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Brasil : TODOS PELA VIDA
Enviado por alexandre em 02/09/2021 13:37:38

Um adeus repentino, uma ferida em quem permanece
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) estima que 01 milhão de pessoas comentam o autoextermínio anualmente ao redor do mundo.

Uma doença silenciosa que atinge cada vez mais a humanidade. “A gente acredita que essa seja uma tragédia que só acontece com as outras pessoas, até nos deparamos com ela dentro das nossas casas, tomando de conta das nossas vidas”, declara.

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) estima que 01 milhão de pessoas comentam o autoextermínio anualmente ao redor do mundo. Na prática, é como se uma pessoa atentasse contra a própria vida a cada 40 segundos. “Chegamos a conversar sobre o assunto. Houve uma primeira vez. Saber que alguém que está ao teu lado tem pensamentos de se matar, ou tentativas não é fácil. Para quem convive, o cenário passa configurar um sistema de impotência, de desconfiança. A gente tenta levar, mas o medo da pessoa cometer tal situação nos amedronta sempre. Infelizmente, hoje o meu depoimento é de alguém que talvez não pode fazer mais do que poderia ter feito, ou talvez nem tenha feito”, esclarece.

Por trás de cada suicídio estão pelo menos 135 pessoas que vão ter o psicológico de alguma forma abalado. São maridos, esposas, filhos, pais, mães, namorados (as) amigos ou colegas de trabalho. Pesquisa também demonstra que para cada autoextermínio,108 milhões de indivíduos serão prejudicadas anualmente. “Era madrugada quando meu telefone tocou. Eu atendi. Foram alguns minutos conversando, até eu ser surpreendido por uma frase: “vou me matar”. Você não acredita de início. Mesmo assim, desviei do assunto e passei a falar como as coisas na vida eram boas, procurei motivá-lo, dar esperanças, dar importância dele para todos, inclusive para mim. Ele parecia estar cansado, chegou a dizer algumas palavras entre elas, “eu te amo”. Ouço algo cair, tipo como se raspasse o chão. Eu chamava, ficava ouvindo. Um silêncio tomou de conta. Ainda permaneci uns cinco minutos ao telefone buscando contanto. Cheguei a retornar à ligação. Ali, naquela madrugada acabava tudo. Ele buscava por sua paz, uma paz que aqui na terra não tinha conseguido aos 33 anos. Eu lamento muito que tudo tenha terminado desta maneira”, confessa.

Durante uma tarde de domingo, um olhar para ao vazio puxam lembranças de um momento complicado da vida do nosso personagem. Tentamos convence-lo para se identificar, mas preferiu o sigilo, não porque tenha vergonha do ocorrido, mas declara ser uma tentativa de guardar os fatos ainda presentes.

No dia 28 de julho completaram três anos da morte repentina de Luiz G. dos S. V., na época com 33 anos. “Quando soube foi como se eu tivesse despencado dentro de um abismo, mas esse abismo habitava em mim mesmo. Tudo ao meu redor parou, meu corpo, meus pensamentos, o ar. Eu parei. É como se seu coração fosse arrancando de dentro de você ainda vivo”, revela.

O laudo da Polícia Civil constatou que a causa da morte ocorreu porsuicídio consumado. “Talvez as pessoas devam está perguntando, mas e depois, como fica? Não fica. Você precisa encontrar forças e continuar a sua caminhada. A dor do luto é a mesma. O primeiro passo é tentar não se culpar. No início a gente se questiona bastante. Sofre muito, afinal, é como se o que você tinha domínio escapulisse das suas mãos. Se os pensamentos forem insistentes busque ajuda psicológica”, declara.

Um indivíduo com histórico de tentativa prévia de suicídio aumenta em 40 vezes na comparação com a população geral.  Estudo realizado em nove países constatou que 10 a 18% das pessoas mostram uma fixação suicida. Destas, 3 a 5% já tentaram tirar a própria vida.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde (MS), são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos. Dos episódios, 96,8% eram relacionados a transtornos mentais como a depressão, transtorno bipolar e por último abuso de substâncias químicas. Considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo o suicídio encontra-se entre as três principais causa de morte em pessoas com idades entre 15 e 29 anos.

Especialistas dizem que o comportamento de um suicida, inclui alguns aspectos e são divididos em graus crescentes variando de intensidade a gravidade. A diferença de alguns conceitos psicopatológicos são fundamentais para compreender o complexo fenômeno do suicídio como por exemplo: as ideias de morte; ideias; ideias suicidas; desejo de suicídio; intenção de suicídio; plano de suicídio; tentativas de suicídio; atos impulsivos e por último o suicídio consumado.

No Brasil, o número de mortes por autoextermínio aumentou 12% em quatro anos. Em 2015, foram 11.736 notificações ante 10.490 registradas em 2011. O levantamento é do Ministério da Saúde. O país é o 8º no planeta em números absolutos de suicídios. A maior incidência de registros é comprovada entre os homens, na sequencia estão as mulheres.

Há sete anos, entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Conselho Federal de Medicina (CFM), realizam o evento “Setembro Amarelo”. A entidade acredita que o suicídio não pode mais ser visto como um tabu.

Na cartilha (Suicídio, Informando para Prevenir), destaca que entre 2000 e 2012 houve um aumento de 30% de casos entre os jovens. O Departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DDANT), reconhece que o avanço do problema no País é um fato que precisa ser combatido.

O suicídio não ocorre apenas em países de alta renda, sendo um fenômeno em todas as regiões mundiais. De fato, 79% dos suicídios ocorreram em países de baixa e média renda em 2016.  Trata-se de um grave problema de saúde pública. No entanto, os suicídios podem ser evitados em tempo oportuno, com base em evidências e com intervenções de baixo custo. Para uma efetiva prevenção, as respostas nacionais necessitam de uma ampla estratégia multissetorial.

Mais informações:
https://www.setembroamarelo.com

Fonte - News Rondônia

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