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Brasil : PCC/COMANDO
Enviado por alexandre em 16/10/2021 00:36:41

Chacina e assassinatos revelam PCC fora de controle das autoridades na fronteira Brasil - Paraguia

Uma recente chacina na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, reacendeu o debate sobre a atuação e a influência de facções criminosas brasileiras no país vizinho.

Ao todo, quatro pessoas foram assassinadas com dezenas de tiros na noite do último sábado (9) depois de saírem de uma casa noturna na cidade do Paraguai.

Entre os mortos havia duas estudantes brasileiras: Kaline Reinoso de Oliveira, de 22 anos, e Rhannye Jamilly Borges de Oliveira, de 18. Também morreram os paraguaios Haylee Carolina Acevedo Yunis, 21, e Omar Vicente Álvarez Grance, 32, conhecido como Bebeto.

Segundo autoridades policiais da região, a principal suspeita é que o motivo do crime seja uma disputa interna em uma quadrilha brasileira de traficantes de drogas.

A onda de violência também incluiu o assassinato do vereador Farid Charbell Badaoui Afif, da cidade brasileira vizinha de Ponta Porã, no dia anterior.

O narcotráfico na fronteira entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, é controlado por pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), tanto brasileiros quanto paraguaios que se filiaram à facção paulista. Mas grupos locais também participam do tráfico.

A região, conhecida como fronteira seca, tem sido usada pelo grupo para transportar drogas para o Brasil, principalmente cocaína e maconha cultivada em fazendas do Paraguai.

A chacina não é a primeira vez que traficantes brasileiros se envolvem em episódios de violência no país vizinho (leia mais abaixo).

Nos últimos anos, o Paraguai se tornou uma das principais áreas de atuação do PCC, a ponto de autoridades declararem que a quadrilha é o principal grupo criminoso do país.

"O Paraguai tem uma importância fundamental (para o PCC), porque ele é uma das principais rotas de entrada de drogas no Brasil, principalmente maconha e cocaína. Essa droga acaba abastecendo a Europa, a África e o próprio mercado interno brasileiro", explica Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Guarda no complexo penitenciário de Itatinga

Crédito, Reuters

Legenda da foto,

O PCC surgiu dentro dos presídios paulistas, mas se internacionalizou nos últimos anos

'Estamos perdidos, com medo', diz governador

Segundo a polícia, Omar Vicente, o Bebeto, foi morto com 31 tiros - ele seria o principal alvo dos pistoleiros na cachina do último sábado.

Já Yunis Carolina, morta com 14 tiros, era filha de Ronald Acevedo, governador da província de Amambay, onde fica Pedro Juan Caballero.

Após a morte da filha, o político paraguaio afirmou que região está controlada pelo crime organizado e que a polícia local não tem recursos para combater o crime. Também comparou a cidade a Sinaloa, no México, área controlada por um violento cartel do narcotráfico.

Segundo ele, "é impossível" saber quem faz parte das quadrilhas que dominam Amambay. "Minha filha estava no lugar errado com a pessoa errada. Nossos filhos estão nas mãos deles (facções)", disse Acevedo à rede de TV ABC, na terça-feira.

Segundo o governador, as forças policiais da região não têm armamento suficiente para combater a criminalidade nem capacidade técnica para investigar as quadrilhas.

"Estamos perdidos, derrotados. Hoje aconteceu comigo, amanhã pode ser com qualquer um. Todos estamos com medo", disse o político.

Na terça-feira, centenas de moradores da cidade realizaram um protesto pedindo o fim da violência na região.

Para Rafael Alcadipani, da FGV, o Estado brasileiro perdeu o controle sobre a atuação das facções brasileiras, que se internacionalizaram em busca de novos mercados. "Estamos exportando criminosos e facções. A situação do Paraguai só demonstra o quanto perdemos o controle do crime organizado em nosso próprio território", diz.

"Enquanto o crime é multinacional, a Justiça e as polícias atuam de maneira regionalizadas, sem integração dentro do Brasil, mas também sem integração com outros órgãos de combate ao crime fora do país".

