete livros sobre o cangaço.



As narrativas de velhos cangaceiros contrapõem-se à versão publicada pelos jornais da época, que geralmente tinham a polícia como principal fonte. Com tantas histórias e estórias a cercar a figura de Lampião, torna-se difícil separar o homem da lenda. “Acho que está justamente aí, nessa multiplicidade de olhares e versões, a grande força do personagem que ele foi. É isso que nos ajuda inclusive a entender sua dimensão como mito”, explica a historiadora francesa Élise Grunspan-Jasmin, autora de Lampião: Senhor do Sertão (Edusp).



Bandido social?



Já foi moeda corrente entre os especialistas interpretar o “Rei do Cangaço” como um “bandido social”, expressão criada pelo historiador inglês Eric Hobsbawm para definir os fora-da-lei que surgiam nas sociedades agrárias em transição para o capitalismo. Em Bandidos (Forense Universitário), de 1975, Hobsbawn cita Lampião, Robin Hood e Jesse James como exemplos de nobres salteadores, vingadores ousados, defensores dos oprimidos.



A imagem revolucionária começou a se desenhar em 1935, quando a Aliança Nacional Libertadora citou Virgulino como um de seus inspiradores políticos. A tese foi reforçada em 1963 com o lançamento de um clássico sobre o tema, Cangaceiros e Fanáticos, no qual o autor, Rui Facó, justifica a violência física do cangaço como uma resposta à violência social. Na mesma época, o deputado federal Francisco Julião, representante das Ligas Camponesas e militante político pela reforma agrária, declarava que Lampião era “o primeiro homem do Nordeste a batalhar contra o latifúndio e a arbitrariedade”.



“Lampião não era um revolucionário. Sua vontade não era agir sobre o mundo para lhe impor mais justiça, mas usar o mundo em seu proveito”, afirma a também a historiadora Grunspan-Jasmin, fazendo coro a um dos maiores especialistas do cangaço da atualidade, Frederico Pernambucano de Mello. Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco e autor de Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo no Nordeste Brasileiro, Mello diz que o cangaceiro e o coronel não eram rivais. Os coronéis ofereciam armas e proteção aos cangaceiros, que, em troca, forneciam serviço de milícia. Dois dos maiores coiteiros de Lampião foram homens poderosos: o coronel baiano Petronilo de Alcântara Reis e o capitão do Exército Eronildes de Carvalho, que viria a ser governador de Alagoas. “Aprecio de preferência as classes conservadoras: agricultores, fazendeiros, comerciantes”, disse Virgulino em uma entrevista de 1926.



Marqueteiro da caatinga



A ideia de que Lampião fosse um vingador também é contestada por Mello. Ele argumenta que, em quase 20 anos de cangaço, Lampião nunca teria se esforçado para se vingar de Lucena e Saturnino, o policial e o antigo vizinho responsáveis pelo assassinato de seu pai. De acordo com um dos homens de Virgulino, Miguel Feitosa, o Medalha, Saturnino chegara a mandar um uniforme e um corte de tecido com o objetivo de selar a paz entre eles. Um portador teria agradecido por Lampião. O mesmo Medalha dizia que o ex-soldado Pedro Barbosa da Cruz propôs matar Lucena por dinheiro. “Deixe disso, essas são questões velhas”, teria respondido Lampião. Segundo o autor de Guerreiros do Sol, os cangaceiros usavam o discurso de vinganças pessoais e gestos de caridade como “escudos éticos” para os atos de banditismo.



