Segundo o sociólogo, candidatos à reeleição ou a “troca de cargo” têm vantagens sobre os candidatos que aparecem pela primeira vez.
“Políticos que disputam reeleição ou eleição para outras funções públicas o fazem em condição de significativa vantagem sobre os demais candidatos, pois dispõem de relativo controle institucional, orçamentário e comunicacional quase exclusivos. Isso nos leva, evidentemente, a pensar criticamente sobre o próprio instituto da reeleição, assim como sobre o sentido da representação política”, diz Seráfico.
Buscar um novo cargo eletivo antes de concluir o que exerce não assegura ascensão na política, afirma o cientista social Marcelo Seráfico. Ele lembra que não há na Constituição e na Lei Complementar nº 64/90 restrição à plena elegibilidade.
Para Seráfico, a “ascensão” política depende de outros fatores dentre os quais a ampliação das bases eleitorais e as articulações partidárias suficientes para sustentar uma campanha.
“Os eleitores escolhem seus candidatos a partir de critérios variados, que vão desde motivações ideológicas claras (como o partilhamento de determinados projetos de sociedade) até aquelas que se apresentam como se fossem a negação das ideologias, que são as mais ideológicas e nocivas ao debate sobre a vida coletiva”, diz o especialista.
Para Seráfico, novas esperanças e frustrações passadas podem condicionar o voto dos eleitores. “Às vezes, a ilusão com a novidade e a desilusão com escolhas pretéritas servem de referência para as escolhas, o que termina por esvaziar o conteúdo propriamente político delas, que passam a ser condicionadas pela superficialidade publicitária”, diz.
Para o cientista social, o político que abandona um mandato para concorrer a outro deveria perder o cargo anterior em caso de derrota nas eleições para qual se candidatou. “A decisão de abandonar um mandato para concorrer a outro deveria ser pensada como uma escolha legítima, mas com ônus e bônus. Perdidas as eleições, perdido deveria ser o mandato abandonado (o cargo anterior). Não sendo assim, os mandatos tendem, sim, a ser vistos como plataformas de ascensão numa carreira. O que não são ou deveriam ser”, afirma.