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Mais Notícias : Minha arma de defesa não é fugir, diz Battisti
Enviado por alexandre em 13/10/2017 08:24:21

Minha arma de defesa não é fugir, diz Battisti



Folha de S.Paulo - Joelmir Tavares

É num sobrado simples em Cananeia, no litoral paulista, que o italiano Cesare Battisti espera seu futuro ser decidido em Brasília.

A tranquilidade da vida que leva na cidade de 12 mil habitantes foi interrompida há pouco mais de uma semana. Detido no dia 4 numa viagem à fronteira com a Bolívia (prisão que ele diz ter sido fraudulenta), foi considerado fugitivo e viu crescerem as pressões para que seja extraditado.

"A minha arma para me defender não é fugir. Estou do lado da razão, tenho tudo a meu lado", disse ele à Folha na tarde desta quinta-feira (12).

A trama se arrasta em solo brasileiro desde 2004, quando o ex-militante de extrema esquerda condenado pela morte de quatro pessoas chegou ao país. Ele nega a acusação. Com apermanência autorizada em 2010 pelo então presidente Lula e solto desde 2011, Battisti achava que tudo tinha se resolvido.

O esforço da Itália para repatriá-lo e fazê-lo cumprir a condenação à prisão perpétua, no entanto, nunca cessou.



Nesta semana, o governo Michel Temer decidiu revogar a condição de refugiado do italiano. O caso também depende de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), onde sua defesa entrou com um habeas corpus.

O mesmo STF, em 2009, chegou a aprovar a extradição, depois derrubada por Lula, a quem Battisti chama de "um bom estadista". Ele pede que Temer resista ao que chama de pressões do governo italiano.

Vivendo na casa emprestada por um amigo, o escritor está construindo um imóvel para morar em Cananeia. A renda vem da ajuda de amigos e parentes na Itália e na França, além da renda de livros que lançou e de traduções que faz.

Casado com uma moradora da cidade desde 2015, teve filho com uma ex-companheira em São José do Rio Preto. O menino, de quatro anos, é uma das razões que Battisti diz ter para ficar. "Ele [Temer] vai separar um filho do pai por toda a vida?"

Folha - O sr. tem dito que a prisão por evasão de divisas em Corumbá foi uma "trama" e que estava sendo vigiado. Como aconteceu?

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