Brasileiros presos

Seis brasileiros foram presos sob suspeita de participação na chacina. Eles estavam em uma casa em Cerro Corá, localidade próxima a Pedro Juan Caballero.

Em entrevista à rádio ABC Color, Gilberto Fleitas, subcomandante da Polícia Nacional do Paraguai, afirmou que a matança tem ligação com desavenças internas em um grupo de traficantes brasileiros.

"Havia um conflito entre essa pessoa Bebeto, e outras pessoas. Foi uma questão interna no mercado brasileiro, envolvendo cargas de drogas. Mas ainda precisamos investigar quem são os autores intelectuais (do crime)", disse Fleitas.

Essa não foi a primeira vez que brasileiros se envolveram em episódios violentos no Paraguai. Nos últimos anos, os casos vêm aumentando. A BBC News Brasil reuniu alguns deles, que mostram como o PCC se tornou um ator importante na criminalidade na fronteira e dentro do território paraguaio.

Assassinatos em Pedro Juan Caballero

Balas no chão

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Nas últimas duas semanas, 15 pessoas foram assassinadas na região de Pedro Juan Caballero, fronteira com o Brasil

Vizinha de Ponta Porã, Pedro Juan Caballero é uma das cidades estratégicas da fronteira que estão inseridas na principal rota de narcotráfico que envolve o Brasil.

Essa rota, que se vale de aviões, carros e caminhões, permite a grupos criminosos comprarem cocaína produzida em países produtores, como Bolívia e Peru, e a levarem para São Paulo e Rio de Janeiro. Parte da droga depois é enviada à África e à Europa por meio de associações com outras quadrilhas internacionais.

A atuação do PCC no país vizinho ocorre há mais de uma década, mas se intensificou nos últimos anos em meio à internacionalização da facção surgida em presídios paulistas nos anos 1990. O país também é apontado como local de esconderijo para criminosos foragidos do Brasil.

Tido como principal líder do grupo, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, ficou escondido no Paraguai por alguns meses antes de ser preso em São Paulo, em 1999, por exemplo.

Policiais escoltando Marcola

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Marcos Camacho, o Marcola, é o líder do PCC e hoje está preso numa unidade de segurança máxima, mas já usou o Paraguai como esconderijo

Segundo relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o Mato Grosso do Sul ganhou força como "corredor de drogas" por causa da ampla fronteira seca com o Paraguai, que facilita o transporte rodoviário em grande escala para lugares estratégicos como o porto de Santos.

Até meados desta década, toda essa região paraguaia era controlada por famílias tradicionais e ricas, que administravam estabelecimentos comerciais e também lidavam com comércio de produtos ilícitos, como entorpecentes.

O PCC enfrentava obstáculos para dominar a região e passou a se associar a criminosos locais para eliminar concorrentes e principalmente intermediários no Paraguai, na Bolívia e na Colômbia.

Mirava maiores margens de lucro e controle das operações de tráfico de drogas e armas — segundo a Polícia Federal brasileira, boa parte do armamento ilegal apreendido no Brasil nos últimos anos era oriunda de contrabando do Paraguai.

Em 2016, esse processo de expansão chegou ao ápice: um ousado atentado executado por criminosos brasileiros matou Jorge Rafaat Toumani, 56, empresário apontado como chefe da maior quadrilha de Pedro Juan Caballero.

Toumani, conhecido como "rei da fronteira", era aliado do PCC na época, mas acabou morto em uma emboscada cinematográfica, com armamento antiaéreo e de uso exclusivo das Forças Armadas. O crime foi atribuído ao PCC, que teria a intenção de controlar o fluxo de drogas na cidade.

O assassinato acentuou a disputa tripla entre seguidores de Rafaat e membros de dois grupos brasileiros, o PCC e o Comando Vermelho, criado no Rio de Janeiro.

Mas o plano do PCC em parte deu certo.