Apesar da vida árdua, quem entrava no cangaço dificilmente conseguia (ou queria) sair dele. Havia um notório orgulho de pertencer aos bandos, revelado também na indumentária dos cangaceiros. O excesso de adereços, os enfeites nos chapéus, os bordados coloridos foram típicos dos momentos finais do cangaço. Lampião era um homem bem preocupado com sua imagem pública, o que colaborou para que permanecesse na memória nacional. O Rei do Cangaço também era o rei do marketing pessoal. Assim como adorava aparecer em jornais e revistas, deixando-se inclusive fotografar e até filmar, fazia de seu traje de guerreiro uma ostensiva e vaidosa marca registrada. “Nisso, talvez apenas o cavaleiro medieval europeu ou o samurai oriental possa rivalizar com o nosso capitão do cangaço”, escreveu Pernambucano de Mello.A antropóloga Luitgarde Barros enxerga aí um outro ponto em comum com a bandidagem atual: “Os traficantes também gostam de ostentar sua condição de bandidos e possuem um código visual característico, composto por capuzes e tatuagens de caveiras espalhadas pelo corpo”. A violência policial é outro aspecto que aproxima o universo de Lampião do mundo do tráfico. Como ocorre hoje nas favelas dominadas pelo crime organizado, a truculência dos bandoleiros sertanejos só encontrava equivalência na brutalidade das volantes – as forças policiais cujos soldados eram apelidados pelos cangaceiros de “macacos”. Nos tempos áureos do cangaço, não havia grandes diferenças entre a ação de bandidos e soldados. Não raro, eles se trajavam do mesmo modo – o que chegava a provocar confusões – e uns se bandeavam para o lado dos outros. Cangaceiros como Clementino José Furtado, o Quelé, abandonaram o grupo e foram cerrar fileiras em meio às volantes. O bandido Mormaço fez o movimento contrário. Havia sido corneteiro da polícia antes de aderir a Lampião.



Como é comum à história da maioria dos criminosos, uma morte trágica e violenta marcou o fim dos dias de Virgulino. Traído por um de seus coiteiros de confiança, Pedro de Cândida, que foi torturado pela polícia para denunciar o paradeiro do bando, Lampião acabou surpreendido em seu esconderijo na Grota do Angico, Sergipe, em 28 de julho de 1938. Depois de uma batalha de apenas 15 minutos contra as tropas do tenente José Bezerra, 11 cangaceiros tombaram no campo de batalha. Todos eles tiveram os corpos degolados pela polícia, inclusive Lampião e Maria Bonita. Durante mais de 30 anos, as cabeças dos dois permaneceram insepultas. Em 1969, elas ainda estavam no museu Nina Rodrigues, na Bahia, quando foram finalmente enterradas, a pedido de familiares do casal mais mitológico – e temido – do cangaço.



Artimanhas do cangaço
As estratégias e técnicas para despistar os inimigos



lampião e os seus cangaceiros / Foto: Domínio publico



Embora seja inadequado referir-se aos cangaceiros como guerrilheiros – eles não tinham nenhum propósito político –, é inegável que lançaram mão de táticas típicas da guerrilha. Habituados a viver na caatinga, não eram presa fácil para a polícia, especialmente para as unidades deslocadas das cidades com a missão de combatê-los no sertão. Uma das maiores dificuldades de enfrentá-los era a de que preferiam ataques rápidos e ferozes, que surpreendiam o adversário. Também não tinham qualquer cerimônia em fugir quando se viam acuados. Houve quem confundisse isso com covardia. Era estratégia cangaceira.



➽ Tropa de elite: Os bandos eram sempre pequenos, de no máximo 10 a 15 homens. Isso garantia a mobilidade necessária para a realização de ataques-surpresa e para bater em retirada em situações de perigo.



➽ Calada da noite: Em vez de se deslocar a cavalo por estradas e trilhas conhecidas da polícia, percorriam longas distâncias a pé em meio à caatinga, de preferência à noite. Para evitar que novas vias de acesso ao sertão fossem abertas, assassinavam trabalhadores nas obras de rodovias e ferrovias.



➽ Os apetrechos: Todos os pertences do cangaceiro eram levados pendurados pelo corpo. Como não se podia carregar muita bagagem, dinheiro e comida eram colocados em potes enterrados no chão, para serem recuperados mais tarde.



