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Justiça : SERÁ VERDADE?
Enviado por alexandre em 26/04/2017 00:54:42


Causa verdadeira do adiamento do depoimento de Lula

Blog do Reinaldo Azevedo

Nem a decisão de prender Lula, como queria a extrema direita, nem o medinho de Sergio Moro, como queria a esquerda. Menos ainda a dificuldade de a Polícia Federal cuidar da segurança do evento. Se o depoimento do petista ao juiz for mesmo adiado, é outra coisa que está na raiz da decisão. E atende pelo nome de “prova”. Ou falta dela. Essa palavrinha de cinco letras tem muito mais poder do que outra, de nove: “convicção”. Explico tudo.

O depoimento-bomba de Léo Pinheiro diz respeito ao apartamento tríplex do Guarujá. O MPF sustenta que o imóvel pertence a Lula. O ex-presidente nega. O empreiteiro endossou a versão dos procuradores.

Quem se conformou com a esmagadora maioria dos relatos da imprensa sobre o depoimento de Pinheiro a Moro acabou perdendo coisas importantes. Quem não se conformou, no que fez bem, assistiu ao depoimento na íntegra e até pode ter lido um post deste blog, publicado no dia 21, às 8h15.

Naquele post, pontuei, apontando a minutagem, os momentos mais importantes do depoimento. Entre esses momentos, estavam estes três:

24min50s – Léo Pinheiro diz que, com efeito, o casal Lula da Silva tinha apenas adquirido uma cota de um apartamento-tipo, de oitenta metros quadrados: o 141, que os interlocutores do petista liberaram para venda. O casal, no entanto, não chegou a fazer a “adesão”, e o apartamento continuou em nome da OAS.

2h16min – Zanin levava consigo documentos provando que a OAS, numa emissão de debêntures, listou o tal tríplex entre as suas propriedades.

2h20min – O advogado de Lula afirma que, em seu processo de recuperação judicial, em 2015, a OAS listou o imóvel entre suas garantias. E voltou a fazê-lo em janeiro deste ano.

Retomo

Pois é… Eu acho que o apartamento pertence, sim, a Lula. Sites e blogs mais idiotas do que o meu também. É possível que pensem o mesmo até os eventualmente mais inteligentes, existindo. Mas e daí? Desde quando a convicção de jornalistas define culpa e inocência? Sim, há uma penca de testemunhas, que agora inclui Léo Pinheiro, que sustenta: o apartamento é de Lula.

Mas vejam lá os documentos de fé pública. Eles apontam que não. Se o apartamento é de Lula e se a OAS o lista, em operações no mercado (debêntures) e negociação com o estado (recuperação judicial), como propriedade sua, a empresa está cometendo mais um crime.

Pinheiro tentou se safar afirmando que isso é coisa normal e coisa e tal… O que é normal? Então a empresa servia de laranja para Lula, tinha em seu nome um apartamento que pertencia ao outro e, muito pragmática, o incluiu na lista de seus bens?

Vocês entenderam onde está o nó da questão? Ao escrever isso, não estou negando que o apartamento seja de Lula. Eu acho que é, reitero. O que estou dizendo é que o estado de direito pede que o órgão acusador forneça a prova de que é. Até porque é essa prova que servirá, então, de… prova de dois outros crimes: corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Como há uma boa possibilidade de que você não goste de Lula, corre o risco de achar um absurdo que documentos valham mais que testemunhos. Faça um breve exercício e pense no contrário: alguém, com uma penca de testemunhos contra você, tenta lhe tomar uma propriedade, ao arrepio de toda a documentação, que está a seu favor. Qual seria a sua escolha? Qual deve ser a escolha do tribunal?

Ah, então Lula tem de ser inocentado?

Se o MPF não produzir a prova, a resposta é “sim”, ora essa! Ou, porque não gostamos de Lula, vamos inaugurar agora uma nova prática, que consiste em ignorar as evidências materiais em benefícios de testemunhos? Atenção! Este não é um debate sobre verdade ou mentira, moralidade e amoralidade. Estamos falando de direito e de regras.

Se Sergio Moro não tiver nada além dos testemunhos contra Lula — ATENÇÃO! REFIRO-ME AO CASO DO APARTAMENTO APENAS! —, será jantado pelo petista.