Já nas últimas duas semanas, segundo a polícia paraguaia, ao menos 15 pessoas foram assassinadas na fronteira.

De acordo com o blog do jornalista Josmar Jozino no UOL, uma investigação da Polícia Federal apontou que o PCC teria 174 membros na fronteira.

O objetivo do grupo é se tornar hegemônico na distribuição de drogas para o Brasil pela divisa com Pedro Juan Caballero - a polícia paraguaia já considera a quadrilha brasileira como o principal grupo criminoso do país.

Mega-assalto em Ciudad del Este

Policiais durante assalto no interior paulista

Crédito, Reprodução

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O chamado 'novo cangaço', quando dezenas de bandidos invadem cidade para roubar bancos, teve como alvo Ciudad del Este, em 2017. Na imagem, policiais atiram durante assalto em Botucatu

Mas o tráfico de drogas, embora seja a mais lucrativa atuação do PCC no Paraguai, não é o único foco da quadrilha.

Em abril de 2017, um mega-assalto atribuído pela polícia ao PCC assustou moradores de Ciudad del Este, na região da tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina.

O assalto à empresa de transporte valores Prosegur aconteceu durante a madrugada. Um grupo de cerca de 40 criminosos usou bombas e fuzis para explodir as paredes blindadas da transportadora. Segundo a polícia, a quadrilha roubou cerca de US$ 11,7 milhões (R$ 40 milhões, em valores da época), o maior assalto já registrado no país sul-americano.

Na ação, também foram utilizados armamentos que as polícias brasileira e paraguaia não dispunham, como uma metralhadora .50, capaz de derrubar aeronaves.

Os bandidos chegaram a queimar carros e caminhões para impedir que policiais se aproximassem da sede da companhia. Um policial que estava na rua foi assassinado.

Depois de pegar o dinheiro, os homens usaram dois barcos para fugir em direção ao Brasil.

Nos últimos anos, vários suspeitos de participação no crime foram presos, mas apenas uma pequena parte do dinheiro roubado foi recuperado.

Depois, mega-assaltos como o da Prosegur ocorreram em cidades do interior paulista, em episódios que ganharam a alcunha de "novo cangaço", em virtude das ações cinematográficas envolvendo dezenas de criminosos, armamento pesado, bombas e reféns.

PCC nas prisões paraguaias

Tanque de guerra na frente do presídio

Crédito, Ministerio del Interior

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No ano passado, o governo paraguaio chegou a enviar blindados para fazer a segurança de uma prisão de Pedro Juan Caballero após a fuga dos presos do PCC

Assim como ocorre no Brasil, o PCC também tem influência dentro das prisões paraguaias.

Em janeiro de 2020, cerca de 75 presos ligados ao PCC fugiram de uma prisão em Pedro Juan Caballero.

Já em fevereiro deste ano, sete presos foram mortos durante uma rebelião no presídio de Tacambú, o maior do país, em Assunção.

Segundo o governo, o motim começou depois que um preso filiado ao PCC foi transferido. Ele seria o responsável por distribuir drogas dentro da detenção, que tinha cerca de 4.100 presos, o dobro de sua capacidade.

Segundo um relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura, as prisões do Paraguai estão em péssimas condições, o que alimenta o controle dos locais por facções criminosas como o PCC.

O estudo aponta que 25% das 153 mortes ocorridas em presídios do país entre 2017 e 2020 foram causadas por agressões de terceiros.

Já o World Prison Brief (WPB), principal banco de dados mundial sobre sistemas carcerários e que é compilado pelo Instituto de Pesquisa de Políticas de Crime e Justiça (ICPR) do Reino Unido, aponta que a taxa de ocupação dos presídios paraguaios é de 143%.

Em entrevista recente à BBC, César Muñoz, pesquisador sênior da Human Rights Watch (HRW) para a América Latina, atribuiu a superlotação e as péssimas condições dos presídios sul-americanos como duas das causas do crescimento de facções criminosas na região.

