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Brasil : ESTRESSE O RISCO
Enviado por alexandre em 14/09/2021 10:23:04 (64 leituras)

Estresse alto aumenta risco de hipertensão, derrame e ataque cardíaco, revela estudo

Condição leva à produção de hormônios que aumentam o risco destes eventos para a saúde

Altos níveis de estresse pode causar hipertensão, derrame e ataque cardíaco, diz pesquisa
Altos níveis de estresse pode causar hipertensão, derrame e ataque cardíaco, diz pesquisa Getty Images/Westend61

Sandee LaMotteda CNN

O estresse está bombando continuamente em suas veias? Mesmo que sua pressão arterial esteja normal agora, altos níveis de estresse podem colocá-lo em risco de desenvolver hipertensão na próxima década ou mais adiante, descobriu um novo estudo.

Quando o hormônio do estresse, cortisol, continua a aumentar ao longo do tempo, você também pode estar em maior risco de ter um derrame, ataque cardíaco ou doença cardíaca, de acordo com a pesquisa publicada nesta segunda-feira (13) no Circulation, o jornal da Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês).

É mais um estudo que ilustra a ligação entre a mente e a saúde cardíaca de uma pessoa, disse o cardiologista Glenn Levine, professor de medicina do Baylor College of Medicine em Houston, que não esteve envolvido no estudo.

“Estresse, depressão, frustração, raiva e uma visão negativa da vida não só nos tornam pessoas infelizes, mas têm um impacto negativo em nossa saúde e longevidade”, disse Levine, que presidiu a declaração científica da AHA sobre a conexão entre o bem-estar mental e as doenças cardíacas.

“Ao desenvolver a declaração da AHA, analisamos todos os dados que pudemos encontrar e concluímos que fatores negativos de saúde psicológica, como estresse, estavam claramente associados a muitos fatores de risco cardiovascular“, disse Levine.

A boa notícia, disse Levine, é que, como a mente, o coração e o corpo estão interconectados e interdependentes, uma pessoa também pode melhorar sua saúde cardiovascular se esforçando por uma perspectiva psicológica positiva.

“Você pode decidir mudar sua mentalidade sobre essa situação estressante ou estabelecer limites – apenas por estar ciente de que pode evitar que o estresse se torne tóxico para você”, disse a especialista em gerenciamento de estresse Cynthia Ackrill, editora da revista Contentment, produzida pelo Instituto Americano de Stress. “Não devemos descartar nossa capacidade de ter um papel em nosso bem-estar“, disse Ackrill, que não esteve envolvida no estudo.

Maior impacto sobre os jovens

O novo estudo acompanhou 412 adultos multirraciais entre 48 e 87 anos com pressão arterial normal, medindo os níveis de hormônios do estresse na urina em vários momentos entre 2005 e 2018. Os níveis hormonais foram comparados a quaisquer eventos cardiovasculares que possam ter ocorrido, como hipertensão, dores no coração, ataques cardíacos e cirurgia de ponte de safena.

“Pesquisas anteriores se concentraram na relação entre os níveis de hormônio do estresse e hipertensão ou eventos cardiovasculares em pacientes com hipertensão existente. No entanto, faltavam estudos em adultos sem hipertensão”, disse o autor da pesquisa, Dr. Kosuke Inoue, professor assistente de epidemiologia social na Universidade de Kyoto, no Japão, em comunicado.

O estudo testou três hormônios – norepinefrina, epinefrina e dopamina – que regulam o sistema nervoso autônomo e controlam funções involuntárias do corpo, como frequência cardíaca, pressão arterial e respiração. Inoue e sua equipe também analisaram os níveis de cortisol, um hormônio esteroide que é liberado pelo corpo em reação ao estresse agudo, como o perigo.

Uma vez que o perigo passa, o corpo reduz a produção de cortisol, mas se uma pessoa está continuamente estressada, os níveis de cortisol podem permanecer elevados. “Norepinefrina, epinefrina, dopamina e cortisol podem aumentar com o estresse de eventos da vida, trabalho, relacionamentos, finanças e muito mais”, disse Inoue.

Dobrar os níveis de cortisol sozinho – mas não de norepinefrina, epinefrina ou dopamina – foi associado a um risco 90% maior de sofrer um evento cardiovascular, descobriu o estudo. Cada vez que os níveis combinados de todos os quatro hormônios do estresse dobraram, o risco de desenvolver pressão alta aumentou entre 21% e 31%.

O efeito foi mais pronunciado em pessoas com menos de 60 anos, um achado preocupante, de acordo com os pesquisadores. “Nesse contexto, nossos resultados geram a hipótese de que os hormônios do estresse desempenham um papel crítico na patogênese da hipertensão entre a população mais jovem”, escreveram eles.

O estudo teve limitações, incluindo a falta de um grupo de controle e o uso de apenas uma medida – análise de urina – para testar os hormônios do estresse, observaram os autores. Ainda assim, examinar os hormônios do estresse extraídos da urina ao longo do tempo é considerado algo “limpo e novo”, disse Levine.

“É uma forma um tanto objetiva, pelo que podemos dizer com ferramentas imperfeitas, de categorizar as pessoas que provavelmente estarão mais estressadas na maior parte do tempo.”

O que fazer?

Como posso saber se corro o risco de ter problemas cardíacos devido a níveis elevados de hormônios do estresse? “Embora não saibamos quais são os nossos níveis de cortisol na urina, existem maneiras de aprendermos a refletir sobre se podemos ter alguns fatores psicológicos negativos”, disse Levine.

“Se reconhecermos que tendemos a ficar estressados, frustrados ou irritados com frequência, é útil refletir sobre quais são exatamente as coisas que nos levam a esses estados”, acrescentou. “Assim que fizermos isso, podemos realmente sentar e decidir cuidadosamente, vale a pena permitir que essas coisas me levem a ficar estressado ou frustrado?”

Ficar ciente do que desencadeia seu estresse permite que você seja capaz de interromper as respostas hormonais automáticas, antes que elas acionem seu sistema circulatório, disse Ackrill. “Ficamos preocupados com alguma coisa, de modo que nosso sistema nervoso simpático acelera tudo. Precisamos de nosso coração batendo rápido para manter nossa pressão sanguínea alta para que tenhamos uma boa circulação e possamos fugir do perigo”.

“Você pode intervir mais cedo, quando estiver apenas começando a montar sua resposta ao estresse, com alguma respiração profunda ou outra proposta de relaxamento”, acrescentou Ackrill. Isso permitirá que as funções executivas do cérebro entrem em ação, dando-lhe opções de como lidar com a situação.

“Frequentemente, deixamos nossa mente reagir rapidamente a algo antes de realmente termos tempo para permitir que nossos níveis mais elevados de funcionamento cognitivo, nosso córtex pré-frontal, trabalhem”, disse Levine. “Devemos fazer uma pausa, ponderar, digerir, e levar alguns segundos para decidir qual é a maneira mais hábil de reagir”.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)


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