“Provas”

Entre as ditas “provas” entregues por Léo Pinheiro de que o apartamento pertencia a Lula está o registro da passagem pelo pedágio, a caminho de Guarujá, de dois veículos do Instituto Lula, ligações de Léo Pinheiro para assessores de Lula e registro do encontro do empresário com o petista. Bem, avaliem vocês mesmos…

Lula é rápido. Num seminário promovido pelo PT nesta segunda, ele afirmou: “As provas contra mim são o pedágio…”.

E deu a sua versão para o depoimento de Léo Pinheiro:

“Foi tanta pressão em cima do Léo, condenado a 26 anos (…) Estou vendo delatores com casa com piscina, em condomínios onde moram desembargadores. Desse jeito, o Léo vai falar até da mãe dele”.

Que os delatores vivem uma vida de nababos, isso, convenham, todos sabemos. O caso de Sérgio Marchado é o mais vergonhoso. Não sei a idade de Léo Pinheiro, mas já deve passar dos 70. Está condenado a 26 anos… até agora! A pena pode aumentar. Pode ser apenado, por exemplo, por corrupção ativa nesse caso do apartamento de Guarujá e em outro, o do sítio de Atibaia. Se isso acontecer, a pena se aproxima facilmente dos 40 anos.

Para Léo Pinheiro, a delação pode ser a diferença entre ser solto daqui e a pouco e… morrer na cadeia.

Em 2016, ele fez acordo com o MPF para delatar o que sabia. Mas Rodrigo Janot anulou tudo sem dizer por quê. Ninguém ficou sabendo de nada. A Folha publicou um texto com este título: “Delação de sócio da OAS trava após ele inocentar Lula”.

Para encerrar

Léo estava em delação em 2016 e, pois, se está falando a verdade agora, mentiu no ano passado. Mas esperem: se mentiu no ano passado, e a punição que lhe sobreveio foi severa, por que estaria falando a verdade agora, quando a versão pode lhe trazer um enorme benefício?

Oh, sim, inconformado leitor! Eu acho que o apartamento é de Lula. Mas não sou o órgão acusador e não preciso provar nada. A minha opinião também não manda ninguém para a cadeia. Já o MPF é órgão acusados e precisa apresentar a prova. Moro, por sua vez, à diferença de Reinaldo Azevedo, não tem apenas uma “opinião”. Ele tem nas mãos o destino das pessoas.

Sua opinião é irrelevante. Ele precisa é das provas.

Como, até agora, elas não apareceram, o encontro Lula-Moro deve ser mesmo adiado. Ou Lula vencerá facilmente o embate do dragão da maldade contra o santo guerreiro.

ATENÇÃO! O MINISTÉRIO PÚBLICO PRECISA SER MAIS EFICIENTE EM PRODUZIR PROVAS DO QUE EM PRODUZIR NOTÍCIAS!

Lula provoca FHC: Tucanos estão desaparecendo


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alfinetou, em entrevista, hoje, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ontem, o tucano minimizou as pesquisas que colocam o petista como líder na corrida presidencial para 2018 e disse se tratar de mera "projeção no vazio".

"O que você acha que ele [FHC] te diria se estivesse na frente na pesquisa? Você acha que ele te diria o mesmo? (...)", perguntou Lula em entrevista à "Rádio Cidade", de Natal, ao responder sobre a declaração do tucano.

"Obviamente, acho ser muito cedo para pesquisa, mas certamente os meus adversários não criticariam pesquisas se eles estivessem em primeiro, pelo mesmo em segundo. Pior é que nem em segundo [lugar] estão. Não sei se você percebeu que nas pesquisas os tucanos desaparecem. Começam a aparecer pessoas que não são nem conhecidas ainda" declarou o petista

Pesquisa inédita do Ibope divulgada na semana passada mostra que Lula voltou a ser o presidenciável com maior potencial de voto entre nove nomes testados pelo instituto. A última pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial de 2018, realizada em dezembro do ano passado, mostrou Lula em primeiro lugar nas quatros simulações de primeiro turno. Pesquisa CNT/MDA, de fevereiro deste ano, também trazia o petista à frente.