"Se você tem uma cela que é feita para abrigar cinco pessoas, mas ela tem 30, os guardas não conseguem manter o controle do local. Então a superlotação favorece o crescimento de grupos criminosos", diz.

"As prisões são um elemento muito importante dessas redes, porque elas são um local de recrutamento", acrescenta.

Brasil : A SAGA DA DESEMPREGADA
Enviado por alexandre em 15/10/2021 00:49:40

Faz dois anos que não veja a geladeira cheia, isso dói, relata desempregada

'Saga' de desempregada de 62 anos por carne acaba com 3 quilos de carcaça e pele por R$ 12

  • Felipe Souza - @felipe_dess
  • Da BBC News Brasil em São Paulo
Legenda do vídeo,

Veja ‘saga’ de desempregada de 62 anos em busca da carne da semana com R$ 20

Um quilo de linguiça por R$ 18. Peito de frango por R$ 15,99, pé a R$ 7,99 e pescoço, R$ 5,29. A passadeira Lindinalva Maria da Silva Nascimento, de 62 anos, olha todas as opções na vitrine do açougue, mas todas são muito caras para os R$ 20 que ela tem para comprar carne para ela, o marido, um filho e dois netos comerem durante uma semana.

A BBC News Brasil a acompanhou em quatro açougues no Itaim Paulista, bairro do extremo leste de São Paulo, onde ela mora. Depois de quase duas horas, ela encontrou a única proteína animal que conseguiu comprar com R$ 12 para a família: 3 kg de carcaças e peles de frango.

Lindinalva trabalhava como passadeira em uma confecção no Bom Retiro, no centro de São Paulo, a cidade mais rica da América Latina. Com a chegada da pandemia, em 2020, foi dispensada, segundo ela, por fazer parte do grupo de risco.

Lindinalva comprando carcaças e pele de frango ao lado do neto dela

Crédito, Felix Lima/ BBC News Brasil

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Depois de quatro tentativas, Lindinalva encontrou um local que tinha carcaças e pele de frango para vender

Desde então, está desempregada e com a geladeira vazia.

"Antes da pandemia, a gente comprava alcatra à vácuo. Para quem estava acostumado a trabalhar, entra em pânico numa situação dessas. Eu tinha a geladeira lotada de carne. Hoje, tem uns frascos de óleo feito com osso de boi e pele de frango e um coentro congelado que meu vizinho doou", diz chorando à reportagem, ao lado da geladeira aberta.

Uma das pessoas que também a ajudam é a Maria Amélia, presidente da associação Canto Nascimento, que distribui cestas para famílias pobres do bairro. "Sempre me dá um mantimento quando estou desesperada", diz Lindinalva à reportagem.

Peregrinação por sobras

Refeição preparada com arroz, feijão carcaças e peles de frango comprados por Lindinalva

Crédito, Felix Lima/ BBC News Brasil

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Refeição preparada com arroz, feijão carcaças e peles de frango comprados por Lindinalva

A perda generalizada de renda e emprego, a alta da inflação, além dos constantes aumentos dos combustíveis e do gás, arrastou multidões para a pobreza. Com tanta concorrência em busca de sobras para colocar o mínimo de comida no prato da família, Lindinalva passa o dia em uma peregrinação em busca de açougues e avícolas que vendem ossos e carcaças de aves.

"Muitos dizem que não vão mais vender os ossos e que estão em falta. Mandaram eu passar aqui de novo umas 17h ou 18h para eles arrumarem uns ossos para eu comprar", disse depois de sair de um açougue perto da casa dela.

Lindinalva explica que, tanto os ossos quanto as peles de frango que ela compra, custam cerca de R$ 4 cada quilo.

Lindinalva cortando carcaça de frango que comprou perto da casa dela, na zona leste de SP

Crédito, Felix Lima/ BBC News Brasil

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O aumento no número de brasileiros passando fome passou de 10,3 milhões em 2018, para 19,1 milhões em 2020, um aumento de 85% em dois anos

"Os ossos eu cozinho e depois tiro os pedacinhos de carne que sobram para a gente se alimentar. Aproveito para colocar no feijão para ficar um gostinho de carne. Ontem foi assim. Com R$ 12 já dá para comer dois dias. Verdura não dá mais para comprar, está muito caro", afirmou.