➽ Raposas do deserto: Cangaceiros eram mestres em esconder rastros. Alguns truques: usar as sandálias ao contrário nos pés. Pelas pegadas, a polícia achava que eles iam na direção contrária (detalhe); andar em fila indiana, de costas, pisando sobre as mesmas pegadas, apagadas com folhagens; pular sobre um lajedo, dando a impressão de sumir no ar.



➽ Peso morto: Com exceção de sequestrados, quase nunca faziam prisioneiros em combate, pois isso dificultaria a capacidade de se mover com rapidez. Também não mantinham colegas feridos ou com dificuldade de locomoção.



➽ Seu mestre mandou: Para resolver discórdias internas no bando, Lampião sempre planejava um grande ataque. Todos os membros do grupo se uniam contra o inimigo e deixavam de lado as divergências entre si.



➽ Os infiltrados: Quem dava abrigo e esconderijo aos cangaceiros era chamado de coiteiro e agia em troca de dinheiro, de proteção armada ou mesmo por medo. Coiteiros que traíam a confiança eram mortos para servirem de exemplo.



➽ Rota de fuga: As principais áreas de ação do cangaço eram próximas às fronteiras estaduais. Em caso de perseguição, eles podiam cruzá-las para ficar a salvo do ataque da polícia local.



➽ Fogo amigo e inimigo: Durante os combates, havia uma regra fundamental: em caso de retirada, nunca deixar armas para o inimigo; nas vitórias, apoderar-se do arsenal dele.





A saga de Lampião na caatinga



➽1898: Virgulino Ferreira da Silva nasce em 4 de junho, na comarca de Vila Bela, atual Serra Talhada, Pernambuco. É o terceiro dos nove filhos de José Ferreira e Maria Lopes.



➽1915: Começa a briga entre a família Ferreira e a do vizinho José Saturnino.



➽1920: José Ferreira é morto. Virgulino e três irmãos (Ezequiel, Levino e Antônio) entram para o cangaço. Durante um tiroteio em Piancó (PB), ele é ferido no ombro e na virilha: são as primeiras cicatrizes de uma série que colecionará na vida.



➽ 1922: Sinhô Pereira abandona o cangaço e Lampião assume o lugar do chefe. A primeira grande façanha é um assalto à casa da baronesa Joana Vieira de Siqueira Torres, em Alagoas.



➽1924: Toma um tiro no pé direito, em Serra do Catolé, município de Belmonte (PE).



➽1925: Fica cego do olho direito e passa a usar óculos para disfarçar o problema.



➽1926: Visita Padre Cícero no Ceará e recebe a patente de capitão do “batalhão patriótico”, encarregado de combater a Coluna Prestes. Em Itacuruba (PE) é ferido à bala na omoplata.



➽1927: Ataque do bando a Mossoró (RN). A cidade resiste. É uma das maiores derrotas de sua carreira.



➽1928: A ação da polícia de Pernambuco faz com que atravesse o rio São Francisco e passe a agir preferencialmente na Bahia e em Sergipe.



➽ 1929: Primeiro encontro com Maria Bonita, na fazenda do pai dela, em Malhada do Caiçara (BA).



➽1930: Maria Bonita torna-se sua mulher e ingressa no bando. O governo da Bahia oferece uma recompensa de 50 contos de réis para quem o entregar vivo ou morto. Em Sergipe, é baleado no quadril.



➽1932: Nasce Expedita, sua filha com Maria Bonita.



➽ 1934: Eronildes Carvalho, capitão do Exército e coiteiro de Lampião, é nomeado governador de Sergipe.



➽1936: O libanês Benjamin Abraão, ex-secretário de Padre Cícero, convence Virgulino a se deixar filmar no documentário Lampeão. O filme é recolhido pelo Estado Novo.



➽ 1938: Em 28 de julho, o bando é cercado em Angico (SE). Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros são assassinados.



UOL

« 1 2 (3) 4 5 6 ... 379 »