Hoje, Lula disse ainda que os adversários rebatem as pesquisas porque elas "assustam". "Você sabe o que apanhei, você sabe o que apanho todo santo dia. É de madrugada, é de manhã, é no almoço, é na janta, é meia-noite, é na novela. O que acho que preocupa os meus adversários, que sonham em me destruir, para evitar que eu seja candidato em 2018, é que, quando faz uma pesquisa, eu apareço em primeiro lugar. É isso que deve deixar eles com sono, deve deixar eles muito amargos. Ficam pensando: 'o que vamos fazer para destruir o Lula?' Isso assusta", disse.

O ex-presidente voltou a citar que não sabe se será candidato. "É muito cedo para discutir a eleição de 2018." Mas, em tom claro de discurso, o ex-presidente antecipou que planeja uma viagem pelo Nordeste em breve para "conversar com as pessoas". A viagem começaria pela Bahia e iria até o Maranhão.

"Eu quero defender o legado do PT, o partido que mais gerou empregos, mais aumentou salário, mais levou energia à casa das pessoas, fez mais rodovias, teve coragem de fazer transposição [do rio São Francisco] e que fez o povo brasileiro recuperar a autoestima. Nós temos condição de consertar o Brasil", declarou.

Justiça : TUDO AQUI
Enviado por alexandre em 21/04/2017 12:58:25


STF: julgar até ladrão de galinhas

Acusa-se o Supremo de lentidão - mas o fato é que lhe deram muitas atribuições sem reforçar sua estrutura. O tribunal que deveria julgar só temas constitucionais chega a cuidar de ladrões de galinhas. E o foro privilegiado agravou a situação: hoje, há 500 processos contra autoridades Para julgá-los, onze ministros. Agora, com a delação da Odebrecht, surgem mais 74 processos. A OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, sugeriu a convocação de juízes instrutores para auxiliar os ministros. A medida é autorizada pelo regimento interno do Supremo.

A ministra Carmen Lúcia, presidente do STF, decidiu convocar um "grupo de reforço especializado" para dar agilidade aos processos de quem está relacionado à Operação Lava Jato. A assessoria de imprensa do STF diz que a decisão não tem nada a ver com o pedido da OAB. Coincidência. (Carlos Brickmann)

Justiça : AS DELAÇÕES
Enviado por alexandre em 17/04/2017 21:47:31


“Generalização é a salvação dos canalhas”, afirma jurista

O jurista Célio Borja, de 88 anos, ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), alerta para o risco de as delações da Odebrecht serem tomadas como "verdade absoluta", antes que as investigações prossigam. "A generalização é a salvação dos canalhas", diz Borja, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Para ele, esse clima de descrença em torno da política pode levar ao autoritarismo. "Essa confusão entre quem é sério e quem não é ajuda a inventar salvadores da pátria".

O que mais o assombrou nessas delações da Odebrecht?

O que me assombra é que as delações estejam sendo tomadas como verdade absoluta. As delações não são prova. A responsabilidade penal depende de prova. As delações são apenas a narração de fato que pode ser criminoso ou não. Às vezes não é criminoso. Por exemplo, dizer que o candidato recebeu doações. É preciso provar que ele sabia que doações vinham de fonte ilícita. Mas ninguém se preocupa com isso. Pelo fato de ter sido citado em delação, ele acaba no rol dos culpados. Estão criminalizando quem não é absolutamente criminoso. E estão colocando nessa triste posição quem não tem nada a ver com isso.

Quem o sr. vê nessa situação?

Essa pergunta não se responde. Ela personaliza e eu não quero personalizar nada.

Qual caminho o sr. vê a partir das delações?

O caminho das investigações. O primeiro passo é não dar à delação o valor de prova. Ela apenas exige que a polícia investigue o fato delatado. A partir da constatação de que a delação procede, aí sim se iniciar ação penal e responsabilizar os culpados. Não se deve generalizar. A generalização é a salvação dos canalhas. Quando o sujeito que rouba diz, mas todo mundo rouba, ele pensa que está atenuando a culpa dele. Não é verdade. Primeiro que nem todo mundo rouba. E se todos roubassem, deveriam ir para a cadeia e não se eximirem da cadeia porque todo mundo rouba.