Já a pele do frango, ela conta que frita numa panela sem óleo. A gordura que acumula no recipiente, Lindinalva guarda em potes vazios de maionese e de requeijão para depois fritar outros alimentos e usar no preparo de outras refeições.

O aumento no número de brasileiros passando fome passou de 10,3 milhões em 2018, para 19,1 milhões em 2020 (quase 10% da população), o que representa um crescimento de 85% em dois anos. Essa alta ainda não reflete a piora da crise, agravada pela pandemia no Brasil.

Essas pessoas fazem parte de um contingente de 116,8 milhões de brasileiros que convivem com algum grau de insegurança alimentar — quando uma família diz ter preocupação com a falta de alimentos em casa ou já enfrenta dificuldades para conseguir fazer todas as refeições. Esse número corresponde a 55,2% dos domicílios do país, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, realizado pela Rede Penssan.

Lindinalva na cozinha da casa dela

Crédito, Felix Lima/ BBC News Brasil

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Chorando, Lindinalva disse que vivia com fartura antes da pandemia, mas hoje precisa escolher entre pagar as contas e comprar o gás

A renda da família de Lindinalva é composta pela aposentadoria que ela recebe, no valor de R$ 1.200, dos bicos do marido como pintor (R$ 800) e do Bolsa Família, de R$ 200, recebido pelo neto.

Por outro lado, a família gasta R$ 600 todos os meses com aluguel e R$ 200 para comprar os remédios. Com pouco dinheiro, a rotina da família tem sido de escolhas diárias. No mês de outubro, ela deixou de pagar as contas de luz e de água para poder comprar um botijão de gás.

"Foi muito triste passar três dias sem gás. Deixei de pagar a água e a luz para comprar um botijão que custa R$ 110. Comprar uma fruta, verdura ou doce, nem pensar. Antes, eu tinha o congelador cheio de carnes e legumes. A geladeira tinha couve, tomate, cebola, era fartura. Hoje, ela está vazia e só tenho uma cebola na fruteira", diz chorando à reportagem.

Em 2021, o consumo de carne bovina no Brasil deverá ser de 26,4 quilos por pessoa, uma queda de quase 14% em relação a 2019, ano anterior à pandemia, e de 4% ante 2020.

Fila no centro de Recife para receber sopa feita com sobras de restaurante da região

Crédito, Arquivo pessoal

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Pessoas fazem fila no centro de Recife para receber sopa feita com sobras de restaurante da região

Esse é o menor nível registrado para consumo de carne bovina no país em 26 anos, segundo a série histórica da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), com início em 1996.

Até agosto, as carnes acumulavam aumento de preço de 30,8% em 12 meses, bem acima da alta de 9,68% da inflação geral, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Lindinalva disse que já tentou de tudo para voltar ao mercado de trabalho, mas não consegue um emprego desde que foi demitida no início da pandemia. Só na última semana, ela disse ter distribuído 20 currículos.

"Eu estou desesperada. Não sei mais o que fazer. Eles dizem que não tenho mais idade para trabalhar e que precisam de pessoas mais novas. Eu sou uma ótima funcionária, vou trabalhar até doente e não reclamo de nada. Eu só queria uma oportunidade", afirmou.

Dados da consultoria Kantar mostram que, em 17% dos lares brasileiros, ao menos uma pessoa perdeu o emprego em 2021. Destes, 80% eram das classes C, D e E.

A taxa teve uma melhora em relação ao final de 2020, quando 28% disseram que ao menos uma pessoa foi demitida.

Sopa de sobras

Os relatos de fome e desespero em busca de uma alimentação se multiplicam em todo o país.