O sr. acredita que este momento em que o brasileiro está descrente da política, possa abrir caminho para o autoritarismo?

Às vezes, abre mesmo. Já tivemos essa experiência. Em 1930, quando Getúlio Vargas, derrotado na eleição, promoveu uma revolução para se instalar no poder, havia grande desgosto contra aumento dos subsídios dos deputados e senadores, que era considerado escandaloso. Isso levou a certo enfraquecimento dos conceitos que se tinham dos parlamentares, não do Congresso. E naturalmente um político arguto e esperto, como era o presidente Vargas, valeu-se disso para praticamente transformar o Brasil numa ditadura. A meu ver, para evitar esse caminho, é tratar com grande cuidado essa questão da transparência. Hoje se jogam na mesma lama parlamentares corretos e decentes e os incorretos e indecentes. Essa confusão de quem deve e quem não deve, quem é sério e quem não é, ajuda muito a inventar salvadores da pátria.

As delações mostram que a Odebrecht financiou políticos de direita e de esquerda com dinheiro de caixa 2. O sistema político atual sobrevive?

Eu acho que seria uma boa oportunidade para refazer o sistema partidário. Não é possível existirem partidos que dependem exclusivamente de dinheiro público, como é o caso do Fundo Partidário. Ninguém sabe qual a aplicação que se faz desses recursos. É uma aberração. Os partidos têm que depender dos seus filiados. Estou contribuindo para partidos nos quais jamais votaria, porque o dinheiro do imposto que pago vai para eles também.

Diante das delações, o governo e o Congresso têm legitimidade para tocar as reformas que estão sendo discutidas, como a da Previdência e a trabalhista?

Têm. A legitimidade do Congresso advém da Constituição, não da nossa simpatia ou antipatia por ele. Se você não tiver Congresso, o País fica acéfalo. Isso é pior que tudo. Nós estamos, por assim dizer, jogando rede que envolve todos, quando existem deputados e senadores de muito boa qualidade moral.

É possível comparar a situação brasileira à situação italiana pós­Operação Mãos Limpas?

É possível fazer comparação entre o que ocorreu na Itália e o que está acontecendo no Brasil. É perfeitamente legítimo. A solução que se deu lá talvez nos sirva aqui. Uma limpeza geral nos partidos, na vida política de um modo geral e certo cuidado com o dinheiro na política.

A Operação Mãos Limpas abriu caminho para que a Itália tivesse um primeiro ministro neoliberal, o Silvio Berlusconi.

Não acredito que o Brasil siga caminho parecido. O que se passou na Itália não foi imediatamente após a Mani Pulite. Não foi consequência. Pelo contrário, foi uma reação contra a Mãos Limpas. E aqui acho que não há nenhum candidato a Berlusconi.

A eleição de 2018 está ameaçada?

De maneira nenhuma. Sempre se fez eleição no Brasil sem caixa 2. Não é necessário que haja dinheiro para que haja campanha eleitoral. Eleição se faz gastando sola de sapato. Hoje, sabe-se tudo pelas redes sociais. As redes sociais têm poder muito grande. Meus netos sabem tudo pelas redes sociais. Eu vou ler amanhã as notícias que eles têm hoje.

Organizações como Ministério Público e Judiciário vão se sobrepor às instituições políticas?

Vão se sobrepor, não tenha dúvida. O que o Ministério Público e a polícia ocupam de espaço, o que fazem com as instituições, com as pessoas, nunca foi cogitado antes. Os antigos pensadores políticos e filósofos diziam que a consciência moral evolui, se aperfeiçoa ao longo do tempo. Vamos aprendendo com nossa própria experiência e corrigindo o que estava errado. Creio que o que houve foi isso: a consciência moral do povo brasileiro evoluiu. O que se tolerava antes, não se tolera hoje. Não creio que as instituições políticas tenham enfraquecido. Enfraqueceram-se pessoas, partidos, candidatos, posições políticas. As instituições, propriamente, não se comprometeram.

Nos últimos tempos, o Supremo também assumiu outro papel.

Há muito tempo. Mas o Supremo não deve se imiscuir em política. A garantia que o povo tem que a Justiça se fará é o não envolvimento dos juízes, especialmente do Supremo, em paixões políticas. Ele pode e deve corrigir o que é contra a Constituição, o que é evidentemente imoral. Mas não se deve imiscuir em questões políticas. O Supremo vai julgar as ações penais que advirem dessas investigações. Não houve no passado nada semelhante ao peso que essas ações terão, nem o mensalão.