Todas as tardes, dezenas de pessoas formam uma fila na porta de uma associação no centro de Recife, capital de Pernambuco. Minutos depois, cada uma delas deixa o local carregando um copo plástico com um caldo quente. A sopa é feita com as sobras de refeições doadas por um restaurante da região.

A empregada doméstica Maria do Carmo Santana, de 57 anos, disse que recorre à doação todos os dias porque não teria condições de fazer três refeições em casa.

Maria do Carmo Santana

Crédito, Arquivo pessoal

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Maria do Carmo Santana, de 57 anos, disse que recorre à doação todos os dias porque não teria condições de fazer três refeições em casa

"Meu marido é pintor e o trabalho dele mal paga as contas. Recebo R$ 150 de Bolsa Família que mal dá para comprar o gás, então a gente depende da ajuda dos outros, principalmente de quem mora na nossa comunidade", diz.

Ela, que vive com o marido em um barraco no Beco do Esparadrapo, diz que a refeição é a salvação para a família não passar fome.

"Com essa sopa, eu faço uma refeição a menos em casa. Hoje tem arroz, macarrão e salsicha. Agora, vou só comprar um pão para comer à noite. Meu marido é pintor e o salário dele mal paga as contas da casa, então quanto menos a gente cozinhar e gastar gás, melhor", disse à BBC News Brasil.

O Instituto Casa Amarela Social é um dos que ajudam famílias pobres de Recife, distribuindo cestas básicas e refeições. O grupo faz diversas campanhas para arrecadar doações.

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O G10 Favelas, grupo que reúne as 10 maiores comunidades do país, criou uma central de arrecadação para ajudar famílias de baixa renda de todo o país.

A alta de preços da carne começou antes da pandemia, puxada pela demanda da China, cujo rebanho suíno foi fortemente afetado pela peste suína africana.

A tendência foi acentuada no ano passado pela alta do dólar, que estimula as exportações, reduzindo a oferta do produto no mercado interno.

Pesaram ainda a seca, que piora a qualidade do pasto e aumenta a necessidade de uso de ração, elevando o custo de produção; e o menor abate de fêmeas, que são retidas pelos pecuaristas para produzir novos animais, aproveitando a alta de preços.

Com a somatória desses fatores, o resultado tem sido o sumiço da carne vermelha no prato dos brasileiros mais pobres. Isso forçou pessoas no Brasil inteiro, como a Lindinalva e a Maria do Carmo, a terem apenas as sobras como opção.

Brasil : BRASIL & EUA
Enviado por alexandre em 15/10/2021 00:43:11

Forças dos EUA aliado ao Exército brasileiro em exercício militar

Bolsonaro autoriza presença temporária de forças dos EUA no país para exercício militar


Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto em que autoriza o ingresso e a permanência temporária de militares dos Estados Unidos no território brasileiro para a realização de um exercício conjunto com o Exército de 28 de novembro a 18 de dezembro de 2021, na região do Vale do Paraíba, no trecho entre os municípios de Resende (RJ) e de Lorena (SP).

Os exercícios combinados das forças militares dos dois países, chamados de CORE (Combined Operations and Rotation Exercises), foram concebidos durante conferência bilateral realizada entre Brasil e EUA em outubro do ano passado, com o objetivo de incrementar a cooperação entre os dois Exércitos, conforme comunicado da Secretaria-Geral da Presidência.


O primeiro exercício foi realizado entre janeiro e março deste ano, em Fort Polk, no Estado norte-americano da Louisiana, e a previsão é que as manobras conjuntas ocorram todos os anos até 2028.

“Ressalte-se que iniciativas como esta se inserem no contexto do Acordo Bilateral entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América sobre Cooperação em Matéria de Defesa, firmado em Washington, em 12 de abril de 2010, e promulgado pelo Decreto nº 8.609, de 18 de dezembro de 2015”, destacou a nota da Presidência.

O Ministério da Defesa, por meio do Comando do Exército, é a instituição responsável pela organização e execução do chamado Exercício de adestramento CORE 21.

FONTE: Isto É


Forças Especiais participam de treinamento conjunto inédito em ambiente de selva

Por Mariana Alvarenga

Manaus (AM)– As Forças Especiais (FE) são formadas por militares designados a cumprir missões de alto risco. Nesta sexta-feira (08), 80 operadores militares, como são chamados os homens que integram as FE, finalizaram treinamento em Itacoatiara, no Amazonas.

A capacitação, que teve início em 27 de setembro, é inédita e teve foco na padronização e no nivelamento de procedimentos entre os militares das três Forças. O treinamento conjunto de ações diretas contra alvos em ambiente de selva abrangeu intercâmbio de conhecimentos em ações táticas em contato com o inimigo, tiro em combate, entre outros temas.

“Cada Força tem sua cultura operacional própria e um dos desafios é padronizarmos procedimentos. A interoperabilidade é a palavra que define a atuação das três Forças em uma missão em prol do nosso País”, salientou o Comandante de Forças Especiais do Exército no adestramento, Tenente-Coronel C. R. V. C.

A simulação de ataque a uma base estratégica inimiga marcou a finalização do exercício conjunto, com o uso de helicóptero, aeronave e navio. A atividade ocorreu em Itacoatiara, localizada a 470 km de Manaus. Em meio à floresta amazônica, os militares lidam com o calor e a umidade intensos e com os desafios de percorrer a vegetação selvagem. “Para missões como essa, algumas habilidades são essenciais, como resistência física, capacidade de conviver com o desconforto, cooperação, coragem e  persistência”, sublinhou o Comandante de FE do Exército.


O Capitão de Corveta G. W., da Marinha, reforça que o aprendizado entre os militares é intenso durante o treinamento. “A gente consegue explorar as capacidades de cada Força. As da Marinha, de percorrer os rios; as do Exército, de grande permeabilidade no terreno da Amazônia; e as da Força Aérea, com os meios aéreos”, disse ele.

O componente da Aeronáutica, Capitão A. S., pontuou a parte teórica do exercício. “Aperfeiçoamos conhecimentos em tiro tático e tiro de caçador, entre outros temas. Também, apresentamos as capacidades que a Força Aérea possui e que podem ser empregadas em ambiente de selva”, explicou.

Participaram do treinamento militares do Grupo de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) e do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, Batalhão Tonelero, ambos da Marinha; do Destacamento de Ações de Comandos e do Destacamento de Forças Especias do Exército; e do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (Parasar), da Aeronáutica. 

Os nomes dos operadores especiais não são expostos devido ao sigilo em torno do treinamento.

Fotos: Antonio Oliveira


Exército tem as primeiras cadetes paraquedistas


Rio de Janeiro (RJ) – O dia 9 de outubro de 2021 foi longo, decisivo e muito aguardado para os alunos do Curso Básico Paraquedista 21/2. Durante todo o dia, os instruendos do curso colocaram suas expectativas no quarto salto, programado para acontecer à tarde. Somente após esse salto, podem ser chamados de paraquedistas. Neste ano, entre os pretendentes a ostentar o brevê de prata, o boot marrom e a boina grená, estão as primeiras cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras.

Comandante Militar do Leste

Logo bem cedo, por volta das 7h da manhã, já se escutava, na Base Aérea dos Afonsos, as turbinas ligadas da maior aeronave militar produzida no Brasil, o KC-390 Millenium. O Comandante Militar do Leste, General de Exército José Eduardo Pereira, liderou a atividade matinal, saltando na primeira leva, e sendo acompanhando por integrantes do Comando Militar de Área. Ainda pela manhã, entre decolagens, lançamentos e aterragens, os 171 alunos concluíram o terceiro salto.

À disposição do Centro de Instrução Pára-quedista, os estagiários, deram início à Operação Boot no período da tarde. A atividade consiste da realização do quarto salto da aeronave, da marcha, armados e equipados e, por fim, do reconhecimento da tomada da cabeça de ponte, agora feita pelos novos paraquedistas militares do Exército.