Justiça : JOGO MORTAL
Enviado por alexandre em 15/04/2017 22:40:50


Brasil já registra suicídios e mutilações ligados ao jogo ‘Baleia Azul’

Folha.com

Não bastassem as recentes tentativas de suicídio envolvendo estudantes da USP e toda a polêmica em torno da recém-lançada série “13 Reasons Why” (algo como 13 razões pelas quais), da Netflix, uma nova brincadeira macabra tem sido registrada no país.

Trata-se de um suposto jogo de incentivo ao suicídio, o “Blue Whale”, ou o desafio da Baleia Azul, que teve origem nas redes sociais da Rússia e se espalhou pela Europa nos últimos dois anos.

Nele, os adolescentes são previamente selecionados para participar de 50 desafios, cumprindo tarefas que incluem escrever frases e fazer desenhos com lâminas na palma da mão e nos braços, assistir a filmes de terror de madrugada, subir no alto de um telhado ou edifício, escutar músicas depressivas, mutilar partes do corpo. A última “missão” é tirar a própria vida.

Ao menos três Estados brasileiros (Mato Grosso, Minas Gerais e Paraíba) estão investigando casos de suicídio e de mutilações relacionadas ao jogo.

Em Vila Rica (MT), uma menina de 16 anos cometeu suicídio na terça (11). Segundo a polícia, ela deixou duas cartas onde falava sobre as regras e a cronologia das ações a serem cumpridas e também apresentava alguns cortes nos braços e coxas.

À revista “Veja”, a mãe da garota relatou que a filha havia mudado de comportamento nos últimos dois meses e que encontrou um papel em que a estudante havia escrito com a própria letra regras a serem cumpridas, como “abrace os seus pais e diga a eles que os ama”, “peça desculpas”, “tire a sua vida”. O documento está com a polícia.

Em Pará de Minas (MG), a polícia investiga a morte de um jovem de 19 anos, na última quarta (12), que, segundo a família, também estava participando do “Baleia Azul”. À polícia, a mãe do rapaz relatou que ele vinha tentando deixar o grupo, vinculado ao jogo, mas sofria uma pressão muito grande e nos últimos dias agia de forma estranha.

Afirmou ainda que ele já tinha cumprido alguns desafios, como tirar uma fotografia assistindo a um filme de terror, filmar a ele mesmo no alto de um edifício e chegou a se cortar tentando desenhar uma baleia no braço com uma lâmina de barbear quebrada, desafio que não terminou. O rapaz era casado e tinha uma filha recém-nascida.

A Polícia Civil mineira, que investiga o caso, diz que o grupo que o jovem participava está sendo investigado e foram encontrados participantes com idades entre 10 e 20 anos de todos os Estados brasileiros.

Na Paraíba, o setor de inteligência da Polícia Militar abriu na terça-feira (11) uma investigação para apurar a participação de estudantes de João Pessoa no “desafio da Baleia Azul”. As denúncias são de que alunos de uma escola da capital estariam participando do grupo e já teriam realizado “tarefas” de automutilação.

Essa é uma situação muito séria. E é preciso um especial cuidado na forma como essas notícias estão sendo divulgadas. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), quando o assunto é veiculado ao público de modo adequado, pode ocorrer o efeito de prevenção de mortes e discussão saudável.

Por outro lado, quando feito de modo descuidado, o resultado pode ser exatamente o oposto. Um manual da OMS orienta, por exemplo, que devem ser evitadas descrições do método usado para provocar a morte.

O número de suicídios entre jovens tem aumentado em todo o mundo e, na maioria dos casos, há algum transtorno mental associado, em geral, a depressão.

Por isso, pais, muita atenção com seus filhos adolescentes, especialmente quando apresentarem mudanças bruscas de comportamento. Nos dois casos relatados acima, no Mato Grosso e em Minas, os jovens deram sinais de que havia algo errado. Infelizmente, não houve tempo hábil para nenhuma intervenção.