Na próxima sexta-feira, dia 15 de outubro, será realizada uma formatura de brevetação dos novos paraquedistas de 2021. Os estagiários concludentes do Curso Básico Paraquedista 21/2 compõem uma turma histórica, que integra as primeiras oito cadetes do segmento feminino à tropa especializada aeroterrestre.

Fonte: Comando Militar do Leste

Brasil : A FOME NO BRASIL
Enviado por alexandre em 14/10/2021 00:06:41

Fome avança e atinge 20 milhões de brasileiros

A fome no Brasil avança e atinge, em dois anos, mais nove milhões de pessoas. O levantamento mais recente da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) indica que no total 19,1 milhões de cidadãos se enquadram neste perfil, ou 9% da população brasileira.

O estudo foi realizado em dezembro do ano passado, em 2.180 domicílios das cinco regiões do Brasil, tanto em áreas urbanas como rurais. A entidade também concluiu que, com a pandemia da Covid-19, cerca de 116,8 milhões estão em algum grau de insegurança alimentar — leve, moderado ou grave.

A Rede Penssan explica que a insegurança alimentar acontece quando o indivíduo não tem acesso pleno a alimentos. Os dados da pesquisa indicam que o número corresponde a mais da metade da população brasileira, estimada em 213,6 milhões.

Além disso, o montante equivale a mais de duas vezes a quantidade de habitantes da Argentina, de 45,3 milhões, segundo o Banco Mundial.

O Nordeste foi a região brasileira com o maior número absoluto de pessoas nessa condição. De acordo com o estudo, são quase 7,7 milhões de nordestinos que passam fome, dentro do que se considera grave insegurança alimentar.

A região Norte, por sua vez, representa 14,9% das pessoas que não têm o que comer no país. Apesar de ocupar uma parcela significativa nesse ranking, os estados nortistas abrigam apenas 7,5% da população do país.

Fome cresce com pandemia

Na última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), relativa a 2017-2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimava que 10,3 milhões de famílias moravam em domicílios com insegurança alimentar grave.

Dessa forma, desse período até 2020, a quantidade de cidadãos passando fome no território nacional cresceu em 8,8 milhões.

(*Sob supervisão de Adriana Freitas)

Brasil : PESTE SUÍNA
Enviado por alexandre em 12/10/2021 01:51:33

Ceará registra surto de peste suína e Rondônia não é zona livre da doença

Nove animais de uma mesma criação foram diagnosticados com a doença


Brasil registra surto de peste suína Foto: Pixabay

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) confirmou a ocorrência de um surto de peste suína clássica (PSC) no Brasil. De acordo com o comunicado, a infecção foi registrada no Ceará.

Ao todo, nove animais foram diagnosticados com a doença. Eles faziam parte de uma criação de subsistência. Dos nove, oito morreram da doença, e um foi sacrificado.

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– As investigações ainda estão em andamento para identificar a origem e as ligações epidemiológicas. As medidas de erradicação serão implementadas com abate dos animais existentes na propriedade e contatos dentro da mesma unidade epidemiológica – diz o boletim da OIE.

A peste suína clássica é também conhecida como cólera dos porcos ou febre suína. Trata-se de uma doença de origem viral, altamente contagiosa e afeta suínos e javalis. Letal nos animais, a doença não traz riscos à saúde humana e nem causa impacto na saúde pública.

O último registro da infecção no Brasil ocorreu em outubro do ano passado, em uma criação de subsistência no Piauí.

O Brasil tem 15 estados, além do Distrito Federal, considerados zona livre da doença:

– Rio Grande do Sul;
– Santa Catarina;
– Paraná;
– Minas Gerais;
– São Paulo;
– Mato Grosso do Sul;
– Mato Grosso;
– Goiás;
– Distrito Federal;
– Rio de Janeiro;
– Espírito Santo;
– Bahia;
– Sergipe;
– Tocantins;
– Roraima e
– Acre.

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