O “desafio da Baleia Azul” é também um caso de polícia. Instigar uma pessoa ao suicídio é crime, passível de pena de dois a seis anos de prisão. Se souber de grupos incentivando o jogo, denuncie.

E, por fim, não custa lembrar que o CVV (Centro de Valorização da Vida) presta um serviço incrível por meio do telefone 141. Também é possível entrar em contato e receber apoio emocional via internet, a partir de e-mail, chat e Skype 24 horas por dia.

Justiça : O GRANDE DIA
Enviado por alexandre em 13/04/2017 08:51:25


Dia 3 de maio: Lula x Moro: O interrogatório de “Nosso Guia” como réu tem tudo para vir a ser um espetáculo, e ele está armando o cenário

Elio Gaspari, O Globo

Na sexta-feira, 3 de maio, Lula e o juiz Sérgio Moro terão seu primeiro encontro. “Nosso Guia" (título que lhe foi conferido pelo então chanceler Celso Amorim) será interrogado na condição de réu, acusado de ter recebido dois mimos da empreiteira OAS.

Um foi a “entrega” de um apartamento reformado no Guarujá. Outro, o custeio do armazenamento de bens de sua propriedade. Tudo somado, o Ministério Público acusa Lula de ter sido beneficiado com cerca de R$ 3,7 milhões (nada a ver com o “Amigo” do caderninho da Odebrecht).

Ele nega ter recebido esses favores e diz que está “ansioso” por esse depoimento, “porque é a primeira oportunidade que eu vou ter de poder saber qual é a prova que eles têm contra mim.”

Há um mês, Lula depôs espetacularmente na 10ª Vara Federal de Brasília, no processo que investiga a tentativa de compra do silêncio de um ex-diretor da Petrobras. Transformou a audiência de 50 minutos num comício.

O juiz ajudou-o com perguntas genéricas e ele passou nove minutos falando bem de si e de seu governo. Intitulou-se “o mais importante presidente da história deste país", fundador do “partido que fez a maior política de combate à corrupção da história deste país".

Quando foi convidado a falar “um pouquinho" do Instituto Lula, fechou o depoimento com uma catilinária de 12 minutos, durante os quais contou uma piada velha (a do sujeito que discursa quando a luz da geladeira se acende) e deu pelo menos 15 tapas e socos na mesa.

Disse duas vezes que não nomeou diretores para a Petrobras, pois essa é uma tarefa do conselho de administração da empresa. Fica combinado assim.

O PT está convocando suas bases para uma manifestação em Curitiba na hora do depoimento de Lula. Numa trapaça do tempo, no dia 3 de maio completam-se 50 anos da apresentação do filme “Terra em Transe,” de Glauber Rocha, no festival de Cannes (A obra do cineasta baiano só fora liberada porque seria apresentada na mostra). Milhares de pessoas na rua, Lula num palanque como réu, e o juiz Moro com sua camisa preta seriam cenas à espera de um Glauber.

Lula já maltratou Moro, mas ultimamente vem alisando seu pelo. A boa etiqueta judicial determina que todas as perguntas e respostas de um interrogatório tenham relação com o processo, mas um réu como Lula pode argumentar que sua fala faz parte da estratégia da defesa. Daí a contar que passou quatro dias na fazenda de seu amigo José Carlos Bumlai sem conseguir pescar um só peixe vai distância enorme.

Moro e os advogados de defesa de Lula já tiveram grandes bate-bocas, sempre com um lado querendo calar o outro.

O juiz tem autoridade para cortar a palavra ou corrigir a conduta do depoente. Num episódio inesquecível ocorrido no século passado, o magistrado José Frederico Marques cortou o cigarro do governador Adhemar de Barros: “Réu não fuma". E Adhemar não fumou.

Moro poderá embargar a divulgação do vídeo por algumas horas. Terá mais trabalho se quiser impedir a gravação de um áudio clandestino. Nesse caso, não poderá reclamar caso ele vá ao ar, pois foi um mestre na divulgação imprópria de um telefonema de Dilma Rousseff a Lula.

O suspense do espetáculo de Curitiba dependerá do equilíbrio entre a vontade de Lula de falar e a de Moro de ouvir. Pela primeira vez desde o início da Lava-Jato, Lula poderá sequestrar o espetáculo.

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